TODOS OS GERENTES querem que seus funcionários colaborem com mais energia e trabalhem com eficiência. Mas,na busca pela produtividade, muitos gestores terminam percorrendo caminhos perigosos. Estamos falando da microadministração. É uma tendência natural, inclusive entre gerentes com grande experiência, acreditar que um funcionário melhorará seu trabalho sendo vigiado de perto e com políticas específicas (o conhecido “pegar no pé”]. Claro que esse tipo de procedimento pode, em alguns casos, obter êxito. Mas, ao se recorrer a esse caminho com muita freqüência, qualquer sucesso nos processos pode ser anulado pelos efeitos colaterais da microadministração: a desconexão. Mas o que é a desconexão? Fundamentalmente, o distanciamento da própria tarefa a ser executada. Um funcionário desconectado “bate cartão”, cumpre seu horário, mas não faz muito além disso. E a sua apatia afeta não somente a sua produtividade, como a de seus colegas. Devido ao uso permanente da microadministração, um subordinado passa a sentir que o chefe não confia no seu trabalho ou em sua opinião. E esse é um fator importante no surgimento da desconexão. FENÔMENO CARO De acordo com o livro recém-publicado 72: The Elements af Great Managing (Gallup Press, 2006),o distanciamento causado pela desconexão custa US$ 600 mil por ano em uma empresa com mil colaboradores. Por outro lado, funcionários conectados mostram-se mais interessados no trabalho, permanecem mais tempo na empresa e são mais produtivos em suas tarefas. Uma pesquisa do Gallup citada no livro indica que equipes altamente motivadas oferecem, em média, 18% a mais de produtividade e 12% mais rentabilidade que pessoas menos comprometidas. A boa notícia é que você, como administrador, tem uma enorme influência sobre os níveis de com- promisso de seus subordinados. Portanto, o primeiro passo é consolidar os pontos fortes de seus funcionários. Digamos que um dos seus vendedores nunca entrega o relatório de vendas a tempo ou o preenche corretamente. Nesse caso, faça a si mesmo a seguinte pergunta: em quais tarefas ele se sobressai? Talvezvocê descubra que ele é muito bom para enfrentar queixas de clientes, por exemplo. Ou seja, torne sua administração uma constante fonte de idéias para a próxima promoção. E lembre-se de minimizar ou redistribuir parte da tarefa na qual esse funcionário tenha obtido menos sucesso. Claro que pressupostos, capacidade e outras restrições podem tornar essa redistribuição impossível, e talvez seja melhor demiti-lo. Mas, dados os custos da dispensa de pessoal e a falta de talentos, determinar os pontos fortes do seu funcionário pode ser mais vantajoso. Outras ações que você pode implementar Analise as expectativas de desempenho dos novos funcionários com clareza. À medida que se sintam mais cômodos em suas funções, diminua a supervisão direta de suas tarefas. Se você considera que o desempenho de um de seus funcionários é constantemente negativo, trate de determinar se ele não está ficando com a síndrome “Condenado a Falhar”, Esse fenômeno foi descrito pelos professores da Insead (Business School for the Worldl Jean-François Manzoni e Jean-Louis Barsoux. Asíndrome consiste, basicamente, na freqüente queda de rendimento, E a principal causa está ligada aos próprios gerentes, que esperam que os funcionários somente cometam erros e começam a advertir só as “pisadas de bola”, passando por cima ou minimizando os acertos. Para evitar esse modelo, coloque sempre sob suspeita a sua percepção sobre o empregado, perguntando: “Quais são seus principais feitos para a companhiaT ou “Ele é mesmo tão ruim como eu pensoT, Obviamente, em certas ocasiões, você perceberá que, sim, a pessoa não tem o desempenho desejado e é necessário demiti-lo. Mas, em outras oportunidades, se você ajustar o seu foco, descobrirá que ele está desempenhando alguma outra tarefa valiosa. Não convém criar uma cultura na qual você tenha sempre razão e os funcionários estejam sempre equivocados. Portanto, incentive a sua equipe a apresentar suas opiniões. Com o decorrer do tempo, eles se sentirão mais livres para discutir os problemas de desempenho com você e todos se beneficiarão. por Christina Bielaszka-Duvernay*