RESUMO Diante do mercado globalizado, empresas entendem que para se manter no mercado e a frente dos concorrentes, é necessário investimentos com o consumidor interno e na sua qualidade de vida, relevando os processos utilizados para desenvolver as tarefas designadas. Neste contexto, engenheiros, psicólogos e profissionais de gestão de pessoas se empenham em reunir conhecimentos para otimizar o processo de produção do trabalhador, considerando potencial físico e intelectual, tópicos relevantes que incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, qualidade de vida, comportamento, erro humano, inter-relação e treinamento, e a importancia da aplicação dessas disciplinas na organização, almejando mudanças na forma de trabalhar e pensar dos colaboradores. Palavras chave: Endomarketing, Ergonomia Cognitiva, Otimização de Proceços. DEFINIÇÃO A ergonomia é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. O médico italiano Bernardino Ramazzini foi o primeiro a escrever sobre doenças e lesões relacionadas ao trabalho, em 1.700. Era discriminado pela sua classe trabalhista por acompanhar seus pacientes aos locais de trabalho a fim de identificar a causa dos problemas. No século XIX, Taylor lançou o livro “Administração Científica” onde trazia uma abordagem que buscava melhorar as maneiras de desenvolver suas tarefas. Na segunda guerra mundial, com o advento de modernas máquinas e armas sofisticadas, notou-se que aeronaves modernas e em perfeito estado de funcionamento ainda caiam, e observaram que os controles não eram tão lógicos. Resolveram então redesenhar as cabines dos aviões, buscando otimização. Em 1949 Murrel, engenheiro inglês, reconheceu a ergonomia como disciplina científica e fundou a primeira associação nacional de Ergonomia, composta por engenheiros, psicólogos e fisiologistas que buscavam a interação trabalho X homem. BASES A ergonomia baseia-se em muitas disciplinas em seu estudo dos seres humanos e seus ambientes, incluindo antropometria, biomecânica, engenharia, fisiologia e psicologia. No Brasil, a formação em ergonomia tem como ponto de partida algumas disciplinas de nível técnico e conteúdos em várias graduações, como desenho industrial e engenharia de produção, tornando mais efetiva nos cursos de especialização. ÁREAS A Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especializaçã. O primeiro é a Ergonomia Física, que lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica. O segundo é a Ergonomia Organizacional, relacionada com a otimização dos sistemas socio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. A terceira e também foco de estudo deste artigo é a Ergonomia Cognitiva, também conhecida engenharia psicológica, refere-se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, qualidade de vida, comportamento, erro humano, inter-relação e treinamento. APLICAÇÃO DA ERGONOMIA COGNITIVA E SUA RELAÇÃO COM O ENDOMARKETING A ergonomia cognitiva é usualmente aplicada em organizações que buscam analisar os processos utilizados para desenvolver uma tarefa buscando mensurar a importância de uma etapa ou processo e sugerir métodos otimizados, onde busca redução de tempo, redução de custos e de energia motora gasta para concluir a tarefa. Alguns fatores encontrados se relacionam com o bem estar do colaborador, o que contribui diretamente com sua produção, sendo esses o aumento da sua força de conexão com o trabalho, recompensa, punição, estímulos e satisfação das necessidades de aprender e a semelhança entre essas situações em um conjunto. O ambiente empresarial, no mundo globalizado, é marcado por uma acirrada concorrência, na busca de crescimento, desenvolvimento tecnológico e mudanças econômicas, exigindo assim, aprendizado necessário a realidade atual. Este cenário conduz o alinhamento de departamentos responsáveis para criar estratégias que permitam desenvolvimento das pessoas através da ergonomia de seu trabalho, sua valorização, treinamento, empatia, comprometimento e cooperação, encontrando vertentes no estudo do Endomarketing relacionada e sua corelação com as disciplinas que embasam a Ergonomia Cognitiva. Kotler e Armstrong (1999, p. 457) citam que as empresas de serviços dedicam sua atenção tanto nos funcionários como nos clientes externos, por compreenderem que os lucros obtidos pela empresa, originam-se da satisfação do empregado e do consumidor. Os autores enfatizam as entrevistas com candidatos a gerência, com o presidente da rede de hotéis Marriott: Bill Marriott diz aos candidatos que a cadeia de hotéis deseja satisfazer três grupos: clientes, funcionários e acionistas. Embora todos os grupos sejam importantes, ele pergunta em que ordem esses grupos dever ser satisfeitos. A maioria dos candidatos responde que os clientes devem vir primeiro. Marriott, contudo, pensa de modo diferente. Primeiro, os funcionários devem ser satisfeitos, pois se gostarem do trabalho e sentirem orgulho do hotel irão atender bem os clientes. Os clientes satisfeitos retornam com freqüência ao Marriott. Além disso, lidar com clientes felizes faz com os funcionários fiquem ainda mais satisfeitos, resultando em melhores serviços e maior repetição de negócios. E tudo isso produzirá um nível de lucro que irá satisfazer os acionistas (Kotler e Armstrong – 1999, p. 457). Alguns cientistas definem que o ambiente de trabalho influencia na integração de seus colaboradores, bem como as técnincas utilizadas para desenvolver o trabalho e ainda a valorização da mão de obra profissional. Uma vez que se têm o processo documentado e o ambiente estruturado, nota-se a praticidade para trabalhar, o que reflete em melhorias no ambiente interno da organização, traduzidas em aumento de produção. MIRANDA (2003, p. 10) cita que endomarketing é uma criação brasileira e única, que surgiu da necessidade de uma ferramenta que abordasse o conceito de mercado e da estrutura organizacional ligada ao contexto de acompanhar as mudanças internas e externas do comércio. “ao detectar que a empresa possuía alguns problemas como baixa integração entre seus diversos departamentos, visões discrepantes sobre as funções de cada um deles, as pessoas não conheciam bem a empresa que trabalham. Era preciso um instrumento eficaz para ressintonizar, promovendo uma reorientação de objetivos, ao lado de uma reordenação interna da empresa”. Uma organização inclui vários tipos de públicos. KOTLER e ARMSTRONG (1999, p. 48) esclarecem que público “é qualquer grupo que tenha interesse real ou potencial ou que cause impacto na capacidade da empresa de atingir seus objetivos”. Uma empresa orientada para o mercado considera o público externo, chamado de clientes, em primeiro lugar na busca da lucratividade. As grandes e bem sucedidas empresas sabem que para atrair e manter estes clientes é necessário desenvolver padrões de qualidade em seus serviços e atendimento e atribuir novas tarefas ao seu publico interno (colaboradores) orientando sempre da importância do seu trabalho através de programas de motivação relacionada às disciplinas da ergonomia cognitiva, visando aperfeiçoar o processo desenvolvido pelo profissional, relacionado ao seu bem estar e qualidade do trabalho. O bom relacionamento do empregado com o mercado e o conhecimento do negócio é essencial para que organizações atraiam e mantenham clientes. Um dos objetivos fundamentais das organizações também é atrair e manter bons clientes internos. Para BERRY e PARASURAMAN (1995, apud HEMAIS E SILVA, 2005, p. 02) o marketing interno deve: Atrair, desenvolver, motivar e reter os empregados qualificados com empregos-produtos que satisfaçam suas necessidades. Marketing interno é a filosofia que trata os empregados como clientes e é a estratégia de moldar os produtos-trabalho para que se adaptem às necessidades de seres humanos. SORIANO e SORIANO (1992, apud FRANCO, MENDES e ALMEIDA, 2001, p. 06) o marketing interno consiste num conjunto metodológico e técnico de gestão com o propósito de conseguir que “recursos humanos adotem uma atitude voluntária e espontaneamente orientada para a qualidade de um produto/serviço, que é necessário para alcançar altos, consistentes e estáveis níveis de qualidade quer internamente, quer externamente em todos os departamentos da empresa”. Não é de agora que as mudanças da economia são notadas. Com a Revolução Industrial, observou-se uma grande mudança de valores, não se imaginava que o mercado se tornaria o maior predador da humanidade. Consequência desta mudança de valores advindas do apelo capitalista, o homem e a sua relação com o mercado produtivo sofreu diversas inferências no seu transcurso, que acabou resultando em grandes perdas e um crescente grau de abssenteísmo na força de trabalho que nos traz, hoje, uma consequência com sérias dificuldades nas ações de reversão do processo predatório desenvolvido pelo próprio homem. Felizmente, já existem setores da sociedade científica e corporativa, que em nossos dias já despertaram para a emergente ação na reversão de afastamentops temporários, que acarretam prejuízos corporativos e ao sistema previdenciário. A Ergonomia é uma área do conhecimento que tem como um de seus principais objetivos a análise da situação real de trabalho, a fim de construir parâmetros e proposições de transformações que viabilizem o conforto, a segurança e a eficiência na execução do trabalho, projetando ou adaptando situações de trabalho, compatíveis com as capacidades e os limites do homem, otimizando assim seu processo. FECHAMENTO As teorias da Ergonomia Cognitiva e suas vertentes no Endomarketing podem ser aplicadas no desenvolvimento de ferramentas de ações sistematizadas em virtude de uma política de qualidade de vida e processos produtivos dentro de uma organização, e a relevância da cultura dos povos na aplicação de novos sistemas e métodos de trabalho e no modo de percepção, margeando a confiança nos novos métodos inerentes a um grupo. Os sistemas de qualidade em disseminação, quando de sua possibilidade em humanizar os processos volta-se a racionalizar o homem ao sistema e a interface da pessoa com o método. As definições analisadas argumentam pontos que favorecem a adaptação da cultura organizacional no que tange à mudança de conceitos, que tratam da valorização da mão de obra, e consequentemente aumento da liquidez da organização. REFERÊNCIAS Disponível em HTTP://pt.wikipedia.org/wiki/ergonomia, acesso em 28 de fevereiro de 2011; Disponível em http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/sergiotese.pdf, acesso em 28 de fevereiro de 2011; Disponível em http://ergonomianomarketingramalho.blogspot.com/2010/10/revolucao-industrial-e-seus-efeitos.html, acesso em 01 de março de 2011; FRANCO, M. J.B.; MENDES, L. A. F.; ALMEIDA, A. A. Marketing interno: uma abordagem teórica. 2001. Disponível em http://www.dge.ubi.pt/investigacao/TDiscussao/TD022001.pdf, acesso em 01 de março de 2011. MIRANDA, Valquíria Rodrigues. Endomarketing: um aperfeiçoamento contínuo. 2003. Monografia – Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro; SANTOS, Andréa Salete, Endomarketing como Ferramenta de Projeção do Docente do Curso de Pós Graduação em Gestão Estratégica de Pessoas, Unopar, Londrina, 2010; SILVA, A. K. A.; MOREIRA, E. C.; DUARTE, E. N. Aplicação do Endomarketing como estratégia para despertar no cliente interno o interesse por marketing. 2000; Everton Maker de Paula SouzaFAAr Administração Geral