1 INTRODUÇÃO As mudanças ocorridas no mercado e a necessidade de respostas mais rápidas às oportunidades de negócios têm relação direta com a capacidade de coordenação entre as atividades de produção, distribuição e de estratégias desenvolvidas pelas empresas ao longo dos canais de distribuição. Para Neves (1999): os canais de distribuição oferecem a construção de vantagens competitivas sustentáveis, por suas características de longo prazo, tanto no planejamento como na implementação, por exigirem estrutura de organizações consistentes e terem bases em pessoas e relacionamento (NEVES, 1999, p. 2). Há clientes que, atualmente, preferem facilidade na hora das compras, sem ter a necessidade de sair de casa, buscando a maior comodidade possível. A rapidez com que como esses produtos são entregues pode trazer satisfação para os clientes. Assim, segundo Neves (1999), a distribuição oferece a construção de vantagens competitivas disponíveis para as empresas, pois a maioria delas dispõe de tecnologias que possibilitam igualdades de condições em design, atributos e qualidade em relação aos produtos produzidos. Devido à competição global, as empresas são forçadas a oferecem menores preços possíveis. Em relação às promoções, devido aos inúmeros anúncios direcionados aos clientes, a mensagem não é repassada de maneira eficaz. Então, de acordo com o mesmo autor, dentro dos compostos dos 4 P´s do Marketing (Produto, Preço, Promoção e Praça ou Ponto de Venda ou Comunicações ou Distribuição), pode-se concluir que os canais de distribuição são um diferencial competitivo na economia globalizada atual. Neste ambiente dinâmico e altamente competitivo, a integração e a coordenação de toda cadeia produtiva, desde os suprimentos, passando pela manufatura, até a distribuição dos produtos acabados, tornou-se de fundamental importância para a manutenção da vantagem competitiva empresarial (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006). Por meio da integração efetiva de todos os participantes da cadeia de suprimentos, da otimização dos custos e de desempenho pode-se obter um resultado muito mais significativo que a soma dos ganhos individuais dos participantes. Essa integração total de todos os participantes da cadeia é denominada Gestão da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Management), a qual representa uma rede de empresas integradas aos fornecedores, situadas à sua montante, e os clientes, situadas à sua jusante; compreendendo todas as atividades ligadas ao fluxo de informação e à transformação pela qual passam os produtos, desde a matéria-prima, manufatura, passando pela montagem e indo até a distribuição ao consumidor final (SLACK et al., 2009). Para Bowersox, Closs e Cooper (2006, p.31), “a gestão da cadeia de suprimentos compreende empresas que colaboram para alavancar posicionamento estratégico e para melhorar a eficiência das operações”. A busca de integração e sintonia entre os diferentes agentes da cadeia e a eficiência conjunta destes é exatamente o que a gestão de cadeias de suprimentos objetiva, estando diretamente ligada ao desenvolvimento de relacionamentos mais cooperativos. A grande questão com a qual se defrontam atualmente as grandes empresas é como construir essa integração e sintonia, visando aumentar a competitividade da cadeia como um todo. Um aspecto essencial da administração de cadeias de suprimentos, de acordo com Krajewski, Ritzman e Malhotra (2009), é estratégia de cadeia de suprimentos, que busca projetar a cadeia de suprimentos de uma empresa a fim de satisfazer as prioridades competitivas da estratégia de operações da empresa. A importância dada à administração estratégica da cadeia de suprimentos fez com que, o que antes era reconhecido como apenas um exercício tático, passasse a ser considerado como uma função estratégica no sucesso ou fracasso de uma empresa. Assim, o gerenciamento estratégico das cadeias de suprimento tem que passar pela seleção e inserção de fornecedores no contexto da otimização dos fluxos, sendo o relacionamento com os fornecedores apontado como elemento fundamental, pois desempenham um papel não só tático como também estratégico (RESENDE; MENDONÇA; ARAÚJO, 2005). Portanto, em um ambiente de negócios com competição tão acirrada, torna-se cada vez mais importante aprimorar o desempenho das empresas nas cadeias de suprimentos e o relacionamento entre elas. Dessa forma, percebe-se a importância da seleção de fornecedores para a empresa em estudo a fim de buscar a integração e sintonia entre todas as atividades da sua cadeia de suprimentos. Para esse estudo, a cadeia de suprimentos escolhida para análise é a de uma distribuidora de alimentos localizada em Natal-RN. A seguir, serão expressos os objetivos desse estudo. 1.1 OBJETIVO GERAL O presente trabalho tem como objetivo geral analisar a forma com a qual uma distribuidora de alimentos localizada em Natal-RN seleciona seus fornecedores. 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS No tocante aos objetivos específicos, pretende este trabalho: identificar os principais fornecedores da distribuidora; verificar se a empresa desenvolve algum tipo de gestão de demanda de produtos importantes do negócio; e analisar os critérios de seleção de fornecedores utilizados pela distribuidora. O aprofundamento da discussão sobre os antecedentes relevantes para os relacionamentos na rede estratégica torna-se essencial para este estudo. 1.3 JUSTIFICATIVA A escolha do tema se deve ao fato da acirrada competição que o mundo dos negócios vive hoje. A necessidade de dar respostas mais rápidas às oportunidades do mercado tem relação direta com a capacidade de coordenação entre as atividades de produção e distribuição juntamente com estratégias desenvolvidas pelas empresas ao longo de uma cadeia de suprimentos. Percebe-se, então, a importância de administrar toda a cadeia por meio da integração efetiva de todos os agentes e uma estratégia organizacional a fim de buscar uma vantagem competitiva perante aos concorrentes e uma maior satisfação para os stakeholders. Outro ponto importante para escolha do tema foram os vários trabalhos publicados nesta área de Administração da Produção, porém, não é expressiva a articulação com Administração Estratégica, Marketing e mais especificamente na seleção de fornecedores para as parcerias que as empresas pretendem adotar. Assim, este trabalho contribuirá para futuros trabalhos científicos nessa área no sentido de apresentar novas relações entre estratégia, marketing e produção, como também identificar novas variáveis que contribui para seleção de fornecedores na cadeia de suprimentos. Ressalta-se ainda, que a acessibilidade ao objeto de estudo, foi outro fator relevante para escolha do tema. Este projeto está dividido da seguinte maneira: a primeira parte apresenta a seção introdutória, a segunda parte contempla a seção da revisão de literatura, abordando os principais aspectos do gerenciamento da cadeia de suprimentos, como também, a importância da Administração Estratégica e o Marketing para a cadeia de suprimentos. A terceira seção traz a metodologia de pesquisa que apresenta os procedimentos utilizados para a realização do estudo de caso e por fim, são apresentados os resultados e as conclusões. 2 REFERENCIAL TEÓRICO A Gestão da Cadeia de Suprimentos, Administração Estratégica e o Marketing são temas que pertencem a especialidades distintas, embora estejam intimamente conectadas. Assim, dado o caráter interdisciplinar deste trabalho, a seguir, são apresentados os conceitos e teorias desenvolvidos nessas áreas temáticas que nesse momento servirão de suporte para a análise e interpretação dos resultados obtidos neste estudo. 2.1 GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS (SUPPLY CHAIN MANAGEMENT) O gerenciamento de cadeia de suprimentos está ligado historicamente ao estudo de campo de logística, sendo por essa razão, segundo Bowersox, Closs e Cooper (2006), a logística um subconjunto e ocorre dentro da estrutura mais abrangente de uma cadeia de suprimentos, onde as decisões desta estabelecem a estrutura operacional na qual a logística é desempenhada. A logística surgiu durante a Segunda Guerra Mundial com o propósito de coordenar e movimentar as tropas, armamentos e munições aos locais necessários. Posteriormente, adotado pelas empresas, o termo logística referia-se à movimentação e coordenação de produtos finais, sendo sinônimo para o que era chamado antes de “gestão da distribuição física” (SLACK et al., 2009). Atualmente, a logística é vista como a competência que liga a empresa a seus clientes e fornecedores. As informações recebidas de clientes fluem pela empresa por meio das atividades de vendas, previsões e pedidos. Com as informações são realizados os suprimentos de materiais e produtos, iniciando-se o fluxo de bens de valor agregado e finalizando com a transferência dos produtos acabados aos clientes finais (BOWERSOX; CLOSS, 2009). Portanto, segundo Slack et al. (2009), o conceito de logística foi estendido de modo a incluir uma parte maior do fluxo total de materiais e informações, sendo ações inter-relacionadas (BOWERSOX; CLOSS, 2009). De acordo Bowersox, Closs e Cooper (2006), a logística: é o processo que gera valor a partir da configuração do tempo e do posicionamento do inventário; é a combinação da gestão de pedidos de uma empresa, do inventário, do transporte, do armazenamento do manuseio e embalagem de materiais, enquanto procedimentos integrados em uma rede de instalações (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006, p. 21). Portanto, a logística passou a ser vista definitivamente como uma questão de estratégia, sendo um importante elemento competitivo para as empresas, caracterizada pela integração dinâmica e flexível entre os agentes internos da cadeia de suprimentos e suas inter-relações com seus fornecedores e clientes (NOVAES, 2004). Sendo assim, um conceito mais amplo, mais ambicioso e estratégico surgiu: a Gestão da Cadeia de Suprimentos. Por meio dos canais de distribuição, a Gestão da Cadeia de Suprimentos observa a cadeia completa como um sistema a ser gerenciado, diferentemente dos profissionais da logística que têm dado pouca atenção ao gerenciamento da cadeia de suprimentos a montante da função de compras e a gestão de fluxos de serviços e produtos acabados a jusante (SLACK et al., 2009). A integração de todos os participantes da cadeia é denominada Supply Chain Management (SCM), expressão que, traduzida, significa Gestão da Cadeia de Suprimento. O Fórum de SCM realizado em Ohio State University (NOVAES, 2004, p. 235) conceituou o SCM como sendo “a integração dos processos industriais e comerciais, partindo do consumidor final e indo até os fornecedores iniciais, gerando produtos, serviços e informações que agreguem valor para o cliente”. Segundo Sampaio (2007), existem diferentes visões de Supply Chain Management (SCM), podendo ser uma abordagem logística, porém, não contemplaria uma abordagem integrada das diversas funções da cadeia, como produção, suprimentos, compras, logística e relacionamentos com fornecedores e clientes. Ainda de acordo com o autor, em uma abordagem mais ampla, a SCM seria uma combinação de funções de suprimentos, produção e logística, compreendendo diversas tarefas mais complexas. A Gestão da Cadeia de Suprimentos é definida como a integração dos processos de negócios desde o usuário final até os fornecedores originais (primários) que provêm produtos, serviços e informações que adicionam valor para os clientes e stakeholders (PIRES, 2004). Portanto, nessa integração podem ser formadas redes complexas integradas por muitas empresas e entidades. O SCM apresenta-se no atual ambiente de negócios, como uma ferramenta que permite ligar o mercado, a rede de distribuição, o processo de produção e a atividade de compra de tal modo que os consumidores tenham um alto nível de serviço ao menor custo total, simplificando assim o complexo processo de negócios e ganhando eficiência (CHISTOPHER, 2001; BOWERSOX; CLOSS, 2009). Por isso, a gestão da cadeia de suprimentos enfatiza os fluxos de materiais como a aquisição, a armazenagem, movimentação e processamento de matérias-primas, manufatura, componentes, montagens e suprimentos, bem como o fluxo de serviços como, venda a varejo, armazenamento e sistemas de transporte. Todas essas funções são criticamente afetadas pelo planejamento e controle dos processos da gestão da cadeia de suprimentos. O mais importante elemento que possibilita a gestão da cadeia de suprimentos é a tecnologia da informação (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006) que por meio de informações eficazes representa um papel importante para a redução de custos e melhorias dos níveis de serviços aos clientes como a rapidez e as flexibilidades das entregas (CHRISTOPHER, 2001). De qualquer forma, existe uma unanimidade conceitual entre os autores pesquisados de que o objetivo da gestão da cadeia de suprimentos é ligar o mercado, a rede de distribuição, o processo de fabricação e a atividade de aquisição, de tal modo que os clientes sejam contemplados com níveis de serviços cada vez mais altos, ainda assim mantendo os custos baixos. De acordo com Quintão (2005), o princípio básico da Gestão da Cadeia de Suprimentos está fundamentado na convicção de que a eficiência pode ser aprimorada por meio de compartilhamento de informação e do planejamento conjunto, ocorrendo tanto integração funcional interna quanto integração externa. O autor ainda completa que, a filosofia que está por trás do conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos é a do planejamento e coordenação do fluxo de materiais da fonte até o usuário como um sistema integrado, reconhecendo que a integração interna por si só não é suficiente e que o impacto de uma decisão tomada em qualquer parte do sistema afetará o sistema inteiro. Diferentes autores explicam a importância do gerenciamento integrado da cadeia de suprimentos. Segundo Mentzer et al. (apud BRONZO; ARRUDA; BALBINO, 2005), podem ser considerados relevantes nesse sentido: a) as forças competitivas que modelam as práticas de gestão de organizações com operações globais; b) as demandas específicas de clientes cada vez mais exigentes em relação a fatores competitivos relativos à consistência, à velocidade, à flexibilidade e à qualidade dos processos logísticos; c) a pressão crescente exercida pelos clientes intermediários e finais para a customização da oferta de produtos e serviços; d) o rápido e persistente desenvolvimento da tecnologia da informação e das telecomunicações, bem como de suas aplicações funcionais, para a construção de sistemas integrados de gestão nas empresas. A essência da gestão da cadeia de suprimentos como uma extensão da logística está no planejamento e coordenação do fluxo de materiais da fonte até o consumidor final, como um sistema sincronizado e integrado. Essa nova prática é caracterizada pela cooperação e pela troca intensiva de informações entre as empresas parceiras. Portanto, é possível alcançar, simultaneamente, significativas reduções de estoques e melhorias dos níveis de serviços (AROZO, 2003). Para que os objetivos de estimular e satisfazer a demanda sejam alcançados, Bowersox, Closs e Cooper (2006) propõem que as empresas envolvidas estejam atentas para os seguintes fatos que afetam o comportamento dos membros do canal: grau de consciência e de identificação dos participantes enquanto membros do canal, o uso de arranjos distributivos múltiplos, reconhecimento de que relações mais próximas facilitam o aumento do volume de transações, aceitação e reconhecimento do recebimento de benefícios a longo prazo, adoção de postura cooperativa e enfrentamento rápido das situações de conflito. Segundo Bertaglia (2005), o entendimento da cadeia de abastecimento e de seus subprocessos é fundamental para se atingir os resultados, dependendo extremamente do relacionamento que mantêm com seus fornecedores para atender eficientemente a demanda requerida pelos clientes e o corpo gerencial das empresas precisa ter flexibilidade e agilidade para responder prontamente às mudanças. Nesse aspecto, Kotler (2000) enfatiza que os fatores de sucesso para uma cadeia de suprimentos são aqueles em que os membros têm o tempo de existência no mercado reconhecido no mercado, histórico de crescimento e de lucro, outras linhas vendidas, grau de solvência, capacidade de cooperação e reputação no mercado. Cabe à gestão da cadeia de suprimentos a administração desses fatores, levando em conta que a maior parte deles deriva de uma alocação pouco coordenada e fragmentada de atividades resultantes de uma deficiência na definição dos fatores-chave (DORNIER et al., 2000). Por isso, a identificação dos fatores-chave junto aos clientes, sincronizada com a capacidade do processo produtivo, é de fundamental importância para a conexão entre o mercado, aquilo que o cliente deseja, e o fornecedor de tal modo que os clientes recebam níveis de qualidade de serviços cada vez mais altos (SOUZA; MOORI; MARCONDES, 2005). A expressão cadeia de valor é bastante utilizada na cadeia de suprimentos (PIRES, 2004). De acordo com Porter (1989), a cadeia de suprimentos é um “sistema de valores” que compreende um conjunto de cadeias internas de valores a partir de um hipotético fornecedor e suas ligações a montante e a jusante da cadeia. Ainda de acordo com o autor, para se entender os elementos-chave para a vantagem competitiva devem ser analisadas as diversas atividades na cadeia de valor de uma empresa e a maneira como elas interagem. Portanto, na visão de diversos autores a cadeia de suprimentos seria a soma de várias empresas e a integração entre elas, ou seja, entre diversas cadeias de valor (PIRES, 2004). Para Slack et al. (2009), em longas cadeias de suprimentos, envolvendo vários negócios, não é fácil coordenar estrategicamente toda a cadeia, pois os seus participantes são formados por negócios diferentes, gerenciados por diversas pessoas, cada empresa com seus próprios objetivos e propósitos. Já Bowersox, Closs e Cooper (2006), afirmam que a integração total da cadeia de suprimentos requer modificar a prática funcional tradicional para se centrar na execução do processo integrado, sendo assim, pelo menos quatro desafios operacionais devem ser resolvidos: liderança, lealdade e confidencialidade, avaliação de desempenho e compartilhamento de risco/recompensa. Neuman (apud QUINTÃO, 2005), discorre que a dificuldade em se implementar a integração dos participantes da cadeia de suprimentos é difícil de se conseguir. Um motivo é a falta de entendimento de seus conceitos e benefícios e outro da necessidade de mudança cultural, porque até então as práticas comerciais e de negócios entre os participantes da cadeia se baseavam, ou ainda se baseiam, em uma relação de perde/ganha, onde um busca levar vantagem sobre o outro. A cadeia de suprimentos compreende todas as partes envolvidas, desde o fornecedor até o comprador final, buscando direta ou indiretamente atender as requisições dos clientes, tendo interferência causal: o relacionamento comprador-fornecedor e a performance dos envolvidos. Portanto, o relacionamento comprador–fornecedor pode ser considerado como o conjunto de estratégias interorganizacionais empregadas pelas empresas compradoras e fornecedoras em suas negociações, adquirindo informações relevantes que favorecem a seleção dos parceiros e a manutenção dos relacionamentos (CUNHA; ZWICKER, 2008). Inicialmente, os participantes da cadeia de suprimento buscam atingir suas metas individualmente, otimizando suas operações estratégicas; contudo, ineficiências e desequilíbrios são criados ao longo da cadeia. Na maioria das vezes isto se deve a falta de uma gestão colaborativa que torne compartilhada a gestão de demanda, as metas e demais características de cada participante da cadeia suprimentos (FARIAS; AKABANE; NETO, 2007). O principio básico do SCM está fundamentado na convicção de que a eficiência pode ser aprimorada por meio de compartilhamento de informações e do planejamento conjunto, portanto, as empresas devem abandonar a forma tradicional de relacionamento onde havia a simples relação de compra e venda, sem qualquer caráter colaborativo, e passar a adotar relacionamentos mais estáveis e cooperativos com seus fornecedores (BOWERSOX; CLOSS, 2009). Cada participante da cadeia é visto pelos outros como detentor de competências para executar suas funções específicas, assim, é cada vez maior a percepção de que a cooperação com clientes e fornecedores no estabelecimento de relações comerciais na cadeia de suprimentos tem suas vantagens. A seguir, será abordada a fundamentação teórica sobre Administração Estratégica na cadeia de suprimentos. 2.2 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS Atualmente, as empresas verificaram que é mais compensador realizar atividades naquilo que consegue realizar bem, sobressaindo positivamente dos seus concorrentes e conseguindo adquirir serviços ligados a tudo que não estiver ligado a sua competência central. Assim, os ganhos por meio de uma integração efetiva, como redução de custos e aumento de desempenho, são mais expressivos em comparação a soma de possíveis ganhos individuais, quando atuados separadamente (OLIVEIRA; CÂNDIDO, 2009). O termo “Cadeia de Suprimento” destina-se a designar como toda estrutura projetada adequadamente para atender à demanda de um mercado específico (SLACK; CHAMBERS; JOHSTON, 2002). Portanto, este conceito pressupõe a adoção coordenada de estratégias apropriadas entre os parceiros de negócios. A busca de sintonia entre os diferentes agentes e a eficiência conjunta é exatamente o que a gestão de cadeias de suprimentos objetiva. A grande questão com a qual se defrontam atualmente os varejistas, atacadistas, indústrias e prestadores de serviços, porém, é como construir essa sintonia, aumentando a eficiência da cadeia como um todo. Essa sintonia está diretamente ligada ao desenvolvimento de relacionamentos mais cooperativos, onde o ponto de partida e, também, a evolução desses relacionamentos estão diretamente vinculados, à iniciativa de alianças estratégicas (ALCÂNTARA, 1997). Para que isso ocorra, os agentes da cadeia não necessariamente possuam os mesmos objetivos estratégicos, mas que esses objetivos sejam complementares. Então, é de fundamental importância que estes objetivos sejam claros pelos formadores de alianças, suas diferenças analisadas e a harmonização dos objetivos estudado minuciosamente (BATALHA, 2007). O conceito de administração estratégica da cadeia de suprimentos tem sido visto cada vez mais como um elemento fundamental de busca de competitividade empresarial. Ela é apontada por Basnet et al. (apud REZENDE; MENDONÇA; ARAÚJO, 2007) como uma ferramenta que envolve a integração de todos os elementos criadores de valor nos processos de suprimento, manufatura e distribuição. Ainda de acordo com o autor, os ideais de melhor serviço ao consumidor, a pressão do lead time e a necessidade de redução de estoque, abriram uma nova fronteira para as atividades de administração estratégica da cadeia de suprimentos. Com a administração estratégica da cadeia de suprimentos, fornecedores, fabricantes e distribuidores estão desenvolvendo diferentes formas de integrar as atividades, onde as empresas dão ênfase à gestão de logística e operações em toda cadeia. Com a mudança no ambiente competitivo global, verifica-se o crescimento do interesse pelos vários tipos de alianças ou parcerias estratégicas entre as empresas. Nesse contexto, as alianças estratégicas são consideradas empreendimentos de risco, podendo ser fusões e aquisições para controle total da cadeia (integração vertical) passando por alianças cooperativas informais. No primeiro caso, ocorre uma interdependência alta entre os agentes da cadeia, ao passo que o segundo caso essa interdependência seria muito baixa (LORANGE; ROOS, 1996). Para Krajewski, Ritzman e Malhotra (2009), a estratégia da cadeia de suprimentos é desenvolvida a fim de organizar, controlar e determinar os recursos necessários para o fluxo de serviços e materiais no interior da cadeia de suprimentos. Desse modo, cada empresa constrói a sua cadeia de suprimentos para alcançar as prioridades competitivas apropriadas dos processos da empresa. Embora diversas tecnologias, como a Internet e sistemas de informações, são utilizadas em várias etapas da cadeia, o desempenho em algumas empresas é pouco elevado. Tendo como causa desse problema, a falta de compreensão dos gerentes em relação a natureza da demanda de produtos ou serviços e, por isso, não consegue criar estratégias de cadeias de suprimentos para atender essas demandas (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). Já para Oliveira e Cândido (2009), a descrição e a generalização dos desafios encarados pelas empresas no desenvolvimento de estratégias são dificultadas pela diversidade e a complexidade das relações na cadeia de suprimentos, pois compreende tanto aspectos econômicos da cadeia, bem como aqueles ligados ao gerenciamento de relacionamentos. Segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008, p. 246), estratégia de cooperação “é uma estratégia em que as empresas trabalham juntas para atingir um objetivo comum”. Uma aliança estratégica é um tipo de cooperação entre empresas, envolvendo trocas e compartilhamentos de recursos e capacitações em busca de um desenvolvimento conjunto entre elas ou uma distribuição de produtos e serviços, contribuindo para novas vantagens competitivas. As empresas formam alianças com o objetivo de reduzir a concorrência, aumentar suas capacitações competitivas, aumentar o acesso aos recursos, aproveitar as oportunidades de negócios e possuir uma flexibilidade estratégica (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008). Segundo Sierra (apud AMATO NETO, 2000), as principais razões que induzem as empresas a adotarem algum tipo de aliança estratégica são: penetração em um novo mercado; competição via tecnologia e pesquisa e desenvolvimento; inovação e rapidez na introdução de um novo produto; aumento do poder de competitividade; competição via integração de tecnologia e mercados; construção de competências de classe mundial; estabelecimento de padrões globais; rompimento de barreiras em mercados emergentes e em blocos econômicos; corte de custos de saídas do negócio; e obter oportunidades dos negócios mundiais de meio ambiente. Pires (2004) classifica as relações entre as empresas na cadeia de suprimentos em sete possíveis níveis de cooperação, de acordo com o nível de integração e o nível de formalização do relacionamento. Quadro 1- Níveis de relacionamento entre as empresas em uma cadeia de suprimentos. Nível Relacionamento Características 1 Comercial (arm´lenght) Relações meramente comerciais entre empresas independentes. 2 Acordos não contratuais Acordos informais para alguns objetivos comuns. Ex: cartel. 3 Acordos via licença Cooperação multilateral, via contrato. Ex: franchising. 4 Alianças Empresas independentes com participação mútua no negócio, geralmente de forma complementar e não necessariamente envolvendo novos investimentos. Ex: alianças de companhia aéreas. 5 Parcerias Empresas independentes agindo na cadeia como se fossem uma mesma (virtual) unidade de negocio, com grande nível de colaboração, de alinhamento de objetivos, de integração de processos e de informações. Ex: consórcios e condomínios na indústria automobilística. 6 Joint ventures Participação mútua no negócio, geralmente via uma nova empresa (sociedade formal) e que envolve novos investimentos. Ex: MWM e Commins formando a empresa Power Train para atender a VW em Resende. 7 Integração vertical Envolve a incorporação dos processos da cadeia de suprimentos por parte de uma empresa, geralmente via fusão, aquisição ou crescimento. Nesse caso temos uma empresa que é proprietária de todos os ativos e recursos da cadeia de suprimentos. Fonte: Pires, 2004. Entre os vários e possíveis tipos de alianças, Kanter (apud AMATO NETO, 2000) destaca os seguintes: I) alianças multiorganizacionais de serviços ou consórcios: nesses tipos de alianças, as organizações que possuem as mesmas necessidades e que, freqüentemente, atuam no mesmo setor industrial, juntam-se, para criar uma nova organização que suprir as necessidades delas todas. II) alianças oportunistas ou joint ventures: por meio deste tipo de aliança as empresas constitui um novo negócio ou amplia o já existente, obtendo algum tipo de vantagem competitiva imediata ou temporária. III) alianças de parcerias que envolvem fornecedores, consumidores e funcionários: há o envolvimento de vários parceiros (stakeholders) no processo de negócio em seus diferentes estágios de criação de valor. O relacionamento de parcerias, segundo Slack, Chambers e Johnston (2008), é definido como: acordos cooperativos relativamente duradouros entre empresas, envolvendo fluxos e ligações que usam os recursos e/ou estruturas de governança de organizações autônomas, para a realização conjunta de metas individuais associadas à missão corporativa de cada empresa patrocinadora (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2008, p. 431 – 432). Portanto, os objetivos da parceria são atingidos juntamente com os objetivos individuais por meio da cooperação de fornecedores e consumidores, compartilhando recursos e habilidades. Com a cooperação no nível de parceria estratégica, as empresas decidem desistir da independência e da autonomia, a fim de fortalecer uma área de especialidade (DORNIER et al., 2000), desenvolvendo, então, uma ação comum objetivando uma meta comum. De acordo com Bowersox e Closs (2009), a ênfase na cooperação modifica o gerenciamento tradicional da cadeia de suprimentos baseado na confrontação e no poder de barganha, buscando uma orientação de todos os participantes para a resolução conjunta dos problemas a fim de aprimorar a eficiência e a eficácia geral. Para Lambert et al. (apud PIRES, 2004), a cooperação requer confiança e compromisso entre os parceiros, compartilhamento de todas as informações da cadeia, planejamento e controle conjunto das operações, divisão de riscos e ganhos, contrato da parceria bem detalhado, escopo maior da cadeia em termos das atividades e processos, e investimentos financeiros com compartilhamento de recursos. Já para Bowersox e Closs (2009), as parcerias verdadeiras devem satisfazer os seguintes critérios: excelência individual de todos os parceiros; a importância do relacionamento para os participantes a fim de atingir o objetivo da parceria; interdependência, os parceiros precisam um do outro; investimento, os parceiros precisam investir um no outro para demonstrar seus respectivos interesses no relacionamento mútuo; informação, compartilhamento de informações para que o relacionamento funcione; integração, operações compartilhados a fim de trabalhar em conjunto sem problemas; institucionalização, uma relação bem formal entre as partes envolvidas, com responsabilidades e processos decisórios bem estabelecidos; e integridade, onde os participantes se comportam com dignidade um em relação ao outro. Segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), as joint ventures são eficazes em relacionamento de longo prazo e na troca de conhecimento tácito, que é aprendido pela experiência. Segundo esses autores, este tipo de aliança pode ser ideal para as empresas que buscam criar uma vantagem competitiva que seja totalmente diferente de qualquer vantagem que possuem isoladamente e quando as empresas pretendem entrar em mercados imprevisíveis por meio de combinação de seus recursos e capacitações. A integração vertical “é o grau e a extensão de propriedade que uma organização tem da rede da qual faz parte” (SLACK et al., 2009, p.175). A estratégia de expandir-se no lado dos fornecedores da rede é chamada integração vertical a montante (upstream), ou para trás, e de expandir-se para o lado dos clientes finais é chamada integração vertical a jusante (downstream), ou para frente. A estratégia de integração afeta a qualidade das operações de toda cadeia, sincronização e rapidez de matérias e informação, aumento da confiabilidade, como também, do potencial de flexibilidade para guiar desenvolvimento tecnológico, e reduções de custos (SLACK et al., 2009). Para Bowersox e Closs (2009, p. 104), os relacionamentos entre as empresas parecem funcionar mais satisfatoriamente “quando são mais familiares e menos racionais. As obrigações são menos difusas, o escopo para a colaboração é mais aberto, o entendimento entre os indivíduos é maior, a comunicação é freqüente e intensa e o contexto interpessoal é rico”. Ainda, segundo os autores, “os melhores relacionamentos entre as empresas são freqüentemente confusos e emotivos, envolvendo sentimentos como ‘química’ ou confiança. E não deve ser estabelecidos de maneira superficial”. Um comprometimento total de todas as partes consegue agregar valor para os parceiros (BOWERSOX; CLOSS, 2009). As empresas que possuem seus processos internos incorporados com os seus fornecedores externos e clientes conseguem um melhor desempenho, criando uma cadeia com propósitos e procedimentos bem definidos (PIRES, 2004). O termo Governança é bastante utilizado na gestão da cadeia de suprimentos, principalmente quando se fala em parcerias, cooperação, relacionamento e interdependências entre as empresas da cadeia. Para Pires (2004), a governança da SCM está sempre relacionada com a direção da coordenação das atividades econômicas de toda cadeia, através de procedimentos hierárquicos ou de cooperação e colaboração. O mesmo autor ressalta que geralmente a governança de uma cadeia de suprimentos pertence à empresa que a coordena de forma geral, onde, tradicionalmente, esse papel é desempenhado pela empresa mais forte da cadeia, que dita o ritmo e as tendências da mesma. A alocação de recursos pesa na hora da escolha e definição do tipo de relacionamento a ser realizado entre os parceiros. Nesse mercado competitivo, de recursos escassos e alto custo de capital, fazem com que a vários tipos de alocação devem ser bem analisadas para qualquer relação com os agentes da cadeia (PIRES, 2004). A seguir, será abordada a fundamentação teórica sobre o Marketing como meio de seleção e interação com seus fornecedores. 2.3 ESTRATÉGIAS DE COMPRAS E RELACIONAMENTO COM FORNECEDORES: A AÇÃO DO MARKETING As empresas não se limitam a vender, elas também compram várias quantidades de matérias-primas, componentes manufaturados, instalações e equipamentos, suprimentos e serviços. Alguns desses materiais e serviços são transformados em bens e serviços para serem oferecidos aos clientes. Outros são utilizados para auxiliar a empresa a operar, como por exemplo, óleo lubrificante para equipamentos. Este tipo de material não faz parte do produto ou serviço final, mesmo assim é necessário para a produção (SLACK et al., 2009). De acordo com Webster e Wind (apud KOTLER; KELLER, 2006, p. 208), compra organizacional “é o processo de tomada de decisão por meio da qual as organizações estabelecem necessidade da compra de produtos e serviços, além de identificar, avaliar e escolher, entre as marcas e os fornecedores disponíveis qual sua melhor opção”. Para Slack et al. (2009), a decisão de “fazer ou comprar” é de responsabilidade da função de compras de estudar cuidadosamente se a empresa estará bem servida comprando produtos e serviços dos fornecedores ou ela mesma produzindo-os. Ainda de acordo com o autor, esta decisão nem sempre é fácil, pois, em alguns casos, a organização tem capacidade de produzir produtos e serviços um custo baixo e/ou com uma qualidade melhor do que seus fornecedores. Como pode acontecer também, fornecedores oferecerem produtos e serviços com menores custos e/ou melhor qualidade que a própria empresa o faria. O departamento de compras enfrenta diversas situações decisórias ao realizar uma compra, dependendo do tipo de situação de compra. Robinson (apud KOTLER; ARMSTRONG, 1998), Gilbert, Churchill e Peter (2005) caracterizam três tipos de situações de compras: recompra direta, recompra modificada e compra nova. Recompra direta é um pedido de compra rotineira sem qualquer modificação ao mesmo fornecedor, baseado em uma satisfação de compra anterior, como por exemplo, compra de papel de escritório. Este tipo compra tem complexidade simples, uma curta duração, possuindo um único fornecedor.Recompra modificada é uma compra organizacional que envolve um estudo mais detalhado de uma série de alternativas antes da seleção, devido modificações ocorridas no produto, preço, condições ou fornecedores, como por exemplo, um novo produto surgido no mercado com uma qualidade melhor. A recompra modificada possui complexidade e duração média, com poucos fornecedores envolvidos na seleção. A compra nova ocorre quando a empresa compra um produto ou serviço pela primeira vez, assim, envolve uma ampla busca de informações e um extenso processo de decisão, como também um número muito grande de tomadores de decisões que influenciam nas escolhas. Este tipo de compra é usado com mais freqüências para itens de grandes investimentos, como máquinas e equipamentos de produção. A compra nova possui uma alta complexidade, duração longa e vários fornecedores envolvidos. Segundo Webster e Wind (apud KOTLER, 2000), a unidade de tomada de decisões de uma organização compradora é denominada centro de compras. Esta unidade geralmente inclue vários participantes das diversas áreas da empresa (KOTLER; KELLER, 2006) que têm participação na escolha, na compra e no uso de um produto (GILBERT; CHURCHILL; PETER, 2005). De acordo com Kotler e Keller (2006), os membros do centro de compras desempenham papéis de: a) iniciadores: identificam a necessidade; b) usuários: usa o produto; c) influenciadores: afeta a decisão de compra; d) decisores: têm conhecimento e poder para fazer ou aprovar uma seleção; e) aprovadores: responsáveis pela autorização das ações; f) compradores: responsáveis de selecionar o fornecedor e negociar condições; g) barreiras internas: controla o fluxo de informações. Portanto, o pessoal da engenharia auxiliará com a maximização do desempenho do produto, já o pessoal do marketing auxiliará os compradores descrevendo os produtos que atendem as necessidades dos clientes. De acordo com Kotler (2000), os compradores empresariais estão sujeitos a quatro influencias principais na decisão de compra: as ambientais, as organizacionais, as interpessoais e as individuais. Nos fatores ambientais, o departamento de compras fica atento aos fatores econômicos atuais e futuros, como o nível de demanda, investimentos, taxas de juros e mudanças de tecnologia. As tendências organizacionais nas áreas de compras, como modernização do departamento de compras, compras centralizadas, compras pela internet, contatos de longo prazo, desenvolvimento profissional dos compradores, são aspectos dos fatores organizacionais. Já nos fatores interpessoais envolvem interesses, autoridade, status, empatia e poder de persuasão. Nos fatores individuais, as motivações e preferências relacionados com a idade, renda, grau de instrução, cargo na empresa, personalidade e cultura influencia na decisão da compra. Os processos normais de compra, segundo Robinson, Faris e Wind (apud KOTLER; KELLER, 2006), são: 1) Reconhecimento do problema; 2) Descrição da necessidade geral; 3) Especificações do produto; 4) Procura de fornecedores; 5) Solicitação da proposta; 6) Seleção do fornecedor; 7) Especificação da rotina do pedido; 8) Revisão do desempenho. Entretanto, neste trabalho, a fase de seleção de fornecedores terá mais ênfase. O relacionamento entre comprador e fornecedor pode ser considerado como o conjunto de estratégias interorganizacionais empregadas pelas empresas compradoras e fornecedoras em suas negociações. Os autores pesquisados, geralmente, tratam desse relacionamento considerando diferentes atributos para caracterizá-lo. Para Prahinski (apud CUNHA; ZWICKER, 2008), o relacionamento entre a empresa e seus fornecedores é definido como a percepção do fornecedor acerca do comportamento da empresa compradora no âmbito de seguintes atributos: o comprometimento da empresa compradora, a sua cooperação e os seus acordos operacionais. Já para Maloni e Benton (apud CUNHA; ZWICKER, 2008), o relacionamento entre comprador e fornecedor é composto por cinco atributos: comprometimento, confiança, conflitos, cooperação e resolução de conflitos. O departamento de compras tem algumas funções tradicionais, como selecionar fornecedores, negociar compras, administrar os contratos e prazos, fazer os pedidos aos fornecedores, e manter um ótimo relacionamento com fornecedores por meio de uma base confiável (MOREIRA, 2009). A empresa, primeiramente, busca obter os melhores benefícios econômicos, técnico, de serviços e social possíveis em relação aos custos e ofertas ao mercado. Quanto maiores forem esses benefícios oferecidos pelos fornecedores, maior será a chance da empresa realizar a compra (KOTLER, 2000). Assim, a tarefa do fornecedor é fazer a melhor oferta que proporcione um elevado valor para seu cliente. Boas negociações se transformam em retornos positivos para a empresa, pois, de acordo com Moreira (2009), a função de compras é muito influente na rentabilidade da organização, já que, na indústria, por exemplo, o custo na compra de matérias-primas, peças e componentes representam mais da metade do custo dos produtos. Assim, preço e qualidade dos produtos e confiabilidade da entrega bem negociados, a empresa geralmente não sofrerá com futuros custos incorridos devido a boa negociação realizada com o fornecedor. Portanto, a busca por fornecedores exige decisões a respeito de quais fornecedores serão contratados e para quais produtos e serviços. Se a compra de um determinado produto ou serviço ocorrer uma ou raras vezes, a empresa em geral não busca desenvolver um relacionamento elaborado e duradouro com o fornecedor. Porém, ao se tratar de compras de produtos e serviços que a empresa necessita para o seu processo produtivo, a empresa busca um fornecedor confiável de produtos e serviços, realizando um programa de desenvolvimento de um bom relacionamento com o fornecedor (MOREIRA, 2009). No estágio de seleção de fornecedores, os membros do centro de compras estudam as propostas e selecionam um ou mais fornecedores. De acordo com os diversos autores pesquisados, durante a fase de seleção dos fornecedores, o departamento de compras elabora uma lista de atributos desejados dos fornecedores e sua importância relativa, o que pode variar conforme o negócio da empresa. Segundo Moreira (2009) e Krajewski, Ritzman e Malhotra (2009), os critérios freqüentemente levados em consideração para selecionar fornecedores são: o preço, a qualidade e a confiabilidade da entrega. Ainda segundo os autores, o critério do impacto ambiental esta se tornando muito importante para selecionar fornecedores. Segundo eles, as empresas estão se preocupando com a identificação, a avaliação e a gerência do fluxo de dejetos e perdas ambientais, procurando maneiras de reduzir a poluição e minimizar os impactos no meio ambiente. Para Moreira (2009), não são os únicos critérios importantes, porém, a empresa deve buscar uma sinergia com o fornecedor por meio de algumas coerências entre a forma de trabalhar dos fornecedores e a missão da empresa. Para Kotler e Keller (2006), a escolha e a importância de diferentes critérios para selecionar fornecedores variam de acordo com a situação de compra. Segundo os autores, a confiabilidade da entrega, o preço e a reputação do fornecedor são muito importantes para produtos habitualmente pedidos. Para produtos relacionados à operação normal da empresa, como por exemplo, uma copiadora, a assistência técnica, flexibilidade do fornecedor e confiança na qualidade do produto são atributos que devem ser levados em consideração. Já para produtos destinados a solução de problemas bastante delicados, como uma escolha de um sistema de informação gerencial, os critérios mais importante são o preço, reputação do fornecedor, confiança na qualidade do produto e serviço, e flexibilidade do fornecedor. Segundo os autores, o centro de compras pode tentar negociar com os fornecedores, a fim de conseguir melhores preços e condições antes de tomar a decisão. Ainda de acordo com eles, muito tempo é gasto nas negociações em relação aos preços com os fornecedores, mesmo com as mudanças estratégicas, as parcerias e cooperações entre comprador e vendedor. Para Kotler e Armstrong (1998), os atributos mais importantes no relacionamento entre o fornecedor e clientes são: produtos e serviços com qualidade, entrega dentro do prazo, comportamento corporativo ético, comunicação honesta e preços competitivos. Além de capacidade de efetuar reparos e prestar serviços, ajuda e aconselhamento técnico, localização geográfica, histórico de desempenho e reputação. Já para Gilbert, Churchill e Peter (2005), os compradores organizacionais consideram critérios econômicos, de qualidade e de serviço para escolher fornecedores. Segundo eles, para avaliar os critérios econômicos, a central de compras realiza uma análise de valor, ou seja, compara os custos da compra com os benefícios que se espera que ela proporcione. Para que os vendedores convençam aos seus clientes de que irão entregar o produto com o nível desejado de qualidade e que não haverá problemas, é útil que a empresa tenha um compromisso formal com a qualidade de produtos e processos por meio da seleção de seus fornecedores. A qualidade inclui também serviços voltados a ajudar o comprador organizacional solucionar seus problemas (GILBERT; CHURCHILL; PETER, 2005). Assim, por meio desses critérios citados pelos autores, a empresa tentar buscar por meio de negociações com os fornecedores um preço baixo, uma vez que as empresas gastam muito com compras organizacionais; qualidade nos produtos, a fim de evitar futuros custos devido à má qualidade e defeitos dos produtos; lead time menor e entrega nos prazos para manter o atendimento aceitável para o consumidor e não possuir mais despesas com estoque. A escolha por fornecedores, também, inclui, por implicação, a decisão de abastecer cada produto ou serviço a partir de único fornecedor, single-sourcing, ou de vários deles, multi-sourcing (SLACK et al., 2009). Produtos feitos por encomendas, por exemplo, geralmente lida somente com um único fornecedor, pois é mais fácil combinar os prazos de entregas, a solução de problemas, minimização dos custos altos iniciais e maior controle da qualidade do produto (MOREIRA, 2009). Entretanto, a escolha de somente um fornecedor é mais afetada por flutuações no volume da demanda e ele pode forçar o preço para cima caso não haja alternativas de fornecimento (SLACK et al., 2009). Já a adoção de vários fornecedores contribui para reduzir de cortes de fornecimento, permitindo mais flexibilidade de volume (MOREIRA, 2009), além de, o comprador pode forçar preço para baixo através de competição dos fornecedores (SLACK et al., 2009). Em contrapartida, a escolha de vários fornecedores requer maior esforço para comunicação, maior dificuldade de obter economias de escala, dificuldade de encorajar o comprometimento do fornecedor e de desenvolver sistemas de garantia da qualidade eficaz (SLACK et al., 2009). Programas de certificação dos fornecedores verificam se os fornecedores potenciais têm capacidade de fornecer os serviços e materiais que a empresa compradora requer (MOREIRA, 2009; KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). Essa certificação normalmente é feita por meio de visitas ao fornecedor por uma equipe multifuncional da empresa compradora, onde o objetivo é fazer uma avaliação da capacidade do fornecedor em atingir os critérios exigidos como custo, qualidade, flexibilidade, prazo de entregas dos processos e dos sistemas de informação. Uma vez certificado, o fornecedor pode ser utilizado pelo setor de compras sem a necessidade de novas checagens (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). Ainda em relação aos fornecedores, a empresa pode adotar uma estratégia de orientação competitiva ou colaborativa (MOREIRA, 2009; KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). A orientação competitiva considera as negociações entre comprador e fornecedor como um jogo em que um ganha e outro perde. Neste tipo de estratégia, as vantagens de curto prazo são mais valorizadas que os compromissos de longo prazo. O comprador pode tentar fazer com que o preço do fornecedor baixe até o nível máximo ou empurrar demanda para níveis elevados durante os períodos de crescimento econômico e fazer compras mínimias nos períodos de recessão. Já o fornecedor, pressiona por preços mais elevados para níveis específicos de qualidade, atendimento ao consumidor e flexibilidade de volume. A definição de qual parte ganha depende em grande parte de quem mais influência, que é determinada pelo pode de barganha (MOREIRA, 2009). Na orientação cooperativa, o comprador e o fornecedor são parceiros, havendo um jogo de ganha-ganha entre eles. Este tipo de estratégia envolve um relacionamento de longo prazo, trabalhando em conjunto na melhoria da qualidade, incentivo e apoio do comprador ao fornecedor para que se desenvolva no âmbito gerencial e tecnológico. Uma orientação cooperativa tende a envolver poucos fornecedores de um produto ou serviço, favorecendo a complexidade de sua administração (MOREIRA, 2009). Nesta estratégia ocorre cooperação entre as empresas, formando alianças estratégicas. Além desses dois tipos de estratégias, algumas empresas utilizam estratégias mistas, “aplicando uma abordagem competitiva a seus suprimentos que são commodities e uma abordagem cooperativa aos seus serviços e materiais complexos, de alto valor ou valores elevados” (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009, p. 328). Após a escolha do fornecedor, o departamento de compras revê o desempenho do fornecedor selecionado, contatando usuários e solicitando-lhes informações sobre seu nível de satisfação (KOTLER; ARMSTRONG, 1998). O departamento de compras monitora os mesmos critérios utilizados na seleção para ter certeza de que os está satisfazendo. A revisão do desempenho pode levar a empresa a continuar, modificar ou até mesmo encerar o relacionamento com o fornecedor (KOTLER; KELLER, 2006). Tendo visto o referencial teórico exposto, a seguir, será apresentada a metodologia utilizada neste trabalho. 3 METODOLOGIA A partir do objetivo proposto no trabalho, o caminho escolhido para a condução desta pesquisa foi o estudo de caso, com abordagem qualitativa e descritiva, o qual para Yin (2001), é a estratégia de pesquisa indicada para examinar acontecimentos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real. Portanto, este trabalho visou examinar uma empresa do ramo de distribuição de alimentos localizada na cidade do Natal-RN. A abordagem da pesquisa para alcançar o objetivo proposto neste trabalho é de caráter qualitativo. Para Richardson (2009) os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar as interações de certas variáveis, compreender e classificar processos vividos por grupos sociais. Ainda de acordo com o autor, o enfoque qualitativo é utilizado para desvendar as questões de pesquisa sem medição numérica, sendo seu propósito reconstruir a realidade, da forma como é vista pelos atores de um sistema social predefinido. Dessa forma, tal abordagem foi utilizada por favorecer a descrição e verificação do objeto de estudo, contribuindo para o alcance dos objetivos geral e específicos deste trabalho, Segundo Gil (1999), considerando-se os objetivos gerais, as pesquisas podem ser exploratórias, descritivas e/ou explicativas. A pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem, contudo, manipulá-los, não havendo a interferência do pesquisador, assim, há uma descrição pura do objeto de pesquisa (BARROS; LEHFELD, 2000). Os estudos descritivos buscam “descrever as características de determinada população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL, 1999, p. 44). Portanto, neste contexto, a classificação como estudo descritivo se justifica porque esse trabalho observou, registrou, descreveu e analisou os fatos ou fenômenos sem que haja a manipulação dos dados. A técnica de pesquisa é um conjunto de regras ou processos que se serve uma ciência ou arte na obtenção de seus propósitos (MARCONI; LAKATOS, 2010). Para Martins (2002), nos estudos exploratórios e estudos descritivos os instrumentos mais comuns para coleta de dados são o questionário e a entrevista. Neste trabalho, as informações foram coletadas através de entrevista. Segundo Lakatos e Marconi (2010, p. 178), a entrevista “é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional”. O tipo de entrevista utilizado no trabalho foi a entrevista semi-estruturada, chamada também de entrevista em profundidade, onde o entrevistador tem a liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada, explorando mais amplamente uma questão por meio de questões abertas que podem ser respondidas dentro de uma conversação informal (MARCONI; LAKATOS, 2010). Por estas razões decidiu-se utilizar a entrevista como forma de coleta das informações que serviram de parâmetro para o desenvolvimento da pesquisa. Para tal coleta foi feita uma visita técnica a empresa objeto de estudo deste trabalho, em que nesta ocasião foi realizada uma entrevista semi-estruturada (Apêndice A) aplicada ao Diretor do departamento de compras devido este está diretamente ligado com a área de compras da empresa e seleção de fornecedores. O entrevistado possui 33 anos, sendo 3 anos e meio de empresa, e é pós-graduado. A entrevista teve a duração de 34 minutos, e para melhor análise dos resultados, ela foi gravada e transcrita. Além da entrevista, outro tipo de coleta de dados que foi utilizado no trabalho foi a observação direta do pesquisador, uma técnica de coleta de dados que serve para conseguir informações utilizando os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade, não apenas ver e ouvir, como também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar (MARCONI; LAKATOS, 2010). A observação que foi realizada no trabalho, foi do tipo simples, na qual entende-se “aquela em que o pesquisador, permanecendo alheio à comunidade, grupo ou situação que pretende estudar, observa de maneira espontânea os fatos que aí ocorrem” (GIL, 1999, p. 111). Assim, este tipo de coleta de dados, teve como objetivo conhecer a realidade, a estrutura o funcionamento da empresa e além de facilitar a obtenção de informações sem produzir discussão ou suspeitas nos membros do grupo que esta sendo pesquisado (GIL, 1999). Neste trabalho, juntamente com a aplicação da entrevista se deu a observação da empresa pesquisada e do entrevistado, servindo como informações adicionais para melhor análise dos resultados. A pesquisa utilizou-se do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE – na qual a empresa estudada autorizou a realização da pesquisa para coleta de dados como também a não divulgação do nome desta neste trabalho. Através do TCLE, o entrevistado concordou voluntariamente em realizar a entrevista, informando dados verídicos para o estudo. Uma vez obtidos os dados, o passo seguinte é análise e interpretação dos mesmos, constituindo-se ambas no núcleo central da pesquisa. Portanto, a técnica utilizada para a análise dos dados coletados foi a análise de conteúdo, pois, este tipo de análise é também utilizado para estudar material de tipo qualitativo (RICHARDSON, 1999). A análise de conteúdo adquire sua força e seu valor por meio do apoio do referencial teórico definido (TRIVIÑOS, 1987). Para Triviños (1987), a análise do conteúdo possui algumas características especiais, dentre elas: a) é uma técnica de análise que estuda a transmissão de mensagem entre os homens, onde o conteúdo da mensagem é enfatizado; b) a dedução do problema pode surgir através das informações que fornece o conteúdo da mensagem como também de premissas que são levantadas por meio do estudo dos dados, assim, ambas as situações, a informação surge da avaliação da mensagem. Outra peculiaridade, segundo o autor, a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas que envolve a classificação dos conceitos, a codificação dos mesmos e a categorização; procedimentos estes que são de muita importância na utilização deste método, necessitando que o pesquisador possua um amplo campo de clareza da teoria. Esta pesquisa seguiu as três etapas da análise de conteúdo assinalada por Bardin (apud TRIVIÑOS, 1987): pré-analise, descrição analítica e interpretação inferencial. Na fase da pré-analise ocorre a organização de todo material que será estudado para realização do estudo, como referencial teórico e as técnicas de coletas da pesquisa (entrevista semi-estruturada e observação direta). Ainda segundo o autor, esta etapa formula os objetivos gerais e as hipóteses da pesquisa e determina o seu campo de investigação. Na próxima etapa, a descrição analítica, o material de documentos é submetido a um estudo aprofundado, sendo orientado por princípios, hipóteses e referenciais teóricos, onde os procedimentos como a codificação, a classificação e a categorização são básicos nesta etapa da análise (TRIVIÑOS, 1987). Apoiada nos materiais de informação, na etapa da interpretação inferencial, a reflexão, a intuição, fundamentada nos materiais empíricos estabelecem relações, aprofundando as conexões das idéias (TRIVIÑOS, 1987). As categorias de análise para análise do conteúdo deste estudo foram: gestão da cadeia de suprimentos, administração estratégica e marketing. Portanto, para atingir os objetivos deste trabalho, foi estudado inicialmente o referencial teórico, no qual vários autores abordam as suas visões de quais critérios são utilizados pelas empresas para selecionar os seus fornecedores. Assim, os critérios de seleção utilizados pela distribuidora foram analisados minuciosamente, a fim de apresentar os resultados e conclusões sobre o estudo que serão apresentados a seguir. 4 RESULTADOS A seguir, será apresentada a análise dos resultados dos dados coletados. Inicialmente, será abordada a caracterização da empresa em estudo, informando o histórico, os principais produtos comercializados e seus fornecedores, sua atividade de comercialização e distribuição. Posteriormente, são analisados os dados referentes à Gestão da Cadeia de Suprimentos, ou seja, como a distribuidora coordena toda a sua cadeia; a Administração Estratégica, em relação quais os tipos de cooperação realizada pela empresa; e o Marketing, apresentando como é o processo de seleção dos fornecedores. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA O objeto de estudo deste trabalho foi uma empresa do ramo de distribuição de alimentos, a qual possui destaque em tal segmento no Rio Grande do Norte-RN. Neste estudo a distribuidora será nomeada como empresa X, pois a mesma preferiu não se identificar. Pode-se descrever, a partir da entrevista com o gestor de compras, que a empresa X surgiu no ano de 1970, no município de Luís Gomes-RN, sendo os seus primeiros produtos a serem comercializados eram cereais e sandálias de borracha. Após alguns anos, a pequena mercearia deu início à comercialização de produtos no varejo, transferindo, assim, a sua sede para Pau dos Ferros-RN e anos depois para Mossoró-RN. Atualmente, a distribuidora está localizada na cidade de Natal-RN, possuindo também uma filial em João Pessoa na Paraíba. Desde 2004, a empresa X passou a atuar também como Distribuidor Especializado em Cosméticos (DEC), um conceito de especialização em produtos de higiene pessoal e beleza, com foco no pequeno e médio cliente de varejo. A distribuidora possui cobertura de vendedores, bem como de comercialização e entregas de mercadorias, em todos os municípios dos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, com Centros de Distribuição nas cidades de Natal e João Pessoa. A empresa possui, hoje, cerca de 700 funcionários e trata-se de uma sociedade entre dois irmãos. Nas operações com foco em distribuições exclusivas, nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, a empresa X comercializa produtos de grandes indústrias, sendo os seus principais fornecedores a Unilever, Johnson & Johnson, Reckitt Benckiser, Dupé, Rayovac, Masterfoods, Bettanin, Panasonic, M. Dias Branco e Bombril; já na unidade de negócios DEC, com atuação no RN, trabalha com as principais indústrias de produtos de perfumaria, higiene pessoal e beleza, como L’óreal, Niely, Unilever, Sapeka, Nivea, Colgate, Procter & Gamble, Embelleze, Nazca e Hypermarcas, entre outras. Em relação à gestão da demanda dos produtos dessas grandes indústrias, a empresa X possui total controle dos seus principais grupos de produtos comercializados. Na área de perfumaria, por exemplo, o entrevistado informou que existem muitos produtos sazonais, dentre eles, protetor solar que tem aumento de vendas no período do verão, entre dezembro a março. Já a coloração de cabelo, ocorre um aumento da demanda nos meses de junho e julho. Para atender com eficiência esse aumento nas vendas de determinados produtos em períodos específicos do ano, a distribuidora realiza diversos planos de ação, como o Plano Verão, que é realizado para atingir as vendas dos produtos mais comercializados na época do verão. Segundo o entrevistado, a empresa desenvolve serviços relacionados à comercialização e distribuição de produtos alimentícios, perfumaria e limpeza, tendo como foco atender clientes varejistas, como supermercados, mercantis, mini mercados e, no projeto recente, atendendo clientes do ramo farmacêutico. Como afirma o entrevistado: “o nosso foco é o canal alimentar, supermercados menores, lojas de vizinhança, redes de supermercados, como também os supermercados maiores. Todos os supermercados, mas mercearia e mercadinho é o maior foco da gente”. A seguir, será apresentada a análise dos resultados. 4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS A respeito da coordenação da gestão da cadeia de suprimentos, o entrevistado afirmou que a distribuidora possui um sistema integrado com seus fornecedores. Este sistema, segundo ele, é implantado dentro do banco de dados do Departamento de Compras, no qual o fornecedor tem todas as informações de vendas e estoque disponível da empresa. Com as trocas de informações por meio do sistema, o fornecedor tem todas as informações dos seus produtos na distribuidora fazendo com que agilize o pedido de uma nova compra, a entrega dos produtos e até mesmo solucionar problemas que venham aparecer. Daí a importância da integração da distribuidora com seus fornecedores, segundo o Diretor de Compras. Já a jusante da sua cadeia, a empresa está em fase de teste com os clientes da área de “farma”, na qual, estes irão realizar o pedido via sistema integrado com a distribuidora. A empresa X possui sistemas eficientes de gerenciamento de informações, pois, todos os seus vendedores transmitem os pedidos dos clientes por meio de palms e a logística utiliza o Sistema de Controle e Gerenciamento de Armazém WMS (Warehouse Management Systems) para agilizar as entregas. Percebe-se, então, que a gestão da cadeia de suprimentos da empresa estudada apresenta uma integração dos processos de negócios desde o usuário final até os fornecedores originais (primários) que provêm produtos, serviços e informações que adicionam valor para os clientes e stakeholders (PIRES, 2004). Com isso, observa-se a importância da integração da distribuidora, fornecedores e clientes por meio de sistemas de informações eficazes que representa um papel importante para a redução de custos e melhorias dos níveis de serviços aos clientes como a rapidez e as flexibilidades das entregas (CHRISTOPHER, 2001). Para haver toda essa integração, o entrevistado enfatizou a importância da logística nos seus processos, pois a meta da empresa é de atender os seus clientes no prazo máximo de 48 horas. A partir do momento que a entrega atrasa a gente não consegue repor na próxima semana. O cliente compra não para estocar. Então, com o atraso, atrapalha a venda da próxima semana. O vendedor tem que passar a venda dentro do prazo determinado porque senão, não consegue atingir a necessidade do cliente. Começa virando uma engrenagem que termina parando não conseguindo mais atender o cliente (Entrevistado). Assim, a logística passa a ser vista definitivamente como um elemento competitivo para a empresa, caracterizada pela integração dinâmica e flexível entre os agentes internos da cadeia de suprimentos e suas inter-relações com seus fornecedores e clientes (NOVAES, 2004). Entretanto, não há um planejamento conjunto da distribuidora com seus clientes e fornecedores, segundo o entrevistado. Há um planejamento com a equipe comercial juntamente com área de compras e a Diretoria Geral que elabora um planejamento para apresentar aos fornecedores a fim de saber se eles estão de acordo ou não com a proposta apresentada. Este planejamento deve-se adequar aos fornecedores desde que a empresa realmente veja que o mercado vai suportar o que eles estão querendo. Neste caso, a gestão da cadeia da distribuidora está indo ao encontro com o principio básico do SCM de Bowersox e Closs (2009), no qual está fundamentado de que a eficiência da cadeia pode ser aprimorada por meio do planejamento conjunto. Para a empresa estudada, o fator que leva toda a cadeia de suprimentos a ser um sucesso é o trabalho em conjunto com os participantes da cadeia, ou seja, a cooperação de todos os fornecedores e clientes parceiros. Segundo o entrevistado: “a gente busca fornecedores que queiram ser parceiros da gente. […] a empresa não somente vende para o cliente, mas também dá assistência a ele para que a mercadoria gire mais na loja para que ele venha fazer mais reposição” (Entrevistado). A posição do entrevistado concorda com a idéia de Bowersox e Closs (2009), os quais afirmam as empresas abandonaram a forma tradicional de relacionamento onde havia a simples relação de compra e venda, sem qualquer caráter colaborativo, e passaram a adotar relacionamentos mais estáveis e cooperativos com seus fornecedores (BOWERSOX; CLOSS, 2009). Portanto, por meio da cooperação entre fornecedor, distribuidor e cliente todos conseguem ganhar. O fornecedor fornece brindes e layouts para o distribuidor trabalhar no ponto de venda do cliente. O distribuidor trabalha distribuindo brindes, assistência à loja por meio de promotores e degustação de produtos. E o cliente, fortalecendo o seu ponto de venda com novo layout, melhoria na estrutura e funcionários qualificados, consegue, juntamente com seus parceiros, chamar os seus clientes, crescendo, assim, as suas vendas. De acordo com o Diretor de Compras, a maior dificuldade de coordenar a cadeia de suprimentos são as pessoas, ou melhor, o envolvimento e comprometimento dos parceiros. A distribuidora, mesmo selecionando criteriosamente os fornecedores, ainda tem empresas que não estão envolvidas nas atividades da cadeia, como por exemplo, compartilhamento de informações. O não envolvimento dos participantes da cadeia é devido à falta de entendimento de conceitos e benefícios da integração e a necessidade de mudança cultural, pois até então as práticas comerciais e de negócios entre os participantes da cadeia se baseavam, ou ainda se baseiam, em uma relação de perde/ganha, onde um busca levar vantagem sobre o outro (NEUMAN apud QUINTÃO, 2005). Já o benefício que a coordenação de toda a cadeia traz para a distribuidora, segundo o gestor, é que os parceiros estão sempre inovando nos processos, produtos e promoção fazendo com que atenda a necessidade do cliente. Assim, percebe-se que a essência da gestão da cadeia de suprimentos está sendo realizada, na qual, gera-se produtos, serviços e informações que agreguem valor para o cliente (NOVAES, 2004). Em relação à administração estratégica, a distribuidora pratica a cooperação estratégica com seus agentes da cadeia para realizar as suas atividades comercialização e distribuição. Para o entrevistado, cooperação entre empresas é a troca constante de informações, trabalhando em conjunto e buscando fazer o melhor para atingir o mesmo objetivo. A visão do gestor sobre cooperação estratégica é bastante objetivo quando ele enfatiza o trabalho em conjunto para atingir o objetivo comum entre os envolvidos. Para Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), na estratégia de cooperação, as empresas trabalham em conjunto, ocorrendo trocas e compartilhamentos de recursos e capacitações em busca de um desenvolvimento conjunto entre os envolvidos, contribuindo para novas vantagens competitivas e atingindo o objetivo comum. Tendo como base a classificação de Pires (2004), o nível de cooperação que a distribuidora trabalha, segundo o gestor de compras, é o relacionamento de parcerias com seus fornecedores e clientes, na qual a empresa executa a parceria em conjunto com esses dois agentes da cadeia, como também, ela mesma realiza ações somente com seus clientes. Um dos grandes parceiros, de acordo com o entrevistado, é a Unilever. Este parceiro apresenta uma proposta de vendas aos clientes da distribuidora (supermercados, mini-mercados, mercadinhos). Neste acordo, uma quantidade X de produtos será comprada pelos clientes à indústria por um determinado período. Havendo acordo entre as partes, o cliente final receberá brindes e promoções. Além desse exemplo da Unilever, a distribuidora realiza outras parcerias com grandes fornecedores, com a Colgate, Johnson & Johnson e Reckitt Benckiser. Por meio dessas parcerias, o objetivo da empresa em trabalhar em conjunto é melhorar cada vez mais o serviço de distribuição. Assim, os objetivos da parceria são atingidos juntamente com os objetivos individuais por meio da cooperação de fornecedores, distribuidor e consumidores, compartilhando recursos e habilidades. Para o entrevistado, o motivo que leva a distribuidora buscar a cooperação com seus fornecedores e clientes é que por meio de parcerias a empresa consegue realizar eficientemente suas atividades ligadas à comercialização e distribuição de seus produtos. Devido à exigência do mercado concorrido do ramo de distribuição, a empresa não consegue atender todas as necessidades dos clientes atuando sozinho e busca, portanto, a união com os fornecedores. “Hoje tem contrato com redes, encartes, redes que querem um promotor fixo lá dentro, e isso tudo isso tem um custo, por isso a gente busca a parceria” (Entrevistado). Outro ponto que foi abordado pelo Diretor de Compras da distribuidora foi a procura da indústria (fornecedores) por parcerias com os distribuidores. Isso é devido ao fato de que a indústria não consegue realizar eficientemente a distribuição dos produtos até o consumidor final, já que sua atividade central não é a distribuição e sim a fabricação. Em resumo, aumentar o poder e as capacitações competitivas apontado por Sierra (apud AMATO NETO, 2000) e Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), são as razões que levam a distribuidora a buscar algum tipo de aliança com seus agentes da cadeia. A Governança dessas parcerias que a empresa estudada participa é realizada em conjunto. “Tudo hoje é definido em conjunto. Não tem mais como impor nada para ninguém” (Entrevistado). Segundo o Diretor de Compras, fica acordado entre os participantes da parceria que tudo é decidido em conjunto, na qual todos tem o mesmo poder na tomada de decisão, não havendo imposição por parte da indústria perante o distribuidor e os clientes e vice-versa. Na visão de Pires (2004), a governança de uma cadeia de suprimentos pertence à empresa que a coordena de forma geral, onde, tradicionalmente, esse papel é desempenhado pela empresa mais forte da cadeia, que dita o ritmo e as tendências da mesma. Apesar do entrevistado ter afirmado que a governança da parceria ser decidida em conjunto, quando questionado acerca da cadeia de suprimentos, ele informa que a Diretoria Geral, Comercial e de Vendas elabora um planejamento de compras e apresenta aos fornecedores para saber se eles estão de acordo ou não, no qual este mesmo planejamento deve-se adequar as necessidades dos fornecedores. Portanto, de certo modo, a indústria parece exercer um poder de barganha maior em relação à distribuidora, restringindo algumas determinações nos acordo entre as partes. O gestor de compras mencionou que o envolvimento e o trabalho em conjunto de todos os parceiros é o diferencial para atingir o objetivo da parceria. Nas parcerias verdadeiras, para Bowersox e Closs (2009), devem existir a excelência individual de todos os parceiros, a importância do relacionamento para os parceiros a fim de atingir o objetivo da parceria, interdependência entre as empresas, investimento mútuo, compartilhamento de informações para que o relacionamento funcione, integração das operações para trabalhar em conjunto sem problemas e atuar com responsabilidades na realização das atividades. Uma vez que o diferencial da parceria é o total envolvimento dos parceiros nas realizações das atividades, a falta de interesse das empresas é a dificuldade que a distribuidora tem para realizar as parcerias. Outra dificuldade que a distribuidora atualmente vem passando, segundo o entrevistado, é o mercado, que este ano, não está comprando muito em relação ao ano anterior. Como já citado anteriormente, a distribuidora realiza somente um tipo de cooperação que é a parceria, pois, alianças de parcerias envolvem fornecedores, consumidores e stakeholders no processo de negócio em seus diferentes estágios de criação de valor (KANTER apud AMATO NETO, 2000). A empresa não realizou e nem pretende realizar integração vertical ou até mesmo joint ventures com seus fornecedores e clientes. Segundo o entrevistado, a empresa não pretende expandir para o varejo e muitos menos para produção de produtos. Atualmente, a distribuidora tem um projeto de construção de uma nova sede com maior espaço de estocagem para aumentar o mix de produtos. Em relação à área de Marketing como meio de seleção e interação com seus fornecedores, a distribuidora possui um Departamento de Compras. Este departamento foi criado desde a fundação da empresa, e, atualmente, conta somente com um funcionário: Diretor de Compras. Além de realizar compras, segundo o Diretor, o departamento é responsável por selecionar os seus fornecedores, realizar atividades de análise de vendas e oferecer suporte a área comercial, por meio de elaborações de ações de vendas. Ainda o entrevistado enfatiza a função do Departamento de Compras: “Não é somente compras, mas sim, uma área estratégica da empresa, estando ‘linkado’ com a logística, com o recebimento das compras e vendas; alinhado com o financeiro e com o comercial”. Na visão de Moreira (2009), o departamento de compras vai além de realizar essas funções tradicionais, como selecionar fornecedores, negociar compras, administrar os contratos e prazos e fazer os pedidos aos fornecedores, deve também, constituir e manter um ótimo relacionamento com seus fornecedores por meio de uma base confiável. A unidade de tomada de decisões de uma empresa compradora, denominada centro de compras (KOTLER; KELLER, 2006), geralmente inclui vários participantes das diversas áreas da empresa que têm participação na escolha, na compra e no uso de um produto (GILBERT; CHURCHILL; PETER, 2005). No caso da distribuidora, o Departamento de Compras é responsável por selecionar os fornecedores, o que envolve várias colaboradores da empresa, desde o vendedor, passando pelo supervisor, gerente comercial, gerente de compras e até a diretoria. Ocorre esse envolvimento de todos, pois, segundo o gestor, caso a seleção não tenha sucesso, o erro acaba sendo de todos, caso contrário, o mérito é de todos os envolvidos. Na empresa X, o Diretor de Compras citou o exemplo do vendedor, que segundo ele, é de suma importância na seleção do fornecedor, pois, está próximo do cliente, trazendo feed-back, informando como está o produto (giro, estoque, preço de venda) e quanto é que a empresa pode ir buscar investimento junto à indústria. A idéia de Kotler e Keller (2006) é que os membros do centro de compras desempenham diversos papéis no processo da compra. O vendedor, no caso da distribuidora, faria o papel de iniciador, já que identifica a necessidade do cliente e solicita o novo produto; e também de influenciador, pois, afeta a decisão de compra e ainda ajuda a definir especificações do novo produto e critérios para selecionar fornecedores. O processo de selecionar o fornecedor na distribuidora é muito interessante e inovador. Atualmente, a distribuidora está bem conceituada no mercado, segundo o entrevistado, assim, são os fornecedores (indústria) que procuram a distribuidora para realizar a comercialização e a distribuição dos seus produtos. Neste caso, o fornecedor é estudado criteriosamente pela empresa, observando quais as suas necessidades perante a distribuidora, quais os produtos fornecidos e se o produto se encaixa na empresa. Quando já existe parceria com o fornecedor, todo o processo de compra já está definido: o que comprar; quanto e previsão de vendas. Assim, a distribuidora não precisa ir em busca do fornecedor, pois, já tem a estimativa de compra que foi acordado entre as partes. A principal influência que a empresa está sujeita na decisão da compra é o giro do produto, ou seja, a sua demanda. Neste caso, os compradores da distribuidora são influenciados por fatores do ambiente do negócio, ficando atentos aos aspectos econômicos atuais e futuros, como o nível de demanda, investimentos, taxas de juros e mudanças de tecnologia (KOTLER, 2000). Os benefícios que a distribuidora busca na seleção dos seus fornecedores são investimentos no ponto de venda, como, brindes, fardamento do pessoal nos supermercados, placas, reforma do layout da loja, balcão novo, dentre outros. Portanto, a empresa busca as parcerias com seus fornecedores a fim de atender melhor os seus clientes por meio desses investimentos e chamar os “clientes dos seus clientes” para o ponto de venda em busca de aumentar a rotatividade do estoque dos produtos. A empresa procura obter os melhores benefícios econômicos, técnicos, de serviços e social possíveis em relação aos custos e ofertas ao mercado. Quanto maiores forem esses benefícios oferecidos pelos fornecedores, maior será a chance da empresa realizar a compra (KOTLER, 2000). Assim, a tarefa do fornecedor é fazer a melhor oferta que proporcione um elevado valor para seu cliente. Para a empresa em estudo, os principais critérios que são analisados na seleção dos seus fornecedores são: a parceria; produto que se encaixe no perfil da empresa; a confiança; produto e fornecedor que estejam bem posicionados no mercado. Porém, o entrevistado enfatizou que o principal ponto é mesmo a parceria. A distribuidora, constantemente, está procurando fornecedores parceiros, que trazem ações para realizar nos pontos de vendas (brindes, promoções, sorteios), atendendo as suas necessidades e as necessidades dos fornecedores. Como o entrevistado mesmo informou: “A gente busca empresa que está disposta a fazer parceria. Como a gente é distribuidor, já esta dizendo, a gente tem que fazer parceria. Não é diferente”. Com a parceria, vem a confiança que também é de suma importância na decisão de selecionar o fornecedor, pois, o seu parceiro deve passar total segurança nas atividades que ela realiza e nas promessas que foram acordadas. O fornecedor não deve prometer o que não consegue cumprir. Em relação ao produto, o Diretor de Compras informou que não é interessante trazer um produto que não se encaixa no perfil da empresa, pois não vai conseguir vender, ficando estocado, não sendo interessante para a distribuidora e a indústria. Devido à busca por parcerias, a distribuidora seleciona fornecedores que possuem produtos conceituados, como também fornecedores que estejam bem posicionados no mercado e vendendo bem os seus produtos. Na prática isso acontece na distribuidora, pois, os seus principais fornecedores são renomados no mercado, como, Unilever, Johnson & Johnson, M. Dias Branco, L’óreal, Embelleze, dentre outros. Nesse aspecto, Kotler (2000) enfatiza que os fatores de sucesso para uma cadeia de suprimentos são aqueles em que os membros têm o tempo de existência no mercado reconhecido no mercado, histórico de crescimento e de lucro, outras linhas vendidas, grau de solvência, capacidade de cooperação e reputação no mercado. Para Kotler e Armstrong (1998), os atributos mais importantes no relacionamento entre o fornecedor e clientes são: produtos e serviços com qualidade, a entrega dentro do prazo, comportamento corporativo ético, comunicação honesta e preços competitivos. Além de capacidade de efetuar reparos e prestar serviços, ajuda e aconselhamento técnico, localização geográfica, histórico de desempenho e reputação. Com exceção da localização geográfica, todos esses atributos levantados por Kotler e Armonstrong (1998), a distribuidora procura nos seus fornecedores. Portanto, pontos como a entrega rápida dos produtos, preços competitivos, produtos e serviços com qualidade, compartilhamento de informações e postura ética, são criteriosamente analisados e acordados entre as empresas nas parcerias. De acordo com Moreira (2009), quando a compra de um determinado produto ou serviço ocorrer uma ou raras vezes, a empresa em geral não busca desenvolver um relacionamento elaborado e duradouro com o fornecedor. Porém, ao se tratar de compras de produtos e serviços que a empresa necessita para o seu processo produtivo, a empresa busca um fornecedor confiável de produtos e serviços, realizando um programa de desenvolvimento de um bom relacionamento com o fornecedor. No caso da distribuidora, como todos os fornecedores são parceiros, não há a necessidade de estudar criteriosamente os critérios mencionado anteriormente a cada compra, pois, diariamente, os parceiros estão negociando entre eles. Assim, os critérios mencionados anteriormente são analisados somente quando seleciona um novo fornecedor, pois, todo esse processo é cansativo e não agilizaria o processo de compra. Em relação à decisão de abastecer cada produto ou serviço a partir de único fornecedor, single-sourcing, ou de vários deles, multi-sourcing (SLACK et al., 2009), a empresa estudada trabalha com um único fornecedor para o mesmo produto. Além disso, a distribuidora é a única, na região onde atua, que realiza a comercialização e a logística dos produtos de seus fornecedores. Assim, tanto os fornecedores são exclusivos de determinados produtos para a distribuidora, quanto a distribuidora é exclusiva dos produtos ofertados por aquele fornecedor na região. De acordo com o Diretor de Compras, a maioria dos fornecedores são parceiros da distribuidora há mais de 10 anos, sendo a confiança entre eles o diferencial do relacionamento. Ao mesmo tempo, o estabelecimento da confiança torna-se a maior dificuldade no início do relacionamento comprador-fornecedor. No decorrer das atividades a confiança vai amadurecendo, o fornecedor passa total segurança nas suas promessas acordadas na parceria. Para Maloni e Benton (apud CUNHA; ZWICKER, 2008), a confiança é um dos atributos que compõem o relacionamento entre comprador e fornecedor é composto ainda pelo comprometimento, conflitos, cooperação e resolução de conflitos. Os programas de certificação dos fornecedores verificam se os fornecedores potenciais têm capacidade de fornecer os serviços e materiais que a empresa compradora requer (MOREIRA, 2009; KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). No caso da distribuidora, essa certificação normalmente é feita através do controle e avaliação dos resultados realizada pelo Diretor de Compras, Gerente de Área, Gerente Comercial e vendedores. Junto com eles no ponto de venda, há um funcionário do fornecedor trabalhando. Assim, esta equipe opina sobre a atuação do fornecedor, informando se ele está dando o suporte aos vendedores e promotores nas vendas e se está cumprindo os acordos da parceria. As avaliações ocorrem por meio de reuniões semanais com as equipes de vendas, em que cada responsável pela sua área dar o parecer sobre como está o comportamento da empresa parceira e os resultados que foram atingidos. Assim, finaliza-se a análise dos dados coletados neste estudo empírico. No próximo capítulo são traçadas algumas considerações. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo geral deste trabalho consistiu em analisar a forma com a qual uma distribuidora de alimentos localizada em Natal-RN seleciona seus fornecedores. Assim, pode-se observar que, de acordo com o que foi exposto anteriormente, a empresa X utiliza a cooperação através de parcerias como a principal forma de selecionar os seus fornecedores. Na análise referente à Gestão da Cadeia de Suprimentos, observou-se que a distribuidora coordena a sua cadeia através de sistemas de gestão integrados com seus fornecedores e clientes, sendo a logística um elemento competitivo da empresa para realização dos seus processos. Percebe-se, então, na empresa em estudo, que há uma integração dos seus agentes da cadeia, havendo trocas de produtos, serviços e informações mais precisas e ágeis, desde a indústria até o usuário final, adicionando, assim, valor para os seus clientes e stakeholders. Um ponto negativo em relação à gestão da cadeia da distribuidora é a não realização do planejamento conjunto entre os seus agentes da cadeia, uma vez que o motivo que leva a cooperação ser um sucesso ou um fracasso é o não comprometimento dos agentes parceiros. Portanto, a eficiência pode ser melhorada através deste planejamento em conjunto, abandonando, assim, o simples relacionamento de compra e venda, e passando a adotar relacionamentos mais estáveis e colaborativos com seus fornecedores e clientes. No que tange à Administração Estratégica, constatou-se que a distribuidora pratica a cooperação estratégica por meio de relacionamento de parcerias com seus agentes da cadeia a fim de realizar eficientemente as suas atividades comercialização e distribuição. Com as parcerias, ocorrem trocas e compartilhamentos de recursos e capacitações em busca de um desenvolvimento conjunto entre os envolvidos, contribuindo para novas vantagens competitivas e atingindo o objetivo de todos, como também objetivos individuais de cada parceiro. Ainda relacionado à Administração Estratégica praticada pela distribuidora, verificou-se que o trabalho em conjunto e o envolvimento entre os parceiros é o diferencial para realizar parcerias duradouras. Isso mesmo pode ser comprovado com a governança das parcerias, na qual tudo é decidido em conjunto e todos possuem o mesmo poder na tomada de decisão. Porém, a ausência desse envolvimento e do trabalho em equipe, pode dificultar as realizações das parcerias. Assim, a realização de parcerias mostra-se relevante para o negócio da distribuidora, pois, atualmente, a empresa não pretende realizar outro tipo de cooperação com seus agentes da cadeia. Em relação ao Marketing, quando tratado como meio de seleção e interação com fornecedores, constatou-se, de acordo com o entrevistado, que o Departamento de Compra é de suma importância para a distribuidora, sendo considerada uma área estratégica da empresa, pois, além de realizar atividades tradicionais de compras, pratica atividades voltadas para a busca de fidelização dos fornecedores e oferece suporte a outras áreas da empresa, como a área comercial, de logística e do financeiro. Constatou-se que o processo de seleção de fornecedores realizado pela empresa em estudo se mostra como uma atividade interessante e inovadora. Devido ao fato da distribuidora estar bem conceituada no mercado em que atua, as indústrias (fornecedores) estão a sua procura para a realização do serviço de distribuição. Assim, a distribuidora analisa cuidadosamente os critérios de seleção antes de realizar qualquer acordo. Desse modo, verificou-se que o principal critério analisado na escolha do novo fornecedor pela distribuidora é a formação de parcerias, nas quais se buscam investimentos no ponto de venda, como, brindes, fardamento do pessoal nos supermercados, promoções, placas, reforma do layout da loja, balcão novo, dentre outros para aumentar a rotatividade do produto. Critérios como: produto que se encaixe no perfil da distribuidora, a confiança, produto e fornecedor que estejam bem posicionados no mercado, também são estudados pela empresa X. Então, percebeu-se que a realização de parcerias como critério de seleção de novos fornecedores torna-se interessante a partir do momento que outros aspectos como a entrega rápida dos produtos, preços competitivos, produtos e serviços com qualidade, compartilhamento de informações e postura ética, são criteriosamente analisados e acordados entre as empresas nas parcerias. Dessa forma, constatou-se que a confiança é um elemento de suma importância nas realizações das parcerias, sendo o diferencial na cooperação, tornando-se também a maior dificuldade no início do relacionamento comprador-fornecedor. Portanto, pode-se concluir que a distribuidora coordena a sua cadeia de suprimentos através de parcerias com seus agentes da cadeia, sendo esta uma maneira de selecionar seus fornecedores, tornando-se eficiente a comercialização e a distribuição dos seus produtos, criando, assim, relacionamentos mais estáveis e cooperativos com seus parceiros. Embora a Gestão da Cadeia de Suprimentos, Administração Estratégica e o Marketing sejam disciplinas intimamente distintas, percebeu-se, neste trabalho, a interação entre elas em relação à seleção de fornecedores. Na realização do trabalho, observou-se que a parceria como critério de seleção de fornecedores não é abordada na literatura utilizada neste trabalho, uma vez que o tema seleção de fornecedores é, ainda, pouco explorado nos referenciais teóricos e trabalhos científicos. Recomendam-se, neste trabalho, estudos comparativos entre os critérios de seleção de outras empresas com a mesma linha de atuação, com o objetivo de explorar similaridade e divergências entre elas e propor modelos de critérios de seleção de fornecedores, considerando diversos aspectos. REFERÊNCIAS ALCÂNTARA, R.L.C. A gestão estratégica dos canais de distribuição. Um exame da evolução do atual estágio do relacionamento entre atacado de entrega e a indústria. Tese do Doutorado, 1996. Fundação Getúlio Vargas. 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