Você já ouviu falar da teoria das janelas quebradas? Esse conceito foi criado pelo cientista político James Q. Wilson e pelo psicólogo criminologista George Kelling, na renomada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 1982, a partir de um experimento que revelou algo muito interessante. Pegaram dois carros idênticos e colocaram um deles em um bairro muito pobre e violento e o outro em uma região mais abastada e com baixo índice de criminalidade. Após uma semana, o carro da região mais pobre, havia sido pichado, quebrado e muitos componentes roubados, mas o da região mais rica, havia ficado intacto. Até aí, hão havia muita novidade. Então James e George, foram até o carro que se encontrava intacto, quebraram uma janela e o mantiveram exatamente onde estava. Foi ali que as coisas se mostraram de uma forma interessante. Pouco a pouco esse carro também passou a ser vandalizado, depredado, assim como ocorreu com o carro da região mais pobre. O experimento mostrou que uma janela quebrada foi capaz de desencadear comportamentos de vandalismos, independente do local ou do nível de pobreza que as pessoas se encontravam. Analisando mais a fundo vemos que uma janela quebrada transmite uma sensação de descuido e despreocupação. Faz com que as pessoas pensem que não existem regras, que ninguém se importa, dando a ideia de um lugar sem lei e assim gerando um ciclo vicioso. Mostrou que pequenos delitos e contravenções podem levar a delitos maiores. Será que é possível ver essa teoria refletindo comportamentos e ambientes no mundo corporativos? Pensando no ambiente das empresas, luzes acessas em lugares vazios, riscos nas paredes, maçanetas quebradas, sujeira no chão e nos equipamentos, lixeiras transbordando, banheiros com papel jogados fora do lixo. Podem parecer sem importância olhando de forma isolada, mas tudo isso existindo ao mesmo tempo, qual imagem é transmitida as pessoas que estão observando isso? A filosofia japonesa do 5S, que defende a prática de cinco sensos – Utilização (Seiri), Disciplina (Shitsuke), Higiene (Seiketsu), Organização (Seiton) e Limpeza (Seiso) – para a construção de um ambiente saudável, que favorece um clima organizacional marcado pela produtividade, competitividade, segurança e motivação, é uma ótima evidência de como a qualidade no ambiente de trabalho influência nos nossos comportamentos e atitudes. Assim, da mesma forma que essa filosofia, se aplicada, pode ser favorável, os problemas mencionados mais acima, por menores que pareçam, também podem trazer prejuízos enormes. Mas e no que se refere ao comportamento? Acredito que tem muitos comportamentos que são verdadeiras 'janelas quebradas'. A mania de dar desculpas, por exemplo. Pode ser conhecida também como locus externo, onde tudo é responsabilidade do meio, dos outros, mas nunca minha mesma. Pensem em como isso ocorre e como é contagioso.E a procrastinação – tendência de deixar para depois, para a última hora, não tendo planejamento e não aproveitando bem as oportunidades? Será que isso ocorre? Tanto é assim, que o brasileiro é até mesmo conhecido por essa característica de deixar tudo para o último momento. E na liderança? Certos comportamentos e atitudes por parte do líder, vão contra o que a empresa espera e espelham nos seus colaboradores exemplos equivocados do que deveriam fazer. Falta de delegação, comunicação inadequada, ausência de feedback, falta de reconhecimento, falar uma coisa e fazer outra, são bons exemplos de comportamentos 'janelas quebradas' dos líderes. O custo disso são colaboradores desmotivados, alto índice de rotatividade, baixa produtividade, falta de engajamento, entre muitos outros que poderíamos citar.Temos que nos questionar sobre nossos comportamentos. Até onde temos responsabilidade naquilo que nos queixamos? Como vimos, questões que parecem pequenas e sem importâncias, podem gerar um grande impacto. Comportamentos que parecem naturais até, podem ter influência negativa no todo. O lado bom disso é que podemos concluir que o mesmo ocorre com o que é positivo. Atitudes, comportamentos e ações que sejam adequadas, por menores que sejam, podem influenciar o grupo e gerar um ambiente mais saudável e de qualidade para todos. Vamos concertar todos as 'janelas quebradas' que se façam necessárias? Pense nisso!