GESTÃO DO RISCO DE CRÉDITO. RESUMO O presente artigo tem como objetivo demonstrar a importância da Gestão de Risco no Crédito. Através de uma aplicação teórica abordando conceitos, análises de riscos, técnicas e ferramentas a fim de proporcionar às organizações melhor eficácia na recuperação do capital emprestado, minimizando os riscos inadimplência. Palavras Chaves: Gestão, Riscos, Crédito, Análise de Crédito. RISCO DE CRÉDITO A maneira mais antiga de risco no mercado financeiro é, sem dúvida, os riscos de crédito. Desde antes de qualquer método estratégico de análise já era de consciência do concedente do empréstimo, a probabilidade do tomador não cumprir com seu compromisso e deixar de pagar suas obrigações. De acordo com Duarte Jr (2005), os riscos organizacionais podem ser classificados em quatro dimensões, são elas: Risco de Mercado, Risco Legal, Risco Operacional e por último o Risco de Crédito, o qual será apresentado nesse artigo. Entende-se com uma definição simplificada que o Risco de Crédito se dá quando existe a possibilidade do tomador do empréstimo receber um valor presente e não honrar com seus compromissos de pagamentos de um valor futuro. Esses riscos podem subdividir-se nas seguintes áreas e suas respectivas características: Riscos Definição Inadimplência Perdas potenciais decorrentes de uma contraparte não poder fazer os pagamentos devidos de juros ou principal no vencimento destes. Degradação Perdas potenciais devido à redução do rating de uma contraparte. Garantia Perdas potenciais devido à redução do valor de mercado das garantias de um empréstimo. Soberano Perdas potenciais decorrentes de uma mudança na política nacional de um país que afete sua capacidade de honrar seus compromissos. Concentração Perdas potenciais diante da concentração da exposição de crédito em poucas contrapartes. Fonte: Duarte Jr. (2005 p.5-6) GESTÃO NO RISCO DE CRÉDITO A Gestão de Riscos tem papel fundamental na prevenção de perdas na organização. O gestor tem como responsabilidade aplicar técnicas e análises para o risco de inadimplência advinda do tomador do empréstimo. Para que seja possível administrar as perdas, é necessário primeiramente que a empresa defina, com clareza, qual o perfil da sua carteira de crédito. Para que assim possa formalizar indicadores que demonstrem até onde a organização está disposta a arriscar. A fim de diminuir os riscos sob a carteira de crédito é interessante que a organização busque mesclar os setores de atuação de seus clientes, pois, caso ocorra alguma crise, não afetará a carteira de maneira geral. Esse processo tem melhor aplicabilidade em bancos, em algumas empresas onde os clientes atuam em um único setor, devem atentar-se as tendências do mercado. O processo de crédito segue basicamente quatro fases até o recebimento: Obtenção e Verificação de Informação; Avaliação do risco do cliente; Estruturação e decisão da operação; Monitoramento; Recebimento. O fator chave para uma concessão de crédito vem das informações, financeiras ou não, obtidas do seu cliente para que assim possa verificar a capacidade de pagamento e a veracidade dos dados adquiridos. Existem diversos meios para consolidar essas informações, podendo ser através de Ficha Cadastral, Análise restrições financeiras, Entrevistas, Consulta do Fluxo de Conta Corrente, Histórico do Cliente, Balanço Patrimonial, DRE, etc… 6 'Cs' DO CRÉDITO A análise clássica do crédito é um sistema especializado que depende, acima de tudo, do julgamento subjetivo de profissionais treinados (Caouette, Altman e Narayanan, 1998) Na grande maioria das vezes a ferramenta mais utilizada para análise de crédito são os 5 'Cs' do crédito criado em 1972 por Weston e Brigham que é composto por Caráter, Capacitação, Capital, Condições e Colateral. Em 2000, no Brasil, Silva incorporou o 6º 'C' que acrescentaria a análise Conglomerado. Esses 'Cs' são considerados apenas como uma estrutura, podendo um ou mais 'C' ser excluídos, alterados e/ou acrescentado de acordo com a necessidade do organização. Para melhor entendimento dos 'Cs' supramencionados, seguem descrições abaixo: Caráter: O caráter refere-se à índole do tomador do empréstimo e sua predisposição em pagar o financiamento firmado. Obtendo essas informações, através de registros, as empresas tem maior facilidade na tomada de decisão, pois, poderão verificar em negociações passadas se o tomador atendeu as expectativas de pagamentos de financiamentos anteriores. Nesse elemento é consultado também se o cliente está inscrito em órgãos de restrição ao crédito como, por exemplo, Serasa, SCPC, Cadin, cartórios ou se existe ações judiciais contra a empresa e/ou sócios. Capacidade: Trata-se da capacidade do proponente em ressarcir o crédito solicitado, visando o quanto a empresa suporta de endividamento. São analisadas as demonstrações financeiras, enfatizando a liquidez, nos fluxos de caixa. Capital: Representa a potencialidade financeira do requerente do crédito, refletida por sua posição patrimonial. A análise da dívida, os índices de liquidez e as taxas de lucratividade são comumente utilizados para avaliação do capital. Colateral: Consiste nos ativos que o tomador do empréstimo tem disponíveis para oferecer em garantia ao financiamento caso não honre com suas obrigações. Condições: Refere-se às condições econômicas e setoriais vigentes, assim como elementos especiais que possam vir a afetar tanto o tomador como o credor. Conglomerado: Nesse fator é considerado análise de risco do empreendimento, o seu grau de inserção e integração em um coletivo de empresas. CONCLUSÃO Conclui-se através do artigo apresentado que a Gestão de Riscos de Crédito é uma área que exige extrema pericia na captação de informações, identificações dos riscos, ponderar o custo-benefício, controlá-lo e mitigá-lo caso necessário. Com esses fatores, a carteira de clientes da organização sofre muitas variações durante os meses, ou seja, é de suma importância o acompanhamento do fluxo de recebimento para que o gestor possa tomar as melhores decisões de acordo com o risco que a empresa está suscetível a ocorrer naquele momento. Acredita-se que a empresa com maior sucesso na captação de recursos financeiros é a que tem um melhor equilíbrio nas estratégias de gerenciar a análise dos riscos do crédito. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAOUETTE, John B., ALTMAN, Edward. I e NAYANAN, Paul.Managing Credit Risk – The next great Financial Challenge, New York: John Wiley & Son Inc., 1998. DUARTE JR, Antonio Marcos. Gestão de Riscos para Fundos de Investimentos. São Paulo: Pretince Hall ,2005. NOGUEIRA, Vanessa Zanatta Machado. GESTÃO DE RISCOS: A importância do gerenciamento de riscos nas empresas e na EMGEA. Brasília, 2005. SILVA, José Pereira da. Gestão e Análise de Riscos de Crédito. São Paulo: Atlas, 2000. http://www.sebraepr.com.br/PortalSebrae/sebraeaz/Os-Cs-do-cr%C3%A9dito Desenvolvido por: Bruno Arruda Pires, aluno do 8° Semestre de Administração da Faculdade Integração Tietê (FIT-UNIESP), Tietê, São Paulo.