Quem entrou no mercado digital por algum motivo e decidiu abrir um e-commerce (ou mais de um) nos últimos anos, já cansou de procurar por conteúdos que digam algo que realmente faça diferença em seus empreendimentos. Procuram no Youtube e encontram vídeos que vão de dois minutos a duas horas falando MUITO e dizendo nada. Vídeos que explicam, por exemplo, a importância de usar o Google Analytics mas não ensinam você a configurar o bendito dentro da sua plataforma. Dizem o quanto é bacana usar o Google Shopping mas não explicam como fazer a configuração básica, como 'subir os produtos'… o mesmo vale para Facebook Ads, Instagram, etc. Se quiser saber mais, compre o curso X. O curso X te ensina genericamente a fazer essas coisas e depois disso, você vai precisar de muitos meses (ou anos) de prática até que realmente saiba fazê-las de forma eficaz. Complicado, não é mesmo? Bom… eu não estou aqui para te falar o que fazer… não espere isso. O que vou fazer é compartilhar um pouco do que estou vivendo nos últimos 4 anos (trabalho com e-commerce há 9) em apenas um dos projetos que ajudo a administrar. Trata-se de um e-commerce de semijoias, funcionando há cerca de 5 anos e atualmente, nos últimos 3 anos (mais ou menos), rodando em Magento, com gerenciamento da loja feito sem ajuda de agência de desenvolvimento (imagine a bucha). Vamos começar: 1 – Não desenvolva. Se você NÃO for especialista em desenvolvimento, NÃO crie uma loja sozinho em plataformas OpenSource (Magento e Woocomerce são as mais faladas, mas existem outras). NÃO CRIE MESMO. Mesmo se seu irmão for desenvolvedor, seu pai, seu marido, um freela… não importa. Não faça isso. O mesmo vale para gerenciamento de servidor. Se você NÃO é especialista, NÃO faça. Aí você pode pensar: eu tenho um conhecimento intermediário, sei bastante, dá pra fazer… repito: NÃO FAÇA. Contrate uma empresa especializada em criação, desenvolvimento, hospedagem, etc. Do contrário, sua vida será tentar entender os bugs do Magento, as invasões de spam, os falsos e-mails cadastrados, o tempo de carregamento enoooorme da loja, a instalação das patches intermináveis, o sofrimento para mudar qualquer coisa no layout sem que sua loja “quebre”… sem falar nos ataques DDOS, as instabilidades que podem ocorrer em servidores e CDN’s, os freelas que você vai pagar por fora e que vão “acabar” com a sua loja, etc, etc. Vivi e VIVO histórias de terror mensais por conta dessa decisão errada tomada no na abertura dessa loja, então… fuja para as montanhas…. não faça a mesma besteira. Não estou fazendo 'jabá' pra ninguém e nem tentando vender serviço (até porque não desenvolvo lojas), estou só te dizendo que isso vai te assegurar de ter MENOS problemas do que teria fazendo por conta própria. 2 – I hate ML. Se vai vender no Mercado Livre, tenha MUITO cuidado: Muita gente que tem e-commerce decide vender no Mercado Livre também, por motivos variados. Uma coisa importante que você deve saber sobre o Mercado Livre é que o sistema de negócios que eles usam é uma DITADURA. Sabe por quê? Porque não importa o que aconteça, você NÃO conseguirá falar com eles. Ou seja: a conversa com o Mercado Livre funciona assim: ELES decidem. Você só aceita. Muitas pessoas (MUITAS MESMO) sofrem com um problema GRAVÍSSIMO no Mercado Livre: Eles cobram faturas ERRADAS de você. Os valores podem ser de R$5 ou R$1000… Simplesmente aparecem na sua conta como se você tivesse comprado publicidade, tarifa de vendas que você não fez ou qualquer outra coisa. Você se assusta e tenta entrar em contato com eles de todas as formas possíveis: e-mail, telefone, chat, whatsapp, sinal de fumaça… Descobre que NÃO existe um único canal de atendimento para atender os clientes. Eles têm um FAQ (respostas prontas para perguntas que eles mesmos escolhem) e a única saída que você tem é ficar lendo aquelas respostas. Ao se dirigir ao Reclame Aqui, uma nova surpresa: ao terminar de enviar sua reclamação, você receberá uma resposta assim: 'Essa empresa não costuma responder às reclamações'. Você acredita? Não? Então faça uma pesquisa sobre 'Cobranças Indevidas no Mercado Livre' e você poderá confirmar o que estou dizendo. Acho que não preciso dizer que alguém aqui já viveu esse filme de terrror também, não é? Se ainda assim decidir vender por lá… desejo, realmente, muito boa sorte. O Mercado Livre tem uma excelente visibilidade e poder ser um canal de vendas muito potente. Em todo caso, agora você já conhece o risco. 3 – Seu dinheiro, suas regras. Não contrate um intermediador de pagamento só porque um amigo usa ou porque é o mais famosinho. Do contrário, logo logo você também protagonizará cenas de horror e indignação. Entre Pagseguro, Wirecard, Iugu, PayPal, MercadoPago e outros intermediadores, existem diferenças ENORMES de tarifas, tanto para a emissão de boleto quanto para o recebimento via cartão de crédito. Além disso, cada um tem suas regras: – Enquanto alguns liberam seu saldo em dois dias, outros demoram 14 ou mais. – Alguns oferecem taxas especiais para quem vende mais de R$5000, R$10000, etc… não contrate antes de fazer uma ligação ou enviar um e-mail para a empresa. Sempre existem outras opções além das anunciadas. – Cada empresa tem uma taxa para resgate do seu saldo. Veja isso com cuidado. Muita gente não sabe, mas além das taxas que você paga para VENDER, você também paga para SACAR o seu dinheiro quando precisa dele. Algumas empresas, como a Wirecard, por exemplo, te oferecem UM SAQUE gratuito por mês. Depois disso, quando você precisar de $$, precisa pagar R$3 de taxa (na minha opinião um absurdo, mas é questão de opinião). Se não me engano, o Mercado Pago cobra R$3 em TODOS os saques, mas não tenho certeza do que estou falando… talvez você, leitor, possa ajudar com essas informações. Quem não sabe disso pode acabar PERDENDO dinheiro nas vendas, principalmente quando está começando. – MUITA atenção ao seu contrato quando o assunto for CHARGEBACK!!! Não vou explicar o que é chargeback pois você consegue descobrir facilmente em uma pesquisa no Google.O que vou dizer aqui é o seguinte: nem todos os intermediadores cobrem chargeback. Além disso, nem todos os que DIZEM QUE COBREM, irão cobrir quando houver um. A loja de semijoias que estou utilizando como 'case' nesse artigo começou as vendas pelo Elo7 (depois vou falar sobre isso). Lá, o intermediador de pagamentos já era o Moip (não havia escolha). Como a conta já estava criada, já tinha saldo e etc, o Moip permaneceu como parceiro quando a loja migrou para um e-commerce próprio. Quando o Moip foi contratado, anunciava em LETRAS GARRAFAIS que era um meio de pagamento completo, que oferecia antifraude, cobertura de chargebacks e isso e aquilo… Na hora em que a primeira fraude aconteceu e o Moip tirou o corpo fora, veio deixar claro que sua cobertura era de 1% sobre os valores transacionados pela loja, etc, etc. Isso aconteceu há 3 anos atrás (mais ou menos) e, na época, não havia transparência alguma sobre isso no ato da contratação… Com o passar dos anos, o Moip foi deixando isso mais claro (a política de cobertura de chargebacks), mas até ser vendido para o Wirecard, ainda anunciava a cobertura e o antifraude como diferenciais FABULOSOS (coisa que nunca foi). Eles determinavam um prazo de 14 dias (ou mais, ou menos, não lembro mais) para responder uma solicitação e demoravam o dobro ou o triplo… Até lá, nenhuma satisfação. Quando aquilo acabava, devolviam o dinheiro para o comprador e a loja ficava a ver navios. Aí você deve se perguntar: A loja abandonou o Moip? A resposta é: NÃO! As outras opções tinham taxas MUITO mais altas, checkouts mais complicados, prazos maiores para recebimento e outras desvantagens que nos faziam acabar ficando com o Moip, apesar de odiar. Atualmente, a loja trabalha com o Wirecard (empresa que comprou o Moip) e a experiência tem sido melhor (até aqui). Você acha que acabou por aqui? Não mesmo, meu caro… aprendemos tanta coisa nesses anos que jamais caberiam em um texto só… não quero cansar sua leitura e vou parar por aqui, mas prometo CONTINUAR falando dessas 'desventuras em série' se você achar que será interessante ler, em um próximo texto. O mar do e-commerce NUNCA tem águas tranquilas para navegar (pelo menos eu nunca as vi até aqui).