De forma recorrente, ouvimos e vemos muitas pessoas insatisfeitas a cerca de suas atividades profissionais. Esse tipo de fenômeno tomou tamanha proporção, no mercado de trabalho brasileiro, de modo que já há pesquisas que falem a esse respeito, dentre elas está a da Isma Brasil (International Stress Management Association), a qual mostrou que 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. Diversos motivos podem ser atribuídos a esse percentual um tanto quanto assustador. Nesse texto, serão destacados alguns pontos que podem ajudar a compreender porque muitos indivíduos são descontentes com suas carreiras profissionais e o que fazer a respeito. Em um primeiro momento, a insatisfação pode ocorrer em função da falta de identificação da pessoa com seu trabalho, isto é, seus motivos, que segundo Hesery e Blanchard (1986) 'são definidos como necessidades, desejos ou impulsos oriundos do indivíduo e dirigidos para objetivos que podem ser conscientes ou subconscientes', os quais não são congruentes com a atividade executada. É muito comum essa desconexão entre trabalhador e atividade (ou atividades) em empresas cujos processos seletivos não são bem estruturados e, consequentemente, alocam uma pessoa com o perfil diferente do adequado para determinado cargo. E como resultado, a improdutividade do empregado o qual, se não for reavaliado em tempo hábil, o desligamento é certo. Sobre esse aspecto, há o impacto, também, da escolha da pessoa em relação ao emprego ofertado e é nesse tópico que talvez esteja o 'X' da questão. Muitos profissionais, por diversas razões, consentem uma ocupação sem saber se, de fato, estão aptos a executarem, ou seja, se suas habilidades, motivações e valores estão alinhados com tal cargo. Dito isso, é importante observar que as escolhas assertivas serão tomadas na medida em que a pessoa tiver conhecimento do que realmente a satisfaça. Mas isso, a apesar de ser simples, não é tão fácil quanto se imagina, pois, ter a capacidade enxergar a insuficiência que precisa ser preenchida, requer conhecer a si próprio. Ter o autoconhecimento é umas das competências mais admiradas pelas empresas atualmente, segundo dados de uma pesquisa realizada pelo (IBC) Instituto Brasileiro de Coaching (2016). Isso dito, o que seria autoconhecimento e porque ele é tão valorizado? Ainda segundo a pesquisa do IBC, o autoconhecimento é o que leva a compreensão acerca das próprias capacidades, domínio de habilidades e oportunidade de melhorias sem as quais o individuo não alcança altos patamares na carreira. A auto percepção é o melhor caminho pelo qual se pode percorrer a procura do trabalho dos sonhos (entenda por sonhos o trabalho no qual a pessoa se sentirá feliz por executar e não por regalias ou qualquer outro sinônimo que remeta a um ambiente confortável). É evidente que em todo e qualquer trabalho há situações que não são tão prazerosas, se fosse assim, nenhum cozinheiro iria cozinhar já que tem a louça pra lavar ao final do dia. (Cortela, 2017). Destarte, é preciso entender que a felicidade não ocorrerá sempre, sobretudo, por se tratar de trabalho para o qual requer esforço e onde há esforço, há sacrifício. Essa última palavra, talvez, seja o grande entrave que impede as pessoas de buscarem sua felicidade profissional, pois apesar de sonharem, se planejarem, não abrem mão de pagarem o preço a fim seguir a carreira sonhada. Em um dado momento, haverá um confronto interno em que se exigirá a tomada de decisão sobre o futuro e, para isso, além de muita convicção interna, o indivíduo deve ter clareza do seu ponto de chegada, ou seja, ter uma visão sensível acerca de um futuro melhor, de forma detalhada e realista de modo que esteja disposto a fazer o que for preciso para chegar lá. Por fim, há uma questão que tem ganhado espaço no mundo corporativo: qual é a sua missão de vida? A busca por uma resposta para essa pergunta tem tomado espaço nos últimos anos e, atualmente, atrelada a tal problemática, existe uma preocupação em saber qual o motivo da existência do ser humano e como se pode realizá-la através do trabalho. Nesse sentido, o retorno financeiro não é o fim, na verdade, há uma razão muito maior que o resultado pecuniário, pois se trata de algo que identifique o motivo pelo qual o individuo está desenvolvendo um trabalho que não faça só sentido pra quem o faz, mas que beneficie outras pessoas e que deixe uma marca no mundo. E quanto a você? Qual é a sua marca?