INTRODUÇÃO As empresas hoje independentes das atuações no mercado, sendo fornecedoras de produtos ou serviços sentem-se obrigadas a satisfazer as necessidades dos clientes como um dos princípios básicos. Se os clientes não se sentem bem atendidos e se acreditam que poderiam ser melhor atendidos em outro lugar, a organização ou empresa certamente morrerá. O compromisso de servir e satisfazer as necessidades de todos é a chave para o sucesso de uma organização. Isto se aplica não somente a clientes externos, mas sim em todos os relacionamentos, sejam com os clientes externos, ou os clientes internos, fornecedores, chefes, colegas de trabalhos, subordinados ou outros envolvidos, ou seja, a todos os stakeholders. Gestão Participativa Fazendo necessário uma revisão dos métodos tradicionais de gestão, adaptando-os de uma forma organizacional que não tinha mais um desempenho referente às necessidades da valorização do capital, num ambiente extremamente competitivo e globalizado, ligado diretamente à introdução de novas tecnologias, que em primeiro lugar, tinha como objetivos econômicos de competitividade, isto é, a redução de gastos para maximização dos lucros, e em um segundo ponto estaria a adaptação do pessoal da empresa aos objetivos, através de cursos, palestras e sistemas participativos e pelo deslocamento e ate demissão de trabalhadores. A gestão participativa vem como uma resposta a estas novas necessidades no âmbito da produção capitalista, em que as atividades intelectuais e de comunicação que integram crescentemente a atividade produtiva, incluindo os trabalhadores da linha de produção, o que diverge da concepção de Taylor, para quem os trabalhadores não necessitavam pensar, já que as tarefas administrativas limitavam-se aos gestores, reduzindo o potencial da empresa e dos trabalhadores. A gestão participativa refere-se a uma situação em que os trabalhadores interferem diretamente ou por intermédio nos procedimentos administrativos, comerciais, em fim, nos assuntos gerais da empresa. A aplicação da gerência participativa ocasiona a redução de absenteísmo (ausências dos trabalhadores, seja por falta ou atraso, devido a algum motivo interveniente) e rotatividade de pessoal, através do incremento da satisfação dos colaboradores; aumento de produtividade, desempenho e satisfação no trabalho, facilitam a comunicação e introduz coesão de equipe, além de proporcionar o surgimento de talentos e de idéias. O QUE É CAIXA DE SUGESTÕES OU BANCO DE IDÉIAS Basicamente a caixa de sugestões ou banco de idéias é uma ferramenta utilizada pelas empresas para colher a idéia, sugestões e criticas dos clientes, cujo principal intuito é a melhorias dos serviços prestados. Este meio permite que as empresas analisem os pontos que não estão satisfazendo as necessidades expostas pelos clientes e direcione os esforços para solucionar tais problemas, vale lembrar que estas iniciativas só se concretizam se a organização der um feedback aos clientes. No seu nível mais básico, a orientação para o cliente envolve os produtos ou serviços explicito ou implícito em um relacionamento de fornecimento. Um serviço implícito entre os funcionários, por exemplo, é a maneira mais simples de observar os seus relacionamentos. Outro pode ser a assunção de cumprir com seus compromissos. A orientação para o cliente envolve responder às suas reclamações, resolver seus problemas e responder aos seus pedidos de maneira que eles sintam que suas necessidades foram atendidas e satisfeitas. Em um nível mais avançado, orientação para o cliente inclui extrair continuamente do feedback dos clientes os pontos que identificam suas necessidades, e monitorar sua satisfação. Essa é também uma atitude que se transforma em uma vantagem competitiva da organização. Essa ferramenta não somente auxiliam as empresas com os clientes externos, mais também com os clientes internos com a Caixa de Sugestão a empresa pode coletar também as opiniões de seus funcionários, descobre o que pensam e suas idéias para melhorar o ambiente de trabalho, tudo funciona da mesma forma como com os clientes externos. Novas Tecnologias Um método comum que vem crescendo no meio empresarial, principalmente oferecidas como artifício para fugir das 'caixas' que ficam espalhadas pelos corredores das organizações, é a utilização em seus sites de um link especialmente desenvolvido para suprir essa necessidade e que possibilita um contato com as empresas mais cômodo e algumas vezes ate menos constrangedor. O feedback está evoluindo com a tecnologia. Muitas empresas utilizam programas no qual os usuários de Internet criam idéias para desenvolvimento de produtos. Cada sugestão é disponibilizada na Internet e avaliada pelos outros internautas. Novas idéias para feedback dos clientes não necessitam estar totalmente relacionadas à tecnologia. A escola de administração hoteleira da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, promoveu recentemente um concurso de fotografias diferente. Os pesquisadores entregaram para os hóspedes do Statler Hotel, o hotel-escola da universidade, uma máquina fotográfica descartável e pediram que fotografassem os elementos causassem forte impressão, sejam bons ou ruins. Os filmes eram revelados, o hóspede ganhava uma cópia das fotos e as opiniões eram discutidas numa entrevista de follow-up. Quase quatro de cada cinco hóspedes devolveram as máquinas com pelo menos uma foto batida. Essas fotografias revelaram detalhes que talvez não surgissem em um cartão de comentário, como alusões ao conforto do hotel. Stephani Robson, professor sênior da Cornell que trabalhou no projeto, diz que um “comentário” visual de um cliente é importante para aprender o que não pode ser expresso em palavras. “Hotéis são planejados por pessoas que pensam no que parece bonito, mas podem não pensar no que funciona ou não”. Custumer-made Esse novo meio de envolver o cliente é parte de uma tendência chamada custumer-made, ou 'feito pelo cliente', pode se dizer em outras palavras essa tendência é o fenômeno pelo qual as empresas desenvolvem produtos e serviços em parceria com clientes experientes e criativos, usando suas idéias e retribuindo pelo que realmente é produzido. Os consumidores em geral estão dispostos a dar feedback, mas as empresas nem sempre estão dispostas a ouvir, o que pode ocorrer é os clientes acostumados com essa nova tendência ficarem mais irritados com as empresas que não possuem esses meios, que não respondem as mensagens ou que não reagem as sugestões. Já com o a rede mundial de computadores (internet) as opiniões dos consumidores são debatidas com outros clientes, causando um interesse maior por parte das empresas. Utilização das idéias É difícil acreditar que a velha caixa de sugestões seja uma ferramenta ideal para viabilizar a participação dos funcionários e dos clientes na gestão da empresa. Praticamente todas as grandes empresas já aposentaram esse método antigo e pouco eficiente de expor idéias. E, mesmo entre pequenos negócios, muita gente também já o deixou de lado, pois um processo de implementação de uma idéia é muito mais importante do que a sugestão em si. Basicamente a empresa não precisa de uma boa idéia mais o empreendedor precisa também abrir espaço para que as sugestões sejam discutidas e analisandas. O grande problema da caixa de sugestões, é que a idéia não é aperfeiçoada. Um funcionário tem uma sugestão que possa melhorar ou uma critica sobre determinado assunto, expõe suas idéias, essa idéia caso seja de interesse do gerente do setor, comunica o autor (feedback). Caso contrario, não à uma resposta, as idéias são simplesmente descartadas, desestimulando completamente o interesse dos funcionários em fazer uma sugestão, pois o colaborador não terá a certeza de que suas idéias foi de fato discutidas e avaliadas, seja ela qual for. Mesmo quando o líder decide convocar o autor da idéia depositada na caixa de sugestões para discuti-la, não se trata da melhor opção. Expor uma idéia na caixa de sugestões é algo muito impessoal e chamar o autor para uma discussão futura não tem a mesma eficácia que permitir que ele venha até você assim que a idéia surgir. O processo de amadurecimento e desenvolvimento da idéia, em conversas informais com outras pessoas e em reuniões, acaba sendo extremamente produtivo para a empresa. É mais eficaz manter um canal livre de comunicação entre funcionários e líderes. Para estimular o surgimento de novas idéias. Algumas empresas sugerem a promoção de campanhas específicas com determinados temas ou então a premiação, por meio de bônus ou de reconhecimento perante os colegas de trabalho, dos autores de boas sugestões, é o método baseado no mérito (meritocracia). É importante lembra ainda, qual é o papel de cada um dentro da empresa e qual é o objetivo do negócio, para que todos possam sugerir idéias pertinentes, pois uma comunicação eficiente é a chave para dar significado à posição das pessoas na empresa, e as idéias surgiram de forma espontânea e o aproveitamento delas certamente será bem maior. CONCLUSÃO É notável o benefício da gestão participativo para as organizações que a utilizam, principalmente nos níveis de tomada de decisão, pois através deste instrumento possibilita a visualização, credibilidade e transparência das informações. Assim o crescimento empresarial se torna conseqüência do desempenho, juntamente com o aumento de parceiros e recursos, fatores essenciais para o desenvolvimento organizacional. Embora a eficiência das caixas de sugestões sejam questionáveis, é possível ainda ver os benefícios que este instrumento pode trazer para uma empresa que utiliza as opiniões dos stakeholders para o crescimento organizacional e do envolvimento entre eles. Assim como as novas tecnologias complementares para obter estas informações que também só serão utilizadas corretamente se houve um feedback. REFERÊNCIAL FILHO, José Garcia Leal. Gestão Estratégica Participativa – Teoria e Prática para Criação de Organizações que Aprendem. 2ª Edição. São Paulo, Juruá Editora. 2007 LEITE, F. T. Por uma teoria da gestão participativa: um novo paradigma de administração para o século XXI: coletânea. Fortaleza: Universidade de Fortaleza, 2000. MENDONÇA, L. C. de. Participação na organização: uma introdução aos seus fundamentos, conceitos e formas. São Paulo: Summus, 1986.