'O que faz algumas pessoas darem o máximo de si enquanto outras procuram fazer apenas o mínimo indispensável'? 'E como posso influenciar o desempenho daqueles que são liderados para mim'? Estas perguntas são feitas por praticamente todos os gerentes (Bowditch e Buono, 2004:39). Talvez você seja um gestor de pessoas ou um gerente e também já tenha se perguntado essas coisas. Eu já parei para pensar sobre isto várias vezes e quero falar com você através deste artigo sobre este assunto. Conceito de motivação: Stoner e Freeman (1999) afirmam que motivação refere-se aos fatores que provocam, canalizam e sustentam o comportamento de um indivíduo. Já Lévy-Leboyer (1990) diz que a motivação de um funcionário reflete-se na quantidade de tempo e na atenção dedicadas às suas atividades. Vergara (2003) dá ênfase ao seu caráter intrínseco, focando no nascimento das necessidades interiores. Sob esta ótica os líderes têm o poder dos líderes é de, estimular, incentivar, provocar a motivação de seus liderados. O papel da liderança e influenciar seus liderados de forma que o potencial de seus liderados seja convertido em atitudes que estejam alinhadas aos objetivos organizacionais. Diante desta necessidade, faz-se necessário o conhecimento sobre alguns aspectos do ser humanos a respeito de sua equipe. A liderança não deve estudar o fenômeno motivacional focada apenas em obter melhor desempenho do liderado, mas sim sob um olhar humanista, este conhecimento possibilitará ao mesmo uma atuação mais consciente em relação às outras pessoas, agindo como intercessor entre os interesses pessoais de sua equipe e os interesses organizacionais e sociais. Para uma melhor compreensão do fenômeno motivacional, podemos observar as chamadas teorias de conteúdo e teorias de processo e podemos também considerar outras contribuições, como a gestão do sentido, o envolvimento com a tarefa, a profecia autorrealizadora, a diversidade e a subjetividade e a frustração no ambiente de trabalho que são relevantes no processo de provocação da motivação. As teorias de processo focam o pensamento interior, enquanto as teorias de conteúdo focam as necessidades do indivíduo. As teorias de conteúdo citadas neste artigo serão: teoria da hierarquia de necessidades de Maslow, teoria das necessidades socialmente adquiridas de McClelland e teoria da motivação- higiene de Herzberg. Citaremos também as seguintes teorias de processo: teoria do estabelecimento de metas, teoria das expectativas e teoria da equidade. Quanto às outras contribuições ( gestão do sentido, o envolvimento com a tarefa, a profecia autorrealizadora, a diversidade e a subjetividade e a frustração no ambiente de trabalho, citarei no artigo Motivação- Fenômeno Motivacional- Contribuições. Teorias de conteúdo Teoria da Hierarquia de Necessidades de Maslow A Teoria da hierarquia de necessidades de Maslow é uma das mais conhecidas o campo motivacional. O autor acredita que o queincentiva o ser humano a agir é a busca da satisfação de suas necessidades. As necessidades, de diversas naturezas, recebem uma classificação hierárquica que geralmente é representada em forma de pirâmide e sua ordem pode ser vista na imagem abaixo. O autor acredita que enquanto as necessidades da base não forem satisfeitas elas permanecem sendo prioritárias, porém, depois de supridas, o autor acredita que elas não sejam mais capazes de motivar o indivíduo. Apesar deste pensamento, Maslow não acreditava que o fenômeno motivacional poderia ser provocado apenas pela falta de algo, mas para ele a motivação poderia ser baseada na deficiência ou no crescimento, ou seja, a realização de atividades que traziam crescimento pessoal tornava pessoas autorrealizadas ainda mais desejosas de praticar tais atividades.(Sampaio, 2004). Teoria das necessidades socialmente adquiridas de McClelland Esta teoria foi desenvolvida por McClelland a partir de pesquisas de padrões motivacionais em diferentes indivíduos, identificando três tipos de necessidades: realização, afiliação e poder. Realização: necessidade de superar desafios e atingir metas; afiliação: necessidades sociais, relacionais e pertencimento; poder: necessidade de influenciar pessoas e situações. Segundo McClelland, em momentos diferentes da vida somos influenciados por necessidades diferentes de acordo com a situação, porém cada indivíduo tem uma tendência dominante que é desenvolvida a partir de suas experiências vividas nos diversos contextos em que estamos inseridos.Qual é sua necessidade dominante caro leitor? Aquela que mais influencia suas atitudes. E da sua equipe de trabalho? Teoria da motivação-higiene de Herzberg Herzberg (1997) realizou a partir dos anos 1960 pesquisas nas quais perguntava a funcionários que eventos ocorridos no trabalho levaram à extrema satisfação ou extrema insatisfação. A partir dos resultados, identificou que os fatores que faziam parte da produção da satisfação no trabalho são distintos dos que levam à insatisfação no trabalho. Os fatores de satisfação, que chamou de motivadores, são fatores de crescimento e relacionam-se ao trabalho em si, como realização da atividade, reconhecimento recebido, conteúdo do trabalho, responsabilidade e desenvolvimento. Os últimos, chamados de fatores de higiene, são externos à atividade, como política e administração da empresa, supervisão, relacionamentos interpessoais, condições de trabalho, salário, status e segurança. O principal ponto desta teoria, é que é necessário incorporar fatores motivadores ao trabalho para que os empregados fiquem satisfeitos e obtenham um maior desempenho porque os fatores higiênicos servem apenas para impedir a insatisfação no trabalho. (Bowditchi e Buono, 2004). Uma luminária estragada e um gestor hostil podem causar insatisfação, porém uma luminária funcionando e um gestor educado não provocam motivação. Teorias de Processo Teoria do estabelecimento de metas A teoria do estabelecimento de metas parte do princípio de que todo indivíduo concentra seus esforços em direção a objetivos. Desta forma, o estabelecimento de metas dá energia o indivíduo, dirigindo seus pensamentos para uma finalidade. É importante ressaltar, que as metas traçadas principalmente por gestores no ambiente organizacional, devem ser mensuráveis, alcançáveis, aceitáveis (preferencialmente definidas em parceria com a equipe a alcançá-las), desafiadoras e específicas (claras). Também é um fator importante que as pessoas obtenham feedback em relação ao alcance das metas. O conhecimento em relação ao seu desempenho faz com as pessoas se sintam motivadas para seguir em direção a seus objetivos e também possibilita se necessário, um ajuste em seu método de trabalho. Teoria das expectativas A teoria das expectativas constitui um modelo mais complexo de mostrar os processos cognitivos presentes na decisão de empenhar os esforços em uma direção específica. A motivação é vista como função três componentes: • Expectativa- acreditar que um esforço maior trará um bom desempenho;• instrumentalidade- ter a percepção de que um bom desempenho trará certa recompensa;• valência- valor ou atração da recompensa para a pessoa.Desta forma, para que um indivíduo esteja motivado, ele precisa dar valor à recompensa, acreditar que um esforço adicional o levará a um desempenho melhor e que o desempenho melhor resultará em recompensas maiores (Bowditch e Buono, 2004). Teoria da equidade De acordo com essa teoria, as pessoas não estão interessadas apenas nas recompensas absolutas que recebem pelo trabalho que realizam, mas são bastante sensíveis às diferenças relativas entre seus pares, isto é, estão sempre se comparando, buscando garantir que não estão sendo tratadas de forma injusta, recebendo menos que os outros pelo mesmo esforço. Comparam o que recebem da empresa com aquilo que os outros funcionários, compatíveis em função, recebem. Assim, um indivíduo que ganhe bastante pode se desmotivar por não se sentir tratado de forma equânime (Robbins, 2002). Se as pessoas percebem um desequilíbrio onde se sentem prejudicadas, de alguma forma elas querem restaurar esse desequilíbrio. A busca pela correção pode vir através da diminuição do ritmo de trabalho ou tentando obter recompensas maiores por outros meios, dedicando-se a outras atividades ou até deixando a organização (Bowditchi e Buono, 2004). Com base nesta teoria podemos entender uma disfunção grupal chamada ociosidade social que acontece quando as pessoas dedicam menos esforço ao trabalhar coletivamente do que individualmente. Bem, este artigo é apenas uma apresentação a respeito do tema Motivação- Fenômeno Motivacional, porém, você pode continuar lendo sobre o assunto se aprofundar em cada teoria aqui apresentada pesquisando em outros artigos. Espero que este conteúdo tenha sido relevante para você!