O setor de armas no Brasil possui uma forte regulação voltada às empresas produtoras de armas, havendo um alto custo de legal compliance para as empresas do setor. Uma das burocracias que pode ser citada é a necessidade de registro no exército de todas as armas produzidas no país. Quanto à questão da regulamentação, pode-se perceber que o setor de armas possui um alto custo decorrente da intervenção governamental, a qual não proporciona nenhum benefício ao setor armamentista e ao cidadão brasileiro, porquanto o rigor legal aplicado aos produtores de armas não reduz ou influência a criminalidade praticada com as armas, conforme uma série de dados apresentadas pelo palestrante. Até 2010 houve uma redução do número de armas e um aumento no número de homicídios, circunstância que demonstra que o rigor de fiscalização sobre o setor produtor de armas não possui nenhum efeito concreto sobre a redução da violência, ou seja, apenas prejudica o crescimento econômico do setor de armas. Mesmo com a campanha de devolução de armas decorrente da Lei n.º 10.826/2003, houve aumento de homicídios cometidos com armas. No Alagoas, Estado do Deputado Renan Calheiros e autor do projeto de desarmamento, houve um alto índice de devolução de armas e um aumento no número de homicídios. Esta tendência também ocorreu em outros Estados do nordeste, onde ocorreram altos índices de devolução de armas.3 No ano de 2012, o Estado de São Paulo foi o que mais entregou armas ao governo, porém esse Estado vivenciou um aumento significativo nos seus indicies de homicídios por arma de fogo, porque o dito Estado foi assolado por uma onda de crimes envolvendo o crime organizado. Portanto, a segurança do cidadão não está propriamente na entrega de suas armas, mas no combate aos criminosos. Atualmente, tanto a posse quanto o porte de arma exigem que o indivíduo atenda a uma série de requisitos legais, os quais praticamente inviabilizam a aquisição de armas pelos meios legais. Somente os indivíduos com muito interesse em obter uma arma conseguem disposição para atender a todas as exigências legais. Ademais, a lei não faz diferenciação entre armas curtas e longas, circunstância que prejudica as pessoas que trabalham no campo, pois estas muitas vezes não conseguem autorização para posse e porte de arma, sendo que a arma se mostra como um dos únicos meios de defesa no campo. Ademais, a imensa maioria das armas que estão nas mãos dos bandidos se trata de armas ilegais, ou seja, a questão do desarmamento não passa pelas empresas produtoras de armas, as quais vendem seus produtos em conformidade com a lei, mas passa por uma reestruturação da segurança pública que não apresenta condições de desarmar os bandidos e combater o tráfico de armas ilegais para o país. Logo, as medidas governamentais de restrição à indústria nacional de armas são inócuas, pois a causa dos homicídios com armas está na ineficiência do Estado Brasileiro em controlar as armas ilegais. Ademais, uma parcela significativa das armas ilegais é fornecida aos bandidos por agentes públicos corruptos, ou seja, as armas compradas legalmente pelo governo são desviadas, ilegalmente, por agentes estatais corruptos, às mãos dos bandidos. Além disso, o setor de armas sofre constantes investidas por parte de políticos, que pretendem proibir o comércio de armas, bem como há um grande desestímulo estatal através de pesa carga tributária. Percebe-se que o setor de armas possui potencial para geração de empregos e renda no país, porém, por ser considerado um setor politicamente incorreto na cultura brasileira, os produtores de armas precisam gastar tempo e recursos no cumprimento da burocracia estatal e na defesa de seus interesses frente ao Estado. Caso este setor não sofresse tanta pressão política, as energias e os recursos poderiam ser direcionados ao aumento de produção e geração de capital, que acarretaria crescimento econômico no país, aumentando emprego e renda. Ressalta-se que mais de 70% da produção de armas no país é direcionada ao exterior, sendo um dos grandes mercados os EUA.