A regulamentação da atividade de segurança privada teve início em 1969 com o Decreto-Lei 1.034 com o objetivo de dar segurança às instituições financeiras. De lá para cá, houve um grande avanço e a atividade necessitou, cada vez mais, de profissionais atualizados não só na área operacional, mas também na área tática e estratégia (ainda em desenvolvimento). Os gestores de segurança, em muitas empresas, são formados por ex-militares das Forças Armadas ou ex-policiais que são contratados para esta atividade, sendo que na realidade o tipo de experiência e conhecimento destes profissionais é bem diferente do que a empresa procura, haja vista que a preparação é totalmente diferente e não inclui a área da segurança empresarial. É fato que muitos desses profissionais têm, cada vez mais, procurado treinamentos na segurança empresarial a fim de somar sua experiência com os conhecimentos necessários para a função no meio empresarial. Porém, é fato também, que muitos assumem o cargo sem saber nem o que exigir no contrato da vigilância patrimonial, sem conhecer as exigências legais dessas empresas e dos vigilantes. Sem conhecer nenhuma metodologia para realizar uma análise de risco, assim como identificar perdas financeiras, fraudes, realizar investigações internas elaborar um procedimento de segurança, sugerir a política de segurança de uma organização, elaborar um plano de continuidade do negócio, entre outros. Pois estas são algumas das disciplinas dos cursos de formação do tecnólogo de gestão de segurança privada. Curso que teve início a cerca de quatorze anos em diversas universidades do país e hoje este profissional possui registro no CRA – Conselho Regional de Administração. O desenvolvimento das diversas normas que aprimoram, cada vez mais, as técnicas e metodologias aplicáveis à segurança empresarial demonstram o crescimento profissional deste segmento. São as ISO's, (ISO – International Organization for Standardization, ou Organização Internacional para Padronização), que no Brasil são traduzidas e adaptadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e representadas pelas ABNT/NBR/ISO – Norma Brasileira de Regulamentação, que tratam de gestão de riscos, segurança das informações, gestão de continuidade do negócio, blindagem, segurança para cadeia logística entre outros. A profissão do gestor de segurança é regulamentada pelo MTE – Ministério de Trabalho e Emprego que identifica a profissão na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2526-05), tendo como descrição das atividades: 'Gerenciam as atividades de segurança em geral. elaboram planos e políticas de segurança. Realizam análises de riscos, adotam medidas preventivas e corretivas para proteger vidas, o patrimônio e restaurar as atividades normais de empresas. Administram equipes, coordenam serviços de inteligência empresarial e prestam consultoria e assessoria'. Além dos cursos de tecnólogos existem diversos cursos de pós-graduação latu sensu em gestão de segurança empresarial. São especialistas em gestão de riscos, em gestão de continuidade do negócio, em gestão de segurança empresarial e outros. São diversos MBA's que especializam os profissionais de diversas áreas para atuarem na direção ou gestão de departamentos ou empresas de segurança empresarial. Além dos cursos de formação universitária e suas especializações ainda existem duas associações nacionais que certificam os profissionais através da experiência comprovada e provas nas diversas disciplinas da segurança empresarial. A primeira foi a ABSO – Associação Brasileira de Segurança Orgânica que passou a emitir o CES – Certificado de Especialista em Segurança. Depois com o surgimento da ABSEG – Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, houve a certificação do ASE – Administrador de Segurança Empresarial. Assim como outras associações e sindicatos, como por exemplo, a ABESE – Associação Brasileira de Sistemas Eletrônicos de Segurança criou o selo de qualidade para identificar empresas com excelência na prestação de serviços, o SESVESP – Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica e Cursos de Formação do Estado de São Paulo criou o CRS – Certificado de Regularidade de Segurança que dá a garantia ao cliente de estar contratando uma empresa absolutamente idônea e o SEMEESP – Sindicato das Empresas de Escolta do Estado de São Paulo também criou a sua certificação, o SEA – Selo da Escolta Armada, todos com o objetivo de comprovar a idoneidade e qualidade das empresas certificadas e diferenciá-las no mercado, fornecendo ao contratante uma garantia no cumprimento do contrato e na qualidade da prestação dos serviços, que vai além das exigências legais, sendo um diferencial. O mesmo ocorre com as certificações dos profissionais, ela evidencia o conhecimento e diferencia o profissional certificado. No caso da ABSEG – Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, quem chancela todo o processo de certificação é a ADESG/SP – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra de São Paulo com a finalidade de transmitir toda a credibilidade e lisura no seu processo. Isso não quer dizer que as empresas que não são certificadas, necessariamente, não estejam em dia com suas obrigações ou que não tenham autorização de funcionamento emitido pelo Departamento de Polícia Federal (exceção da ABESE, que não necessita desta autorização) ou que não sejam idôneas, apenas quer dizer que aquelas que são certificadas demonstraram isso, através dos seus processos de certificação, dando-lhes um diferencial competitivo no nosso mercado. Assim são os profissionais de segurança, as certificações apenas comprovam um grau de conhecimento e experiência que os diferencia daqueles que não possuem nenhuma certificação. Em breve, com a nova legislação de segurança, chamada de estatuto da segurança privada, que, ao ser aprovada, trará novas exigências das empresas e dos profissionais que atuam neste segmento, garantindo maior segurança aos contratantes e à sociedade, inclusive, incluindo a segurança eletrônica na legislação da segurança privada. Vamos aguardar a promulgação da lei para detalharmos as mudanças.