O poeta e filósofo Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), morreu prematuramente aos 47 anos devido a problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool. Pessoa nos deixa um legado fenomenal, um acervo espetacular de literatura e um mistério que envolvia sua poesia, mistério esse que é base de estudos até hoje. Entre as inúmeras frases de Fernando Pessoa destacamos a lendária 'O homem é um cadáver adiado'. Vivemos tempos difíceis na área de recursos humanos não há como negar, de um lado damos passos significativos, mas do outro ainda caímos em erros primários, sempre com desculpas descabidas e respostas prontas para tudo. Em 2013 a revista VOCÊ RH (Editora Abril – Edição OUT/NOV 2013) publicou uma capa intitulada: Viramos zumbis corporativos? Pois é! Estamos cada vez mais antecipando nossa condição de cadáver e as corporações estão ajudando muito nisso, é evidente que a morte aqui não passa pela condição biológica da ausência de vida, mas uma condição improdutiva do ser humano que, não oferece como deveria oferecer sua capacidade física e intelectual em favor das corporações. Uma desmotivação crônica é percebida no corpo funcional das empresas, e infelizmente muito pouco ou quase nada é feito para mudar, mesmo as pesquisas de clima revelando e o próprio sentimento evidenciando esta condição. Em 2013 a pesquisa que dá origem ao Guia VOCÊ S/A – As melhores empresas para você trabalhar, trouxe resultados alarmantes: 47% dos brasileiros estão insatisfeitos, pressionados e consideram seu ambiente de trabalho insalubre, ou seja metade de sua empresa corre o risco de estar com este mesmo sentimento, e não é diferente ao redor do mundo, onde 65% consideram também que estão desconectadas e não engajadas com o negócio da empresa, ou seja estão antecipadamente mortos organizacionalmente falando, pois não estão contribuindo para o objetivo fim da organização. São os inúmeros fatores que provocam esse quadro de cemitério nas empresas, exemplo: 75% das pessoas passam a maior parte do tempo apagando incêndio de trabalho; 68% tem dificuldade para se concentrar nas tarefas que são distribuídas durante o dia, principalmente por e-mails; 25% é quanto aumenta o tempo para terminar uma atividade, toda vez que a pessoa muda seu foco de alteração. E não para por aí pois 58% dos profissionais se sentem irritados, impacientes ou ansiosos no trabalho, principalmente quando aumenta a demanda; 57% das pessoas dormem menos de 7 horas e já acordam cansadas; 56% dos trabalhadores não fazem pausas regulares durante o dia para recarregar a energia. Também é atribuído fatores diretamente ligados a produtividade no dia a dia, haja vista que 96% dos empregados perdem um tempo preciso por causa de e-mails inúteis, outros 90% culpam o excesso de chefes envolvidos na tomada de decisão e 84% acreditam que são os computadores lentos que os fazem desperdiçar horas de trabalho. Todos esses dados alarmantes nos norteiam a um diagnóstico claro de improdutividade, resultados rasos e cadaverização corporativa. O quadro é alarmante, chegamos a um ponto onde mais da metade da população trabalhadora mundial está triste, deprimido e mortos em seus trabalhos. A luz das informações, as empresas agora fazem um aprofundamento no assunto e tenta reverter a situação, pois esta condição de cadáver compromete diretamente o negócio e a gestão, e nós RH's precisamos estar sensíveis e perceber esta situação para agir de maneira preventiva e corretiva, e assim diminuir o impacto que isso gera dentro de nossas empresas. O RH precisa ser um grande agente motivador entre tantos outros para que este cemitério organizacional se transforme em um ambiente que estimule a evolução do ser humano, sua criatividade, sua produtividade e sua vida! Vamos viver a condição de cadáver adiado como diz pessoa e não antecipar este estado. Bibliografia: Você RH, Revista – Edição 25 – Editora Abril – 2013. Você RH, Revista – Edição 28 – Editora Abril – 2013.