PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL: DIFERENTE É FAZER O NOVO Os líderes neste início de século estão diante de um grande desafio: promover mudanças no pensamento empresarial para enfrentar as alterações originárias das preocupações climáticas. E aqui não me refiro a pequenos ajustes nos negócios, como comumente é feito, mas adoção de uma postura estratégica que altere a infra-estrutura em favor de uma consciência ecologicamente correta ou crie uma linha de produtos e serviços visando incorporar princípios ecológicos para contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa. Na maioria dos casos, a grande preocupação do gestor em adotar essa postura recai sobre a questão da lucratividade, ou melhor, da sua redução ou a possibilidade de não aceitação por parte de seus clientes, e, notadamente, por ser tratar de algo novo, existe realmente a necessidade de avaliar os riscos envolvidos. Contudo, a maioria das organizações que adotou essa postura comprova que, a longo prazo, aprender a gerir uma organização pensando no meio ambiente pode ser empolgante, lucrativo e estrategicamente poderoso. Naturalmente, esperava-se que essas mudanças partissem de esforços vindo de governos, com o envolvimento de milhares de pessoas, subsídios e pesquisas com elevadas verbas, mas o que se mostra é o aparecimento de redes locais que foram desenvolvidas a partir do esforço de pequenos grupos de líderes comprometidos dos setores públicos e privados. O relatório Nós, os Povos: O Papel das Nações Unidas no Século 21, que foi elaborado por solicitação do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi-Annan, demonstra que há necessidade de um esforço global. Por sua vez, a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM) que se baseou nas quatro convenções realizadas pela ONU em 2005, relativas às questões ambientais (clima, biodiversidade, desertificação e áreas úmidas), descreve de forma preocupante a situação do suporte de recursos naturais que são utilizados pelos empreendimentos e pela sociedade, sugerindo que ainda há uma possibilidade de mudar o rumo. Dentre os países industrializados, a Suécia foi o que mais conseguiu se libertar do uso de combustíveis fósseis que contribuem para o agravamento do efeito estufa. Por exemplo, O petróleo é utilizado para geração de cerca de 30% da energia utilizada no país, ao contrário dos Estados Unidos que depende de cerca de 85% da energia gerada por esse tipo de combustível fóssel. Em 2000, apenas 2% dos veículos podiam rodar com etanol no país; em 2007 esse índice chegou a 15%. Todas essas ações são resultados de esforços que envolvem o governo, empresas e a sociedade. Em 2005, juntamente com a inauguração de uma área conhecida como 'Região dos Biocombustíveis', o governo sueco anunciou sua pretensão em transformar-se na 'primeira economia independente de petróleo do mundo'. Como o mesmo esforço, empresas como a FORD, IBM, ALCOA, Wal-Mart, DuPont e GE investem em pesquisa para o desenvolvimento sustentável local. No artigo O Próximo Imperativo Industrial descreve-se que: “A Ford reduziu drasticamente o tempo que leva para pintar um carro novo que entra na linha de montagem inventando uma tecnologia que aplica três camadas de tinta simultaneamente. Isso elimina a necessidade de equipamentos de secagem caros de alto consumo de energia. A mudança irá permitir à Ford reduzir emissões de CO2 da produção em 15 por cento e emissões de compostos orgânicos voláteis em 10 por cento. O processo também irá reduzir o tempo de pintura em 20 por cento.” A sociedade também participa desse processo, no momento que passa e exigir das empresas uma postura de respeito ao meio ambiente, excluindo de sua cesta de consumo aqueles produtos e serviços realizados por empresas que não contribuem para a sustentabilidade global. O processo de repensar o perfil da infra-estrutura de produção bem como da disponibilização de novos produtos e serviços realizados da forma ecologicamente correta está apenas começando, e, pelo que parece, será um caminho sem voltas a favor do meio ambiente. De qualquer forma, todas as medidas até o momento adotadas são pouco comparadas ao que está por vir. O desafio foi iniciado e dependerá da vontade da tríade governo-empresas-sociedade o sucesso das ações a favor do meio ambiente. A Suécia vem mostrando que é possível conciliar desenvolvimento com sustentabilidade, rompendo de forma urgente o que até pouco tempo considerava-mos padrão, agora, o desafio é repensar o novo capaz de provocar mudanças no rumo da sustentabilidade. REFERÊNCIAS: ALMEIDA, Fernando. OS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. SENGE, Peter; SMITH, Bryan; KRUSCHWITZ, Nina. O PRÓXIMO IMPERATIVO INDUSTRIAL. Extraído do strategy + business, 51ª Edição, 2008.