Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação: As Interfaces entre Trabalho e Lazer[1] Edjane Meneses de Queiroga[2] Evalena Lima Cabral[3] Lady Bárbara Barros Silva[4] Patrícia Morais[5] Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB RESUMO: O presente artigo trata de como as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação estão sendo utilizadas nas empresas, de que forma elas estão presentes na vida dos funcionários e como estes estão lhe dando com esses novos produtos tecnológicos no ambiente de trabalho e fora dele. A pesquisa aponta como a globalização e a revolução tecnológica vem alterando esse ambiente de uma forma que a esfera pessoal e profissional está se confundindo, fazendo com que os empresários não consigam separar distintamente trabalho e família, negócios e lazer. PALAVRAS-CHAVE: Globalização; Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs); Revolução Tecnológica. [1] Trabalho apresentado no IJ 6 – Interfaces Comunicacionais do IX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste realizado de 10 a 12 de junho de 2010. [2] Estudante de Graduação 8º. semestre do Curso de Relações Públicas da UFPB, email: edjane_queiroga@hotmail.com [3] Estudante de Graduação 9º. semestre do Curso de Relações Públicas da UFPB, email: evalenacabral@hotmail.com [4] Estudante de Graduação 9º. semestre do Curso de Relações Públicas da UFPB, email: lady_barbara19@hotmail.com [5] Orientador do trabalho. Professor do Curso de Relações Públicas da UFPB, email: patriciacapo@hotmail.com INTRODUÇÃO Vivemos numa época na qual a forma de organização social é moldada de acordo com as mudanças tecnológicas, as quais ditam novos modos de viver. Para as organizações, a convivência com a mudança paradoxalmente virou rotina, ampliando, de modo significativo, sua importância, num mesmo ritmo em que os recursos tecnológicos se diversificam, exigindo novas competências dos profissionais. Essas novas práticas, fazem com que as organizações iniciem uma busca frénetica por soluções eficientes e rápidas para garantir sua sustentação e perpetuação neste novo ambiente. Assim, acompanhar a evolução nos processos organizacionais passa a ser um atributo na agregação de valor e diferencial competitivo, cabendo às empresas, neste contexto de busca da competitividade, desenvolverem competências para lidar com o ritmo da evolução tecnológica. O novo cenário de globalização trás consigo o advento de um novo modelo de organização, todo um sistema de comunicação baseado no paradigma nas novas tecnologias da Informação que modifica as relações de trabalho. Na busca da viabilização de seus propósitos, as organizações são levadas à exploração da tecnicidade, ajustando-se ao uso estratégico e inovador enquanto ferramenta de informação. As tecnologias existentes se apresentam como importantes instrumentos, propiciando o acúmulo de informação, a difusão do conhecimento e da comunicação, bem como a potencialização para o estabelecimento de relações mais dinâmicas e interativas. É neste contexto que surgem as revoluções nos processos de comunicação organizacional, ladeadas pelas novas tecnologias da informação. O surgimento e proliferação das NTICs ( Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação ) permitiram maior difusão das informações, fazendo com que passassemos a viver numa sociedade global e da informação. Neste contexto, os meios de comunicação tradicionais e as NTICs se complementam, tornando-se componentes indispensáveis na estrutura social e política da humanidade. A NTICs dispontam como elemento de maior valor da sociedade atual, principalmente para as organizações, que as consideram ferramentas vitais para sua existência e sobrevivência, devendo, mais do que nunca, ser entendida como um elemento estratégico e transformador das relações entre consumidor/empresa e também entre empresa/funcionário. Esta relação pode ser explicada a partir da forma como as empresas fazem usos das NTICs para chegarem ao consumidor e como as organizações estão preparando seus funcionários para lidarem com essa nova realidade, porém cabe aqui salientar que nosso foco principal no presente estudo foi a relação estabelecida na forma como as organizações tem utilizado as NTICs no relacionamento com seus funcionários, tentando compreender como essas novas tecnologias permitem estender o trabalho da empresa para casa, facilitam a conecção com o funcionário 24 horas por dia e como esta nova forma de organização do espaço de trabalho interfere no cotidiano destes funcionários. ADMIRÁVEL MUNDO NOVO Percebemos, ao longo do tempo, um acirrado processo de globalização, que vem alcançando enorme dimensão. Acontecimentos como a revolução tecnológica e o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, tornaram possível o desencadear da facilitação de transmissão instantânea de informações ao redor do mundo que vem transformando a vida em sociedade. Entendemos globalização por: “Processo que conduz a uma integração cada vez mais estreita das economias e das sociedades, especialmente no que diz respeito à produção e troca de mercadorias e de informação: a globalização teve início na segunda metade do séc. XX.”[1] Por se tratar de um processo de integração econômica, social, política e cultural, a globalização é um fenômeno gerado pela própria dinâmica dessas atividades e teria sido impulsionado pelo barateamento dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo em que a globalização encurta as distâncias, transforma a forma como as pessoas se organizam em sociedade, já que para acompanhar esse fenômeno precisam se manter atualizadas a respeito das novidades surgidas a cada dia. O presente artigo é embasado num debate teórico cujo enfoque reflete o uso das novas tecnologias no ambiente de trabalho e suas conseqüências para o cotidiano do indivíduo, tendo em vista que a agilidade dos processos promovidos pelas tecnologias, também, proporciona um excesso de informações e demanda trabalho muitas vezes fora do horário de expediente, causando dependência e acumulo de atividades. A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS A revolução tecnológica teve início na década de 1970, mas foi na década de 1990 que se justificou uma onda de novos produtos. O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso. (Castells, 1999. pág. 69). A revolução tecnológica favoreceu a mundialização do capital, ou seja, a globalização contribuiu nesse processo, sobretudo na década de 1970 quando passaram a surgir notáveis avanços nas áreas da micro-eletrônica, da automação, da computação, e das comunicações. Tal revolução foi essencial para os interesses do capital, pois ela se apoderou da concentração das riquezas e do poder e ainda atende as necessidades do capitalismo. Isso é de fato, vivenciado no dia a dia, onde somos obrigados a fazer parte desse mundo que tudo funciona através de tecnologia avançada e muito capital. Um grande aumento repentino e inesperado de aplicações tecnológicas transformou os processos de produção e distribuição, criou uma enxurrada de novos produtos e mudou de maneira decisiva a localização das riquezas e do poder no mundo (Castells, p 53.1999). Dessa forma, podemos entender que a Revolução Tecnológica além de transformar o modo de trabalho nas empresas trouxe novos produtos que mudaram a forma de direção das riquezas, do poder e do gerenciamento dos processos administrativos. Compondo um leque de possibilidades na obtenção de informações, inovação, conhecimento, tecnologia, produção e competição. Somos capazes de distinguir quando uma organização é moderna em seu modo de atender e apresentar-se aos clientes, o mercado competitivo obriga as empresas a estarem cada vez à frente, sempre atualizadas e buscando o que há de melhor no conhecimento e tecnologia, mas, está atualizada e obter tecnologia não significa tudo. Há um fator indispensável na produção que não pode ser esquecido, o conhecimento. É o que vai mover a organização, tornando o seu capital mais lucrativo, pois quando um funcionário é capacitado e motivado a desenvolver suas idéias e experiências, surgem mais chances de engrandecimento intelectual. A partir dessa realidade, os funcionários tornam-se independentes da empresa e passam a trabalhar conforme suas necessidades, correr contra o tempo é o motivo pelo quais muitos trabalham em casa, para poderem finalizar o que não podem na empresa. Através de um notebook ou celular, a empresa se comunica a qualquer momento e diretamente com os seus funcionários, facilitando suas atividades e aumentando consequentemente a carga horária do trabalhador. O motivo que fez chegar a esse ponto de as empresas ocuparem seus funcionários até fora do local de trabalho, foi à acirrada competição imposta pela globalização, exercendo grande poder e impondo que todos que estão na corrida, garantam seu lugar e busquem sempre a superação. Portanto, as empresas de modo geral, competem nesse mercado e precisam que a produção não fique estagnada, daí entra o funcionário que além de trabalhar dentro nos horários definidos, acaba levando para casa “lições” para serem feitas. Eis o mundo moderno, quanto mais tecnologia e conhecimento, mais trabalho e correria. De acordo com Harrison (2005, pág.: 55): A mudança tecnológica cria novos produtos, processos e serviços e, em alguns casos, setores totalmente novos. As mudanças no ambiente tecnológico podem alterar a forma como a sociedade se comporta e o que a sociedade espera. Notebooks, CDs e CD players, sistema de satélite direto e telefonia celular são inovações tecnológicas que tiveram um crescimento extraordinário nos últimos anos, deixando atordoados setores antigamente bem estabelecidos, criando segmentos totalmente novos e influenciando a forma como várias pessoas encaram trabalho e lazer. As inovações tecnológicas citadas acima são responsáveis pela mudança de comportamento das pessoas no trabalho e no lazer. Aqui cabe salientar a área de trabalho, os empresários ao se utilizarem dessas inovações passam a se envolver ainda mais no trabalho realizado na empresa. Ao chegar em sua casa, o funcionário pode realizar sua função pela internet, celular ou outro tipo de tecnologia. Isso faz com que elas criem laços maiores com seu trabalho, ficando sob responsabilidade da empresa capacitar esses funcionários e torná-los conhecedores, e assim eles poderão produzir mais e inovar o ambiente de trabalho. Os novos meios tecnológicos de comunicação modificam as noções de tempo e espaço, acrescenta velocidade das trocas de idéias e mensagens, possibilita a dissolução de fronteiras, fazendo com que as organizações passam por grandes transformações, uma vez que, seus componentes, pessoas e estrutura, não necessitam mais estar sobre o mesmo teto nem a um mesmo tempo para desenvolver seus trabalhos. A administração on-line permite que as empresas operem em qualquer lugar e a qualquer hora. Porém, as pessoas são as que sofrem os maiores impactos com a globalização da comunicação, pois a informatização das organizações aponta o deslocamento do trabalho. O processo de trabalho situa-se no cerne da estrutura social. A transformação tecnológica e administrativa do trabalho e das relações produtivas dentro e em torno da empresa emergente em rede é o principal instrumento por meio do qual o paradigma informacional e o processo de globalização afetam a sociedade em geral. (Castells, 1999, pág. 265). A globalização e as novas tecnologias impõem novas relações de trabalho. Atualmente, as pessoas não têm estabilidade nas organizações, já que antigamente existia lealdade dos funcionários, eles entravam na organização e por lá permaneciam durante vinte ou trinta anos e as promoções geralmente eram determinadas pelo tempo de permanência na empresa. Essa realidade vem sendo modificada, à medida que, os profissionais estão sempre buscando melhores condições de trabalho, gerando rotatividade no quadro funcional das organizações. Isso acontece porque às empresas estão sempre buscando profissionais capacitados que atendam sua demanda, já os profissionais buscam empresas que lhe dêem boas condições de trabalho e realização pessoal, assim os melhores profissionais empregam-se nas empresas que melhor atendem suas expectativas. Cada pessoa tem um projeto de vida, que decorre dos seus desejos, interesses, necessidades e habilidades; da consciência que se tem a respeito do lugar aonde se quer chegar e da força que move os indivíduos a conseguir metas. A esfera tecnológica transforma radicalmente o espaço e o tempo, dimensões fundamentais da vida humana. As pessoas ajustam suas vidas de acordo com as necessidades do seu trabalho, fazendo dele um regulador de tempo e espaço, isso porque o trabalho absorve grande parte da energia do indivíduo, provocando transformações e desequilíbrios, já que ele não consegue separar a esfera de trabalho da esfera pessoal. Vários empresários não possuem um circulo de amizades por não conseguir dedicar tempo a essas pessoas. Tudo gira em torno se suas tarefas profissionais, havendo pouca possibilidade de conciliação entre emprego, família e amigos. Muitos desses profissionais não possuem vida privada e essa sobrecarga age de forma negativa no equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dessas pessoas. Mas porque essa invasão da vida profissional na vida privada? A revolução tecnológica influencia nessa sobrecarga de trabalho, pois oferece as organizações à possibilidade de manter seus funcionários interligados a ela o dia inteiro, não importando a distância. Essa ligação é feita através dos celulares corporativos e laptops, pois o funcionário trabalha mesmo após o fim da sua jornada de trabalho, configurando um roubo de tempo pessoal. Essas ferramentas estão cada vez mais presentes nas vidas dos profissionais, pois é uma forma de conseguirem atender a excessiva demanda de trabalho da empresa. Essa demanda é proveniente da competitividade existente entre as organizações, que por sua vez decorre do melhoramento dos produtos e/ou serviços, bem como do grau de informação que os clientes possuem hoje. Ferramentas de comunicação como o twitter, facebook, orkut proporciona que a sociedade se organize e tenha voz para exigir e denunciar produtos e empresas. Assim, as organizações estão sempre buscando melhorar e inovar seus produtos e/ou serviços com eficiência para conseguirem se manter no mercado. Com isso, há um aumento nos serviços, mas raramente há aumento no quadro funcional, fazendo com que os funcionários tenham mais trabalho e menos tempo disponível. Dentro dessa realidade, as pessoas se vêem cada vez mais obrigadas a atenderem essa demanda e acabam utilizando seu tempo pessoal na busca de manter seu cargo. Nessa procura constante, os funcionários perdem na questão pessoal, pois além de trabalharem as oitos horas diárias no escritório ainda trabalham a noite, nos finais de semana e feriados, deixando em último quesito lazer, amigos e família. A ATUAÇÃO DAS NTICs NAS EMPRESAS MODERNAS A sociedade atual oferece um leque bastante diversificado e variado no que diz respeito a novidades tecnológicas, todos os dias aparecem novos equipamentos eletrônicos dominando o dia a dia do cidadão, seja no ambiente de trabalho, nas ruas ou em suas residências. As Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs) chegaram invadindo todos os espaços e modificando as relações sociais de forma geral, provocando mudanças nas formas como as pessoas se relacionam, aprendem e trabalham. Transferindo o poder de comunicar, antes restrito aos grandes grupos de mídia e aos conglomerados corporativos às mãos de cada indivíduo. Segundo Vigneron (2001) “As NTICs designam um conjunto de meios de armazenamento, de tratamento e de difusão da informação, gerado pelo casamento entre a informática, as telecomunicações e o audiovisual”. Assim, os tradicionais meios de comunicação que antigamente apenas informavam, passam a conviver com a realidade da interatividade com a ascensão das NTICs, onde o público passa a opinar, exigir e interferir nos produtos e/ou serviços. Dessa forma, seguindo a evolução da comunicação de massa, passando dos meios impressos aos eletrônicos e, mais recentemente, aos digitais, as NTICs incorporam uma vasta lista de ferramentas, que vão desde o notebook, telefone móvel, fax, multimídia, informática, Internet, Intranet, auto-estradas da informação, tele formação, tele trabalho, hipertexto, TV digital, os blogs, chats, podcasts a comunidades. A imensa maioria delas se caracteriza por agilizar, horizontalizar e tornar menos palpável (fisicamente manipulável) o conteúdo da comunicação, por meio da digitalização e da comunicação em redes (mediada ou não por computadores) para a captação, transmissão e distribuição das informações (texto, imagem estática, vídeo e som).[2] As constantes mudanças que caracterizam o cenário atual e a velocidade com que a informação é disseminada nos levam a reflexão sobre a forma que se dá a aprendizagem empresarial em meios as novas tecnologias. Em decorrência disso, tem-se discutido a relação entre a capacidade de as organizações processarem e criarem conhecimento, visando à eficácia, e a função que as NTICs assumem nesse contexto. Assim, nos perguntamos como as organizações estão lidando com as NTICs? E como este processo de adaptação e transformação está interferindo na vida dos funcionários? Integrantes do sistema social global, as organizações passam a ter um novo perfil institucional, aumentando sua responsabilidade e sua maneira de comportar-se diante das transformações mundiais. Nesse sentido, deparamo-nos com novas realidades. É neste cenário repleto de novidades que os profissionais terão de atuar. Diante de um mercado dinâmico, aberto e competitivo, fazendo uso de todos os meios tecnológicos disponíveis para está sempre à disposição da empresa. Dentre as NTICs, a Internet é considerada a principal inovação, pois acarretou grandes mudanças nas formas das pessoas se comunicarem e também na forma de como a informação é repassada e trocada entre as pessoas, ou seja, a comunicação ocorre de dentro pra fora, de cima para baixo, de todos os lados e vice-versa. Uma das ferramentas mais utilizadas para se ter acesso a internet é o microcomputador, é também o mais utilizados das novas tecnologias da informação e da comunicação para se ter acesso ao tele trabalho, pois pode ser levado para qualquer lugar e estando conectado a internet é possível ter acesso a todo o ambiente empresarial. Para Vigneron (2001): O microcomputador é o lugar das aplicações buróticas clássicas (tratamento de texto, tabulação, gestão de fichário, correio eletrónico). Completado pelos equipamentos periféricos (impressora, fax), ele permite reconstituir verdadeiros postos de trabalho. Se se adiciona o modem, ele pode ser conectado com a empresa, via rede telefônica. O teletrabalhador troca dados com seus colaboradores. Entra assim totalmente no circuito interno da empresa. Enfim, dotado de programas adequados, um microcomputador conectado por modem abre o caminho das redes informáticas externas, por exemplo, para aceder aos bancos de dados ou a redes de redes como a Internet. Outra ferramenta muito utilizada pelas empresas para terem acesso ao seu funcionário é o serviço de telefonia móvel, através do uso do celular, segundo LIMA (p. 41, 2000) a capacidade que essa tecnologia tem de permitir conexões em todo e qualquer lugar estendendo a voz e o ouvido humano, representa uma facilidade que se incorporou ao nosso cotidiano, exercendo uma influência insuspeitada no comportamento cultural dos indivíduos. Ou seja, o celular permite que o funcionário seja interceptado a qualquer hora e em qualquer lugar. São muitas as outras ferramentas que fazem parte das NTICs, como já foi citado. A internet e a telefonia móvel foram apenas dois exemplos de como as organizações utilizam as novas tecnologias para estarem conectadas ao funcionário além das dependências físicas da empresa. Assim, constatamos que as novas tecnologias são ferramentas imprescindíveis ao processo de aprendizagem organizacional. As empresas defrontam-se com uma realidade em constante processo de mutação, de aperfeiçoamentos tecnológicos e reestruturações administrativas que afetam diretamente suas formas de gerenciamento e o cotidiano dos profissionais. Assim, entendemos que as empresas modernas estão tornando-se cada vez mais abertas ao uso das novas tecnologias, ao mesmo tempo estão buscando funcionários atualizados, preparados para lidar com as novidades que surgem a cada dia, e que tenham, principalmente, conhecimento a oferecer, pois, este último é o capital do mundo moderno. No entanto, a facilidade de interação entre empresa e público intermediada pelas NTICs e a acirrada competitividade impulsionada pela globalização faz com que se efetive a qualidade dos produtos e/ou serviços. Com isso, as empresas passam a exigir mais de seus funcionários ocasionando sobrecarga de trabalho, ao mesmo tempo elas não investem em treinamento e isso acarreta um desgaste profissional, pessoal e intelectual. CONSIDERAÇÕES FINAIS Até os dias de hoje se constatou a importância da tecnologia na comunicação e como a utilização dela é bem vinda nas empresas que buscam estar sempre conectadas ao mundo. A globalização abriu espaço para a tecnologia e seus novos meios incorporarem seus produtos para o crescimento da qualidade no trabalho e no lazer. A louca disputa capitalista e a atenção aos novos conhecimentos que surgem a todo instante, tornando o ser humano uma espécie de máquina receptora e transmissora de atividades 24 horas no ar, sem ao menos ter a chance de parar por um instante e olhar a sua volta o que se passa, deve-se a globalização. É certo que as pessoas tenham suas férias merecidas, viagem com a família, etc. Mas momentos como esses são tão difíceis que acaba muitas vezes delongando vontades por causa do trabalho que não as permitem ter momentos de lazer. O meio de sobrevivência hoje faz com que os funcionários se envolvam tanto ao ponto de deixarem seu lazer, sua acomodação e tragam para esse ambiente tão perfeito, tarefas que transformam o lar doce lar, num segundo ambiente de trabalho. A revolução tecnológica acarretou consigo as ferramentas exatas para a prisão dos funcionários se tornarem de vez um fato consumado. As NTIC’s fizeram do mundo um campo de batalha, onde cada empresa possuí duas armas poderosas capazes de eliminar as concorrentes que não estão preparadas, o conhecimento e a tecnologia. Essas duas armas fazem toda a diferença no combate, pois suas munições tornam as empresas mais poderosas e grandiosas diante o mercado, que tem sede do que é bom e melhor. É assustador o rápido desenvolvimento de inúmeros equipamentos eletrônicos que surgem a cada dia e com mais funções oferecidas. Por isso a importância de estar prevenida a essas mudanças é inevitável às empresas modernas, que preparam seus funcionários para crescerem juntos, fortalecendo sua imagem e destacando-se entre as demais. Não só no contexto de tecnologia, mas de conhecimento, proporcionar aos funcionários inovações e novas oportunidades de desenvolvimento pessoal, tornando-os grandes aliados para o desenvolvimento geral. Nesse mesmo espaço, surge também a pressão de trabalhar horas a mais em casa, produzindo para que as atividades não fiquem aglomeradas no dia seguinte. O computador e o celular são os grandes companheiros que não são deixados em nenhum momento pelos funcionários que não se desprendem da empresa. Essa realidade vivida merece mais destaque pelo fato de se tratar de seres que merecem momentos de paz, para que não haja uma “pane no sistema” na máquina humana. As empresas passam a se preocupar com o conhecimento que vem das cabeças pensantes, ou seja, seus funcionários. É necessário que ela respeite e não absorva tanto as mentes brilhantes responsáveis pelo seu sucesso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CASTELLS, Manuel; A sociedade em rede – A era da informação: economia, sociedade e cultura; São Paulo: Paz e Terra, 1999. DRUCKER, Peter Ferdinand; Administrando em tempos de mudanças; 3 ed.; São Paulo: Pioneira, 1996. HARRISON, Jeffrey S.; Administração estratégica de recursos e relacionamentos; Porto Alegre: Bookman, 2005. LÉVY, Pierre; A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço; 5 ed.; São Paulo: Loyola, 2007. LIMA, Frederico O. A sociedade digital: o impacto da tecnologia na sociedade, na cultura, na educação e nas organizações. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000. SOTO, Eduardo; Comportamento organizacional: o impacto das emoções; São Paulo: Cengage Learning, 2008. VIGNERON, Jacques Libero, Ano IV, V. 4, nº 7-8, 2001, p. 96-101 Artigo: Comunicação Interna além das Mídias. Trabalho Apresentado no 6º Seminário de Comunicação do Banco do Brasil MÍDIA E CULTURA BRASILEIRA. Disponível em: http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=globaliza%E7%E3o. Acesso em 24/04/2010. Disponível em: http://linguagemmultimidia.blogspot.com/2009/02/o-que-sao-ntics.htmt. Acesso em 24/04/10. 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