Nos últimos anos tornou-se impossível estudar e entender uma organização, sua forma de funcionamento e o seu planejamento estratégico sem estudar o comportamento das pessoas que fazem parte dela e, também, das pessoas que almejam fazer parte dela. Atualmente, o mercado de trabalho vem exigindo das pessoas, de uma forma geral, uma série de competências que vão de comportamentais até técnicas. Entende-se competências comportamentais a capacidade e o bom relacionamento interpessoal. Para alguns cargos é imprescindível a capacidade de liderança, o dinamismo, a pró-atividade, o poder de persuasão, dentre outras tantas competências que podemos citar. Vendo pelo lado técnico, a qualificação, a reciclagem e o interesse permanente do desenvolvimento da profissão são de extrema importância para que o profissional consiga alcançar a posição e o sucesso almejado. Para ser visto com bons olhos pelo mercado, o profissional precisa sempre ter um diferencial, seja ele técnico ou comportamental. Só assim conseguirá se destacar em meio a tantos outros profissionais desse mercado aquecido do qual estamos presenciando. O indivíduo precisa sempre querer saber mais e estar à frente do conhecimento. O mercado procura quem é capaz de trazer soluções e tomar decisões com agilidade e certeza. O embasamento teórico é fundamental, mas a capacidade de fazer acontecer é o que faz toda a diferença. Neste cenário organizacional, as competências humanas têm um importante papel e estão tomando proporções maiores do que o esperado. Hoje, o que se vê, são empresas apostando em profissionais com maior qualidade comportamental do que técnica. Prefere-se apostar naquele que tem habilidades para ser desenvolvido tecnicamente, ou seja, aquele que tem a capacidade de aprender, do que partir pelo lado mais difícil que é o de, sem dúvidas, educar alguém, modificar o seu perfil. O que é, na maioria das vezes, impossível. As habilidades humanas estão tomando grandes proporções em vistas de outros recursos, tanto é que, a modalidade de Recursos Humanos, trocou de nome para Gestão de Pessoas. A modernidade pós-revolução industrial nos pede que esta gestão seja feita de forma consciente e inteligente, para podermos reter e colher os frutos dos melhores talentos que o mercado de trabalho tem a oferecer. O estudo do comportamento humano nas organizações só trará benefícios para estas, em vista que quanto mais soubermos destes aspectos pessoais e grupais, tanto mais eficazes serão os investimentos nas pessoas, e, melhores serão os resultados que estas nos propiciarão. Frente a isso tudo, podemos nos questionar: O que temos visto por ai? Temos visto por ai, na grande maioria dos casos, profissionais despreparados, pouco qualificados e muitas vezes desinteressados. A Gestão de Pessoas das empresas têm encontrado pessoas com qualificações inferiores a exigência da empresa e do mercado. Profissionais com exigências salariais que não condizem ao seu perfil técnico. Profissionais estagnados, congelados. Pessoas em busca de muita remuneração e pouco trabalho. De receber muito e dar pouco em troca. Pequenas, médias e grandes empresas têm investido fortemente em um sistema de recrutamento e seleção de qualidade, para reduzir cada vez mais as falhas. Processos mais longos, mais analíticos onde apenas interessados e capazes permanecem. Mas, o que não é surpresa para ninguém, encontramos por ai os famosos 'psicopatas corporativos', embora eles representem apenas 1% da população, segundo pesquisa do psicólogo John Clarke da Universidade de Sydney. Tais profissionais tem a habilidade de driblar uma boa entrevista e conseguir uma colocação no mercado mesmo sem ter qualificação suficiente. Eles conseguem ultrapassar qualquer processo seletivo utilizando seu comportamento maquiavélico, manipulando e conduzindo qualquer dinâmica ou entrevista de uma forma que eles conseguem mostrar ao entrevistador/empresa exatamente aquilo que eles estão buscando e algo que eles acreditam que conseguem ser. O problema é que eles nunca conseguem. O lado 'positivo' de tudo isso é que são perfis fáceis de serem identificados após a contratação que é o momento que, sem querer, eles acabam mostrando quem verdadeiramente são. Por fim, podemos concluir que muitas vezes pensamos que o que falta é emprego e que sobra profissionais. Mas, esta na hora de revermos nossos conceitos no que diz respeito a isto. Será que não sobra vagas e faltam pessoas qualificadas e com perfil adequado? De onde parte o problema, da empresa exigente ou do profissional desqualificado? Quem busca quem? Qual é o seu diferencial?. Ficam estes questionamentos.