Diversos conceitos no universo literário estão correlacionados à logística, entretanto, o Council of Logistics Management (CLM), uma organização composta por gestores logísticos, educadores e profissionais da área, define a logística como sendo o processo de planejamento, implantação e controle de mercadorias. Além do planejamento, implantação e controle do fluxo de mercadorias, a logística envolve estrategicamente o gerenciamento da obtenção, movimentação e armazenagem de estoques de matéria-prima, produtos semiacabados e produtos finais e seus canais de distribuição, gerenciada por uma rede interligada de negócios. Ela existe desde os tempos mais antigos, porém, a literatura contemporânea referência que a moderna logística, na sua origem, esteve intrinsecamente ligada ao transporte de mercadorias entre as comunidades mais antigas da História documentada da humanidade e nas operações militares. Foi no período pós-guerra que ela ganhou importância para a economia de mercados, uma vez que deixou de ser meramente uma operação militar para se tornar parte integral dos processos industriais e comerciais. O conceito de logística ganhou proporções organizacionais na década de 60 a 70, quando as ações gerenciais, na época, possuíam foco operacional, resumindo-se nas atuações de armazenagem dos produtos acabados e na distribuição física por meio transporte de cargas. Entre as décadas de 80 e 90, a distribuição começa a ter foco tático gerencial, o planejamento voltado à redução das desigualdades entre os objetivos do marketing e das finanças, a considerar que a administração do canal de distribuição estava ligada intrinsecamente aos resultados financeiros. Isto posto, a logística passou a ser vista como o processo de integração entre empresas, clientes e fornecedores, assumindo posição estratégica na cadeia produtiva, etapa esta denominada por muitos especialistas da área como “logística integrada”.Embora não seja um consenso no mundo, alguns autores defendem que a logística é muito maior que o Supply Chain Management – SCM, assim, afirmar que o SCM é a evolução da logística é muito difícil, pois em termos práticos existe uma integração entre os processos de produção da gestão da logística empresarial com os do gerenciamento da cadeia de suprimentos. Dentre as estratégias logísticas evidenciam-se as práticas voltadas à política de transporte. Planejar a movimentação de mercadorias pelos canais de distribuição não é tarefa fácil para o setor logístico, a considerar a complexidade nas políticas de preço, custo e desempenho que envolve o processo. Assim, a escolha do meio de transporte mais adequado para conduzir o produto ao seu destino final torna-se o escopo da logística quando a busca é conciliar as necessidades das empresas – vantagem competitiva – com as dos clientes – produto certo na hora certa (entrega rápida, segura e eficiente dos produtos, com menor custo possível). Entre os meios de transportes existentes no escoamento de cargas temos os modais rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário, cada qual com características próprias e adequadas às determinadas situações estratégicas, contudo, a integração entre alguns modais tornou-se uma tendência na atualidade. Não há como estabelecer de forma genérica a escolha do melhor modal, contudo, deve-se identificar, dentre as características de cada um, os fatores críticos de sucesso. Pode-se dizer que a escolha ideal depende exclusivamente das condições e necessidades específicas sobre aquilo que será distribuído, o ritmo de distribuição e o custo logístico. O modal rodoviário é um dos mais simples, eficiente e popular, dentre seus pares. Trata-se do modal mais utilizado em rotas curtas de produtos acabados ou semiacabados. Dentre as vantagens temos: entregas rápidas e confiáveis de cargas parceladas; modal mais competitivo no mercado de pequenas cargas e serviço de entrega porta a porta; peça fundamental da multimodalidade e da intermodalidade; favorece os embarques de pequenos lotes; facilidade na substituição do veículo em caso de quebra ou acidente. Em contraste com o modal rodoviário, o modal ferroviário é basicamente um transportador de longo curso e de baixa velocidade. Muito utilizado no transporte de matérias-primas e produtos manufaturados de baixo custo, ele apresenta baixo índice de roubos e acidentes, comparado ao modal rodoviário. Muito utilizada no transporte de granéis sólidos e carga em geral, o modal aquaviário envolve todos os tipos de transporte efetuados sobre as águas. Nele, inclui-se o transporte fluvial e lacustre (aquaviário interior – envolve as linhas de navegação que liga o Brasil a outros países) e o transporte marítimo, subdividido em transporte marítimo de longo curso (liga o Brasil a outros países mais distantes) e a navegação de cabotagem (objetiva cobrir toda costa brasileira). O transporte marítimo é subdividido em pequena cabotagem (cobre apenas os postos nacionais) e a grande cabotagem (ligações marítimas entre países próximos). O modal aeroviário, segundo Vieira (2002), traz em suas vantagens a redução dos custos de estoques e sua influência direta no capital de giro (estratégias just in time); é o modal mais indicado para o transporte de mercadorias de alto valor e pouco peso/volume (tendências e-commerce, amostras e mercadorias urgentes); atende praticamente todas as regiões do mundo (importação e exportação), além de exigir pouco manuseio da carga, o que contribui para a redução dos custos com embalagens e despesas com seguros. Por último, o modal dutoviário consiste no transporte de granéis, por gravidade ou pressão mecânica, por meio de dutos e cilindros projetados à finalidade a que se destinam. Dentre os principais dutos temos os oleodutos (transporte de petróleo e derivados), minerodutos (produtos derivados de minério) e os gasodutos (destinam-se ao transporte de gases). O escopo da logística consiste em levar ao consumidor final o maior número de mercadorias, com o mínimo custo necessário e menor tempo possível. Destarte, os modais de transportes têm papel importante neste processo, pois interferem diretamente nas dimensões de tempo, utilidade de lugar e no diferencial competitivo das empresas. Referências Bibliográficas BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial/Ronald H. Ballou; tradução Raul Rubenich. – 5. ed. – Porto Alegre: Bookman, 2006. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J.; COOPER, M. B. Gestão da cadeia de suprimentos e logística. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira, 1997. NOVAES, Antônio Galvão, 1935 – Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição / Antônio Galvão Novaes. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2007. POZO, Hamilton. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística / Hamilton Pozo. – 4. ed. – 2. reimpr. – São Paulo : Atlas, 2007. RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio. Introdução aos sistemas de transporte no Brasil e à logística internacional / Paulo Roberto Ambrósio Rodrigues. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo : Aduaneiras, 2003. VIEIRA, Guilherme Bergamann Borges. Transporte Internacional de cargas/Guilherme Bergamann Borges Vieira. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2002. WANKE, Peter. Artigos – Estratégia de posicionamento logístico: conceitos, implicações e análise da realidade brasileira, Rio de Janeiro, dez 2001. Disponível em: <http://www.ilos.com.br/web/index.php?option=com_content&task=view&id=992&Itemid=74>. Acesso em: 06 out. 2013.