INTRODUÇÃO A assistência farmacêutica tem por objetivo melhorar a qualidade de vida da população, integrando ações de promoção ao acesso de medicamentos essenciais bem como, seu uso racional, além de prevenção, recuperação e reabilitação da saúde. 2 O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado através da Constituição da República do Brasil promulgada em 1988 assegurando: “A saúde é direito de todos e dever do Estado…” e ainda garante “… acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, portanto, necessita de uma assistência farmacêutica estruturada, com pessoal qualificado para suporte técnico das ações de saúde e do alcance de bons resultados. 3 A Lei 8080/90, “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências”, cita que estão incluídas no campo de ação do SUS, a execução de ações de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica. 4 Com isso, a Gerência Técnica de Assistência Farmacêutica realizou uma pesquisa avaliando nas 27 unidades federadas a situação da assistência farmacêutica. Os dados e informações obtidas apontam problemas que estão contribuindo para a desorganização da assistência farmacêutica dificultando o acesso e desfavorecendo obrigações mínimas do Estado. Dentre os motivos principais podemos citar: a falta de planejamento, acompanhamento e avaliação; dificuldades técnicas, administrativas e operacionais; o gerenciamento dos recursos financeiros; superposição de serviços e atividades; e sistemas de informação deficiente e por vezes inexistente. 10 No intuito de se obter melhores resultados houve a necessidade de se criar mecanismos que contribuam para a contínua melhoria da qualidade da assistência à saúde prestada aos pacientes. Programas e diretrizes estão sendo criadas, garantindo assim que instituições de saúde operem com maior eficiência, planejamento e qualidade na gestão. 1 Os indicadores de qualidade, portanto vêm se tornando uma ferramenta de auxílio indispensável para se medir uma gestão. Sendo que, uma boa gestão é aquela que alcança resultados, independente de méritos, esforços e intenções. Isso ocorre principalmente no setor público, onde os indicadores têm se constituído uma ferramenta legitimadora para a determinação da agenda pública para o desenvolvimento social. 1,8 O indicador é um guia que possibilita monitorar e avaliar a produção, qualidade do trabalho e gestão. Possibilitando direcionar a atenção para resultados específicos, normalmente pré-definidos em planejamento prévio. São utilizados para criar parâmetros, permitindo assim o monitoramento e diversas áreas, auxiliando nas decisões para a melhoria contínua, possibilitando análise das tendências e comparações com referenciais internos e externos.11 O presente artigo tem como objetivo aportar à importância do uso de indicadores de qualidade como uma ferramenta na gestão hospitalar, maximizando a assistência farmacêutica e contribuindo para a melhoria contínua de processos organizacionais. METODOLOGIA Foram priorizadas informações obtidas a partir de referências bibliográficas e eletrônicas do Scielo, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os uni termos utilizados para pesquisa foram: indicadores de qualidade em farmácia hospitalar, indicadores de desempenho, assistência farmacêutica e gestão hospitalar. RESULTADOS E DISCUSSÃO Indicadores são instrumentos de gestão essenciais nas atividades de monitoramento e avaliação. Ajudam a explicar e descrever a situação atual de um determinado problema, permitindo o estabelecimento de padrões e conseqüentemente o seu acompanhamento ao logo dos anos. Caso a análise não seja possível ser realizada com um único indicador, utiliza-se então um conjunto de indicadores para assim, realizar uma análise em conjunto. 1,5 São capazes de contribuir para a melhoria contínua dos processos organizacionais, mensurando os resultados e gerindo o desempenho, facilitando o planejamento e viabilizando a análise comparativa da organização. Eles devem ser gerados sempre assegurando a disponibilidade dos dados e resultados mais relevantes ao menor tempo e custos possíveis. 1,5 Os indicadores de qualidade podem ser identificados em seis categorias básicas, com relação aos elementos da cadeia de valor, estes são: eficiência, eficácia e efetividade, que estão relacionadas às dimensões do resultado; enquanto a economicidade, excelência e execução estão relacionadas às dimensões do esforço. Para sua construção, não existe uma metodologia padrão e muito menos um procedimento único, vários autores sugerem as principais experiências para construção dos mesmos. Portanto, é necessário identificar o que será mensurado, como será mensurado, estabelecendo indicadores de desempenho, analisando e validando cada um, construindo metas e fórmulas (especificadas por métricas estatísticas, comumente formadas por porcentagem, média, número bruto, proporção ou índice) para conseqüentemente iniciar a coleta de informações, definindo responsáveis, ponderando e validando os indicadores finais com as partes envolvidas, assim os resultados são mensurados onde há a análise e interpretação dos dados obtidos. Estas etapas devem assegurar coerência da formulação e implementação do conjunto de indicadores. 1,5 Alguns autores ainda alertam que, no processo de gestão dos indicadores deve-se evitar medir apenas o monitoramento, em vez da melhoria contínua da qualidade e desempenho; utilizar muitos indicadores sem a estabelecer a prioridade e hierarquia. 1 Durante a identificação do que será mensurado, cabe ressaltar e identificar em qual nível da Administração Pública que se deseja criar medidas. Após esta identificação é necessário identificar o que deverá e precisa ser mensurado (Quadro 1). Os principais níveis de acordo com o BRASIL, 2009, são: Macro (Governo);Meso (Política Pública ou Ser de Governo);Micro (Organização);Nano (Unidade de Organização). Quadro 1: Os indicadores propostos pela Certificação em Farmácia Hospitalar. Processos da Assistência Farmacêutica Indicadores Recebimento % de erros na nota fiscal, por fornecedor Número de notificação de penalizações emitidas Aquisição – Fornecedor Novos produtos testados com menor preço Taxa de não conformidades na entrega Economia gerada por preços negociados Valor de compra de itens A da Curva ABC Giro de estoque Compras de urgência Padronização Índice de medicação não padronizado prescritos % de adesão à padronização Abastecimento Taxa de erros de inventário Taxa de medicamentos em falta Valor de produtos perdidos por vencimento Índice de não atendimento a unidades clínicas Educação Continuada Número de horas/ homem de treinamento Treinamentos técnicos realizados Farmacovigilância Notificação de reações adversas a medicamentos Notificações de desvios técnicos de qualidade Interações medicamentosas identificadas Dispensação Número de itens dispensados Número de kits cirúrgicos preparados Valor dos medicamentos dispensados Índice de devolução % de erros de dispensação Atenção Farmacêutica Índice de erros e erros potenciais Pacientes orientados % de prescrições avaliadas pelo farmacêutico Número de intervenções farmacêuticas realizadas Taxa de não aderência à recomendação de adequação da prescrição de antimicrobianos Informações sobre medicamentos solicitadas/ fornecidas Número de pacientes com acompanhamento farmacoterapêutico Fonte: Certificação e Farmácia Hospitalar (2011). CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao entender melhor a importância dos indicadores de qualidade e seu papel na gestão da assistência farmacêutica fica mais do que evidente que esta ferramenta é de grande importância. Portanto a avaliação de desempenho torna-se uma preocupação constante. Este desempenho envolve muitos aspectos que influenciam principalmente na questão financeira e na qualidade de atendimento, ainda mais quando se trata da rede pública. Essa irá depender não só da eficiência do gestor, já que está diretamente em consonância com o Estado. 6 De forma geral, os indicadores não são simplesmente números, são atribuições de valor, objetivos, acontecimentos e situações. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Planejamento, Secretaria de Gestão. Guia Referencial para a medição de desempenho e Manual para Construção de indicadores. Brasília, DF, 2009. Disponível em: http://www.gespublica.gov.br/ferramentas/pasta.2010-05-24.1806203210/guia_indicadores_jun2010.pdfBRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Assistência Farmacêutica Atenção Básica. Brasília, DF, 2006. Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/judicializacao/pdfs/283.pdf BRASIL. Constituição de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de abril de 1988. BRASIL. Lei no 8080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 1990. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ lei8080.pdf CIPRIANO, S.L. Desenvolvimento de um Modelo de Construção e Aplicação de um Conjunto de Indicadores de Desempenho na Farmácia Hospitalar com Foco na Comparabilidade. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo para Obtenção do Título de Doutor em Saúde Pública. São Paulo, SP, 2009.DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: Princípios, Conceitos e Gestão. São Paulo: Atlas, 2005. FHEMIG. Planejamento Estratégico da Assistência Farmacêutica, Belo Horizonte, 2011. FILHO, E.A. H; OTANI, N. A Utilização de Indicadores na Administração Publica: A Lei no 12.120/2002 do Estado de Santa Catarina. Disponível em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/view/1648 GOMES, Maria José Vasconcelos de Magalhães; REIS, Adriano Max Moreira. Ciências farmacêuticas: uma abordagem em farmácia hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2006. 10. GOMES, Carlos Alberto Pereira. A Assistência Farmacêutica no Brasil: Análise e Perspectivas. Esplanada dos Ministérios, Ministério da Saúde, Brasília – DF. Disponível em: http://www.cgee.org.br/arquivos/rhf_p1_af_carlos_gomes.pdf 11. 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