1 INTRODUÇÃO O comércio eletrônico é hoje a parte mais visível de uma nova era de negócios e investimentos ao redor do mundo. Impulsionados pelo rápido crescimento e pela rápida difusão da Internet nos diversos setores da sociedade, empresas, órgãos públicos, instituições financeiras e consumidores, cada vez mais se integram agrade rede mundial (KAYAN0, 2008). No Brasil, embora o momento seja favorável, existem alguns desafios a serem superados, principalmente em termos de integração dos canais de venda, visando oferecer uma experiência Omnichannel (FREIRE; SALGADO, 2019). O maior desafio não será gerenciar esses múltiplos pontos de contato, e sim aproveitá-los para promover experiências inesquecíveis e fidelizar o consumidor cada vez mais exigente em busca contínua por conveniência de compra (PAES, 2016). Apesar dos desafios, a estimativa divulgada pela Ebit/Nielsené que o comércio eletrônico brasileiro cresça 15%, apresentando um faturamento de R$ 61,2 bilhões em vendas online de bens de consumo em 2019 (FREIRE; SALGADO, 2019). O comércio eletrônico (CE) é ainda relativamente novo (COBRA, 2009). A atividade do CE –e-commerce pode ser definida como o conceito de Turban (2004, p.3): 'processo de compra, venda e troca de produtos, serviços e informações por redes de computadores ou pela Internet'. De acordo com Deitel (2004), existem muitas vantagens em se levar um negócio para a plataforma virtual, transformando-o em um e-commerce. Uma das vantagens apontadas pelo autor está no melhor gerenciamento da cadeia de suprimentos, que pode ser estratégico para a organização. Outras vantagens estão na personalização e melhoria na prestação de serviços. O varejo tradicional é essencial para a estrutura distributiva do mercado moderno (HILLMANN, 2013). Atravésdo varejo as empresas se tornam mais próximas dos consumidores, através de ações de promoção ou merchandising. Apesar de todos os benefícios e méritos atribuídos ao setor varejista tradicional, entende-se que com o advento do e-commerce o setor vem sofrendo com algumas ameaças como por exemplo manter um estoque adequado à demanda, manter preços competitivos frente à uma demanda maior, questões geográficas como localização, segurança e até mesmo infraestrutura também são ameaças que devem ser levadas em consideração ao avaliar a ação do varejo tradicional frente ao varejo no e-commerce (FILGUEIRAS et al., 2015). Dessa forma, os impasses decorrentes da implementação gradual do e-commerce no Brasil, trazem implicações para o comércio convencional, impactando no desenvolvimento das lojas físicas e exigindo que esse modelo de comércio tradicional se reinvente e busque novas alternativas de progredir no mercado. Assim, surge a questão problema: Quais as implicações do comércio eletrônico para o crescimento das empresas e como tem interferido na competitividade das lojas físicas? O objetivo é analisar as implicações da implementação do comércio eletrônico para o desenvolvimento das lojas físicas. 1.1 Justificativa Ao longo das últimas décadas, as instituições varejistas vêm atravessando um intenso ritmo de transformação. Muitos modelos de lojas tradicionais foram cedendo lugar aos novos formatos, mais eficientes e mais adequados às necessidades do mercado consumidor (PAES, 2016). Diante desse cenário de transformação, o CE encontra-se em um momento de crescimento, impulsionado pelo desenvolvimento das tecnologias atreladas à internet (FREIRE; SALGADO, 2019). Tendo em vista a expansão do CE e a necessidade de atualização das empresas nesse sentido, verifica-se que este ramo de serviço online tem contribuído em vários sentidos para facilitar o acesso à bens e produtos, ao mesmo tempo que tem apresentado algumas limitações. Dessa forma, o comércio convencional tem enfrentado dificuldades quanto à competitividade em relação a esse modelo de negócio. Sendo assim, é necessário compreender quais os impactos do CE para as empresas e os desafios que o comércio convencional tem enfrentado em relação a essa nova tendência. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. O comércio eletrônico no Brasil O e-commerce surgiu aproximadamente em 1995, nos Estados Unidos, com o aparecimento da Amazon.com e demais empresas. E, apenas após cinco anos, esse segmento começou a se desenvolver no Brasil. Desde então, as vendas por meio da internet não pararam de crescer (TOREZANI, 2008). A partir de sua origem, o e-commerce vem evoluindo e auxiliando as empresas a conquistarem um número cada vez maior de clientes, bem como as ajudando a conhecê-los, proporcionando uma melhor qualidade nas vendas, oferecendo ao cliente aquilo o que ele realmente necessita e aumentando os lucros. E tudo isso apenas investindo em tecnologia, utilizando a Internet (SILVA; OLIVERA, 2019). Segundo o e-bit, o e-commerce brasileiro faturou aproximadamente R$41,3 bilhões em 2015, alcançando um crescimento nominal de 15,3% em relação a 2014, com 106,5 milhões de pedidos no período. Esse aumento foi consequência principalmente do crescimento do acesso à internet, que teve, por sua vez, como uma das suas principais causas o aumento das vendas de smartphones. A adesão aos dispositivos móveis por parte dos brasileiros deve aumentar cada vez mais, devido à redução dos preços desses aparelhos (SILVA; OLIVEIRA, 2019). Campi (2014) apresenta em sua pesquisa dados da E-bit (entidade que garante mais segurança nas compras eletrônicas), onde menciona que 51,3 milhões de pessoas no Brasil já estão fazendo uso da Internet, ao menos uma vez para realizarem compras. Nesse mesmo estudo, demonstra-se um crescimento de 28% no CE, em comparação ao ano de 2013, gerando um faturamento de 28,8 bilhões de reais. Além disso, houve também um aumento de 32% nos pedidos de compras online, chegando a 88,3 milhões de reais. Com o desenvolvimento desta modalidade de compras, emergiram também alguns riscos para o consumidor, um fator desfavorável, pois a segurança é tida como um aspecto de grande preocupação dos clientes (ODONE; AZEVEDO; COELHO, 2014). Moreira (2015) ao analisar quais os fatores determinantes na escolha do tipo de loja por parte do consumidor quando comparada a loja online com a física, constatou que os consumidores preferem a loja física convencional, contudo não ignoram a possibilidade de posteriormente vir a experimentar, ou tornarem-se e-consumers. O autor ressalta que os fatores mais valorizados na loja online, são a poupança de tempo, autonomia e comodidade, enquanto na loja física, correspondem à rapidez no atendimento e diversidade da oferta. O número de e-consumidores ativos no ano de 2016 atingiu 47,93 milhões de usuários. Em relação ao perfil dos consumidores o relatório mostra que a participação feminina foi maior que a dos homens; foram registradas 1.572.584 participações a mais, cerca de 51,6%, enquanto os homens obtiveram 48,4%, diferentemente do ano anterior onde os homens registraram 51,4% (MARES; GAMA; SANTOS, 2020). Ainda de acordo E-bit (2018), no ano de 2016 em relação a faixa etária, a idade média dos consumidores brasileiros permaneceu nos 43 anos, justificado pela entrada de novos consumidores com idade reduzida. Consumidores com idade até 24 anos registraram 8% de participações no CE. Entre 25 a 34 anos o índice ficou em torno de 23%. Na faixa etária de 35 a 49 anos o índice foi o maior registrando, cerca de 35% das participações. E consumidores com idade acima de 50 anos o índice ficou em torno de 34% (MARES; GAMA; SANTOS, 2020). No cenário que ainda está em formação, o e-commerce tem se mostrado uma excelente alternativa para driblar a crise que se instalou desde janeiro de 2020, quando a maioria das empresas foram obrigadas a fecharem as portas. Claro que a opção desse tipo de negócio já existia antes da pandemia, porém, para alguns tipos de negócio, eram apenas uma alternativa, diferente de agora, que se mostra como uma das únicas opções (BARBOSA et al., 2020). 2.2. Vantagens e desvantagens do E-commerce Nesse segmento de mercado que é caracterizado por CE existem vantagens que faz os consumidores realizem suas compras com um custo baixo, variedade nos bens oferecidos, facilidade de compra e comodidade (VISSOTTO; BONIATI, 2013). No entanto o Serviço Brasileiro de Apoio e Pequenas Empresas -SEBRAE (2014) discute as desvantagens do mercado eletrônico, pontuando a atenção no momento da compra, considerando a ocorrência de hackers com os dados dos cartões de créditos e senhas, os atrasos com entrega e não haver contato com o produto desejado, contudo são colocadas em pauta as vantagens, por exemplo, a comodidade que os clientes encontram em comprar pela internet, acesso e disponibilidade para realizar uma compra a qualquer hora e pesquisar ou comparar preços. Ao compreender sobre as vantagens e desvantagens, frente ao CE, é necessário compreender também que cada consumidor possui um perfil comportamental de consumo, considerando que o cliente é um ser social, dotado de necessidades e desejos (GALVÃO; LIMA, 2018). Silva (2019) argumenta que o e-commerce trouxe várias vantagens com o uso da tecnologia, pois, diminui despesas para as empresas, visto que pode colocar seus produtos a mostra em um site, economizando em estoque, estabelecimento físico, pois o custo de um estabelecimento virtual é bem menor se comparado com um estabelecimento físico. Além de que na internet, irá alcançar infinitas pessoas, por exemplo, pessoas residentes em outros países. Deste modo, fica evidente o quanto é benéfico para as empresas o CE, haja vista que com essa nova forma de comercialização houve uma grande redução nos custos da mão de obra, pois as vendas que antes eram realizadas de forma física, agora são realizadas de forma virtual (SILVA, 2019). Almeida Junior (2007, p. 6) sobre as desvantagens no comércio eletrônico enfatiza que, as 'desvantagens não são só para as empresas, mas também para os clientes e para a sociedade; questões como o aumento do número de desemprego, diminuição da qualidade dos produtos entregues'. Ainda nessa linha de pensamento, Teixeira, (2015, p.32) reforça: […]consumidores que teriam certo receio de comprar por não confiar no ambiente virtual; ou de outros que, embora já tenham comprado, experimentaram alguma frustração com a negociação, como a não entrega do bem, a dificuldade de devolução em razão de arrependimento ou de troca por vício, o receio de fornecer dados bancários ou números do cartão de crédito. Esses fatos fazem com que a confiança no comércio eletrônico não seja um consenso. Conforme explica Albertin e Moura(2010), o CE causa um aumento da relação cliente-fornecedor além de melhor comunicação entre as partes; possibilita novos modelos de negociação, assim, podendo adaptar produtos antes não disponíveis ao mercado; novas oportunidades; mais agilidade nas negociações. Um ponto negativo da compra pelo CE é a entrega, pois diferente de uma loja física, onde na maioria dos casos, você já sai com o produto, no comércio eletrônico é necessário que você aguarde alguns dias até que seja efetuada a entrega, o que se torna um problema quando você tem uma necessidade do produto com urgência (GODOFREDO, 2012). 2.3 O desafio das lojas físicas em tempos de e-commerce O entendimento do comportamento do consumidor em lojas físicas e virtuais (e-commerce) é um ponto que merece destaque, pois envolve estratégia, conhecimento e habilidade da empresa em atrair e reter seus clientes (RAMANATHAN; HARI, 2011), a fim de garantir uma experiência agradável a esses e, principalmente, entender as novas dinâmicas de mercado, bem como sua comunicação. Soares (2017) descreve que, a mudança do comércio nos anos 80 acabou obrigando os empresários varejistas a ter um novo foco: o produto. Dessa forma, toda variação do produto, seja na forma de produção, na composição do produto, no controle de qualidade bem como formas exclusivas de venda do produto, foram utilizados. Assim, a tão utilizada produção em massa deu-se lugar a segmentação. Este novo posicionamento trouxe grandes alterações nos formatos das lojas e os operadores varejistas que fez com que buscassem criarem suas redes de lojas especializadas e que tinham como proposta 'focar em lojas, produtos e marcas em comportamentos e atitudes dos consumidores' (SOUZA; SERRENTINO,2002). Segundo Gonçalves et al. (2019), o varejo tradicional, ou loja física, estava com seus dias contados na década de 1990. Época essa que culminou no surgimento da internet. Porto (2006) observa que diversas empresas conseguiram se reinventar e adaptar-se à dinâmica do mercado e, passaram a trabalhar online Buscando formas de incluírem o e-commerce no comércio tradicional, Cavalcanti e Silveira (2006) apontam que o varejo virtual gerou modificações no mercado com sua base de informações, tecnologias e inovações. Com essas modificações, alguns lojistas tradicionais buscaram reconfigurar seus métodos para melhor adaptação. Desta forma, o CE funcionou como canal secundário do varejo tradicional, adaptando tanto o mercado quanto a sociedade (GEBARA, 2018). Para as empresas de pequeno porte manter-se competitiva não é uma tarefa fácil, fatores como capital mais limitado, aliado a estrutura menor e outras adversidades que são peculiares a essas empresas, o comercio eletrônico surge como uma alternativa para facilitar a sobrevivência dessas organizações, porém o panorama das empresas de pequeno porte no e-commerce ou mercado virtual não é nada favorável (FEITOSA, 2017). Quanto ao futuro do mercado varejista, Fumagall, Bottamelli e Razões (2016) destacam que tanto o varejo tradicional, quanto a Indústria, precisam compreender essa evolução e se prepararem para a próxima onda, a era do varejo de relevância com o avanço tecnológico e da integração dos canais. Indústrias e distribuidores precisam tornarem-se aliados e não concorrentes, pois, o consumidor está mudando, o perfil de compra está mudando e vai se destacar a empresa que estiver pronto para atendê-lo. 3 METODOLOGIA Tratar-se-á de uma pesquisa bibliográfica qualitativa que buscará levantar informações que possam esclarecer quais as implicações da implementação do comércio eletrônico para o desenvolvimento das lojas físicas. Para isso, utilizar-se-á o Google acadêmico como fonte de informações, a fim de fazer um levantamento de artigos e livros que possam subsidiar a construção desta pesquisa. De acordo com Marconi e Lakatos (2010, p. 166), 'a pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão'. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas. A pesquisa qualitativa pode utilizar recursos que, de acordo com o ponto de vista do pesquisador fixem a amostra e a deem sentido, como sujeitos essenciais, disponibilidade dos indivíduos para entrevista, perfil de quem se encaixa na amostra, enfim, que tragam informações importantes para a pesquisa (ROSÁRIO; DARIDO, 2005). Realizar-se-á ainda uma pesquisa de campo com vista a obter, na prática, dados reais sobre a temática estudada. Dessa forma, será feita uma intervenção em duas lojas da cidade de Graça, no Ceará, uma física e outra virtual. Para tanto realizar-se-á uma entrevista com os proprietários das referidas lojas afim de colher informações in loco sobre a gestão dos negócios e a condução das estratégias relacionadas ao e-commerce. O levantamento bibliográfico ocorrerá entre os meses Setembro e Novembro e serão utilizados como requisitos para fomentar a pesquisa, estudos que abordem em seu conteúdo, apenas informações relacionadas à temática da referida pesquisa. A intervenção nas lojas ocorrerá no segundo semestre de 2022, onde serão organizadas todas as etapas das atividades que serão apresentadas no quadro 1. Após a coleta dos dados, utilizar-se-á a análise de conteúdo como técnica para verificação das informações colhidas. Esse método realiza a análise do conteúdo por entrevista ou grupo focal com atenção no posicionamento dos indivíduos quanto aos aspectos pesquisados (BARDIN, 2009). 4 RESULTADOS ESPERADOS Diante das transformações ocasionadas em função do crescimento da tecnologia, o comércio das lojas físicas teve que promover mudanças na sua gestão. Assim, a tecnologia surge para auxiliar os processos, possibilitando que os resultados possam ser aumentados. Entre os principais benefícios, podem ser citados o gerenciamento, uma vez que o antigo processo físico de anotação, por exemplo, ocasionava lentidão para identificação dos produtos ou, até mesmo, na gestão dos serviços. Um outro benefício que pode ser citado é a transformação da informação física para o digital, e com a contribuição de dispositivos móveis tais como celular e notebooks a gestão das lojas físicas poderão ser melhoradas, auxiliando os gestores. REFERÊNCIAS ALBERTIN, A. L; MOURA, R. M. 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