Este capítulo tem por fim abordar as fundamentações teóricas, cujo foco principal é trazer os principais conceitos, teorias e tipos de liderança, a fim de analisar e compreender a influência e os desafios dos líderes em manter seus colaboradores motivados na organização e nos resultados operacionais. O conceito de liderança para Robbins (2005) é a capacidade de influenciar um grupo direcionando para o alcance dos seus objetivos em comum. Ocorre a liderança quando um indivíduo é capaz de influenciar o comportamento do outro indivíduo ou grupo para qualquer finalidade. Concordando com Robbins, os líderes atuais conseguem fazer a diferença porque adquiriram novas práticas que amparam, auxiliam e transformam o comportamento das pessoas. Esta capacidade de alterar o comportamento e habilidades provoca resultados cada vez melhores para a organização (KATZENBACH, 1996). Hersey (1976) definiu que a liderança é o processo de influenciar as atividades de indivíduos e grupos para o alcance de um objetivo em determinada situação. Esses objetivos são atingidos através de pessoas, portanto, um líder precisa ter a preocupação com tarefas e relações humanas. Para Kondo (1994), o significado de liderar é fazer com que os subordinados assimilem o objetivo comum do seu grupo e através disto focar na busca dos resultados, sendo assim, a liderança implica em não só convencer os subordinados a aceitar os objetivos propostos como também fazê-los ter a percepção da importância da consecução desses objetivos, além de orientar, desenvolver e incentivar o grupo (KONDO, 1994). Entretanto, para Eich (2013) a liderança verdadeira vai muito além da definição padrão de que um líder é qualquer indivíduo que pode tomar decisões, avançar nos objetivos de estratégias da organização além de contribuir para o desempenho e lidar de modo justo, honesto e solidário com as pessoas. Os verdadeiros líderes criam condições propícias para que outros indivíduos também possam liderar, fazem a diferença nos resultados corporativos, contribuem de maneira eficaz em ambientes competitivos e cumprimento de desafios. Uma liderança eficaz e a motivação são bases para consolidar um bom desempenho na organização e cada indivíduo é motivado de uma maneira diferente. Seguindo o pensamento de Hersey (1976): 'A motivação de uma pessoa depende da força de seus motivos, estes são definidos como necessidades, desejos ou impulsos no interior do indivíduo e são dirigidos para objetivos que podem ser conscientes e inconscientes.' Com base em conceitos, a motivação é a procura incansável que cada indivíduo tem de suprir e satisfazer suas necessidades, sejam elas fisiológicas, psicológica, intelectual ou afetiva. Ainda com base nas palavras de Hersey (1976) os comportamentos variam de acordo com as necessidades e estes podem sofrer mudanças quando ocorre um motivo existente. Então, cada momento influencia de uma maneira diferente o comportamento do indivíduo. Por isso é importante que um líder conheça inteiramente sua equipe, seus colaboradores e quais são seus objetivos, desejos, necessidades para que assim possa estabelecer desafios e metas (HERSEY, 1976). A liderança é um tema de várias pesquisas ao longo dos tempos o que trouxe muitas teorias a seu respeito. A seguir iremos citar algumas das principais teorias sobre este assunto, que vem revelando a importância do líder na organização e evolução de uma equipe de sucesso. Teorias dos traços Uma das mais antigas concepções de liderança, a Teoria dos Traços procurou identificar os traços de personalidade e suas combinações para enfatizar especialmente as qualidades pessoais do líder, onde este deveria possuir determinadas características de personalidade que facilitariam o seu desempenho na liderança. Esta teoria enfatiza as qualidades intrínsecas do líder e conclui que um líder já nasce como tal, não existindo a possibilidade de fazer ou criar um líder por meio de técnicas de desenvolvimento pessoal, o que o difere das demais pessoas. De acordo com esta teoria sete traços iriam diferenciar líderes dos não líderes: ambição e energia, o desejo de liderar, honestidade e integridade, autoconfiança, inteligência, elevada capacidade de automonitoramento e conhecimentos profissionais (ROBBINS, 2002). Característica física como alta estatura também foi sugerido para diferenciar líderes de não líderes, porém muitos líderes históricos como Napoleão, Hitler e Getúlio Vargas não possuíam esta característica isolada (CARAVANTES; KLOECKNER, 2005). Esta teoria apresentou várias limitações e não foi possível provar a existência de características que fossem iguais a todos os líderes e foi finalizada com a ideia de que apenas determinados traços de personalidade poderiam ajudar no processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade de liderar (ROBBINS, 2002).Ainda que, os líderes tenham se revelado mais inteligentes, extrovertidos e autoconfiantes, não foi possível revelar traços que diferenciassem líderes de não líderes, pois é possível que os indivíduos se tornem mais decididos e autoconfiantes após ocuparem uma posição de liderança, o que resultaria os traços como resultados e não como causa de capacidade de liderança (STONER; FREEMAN, 1994). Teorias comportamentais Após falhas sobre os estudos dos traços de personalidade os pesquisadores decidiram optar por uma nova direção, analisando o comportamento exibido por alguns líderes. Esta teoria propõe que comportamentos específicos diferenciam os líderes dos liderados. São quatro as teorias comportamentais de liderança: estrutura de iniciação, consideração, orientação para o funcionário e orientação para a produção (ROBBINS, 2005). A estrutura de iniciação se refere na capacidade de um líder definir e estruturar o seu papel e dos funcionários na busca do alcance dos objetivos, através do comportamento de tentar organizar o trabalho, as relações de trabalho e suas metas: 'O líder com alto grau de estrutura de iniciação pode ser descrito como alguém que delega tarefas específicas aos membros do grupo, espera que os trabalhadores mantenham padrões de desempenho e enfatiza o cumprimento dos prazos.' (ROBBINS, 2005, p. 261). A consideração é descrita como a capacidade do líder em manter uma relação de trabalho baseado na confiança mútua, respeito às ideias dos colaboradores e cuidado com seus sentimentos. Um líder com alto grau de consideração é descrito como alguém amigável e disponível, que ajuda seus funcionários em seus problemas pessoais, trata todos da mesma maneira e demonstra preocupação pelo bem-estar, conforto, status e satisfação de seus liderados. Pesquisas baseadas nessas definições indicaram que os líderes com alto grau de estrutura inicial e de consideração obtinham altos índices de desempenho (ROBBINS, 2005). O líder orientado para o funcionário enfatiza as relações interpessoais demonstrando interesse pessoal nas necessidades dos funcionários e aceitando as diferenças entre os membros do grupo. Maior produtividade e satisfação no trabalho ficaram associadas a este tipo de liderança. O líder orientado para o funcionário é democrático, permissivo, participativo e bem-educado. Esta liderança não está relacionada com a produtividade e tende a aumentar a satisfação do empregado e união do grupo (HAMPTON, 1990). O líder orientado para produção tem como característica principal focar nos aspectos técnicos e práticos do trabalho, tendo principal preocupação com a execução das tarefas e onsiderando os membros do grupo apenas como um meio para atingir os resultados (ROBBINS, 2005). O líder orientado para produção é autocrático, restritivo, socialmente distante, diretivo e estruturalista. Esta liderança está diretamente ligada à produtividade (HAMPTON, 1990) As conclusões dos pesquisadores para os líderes orientados para os funcionários foram favoráveis e indicaram que este tipo de liderança proporciona maior produtividade e satisfação enquanto que os líderes orientados para a produção apresentavam índices mais baixos de produtividade e satisfação com o trabalho (ROBBINS, 2005). Teorias das contingências Após pesquisas sobre os de traços de personalidade e comportamento dos líderes os estudos sobre liderança seguiram em frente e pesquisadores apontaram para a possibilidade de que variáveis situacionais poderiam influenciar na eficácia da liderança. Algumas abordagens obtiveram mais sucesso que outras e foram amplamente reconhecidas, vamos considerar quatro: o modelo de Fiedler, a teoria situacional de Hersey e Blanchard, a teoria da troca entre líder e liderados e os modelos de meta e caminho. Modelo de Fiedler Segundo Robbins, o primeiro modelo contingencial de liderança foi desenvolvido por Fred Fiedler na década de 60. O modelo da contingência de Fiedler relata que a eficácia do desempenho de um grupo depende da adequação entre o estilo do líder e o grau de controle que determinada situação lhe proporciona. Fiedler considera que o estilo de liderança é um fator primordial para o sucesso e identificou três dimensões contingenciais que definem fatores situacionais básicos que determinam a eficácia da liderança. São elas as relações entre líder e liderados, a estrutura da tarefa e o poder da posição, definidas da seguinte maneira: a) Relação entre líderes e liderados: o grau de confiança, credibilidade e respeito que os membros do grupo têm com seu líder (ROBBINS, 2005). 'A qualidade da interação entre um líder e seus subordinados; de acordo com Fiedler é a influência mais importante de todas no poder do administrador' (STONER; FREEMAN, 1994).b) Estrutura da tarefa: o grau em que as tarefas atribuídas aos subordinados são estruturadas (ROBBINS, 2005). 'A variável da situação de trabalho que, de acordo com Fiedler, ajuda a determinar o poder do administrador. Nas tarefas estruturadas, os administradores têm automaticamente um grande poder, nas tarefas desestruturadas seu poder é reduzido.' (STONER; FREEMAN, 1994).c) Poder da posição: o grau da influência do líder sobre variáveis de poder, tais como poder de contratar, demitir, tomar ações disciplinares, conceder promoções e aumentos salariais (ROBBINS, 2005). 'De acordo com Fiedler, é o poder inerente ao cargo ou posição formal que o líder ocupa. Esse poder pode ser grande ou pequeno, dependendo da natureza do cargo.' (STONER; FREEMAN, 1994).Concluiu-se que quanto melhor a relação líder-liderado, mais alto o grau da estrutura da tarefa e quanto mais forte o poder da posição mais o líder tem o controle da situação (ROBBINS, 2005). Teoria situacional de Hersey e Blanchard Esta teoria centra seu foco sobre os liderados, pois são eles que aceitam ou não um líder. A liderança bem sucedida é alcançada pela escolha do estilo adequado e depende da habilidade e disposição dos liderados para a realização de uma determinada tarefa. A liderança será eficaz desde que consiga se adequar ao potencial do liderado (ROBBINS, 2005). A liderança situacional incorpora a maturidade como a habilidade e a boa vontade dos colaboradores, sendo estes responsáveis pelo seu comportamento. Uma tarefa ou objetivo específico tendem a tornar os indivíduos a serem mais ou menos maduros (HAMPTON, 1990).Segundo Robbins (2005), Hersey e Blanchard identificaram quatro comportamentos específicos de líderes, desde o estilo mais gerencial até o mais liberal. O comportamento mais eficaz depende da capacidade e da motivação dos liderados, porém, apesar dos esforços, essa teoria se tornou inconsistente, até mesmo pela metodologia de pesquisa aplicada nos testes e inconsistências internas do próprio modelo. Teoria da troca entre líder e liderados Segundo Robbins (2005), esta teoria argumenta que devido às pressões do tempo, os líderes criam um relacionamento especial com um pequeno grupo dos seus liderados, esses indivíduos ficam no 'grupo de dentro'- com confiança e uma atenção especial do líder, além de privilégios especiais. Os demais membros, denominados 'grupo de fora' recebem menos atenção, menos dedicação de tempo do líder, recompensas controladas e o relacionamento são formais. Há indícios de que os membros 'de dentro' são escolhidos devidos as suas atitudes e características de personalidade, com certa semelhança às do líder ou por possuírem um elevado nível de competência comparado aos demais membros. Embora o líder faça a escolha de quem estará no grupo de dentro, são as características dos liderados que conduzem a essa decisão. As pesquisas voltadas para esta teoria oferecem evidências substanciais de que os líderes costumam diferenciar seus liderados, os membros do 'grupo de dentro' recebem as melhores avaliações, os índices de rotatividade são menores e permanecem mais satisfeitos com seus superiores. Os líderes depositam maior confiança e recursos em quem acreditam que terá melhor desempenho, e os tratam de acordo com suas competências (ROBBINS, 2005). Teoria da meta e do caminho Esta é uma das mais respeitadas abordagens sobre liderança e argumenta que é responsabilidade do líder ajudar seus subordinados no alcance das metas e objetivos, orientando e prestando o apoio necessário. Os termos meta e caminho estão ligados ao fato que líderes eficazes abrem os caminhos para auxiliar seus liderados a atingirem seus objetivos, tornando a jornada mais fácil ao reduzir os seus obstáculos (ROBBINS, 2005). Foram identificados quatro comportamentos de liderança: a) líder diretivo: os liderados sabem o que a organização espera deles, o líder organiza o trabalho a ser feito e instrui as maneiras que as tarefas devem ser realizadas;b) líder apoiador: é amigável e demonstra sensibilidade às necessidades de seus subordinados;c) líder participativo: costuma consultar opiniões dos liderados e utiliza suas sugestões antes de tomar uma decisão;d) líder orientado para a conquista: estabelece metas desafiadoras e espera o melhor desempenho dos seus liderados (ROBBINS, 2005). Existem duas classes de variáveis na teoria da meta e do caminho, as contingenciais ou situacionais que estão relacionadas com o comportamento do líder e os resultados obtidos: aquelas ambientais que estão fora do controle do funcionário (a estrutura da tarefa, o sistema formal de autoridade e o grupo de trabalho), e as que são características pessoais do funcionário (centro de controle, experiência e capacidade percebida). As ambientais são responsáveis pelo comportamento do líder, sendo um complemento para os resultados obtidos pelos liderados, enquanto as características pessoais dos liderados determinam como o ambiente e o comportamento do líder será interpretado. Sendo assim essa teoria propõe que o comportamento do líder será ineficiente quando relacionado às fontes de estrutura ambiental ou incompatível com as características do funcionário (ROBBINS, 2005). Presume-se que quando as tarefas são imprecisas ou estressantes a liderança diretiva leva uma maior satisfação do que quando as tarefas são altamente estruturadas e planejadas. Quando os funcionários realizam tarefas estruturadas a liderança apoiadora proporciona uma maior satisfação e melhor desempenho do grupo. A liderança diretiva é percebida como redundante entre funcionários com grande capacidade percebida ou que possui experiência considerável. A liderança participativa proporciona maior satisfação para os funcionários com centro de controle interno. A liderança orientada para a conquista faz aumentar as expectativas dos funcionários no sentido que esforços conduzidos terão um melhor desempenho quando as tarefas foram estruturadas de maneira ambígua. As evidências pesquisadas fortalecem a lógica desta teoria, os funcionários tendem a ter melhor desempenho e maior satisfação quando o líder contribui com algo que está faltando ao liderado ou ao ambiente de trabalho. O líder que foca na explicação de tarefas já entendidas se torna ineficaz, pois os funcionários consideram este comportamento diretivo como redundante, uma vez que já possuem a experiência e a capacidade de lidar com as tarefas sem intervenção da liderança (ROBBINS, 2005). Presume-se que quando as tarefas são imprecisas ou estressantes a liderança diretiva leva uma maior satisfação do que quando as tarefas são altamente estruturadas e planejadas. Quando os funcionários realizam tarefas estruturadas a liderança apoiadora proporciona uma maior satisfação e melhor desempenho do grupo. A liderança diretiva é percebida como redundante entre funcionários com grande capacidade percebida ou que possui experiência considerável. A liderança participativa proporciona maior satisfação para os funcionários com centro de controle interno. A liderança orientada para a conquista faz aumentar as expectativas dos funcionários no sentido que esforços conduzidos terão um melhor desempenho quando as tarefas foram estruturadas de maneira ambígua. As evidências pesquisadas fortalecem a lógica desta teoria, os funcionários tendem a ter melhor desempenho e maior satisfação quando o líder contribui com algo que está faltando ao liderado ou ao ambiente de trabalho. O líder que foca na explicação de tarefas já entendidas se torna ineficaz, pois os funcionários consideram este comportamento diretivo como redundante, uma vez que já possuem a experiência e a capacidade de lidar com as tarefas sem intervenção da liderança (ROBBINS, 2005).