É bastante notório que o sistema educacional no Brasil, em que pese os esforços do Governo, encontra-se completamente em desacordo com as necessidades do mundo atual. Nosso sistema apresenta deficiências que comprometem o aprendizado do aluno, além de comprometer o desempenho dos docentes. É imperioso que medidas urgentes e consistentes sejam adotadas com a finalidade de, pelo menos, melhorar o atual estado. Evidentemente que não cabe tão somente ao Governo estabelecer normas e diretrizes para atenuar o quadro vigente. É compromisso de todos, escolas, pais e alunos assumirem seus papéis neste processo. Entretanto, cabe ao Governo atuar como catalisador de novas políticas para o ensino, de forma a torná-lo mais eficiente e eficaz. Se perdurar a atual situação, o país continuará a fazer parte do ranking das nações que apresentam lastimáveis índices que revelam nossas fragilidades no atual sistema educacional. Com isso, o Brasil continua a perder competitividade no contexto internacional, credenciando-se a permanecer eternamente como um país emergente. Ou a educação no Brasil muda, ou estaremos fadados a permanecer neste status quo, nada confortável para todos. Fica consistentemente caracterizado que o Governo não reúne vontades ou competências para estabelecer diretrizes eficazes que resolvam o problema da educação no Brasil. A cada pesquisa feita por entidades internacionais, nos mostra a desastrosa posição do país nos diversos rakings que apontam a melhoria da educação em diversos países. Tomemos, como exemplo, o caso de São Paulo e o péssimo sistema educacional implantado por este estado. A partir de teorias pedagógicas questionáveis, montou-se um modelo em que foi abolida a reprovação e o professor perdeu completamente a autoridade em sala de aula. Por isso, agora não consegue mais dar aula, pois os alunos totalmente indisciplinados, pois sabem que não vai acontecer nada, não prestam atenção na aula, causando estresse, ansiedade e problemas nas cordas vocais de tanto o professor gritar para que os alunos fiquem em silencia. Portanto, não vai ser o judiciário a resolver este problema, mas ele somente será resolvido quando for resgatado o papel e a autoridade do professor em sala de aula. ( F S P, 8.11.2014). Este exemplo mostra cabalmente, a falência do sistema educacional brasileiro no qual o Governo intervém de forma atabalhoada, gerando o quadro que ora observamos. É evidente que a participação do Governo na formulação de políticas para a educação é importante. Importante, também é que o Governo, ao interferir e formular estas políticas o faça de forma planejada, objetiva, factível e eficaz. Os burocratas, confortavelmente instalados em seus gabinetes, desconhecem por completo a realidade de uma escola ou de uma IES. Desconhecem as carências dos alunos. Desconhecem as agruras, dificuldades e frustrações dos docentes. Pelo exposto, fica evidenciado que o Governo, considerando sua secular incompetência, deveria se abster, em parte, de determinar e impor metas, procedimentos e métodos para o sistema educacional. As escolas e as IES estão muito mais credenciadas a entender as carências e propor mudanças que nos leve a ter uma educação de qualidade, tirando-nos desta posição vergonhosa que ocupamos no contexto das nações. No entanto é preciso enfatizar com veemência, que o ensino transformou-se em um negócio altamente lucrativo. Os gestores ou 'donos' das escolas ou IES, estão muito mais preocupados com o lucro e a rentabilidade do que com a qualidade do ensino. A ordem, nas entrelinhas é: não reprovem para que o aluno permaneça na instituição. Isto precisa acabar. O Gestor deveria estar preocupado em melhorar o ensino, motivar o aluno, estabelecer currículos condizentes com as necessidades do mercado, entre outras iniciativas. Contudo é importante sublinhar que caberia ao docente participar de todo processo de planejamento, opinando e propondo novas metodologias e grades curriculares. Porém o que ocorre? Simplesmente ao início de cada semestre, o docente já recebe a grade pronta, definida sem qualquer participação do mesmo. Cabe-nos, tão somente, repassar a informação previamente estabelecida, sem, sequer sermos ouvidos. Os alunos, por sua vez, egressos do ensino médio, apresentam uma enorme dificuldade em aprender. E por que isto ocorre? A resposta é óbvia. Ocorre pelo simples fato de que a escola não ensina nada, sendo o docente refém dos desejos e vontades dos 'donos' das mesmas. Entendo que uma instituição de ensino deveria se comportar como uma empresa que busca continuamente resultados. E estes resultados voltam-se tão somente ao lucro? Evidentemente que não. Os indicadores de desempenho deveriam focar o envolvimento dos discentes e docentes, o nível de aprendizagem, a evolução dos discentes, entre outros. Entretanto nada disto acontece. A democratização do ensino deveria ser uma proposta posta em prática de imediato. E o que entendemos pela democratização do ensino-aprendizagem? Entendemos que só ocorrerá uma democratização plena quando todos os atores se envolverem na formulação de propostas que levem a melhoria da qualidade do ensino no Brasil. Caso isto não ocorra, permaneceremos 'deitados eternamente em berço esplêndido'. Chegamos a um dilema. Ou o Governo, com toda sua incompetência, distancia-se e se intromete menos na formulação e implantação de propostas ineficientes e ineficazes, ou estaremos fadados a permanecer nesta posição desonrosa no contexto das nações mais desenvolvidas. Sem uma escola eficiente. Sem alunos envolvidos e interessados. Sem docentes valorizados, não haverá uma educação que nos conduza ao desenvolvimento e ao crescimento. Enquanto país perdemos competitividade? Naturalmente que sim. Qual a causa, dentre tantas? A precariedade do ensino. O caso de São Paulo é emblemático. Aluno teve bom desempenho? Aprovado. Não o teve reprovado. Não temos mais tempo a perder. Quiçá o 'novo' Governo demonstre mais empenho e competência para resolver os problemas da educação no Brasil.