1. As organizações preocupam-se muito com o custo da sua folha de pagamento, com salário, com remuneração. Neste momento de crise, as empresas estão segurando contratações, demitindo, diminuindo e oferecendo salários mais baixos. Esta é uma estratégia adequada para este momento de recessão? Depende de cada organização, da situação econômica de cada organização de forma individualizada e principalmente da estratégia que foi estabelecida. De uma maneira geral, a contratação mais cara é a contratação errada, o recrutamento mais caro é aquele feito para repor ou substituir alguém que poderia ter ficado ou sido legitimado. Não tenho dúvidas, que se uma organização está em crise econômica, adotando um novo modelo de gestão, passando por reestruturação, seja necessário em alguns casos reter contratação e realizar demissões, se isso for parte da sua estratégia.Todas essas decisões devem ser analisadas com muito cuidado, com um olhar holístico do negócio, pois decisões estratégicas como essas, possui um impacto muito abrangente, como por exemplo, um impacto na imagem e reputação corporativa, perca de valor da marca entre outros problemas.Não podemos esquecer que demitir não é a única a alternativa para resolver problemas, a gestão de talento é também uma estratégia crucial. Neste momento de crise é importante fazer um mapeamento de competências e talentos. Existem muitos instrumentos de gestão de pessoas capazes de contribuir para grandes resultados nas organizações. 2. É mais adequado se remunerar por tempo de serviço ou por desempenho? Remuneração deve ser baseada em critérios pré – estabelecidos no plano de remuneração consolidado no planejamento estratégico, analisando diversos fatores. O desempenho é um fator fundamental e indicado pelos especialistas em remuneração. É um transtorno remunerar de forma inadequada, uma estratégia de remuneração mal elaborada causa desde desmotivação até resultados negativos que terão um grande impacto financeiro para a empresa. Neste tempo de crise, o que não se pode é perder talento por um erro de gestão de gente e a remuneração precisa ser distribuída de forma estratégica. 3. Há uma parcela grande de empresas no próprio Estado do Pará, onde é sua região de maior atuação que não possui um departamento gestão de pessoas e sim um departamento pessoal ( Aquele que organiza apenas questões técnicas) ou não valoriza a gestão de pessoas como parte da estratégia para se alcançar resultados. Ocorre muito erro na hora de remunerar profissionais na sua região de atuação? O que um gestor pode fazer para evitar esses erros? Sim, há uma parcela de empresas que não possuem um departamento de gestão de pessoas de pessoas. É comum ter apenas DP – Departamento de pessoal ou isso fica na responsabilidade da contabilidade. Os erros são comuns, falta entendimento que remuneração é uma ferramenta estratégica de gestão. Remuneração não pode ser baseada apenas em titulação ou em convenção coletiva de trabalho, uma convenção coletiva nos dá o índice mínimo conforme uma norma. Remuneração deve ser baseada em princípios, ser parte do planejamento estratégico. Entre esses princípios está à situação financeira de uma empresa, sua área de atuação, macro e micro ambiente organizacional, senso de justiça e desempenho, que é o resultado entregue. Hoje os especialistas em remuneração sabem que remuneração é baseada em desempenho.Uma forma de evitar erros é ter assessoria, consultoria de um profissional especializado. Focar em desempenho. Ter um bom departamento de Gestão de pessoas que não seja apenas um departamento de pessoal. 4. O que uma remuneração errada pode impactar prejudicialmente uma empresa? Os malefícios são muitos, pode consolidar uma cultura indesejada, quando se remunera de forma errada, o gestor consolida uma cultura que não é a da meritocracia, por exemplo. isso é arriscado demais. Além de contrair passivos trabalhistas. Também causa desmotivação e desmotivação é uma lástima. Há perda de talento, e quando afirmo isso, não falo apenas daquele funcionário que pede demissão e vai para o mercado, falo daquele profissional que fica e passa a entregar menos do que ele é capaz, ou somente sua obrigação, quando tem potencial para entregar maiores resultados. A falta de um bom plano de remuneração causa prejuízos financeiros, pois se faz investimento errado. Remunerar adequadamente é como fazer investimento. Você perde se faz investimento errado. São muitos prejuízos. Algumas vezes até irreparáveis ou difíceis de solucionar. O desafio da remuneração é conciliar gestão de pessoas e legislação trabalhistas. 5. Remuneração é a única forma de reter um bom profissional? Jamais. A remuneração é parte da estratégia de retenção de talentos. Há outros aspectos muito importantes, dependendo do perfil de cada profissional, como reconhecimento, clima de trabalho, bons relacionamentos interpessoais, identificação com o propósito da empresa, possibilidade de crescimento, dentre outros. 6. Em seus trabalhos de consultoria, é comum diagnosticar empresas com erros na sua estrutura de remuneração? Na maioria dos casos, há erros nessa estrutura. Erros difíceis de ajuste, porque a própria legislação limita algumas tomadas de decisão. Não há como voltar atrás na maioria dos casos, ou você parte para demissões ou assume os prejuízos dos erros cometidos. Então o caminho mais vantajoso é evitar cometer esse tipo de erro. Além dos impactos motivacionais, pois remuneração possui um vinculo forte com o reconhecimento profissional. 7. Professora, aproveitando sua disponibilidade em compartilhar seu conhecimento conosco e sabendo que o nosso portal é visitado constantemente por profissionais que estão em busca de crescimento, passo a fazer perguntas mais intimistas que ajudarão com toda certeza, muitos jovens profissionais na construção das suas respectivas carreiras. Então começo perguntando: O que fez a diferença na construção da sua carreira? Autoconhecimento sem dúvida, coragem para tomar decisões importantes e sustenta-las, foco em resultado, um reconhecimento intimo e sincero que eu ainda posso fazer melhor todos os dias, que não estou pronta e que estou aprendendo todos os dias um pouco mais. Criar portas e pontes em vez de esperar por elas. Compromisso com meu próprio autodesenvolvimento. 8. Como profissional o que lhe causa mais desmotivação? Injustiça, sem dúvida. Uma gestão que não é baseada em meritocracia. Falta de uma boa liderança. Liderança é uma grande questão pra mim. Talvez por ser o meu tema de estudo, pesquisa e especialidade. 9. Já teve líderes ruins? Qual foi o impacto disso na sua carreira? Aprendi com todos eles. Mas foco nas minhas lideranças positivas. Atualmente tenho uma liderança que me inspira muito. Temos aprendido juntas muitas coisas, aprendido com nossos próprios erros e acertos. Seu melhor professor é o seu último erro. 10. Como consultora, no Estado do Pará, principalmente na região Bragantina, ainda muito nova, a senhora construiu um nome muito forte, mesmo com o mercado para consultoria ainda incipiente nessa região. O que fez a diferença? Como conseguiu chegar a isso? Conhecimento da cultura local, compromisso com resultados, foco no desenvolvimento de pessoas, honestidade, confiança e transparência com meus clientes. Repercussão dos resultados obtidos em trabalhos anteriores. 11. Normalmente, os profissionais que possuem visibilidade como à senhora, tem dificuldade de compartilhar seus erros na carreira ou seus fracassos. Mostram somente o lado positivo. Em sua carreira, houve erros e fracassos? Sim, houve fracassos e erros, não se constrói uma carreira apenas com acertos e vitórias. Estamos em um eterno processo de crescimento. Os fracassos foram fundamentais, aprendi com meus fracassos muito mais do que aprendi com minhas vitórias. Todas as vezes que um fracasso ocorre, eu me levanto dele, com muito mais aprendizado, experiência e maturidade. 12. Hoje dentro das organizações, há um debate muito grande sobre diversidade e principalmente sobre a mulher como profissional. Olhando para sua carreira, temos uma prova viva que é possível vencer este tipo de preconceito. A senhora já se deparou com situações machistas e sexistas que prejudicaram sua carreira? O machismo é real no meio corporativo. No ano passado, o salário médio pago às mulheres foi apenas 77,5% do rendimento pago aos homens no Brasil, segundo dados do IBGE. Já vivi, vivo. É dolorido, algumas vezes a própria pessoa que está cometendo um ato machista, não tem consciência disso. Há uma cultura machista ainda muito forte no meio corporativo e na sociedade como um todo, homens ganham mais que as mulheres, exercendo funções iguais e até mesmo com resultados superiores. O machismo está ali, às vezes ninguém enxerga, por exemplo, em uma tomada de decisão, em uma promoção ou uma legitimidade negada. Não só o machismo é uma realidade, mas há preconceitos diversos, no ponto de vista da cor e da raça, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas era, em 2017, de R$ 2.814. Os pardos receberam 57% desse valor (R$ 1.606) e os pretos, 55,8% (R$ 1.570), há uma discrepância enorme. Devemos lutar contra qualquer tipo de preconceito. Encaro isso como uma realidade que precisa ser transformada. Sou intolerante quanto ao preconceito. Então levanto a bandeira da igualdade e da mudança de mentalidade através da minha fala e da minha própria presença e resultados. Tenho o meu propósito como profissional e como pessoa muito bem definido. Sei exatamente aquilo que me move e pelo qual eu luto e quero que eu meu trabalho seja uma contribuição social. É possível. Além de ser consciência que diversidade gera criatividade e consequentemente um melhor resultado. 14. Para sua carreira de consultoria e sua carreira de forma geral, há alguém que foi sua inspiração, que serviu de modelo? Para a consultoria é o Falconi, o Vicente Falconi. Agora para minha carreira, há outros grandes profissionais e pessoas, desde minha família, amigos à profissionais mais próximos, por exemplo, que são exemplos pra mim como a Ana Ligia Finamor, minha gestora Rosiane Rodrigues. Foram pessoas que me oportunizaram. Prefiro focar em pessoas que estão comigo e me ajudam na construção dessa carreira, que me oportunizam.Figuras públicas mais distante também possui um impacto positivo na minha vida, como Luiza Helena Trajano do Magazine Luiza. 15. Iniciou sua carreira de consultoria sozinha? Isso foi um desafio, em uma região como já falamos incipiente para esse ramo de negócio? Sim, iniciei sozinha profissionalmente. Não houve sócios. Foi e é um desafio. Eu nunca deixei de acreditar. É possível, só depende de você. 16. Em algum momento faltou apoio professora? Reconhecimento? Oportunidade? A senhora é muito jovem, já tem uma carreira honestamente bem avaliada pela nossa equipe. Não sou jovem assim como pareço (risos). Prefiro lembrar de quem apoiou, acreditou, oportunizou. Eu prefiro focar no positivo. Tudo ensina. Tudo é importante. Aprendi com todas as experiências vividas. 17. Professora nos deixe uma frase que inspirou sua trajetória? Deixo uma frase do Ayrton Senna: Seja você quem for, seja qual for à posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá. 18. Agradecemos muito você pela disposição e por abrir um pouco da sua vida e da construção da sua carreira para nossa equipe. É sempre uma grande inspiração para muitas pessoas. Eu que agradeço. Muito obrigada. Essa carreira do qual vocês se referem, é uma carreira que está em construção e ninguém pode se enganar, estamos todos aprendendo.