INTRODUÇÃO No mundo globalizado em que vivemos, onde as informações circulam na velocidade da luz, é indispensável que as empresas definam e estruturem todos os objetivos e metas que as mesmas vislumbram alcançar. Além disto, elas também precisam estar desenvolvendo formas de alcançar o que foi traçado, ou seja, desenvolver planos e procedimentos que as guiarão para o cenário prospectado. Mediante este fato, as empresas podem contar com uma poderosa ferramenta que, sem dúvida alguma, farão com que elas alcancem suas ambições. Essa ferramenta é o PROJETO. Atualmente, todo tipo de empresa pode utilizar essa ferramenta, porém, as únicas que possuirão êxito nessa utilização, são aquelas que souberem Gerenciar seus Projetos, ou seja, as que consigam desenvolver um eficaz Gerenciamento de Projetos, conforme aponta Sunny Baker apud Keeling (2013) 'nenhum empreendimento pode ser considerado tão pequeno que não se beneficie do gerenciamento de projetos'. Assim, este artigo procurará ilustrar o que é um Projeto e o que é o Gerenciamento do mesmo, buscando demonstrar seus traços de surgimento e crescimento, como podem contribuir para uma empresa e como podem ser desenvolvidos na mesma. PROJETO, UMA BREVE APRESENTAÇÃO Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já escutamos o termo PROJETO. De fato, o projeto existe há muito tempo, porém, é nos dias atuais que o mesmo vem ganhando forte destaque em nossa sociedade. Esse fato está ocorrendo por conta da grande importância que o projeto passou a possuir dentro das empresas, como aponta Passos (2008, p. 9) 'Nunca se falou tanto em projetos como nos dias de hoje. Não é que eles não existissem antes, pois são empreendidos desde que o homem surgiu na terra. No entanto, a sociedade moderna descobriu que os projetos são uma forma eficaz de introduzir mudanças, processos, e produtos novos ou modificados, realizar mudanças organizacionais e criar oportunidades de negócios'. Assim, hoje, qualquer tipo de empresa – seja ela de pequeno, médio ou grande porte – necessita trabalhar através da formalização de projetos, tendo em vista que os mesmos representam uma grande ferramenta de apoio e suporte para que o Planejamento Estratégico traçado pela empresa possa ser alcançado com a maior precisão e eficácia possível. Conforme destacado, o projeto possui indícios de existência atrelados há muito tempo onde, segundo Keeling (2013, p.2), desde a Antiguidade os projetos estão sendo utilizados onde, na maioria das vezes, esses usos ocorreram na construção de templos, cidades, pirâmides e cavernas. Camargo (2014) segue a mesma linha de pensamento de Keeling, apontando que 'Muitas pessoas acreditam que os projetos surgiram no século XIX ou no século XX, com o surgimento da disciplina de Administração. Apesar de ter se tornado popular no século XX, os projetos estão presentes na forma de trabalhar do homem há muito tempo'. Para comprovar sua ideia, a autora cita como exemplos as obras da Muralha da China (1.588 anos para ser finalizada), Estradas Romanas (aproximadamente 150 mil quilômetros de extensão), Coliseu em Roma (10 anos para ser finalizado) e Basílica de Santa Sofia (5 anos para ser finalizada). Todas essas obras foram construídas no passado, mais precisamente, na Antiguidade. Diante dessas informações, podemos perceber que os projetos são desenvolvidos para alcançar algum objetivo, em um espaço de tempo pré-determinado e com os gastos devidamente calculados e fixados. Para Camargo (2014, p.17) 'projeto é um esforço temporário (com começo, meio e fim) empreendido para criar um resultado exclusivo'. Já para Oliveira (2009, p.322) 'Projeto é o trabalho a ser executado, com responsabilidade de execução, resultado esperado com quantificação de benefícios e prazo de execução preestabelecidos, considerando os recursos humanos, financeiros, tecnológicos,materiais e de equipamentos, bem como áreas envolvidas e necessárias a teu desenvolvimento'. Na visão do PMI apud Keeling (2013, p.2) projeto é 'um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único'. Diante dessas definições dos autores, podemos perceber que os mesmos possuem a mesma visão de raciocínio, fazendo com que suas definições sobre projeto sejam parecidas umas com as outras. GERENCIAMENTO DE PROJETO Diante das diversas visões de diferentes autores, pode-se perceber o quão importante o projeto é para as empresas, porém, para que o mesmo possa ser planejado e executado de forma eficaz, é necessário que haja um controle rigoroso dele, tendo em vista que sua composição possui fatores pré-definidos que necessitam ser respeitados e seguidos à risca. Assim, frente a esta realidade e necessidade, surgi o Gerenciamento de Projetos, que pode assumir esse importante papel de controle de um projeto. Assim como o projeto, o Gerenciamento de Projetos surgiu no passado, mais precisamente 'O gerenciamento de projetos surgiu de maneira modesta na década de 50. Seus primeiros passos foram fortemente influenciados pela indústria de construção. Posteriormente, o tema sofreu influências da indústria de software e da indústria de materiais bélicos. Atualmente, observa-se um acelerado crescimento da disciplina e espera-se que nos próximos anos atinja níveis de aceitação muito elevados' (PASSOS, 2008; p.44). Desta forma, podemos perceber que o Gerenciamento de Projetos, mesmo sendo antigo, acabou surgindo muito depois do Projeto, fato que nos faz pensar que, na Antiguidade, as questões de tempo, custo, qualidade e, até, fluxograma de processos (escopo) não eram tão importantes na execução de um projeto. Porém, com o passar dos tempos, e com a introdução do projeto nas empresas, essas questões foram ganhando força, tendo em vista que um estabelecimento comercial sempre estará executando suas tarefas e planos da forma mais econômica possível, onde, por conta disto, fatores como tempo, custo, qualidade e escopo sempre estarão em pleno controle, por trazerem consequências à saúde financeira empresarial. Assim, diante desta explicação, pode-se perceber que o Gerenciamento de Projetos irá 'administrar' qualquer projeto que possa surgir na empresa, buscando fazer com que o mesmo sempre seja executado conforme planejado. Segundo o PMI apud Keeling (2013, p.5), gerenciamento de projeto pode ser definido como 'a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender aos seus requisitos'. O autor ainda complementa sua ideia afirmando que 'Em outras palavras, gerenciar um projeto – gerenciamento de projetos – vai implicar na utilização de uma boa base para definir e planejar todo o trabalho a ser realizado, conduzir a execução das atividades (colocando o plano em prática), verificar e controlar o desempenho da execução e garantir que as características especificadas e contratadas sejam entregues no resultado do projeto, seja esse resultado um bem ou serviço'. (KEELING, 2013; p.5) Já segundo o Guia PMBOK apud Passos (2008, p.45), gerenciamento de projetos é a 'aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para atingir ou exceder as necessidades e expectativas das partes interessadas'. A autora ainda complementa sua ideia expondo que 'Disso conclui-se que uma série de fatores influencia o projeto, contribuindo para modificação nos seus rumos e no processo de gerenciamento. É necessário compreender que o gerenciamento de projetos está dentro de um contexto amplo, que vai além da equipe que nele trabalha e do produto dele resultante. […] Gerenciar projetos é essencialmente administrar para atingir objetivos definidos. A gerência de projetos é executada pelo processo de administração.' (PASSOS, 2008, p. 45) Portanto, ao desenvolver um projeto, é necessário que se trabalhe o gerenciamento do mesmo, ou seja, é fundamental que ocorra a administração dos processos envolvidos nesse projeto, para que os mesmos se transformem nos resultados vislumbrados, dentro do período de tempo determinado e dos gastos autorizados. FATORES DOGERENCIAMENTO DE PROJETOS Conforme apontado, o Gerenciamento de Projeto será o responsável por controlar qualquer projeto que a empresa venha a desenvolver, assim, ele será responsável pelo sucesso ou insucesso do plano traçado. Para que esse controle possa ocorrer, o Gerenciamento de Projeto deverá trabalhar quatro fatores fundamentais para qualquer tipo de projeto – já destacados durante o desenrolar deste artigo – que são: escopo, custo, cronograma e qualidade. O primeiro fator, ou seja, o escopo,representa toda a estrutura que o projeto irá possuir, em outras palavras, quais serão as atividades e os processos que irão preencher o plano a ser seguido, conforme aponta Keeling (2013, p.133) 'o escopo irá definir todo o trabalho que tem de ser desenvolvido'. Assim, uma vez definido, este escopo deve ser controlado, para que o projeto não seja executado de forma incorreta ao que foi traçado, conforme apontado por Keeling (2013, p.269) 'nos eventos de inspeção, deve-se preocupar em avaliar se o escopo contratado é o mesmo que está sendo executado'. O autor ainda complementa sua ideia afirmando que 'Durante o controle do escopo, caso alguma mudança seja detectada, uma avaliação integrada, considerando todas as outras áreas de gestão do projeto, deve ser realizada. Somente após a aprovação desta mudança, o escopo é revisado e o novo é executado. […] O controle de escopo ajuda a evitar o scopecreep, que é a escalada de escopo sem controle.' (KEELING, 2013; p.269) O segundo fator, ou seja, o custo, representa a expectativa de todos os gastos que o projeto terá, ou seja, é uma suposição – mais precisa possível – sobre os desembolsos de recursos financeiros que a empresa terá que realizar, caso coloque o projeto em prática. Segundo Keeling (2013, p.270-271), 'o objetivo do controle dos custos é de avaliar, constantemente, o desempenho do projeto com relação ao orçamento para sua execução'. Assim, mediante essa importância, Passos (2008, p.159) cita que os processos de gerenciamento de custos baseiam-se em: estimativas de custos, elaboração de orçamento detalhado e controle de custos. Já o terceiro fator, ou seja, o cronograma, representa as datas em que os processos serão desenvolvidos e, também, o espaço de tempo disponível para cada um deles, conforme aponta Passos (2008, p.135) '[…] são estabelecidas as etapas e datas estimadas do projeto em que cada item será requisitado e o tempo de resposta entre eles'. Diante disto, Keeling (2013, p.271), destaca que 'o controle do cronograma busca medir a aderência da execução ao planejamento de atividades realizado'. Como exemplo de métodos para controle do cronograma do projeto, Passos (2008, p.135), cita três, que são: PERT, CPM e Monte Carlo. Por fim, porém, não menos importante, temos o fator determinado de qualidade. Esse representa, de forma intrínseca, o nível de satisfação que os stakeholders (envolvidos no projeto) possuem para com o resultado obtido no projeto. Segundo o Guia PMBOK apud Passos (2008, p.96), 'qualidade é definida como conformidade com os requisitos e adequação ao uso'. A autora complementa essa visão expondo que 'isso significa que o projeto deve produzir o que se espera dele e satisfazer às necessidades reais para as quais foi empreendido'. Para muitas pessoas, o fator da qualidade é o mais difícil de ser gerenciado, tendo em vista que, o que é útil e necessário para um indivíduo, pode não ser útil e necessário pra outro. Assim, mediante esta realidade, temos que o controle de qualidade deve 'O controle de qualidade é um esforço que deve ser realizado pela equipe do projeto, visando acompanhar o seu desenvolvimento e a aderência das características do produto que está sendo desenvolvido e dos processos que estão sendo utilizados aos requisitos especificados. […] O processo de controlar a qualidade será realizado conforme planejamento especificado, utilizando ferramentas pré-determinadas. Todas as medições devem ser registradas e, posteriormente, comparadas com as especificações técnicas e funcionais que constam no plano de requisitos. Quando alguma discrepância é detectada, ações corretivas são endereçadas, visando garantir que o produto que será entregue apresenta às funcionalidades contratadas.' (KEELING, 2013; p.272) CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do cenário competitivo que as empresas têm enfrentado atualmente, cada vez mais está se tornando necessário que elas criem formas de aumentar sua qualidade, seu portfólio de produtos, sua caderneta de clientes e, também, de reduzir possíveis perdas que possam vir a ocorrer. Esse cenário parece uma espécie de 'filme de terror', o que de fato pode realmente ser, porém, como em todas essas espécies de filmes, sempre há uma maneira de escapar das 'tragédias', onde, muitas vezes, essa maneira necessita ser minuciosamente planejada e executada de forma procedimental, respeitando rigorosamente o plano traçado. Transformando esse cenário de 'filme de terror' para as empresas, temos que as 'tragédias' podem representar a perde de mercado para concorrentes, a perda de poder aquisitivo, a dificuldade financeira perante o mercado, a falência do negócio, ou seja, todos os fatores que possam vir a danificar o estabelecimento comercial em qualquer aspecto possível, porém, como nos 'filmes de terror', as empresas também possuem uma maneira de 'escapar' dessas tragédias onde, uma delas, é através do desenvolvimento de PROJETOS. Como ilustrado nos 'filmes de terror', as empresas deverão desenvolver um minucioso planejamento e executá-lo rigorosamente conforme planejado, onde, para isto, deverão utilizar o Gerenciamento de Projeto, tendo em vista que o mesmo é quem irá monitorar e controlar tudo o que foi planejado. Portanto, mesmo que o mercado apresente grandes riscos, independente do porte da empresa, será possível que a mesma sobreviva e prospere nele, através da criação e do minucioso gerenciamento de projetos. REFERÊNCIAS CAMARGO, Marta Rocha. Gerenciamento de projetos: Fundamentos e prática integrada. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. KEELING, Ralph; BRANCO, Renato Henrique Ferreira. Gestão de Projetos: Uma abordagem global. 3. ed. São Paulo: 2013. OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento Estratégico: Conceitos, Metodologia, Práticas. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2009. PASSOS, Maria Luiza Gomes de Souza. Gerenciamento de Projetos para Pequenas Empresas: Combinando boas práticas com simplicidade. Rio de Janeiro: Brasport, 2008. Escrito por Vinicius Mantuaneli, Aluno do 8º Semestre do Curso de Administração da Faculdade FIT – UNIESP, Localizada na Cidade de Tietê – SP.