A Previdência Social, instituída no artigo 201 da Constituição Federal do Brasil, foi reformada em distintos momentos: nos anos de 1993,1998, 2003, 2005, 2012, 2015 e 2019 perpassando por propostas de Presidentes da República de diferentes partidos e matizes ideológicos. A última alteração, em 2019, estabeleceu a idade mínima de aposentadoria para homens aos 65(sessenta e cinco) anos e para mulheres aos 62(sessenta e dois) observado tempo mínimo de contribuição de 20 anos para homens e 15 para mulheres. Para os servidores públicos federais, empossados a partir de 2013, foi estabelecido o teto do INSS para pagamento máximo da aposentadoria. O último panorama do censo do IBGE em 2022 traz dados estatísticos apontando que o número de indivíduos acima de 65 cresceu em média 57,4%, diminuindo a base da pirâmide etária sem, contudo, haver aumento de nascimentos. Tal realidade, tem como consequência a redução de contribuintes do INSS ativos, para sustentar os benefícios dos aposentados. Alguns analistas previdenciários, como o economista Fábio Giambiagi, apontam falência do sistema, com necessidade de futuras reformas. Nesse contexto, o livro de Gustavo Cerbasi é leitura fundamental para aqueles que não querem depender tão somente da Previdência pública para garantir sua aposentadoria no futuro. A obra está estruturada em seis capítulos e apêndice, com um total de 160 páginas. Inicialmente, considerando que a população está mais longeva, desejando não só viver por mais tempo, mas com mais qualidade de vida, embora haja um maior custo à medida em que envelhecemos, o autor coloca que a maneira como entendemos o que é aposentar já está ultrapassado. Necessitamos, então, adotar um novo parâmetro para planejar o futuro. O primeiro capítulo alude às estatísticas que indicam um bônus demográfico e traz um questionário de autoavaliação para medir nosso preparo para aposentadoria. O segundo capítulo indica porque as atuais soluções podem não ser suficientes, como contribuir para o INSS ou mesmo 'apostar todas as fichas' aumentando a contribuição para a autarquia. Ou então, desaposentar-se ou poupar mais ou por mais tempo, bem como começar mais cedo ou contar com plano de previdência complementar ou privado; ou investir com mais risco – para todos, o autor aponta os pontos fortes e fracos de cada solução. Nos capítulos três e quatro, Cerbasi descreve 'como garantir renda e liberdade crescentes ao longo da vida' indicando a necessidade de entendermos o que é empreender e quais trilhas seguir a fim de educarmo-nos para o trabalho, para o empreendedorismo e para o investimento; o quarto capítulo estabelece medidas para transformar a teoria em prática. No quinto capítulo, o autor sinaliza meios para traçar um plano de garantia de bem-estar e renda adequada para toda a vida. Tópico bastante interessante porque traz sugestões e propostas para cada faixa etária: antes dos 20 anos; dos 20 aos 30 anos; dos 30 aos 40; dos 40 aos 50; dos 50 aos 60 e após 60 anos. Por fim, no último capítulo, ele discute sobre a consciência capitalista e reforça que '[…]o fim da aposentadoria não se refere à extinção da instituição aposentadoria, mas ao alerta de que ela deve deixar de ser o protagonista da nossa história profissional': 'Não trabalhamos mais para alcançar a aposentadoria. Trabalhar é apenas uma etapa em seu processo de construção da riqueza e liberdade, e a aposentadoria é somente um ritual de passagem oficial da primeira para a segunda etapa desse processo' (Cerbasi, G, 2014, p. 148). Desta forma, considerando a importância de prepararmo-nos para nossa aposentadoria sem depender somente das incertezas da Previdência pública, a obra é indicada para todos aqueles que desejam organizar sua vida financeira e profissional com vistas a garantir seu futuro, independentemente da idade em que se encontram. Brasil. Constituição(1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasil. Emenda Constitucional nº 103 de 12 de novembro de 2019. Censo2022.ibge.gov.br/panorama. Giambiagi,F. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/05/sem-reforma-brasil-produzira-algo-que-fara-bolsonaro-parecer-sensato.shtml