Atualmente, estamos vivendo a “entressafra” social, cujas mudanças necessárias não podem mais esperar. Como sempre ocorreu em períodos passados (a humanidade evolui de tempos em tempos forçando alterações na composição social), há uma certa confusão durante essa transição evolutiva, o que é esperado e natural, pois muitas pessoas não lidam de forma positiva com as mudanças e, em razão de fortes crenças arraigadas no íntimo, têm aversão a qualquer “nova” ideia ou colocação que vai contra sua maneira de pensar. Deste modo, a “nova ordem mundial” encontra a reação fervorosa (e muitas vezes violenta) daqueles que se opõem a ela. É a não aceitação do novo; a luta para a manutenção do status quo. Porém, a história nos mostra que essa luta é inútil, pois a evolução é algo natural e se impõe de qualquer maneira, quase sempre à força. Mas voltando à confusão gerada durante essa transição, notemos que a sociedade mundial passa por contradições e antagonismos gritantes, que comprovam (e justificam) a tal confusão de ideias e de comportamentos. Assim, ao mesmo tempo que testemunhamos uma onda de extremo zelo ao moralismo, àquilo que seria (ou deveria ser) “politicamente correto”, vemos o aumento da vulgarização cultural, um apelo ainda maior ao sexo e à promiscuidade. Infelizmente, essa antítese acaba resultando em desequilíbrio emocional, o que, em algumas pessoas, sai do controle. A intolerância impera; a violência explode. Acusações, desrespeito a direitos, preconceitos, extremismos, fundamentalismo. É assim que retratamos hoje nossa sociedade. Do mesmo modo que é natural essa tensão criada pela necessidade de evolução, também é natural que, em algum momento, tudo se acalme. Será, então, o momento do nascimento do novo status quo, que perdurará o necessário. Mas até lá, ainda veremos muitas cenas detestáveis e atitudes contraditórias. Muito oportunamente, da edição de 17/9 do jornal Folha de S. Paulo, o empresário e publicitário Washington Olivetto, 62, declarou, sobre essa postura “politicamente correta” também sentida nas campanhas publicitárias: “Você tem de um lado o cara politicamente correto, que é cerceador e bem educadinho. E do outro, o incorreto, que é mal-educado e pseudo-divertido. Devemos buscar o que é politicamente saudável, que respeita a inteligência, mas com irreverência e bom humor. Há coisas que não são ofensivas, mas fazem pensar”. Ele ainda conclui acerca do humor visto no Brasil atualmente, que, na visão dele, passa por uma “crise de vulgaridade”. Concordo. O que devemos buscar é o equilíbrio entre os extremos. Nada, nunca, será unânime, mas tudo deve ter sua dose certa de respeito e justiça.