A TERCEIRIZAÇÃO EM VENDAS. O termo outsourcing – que traduzido do inglês significa terceirização – vem sendo muito utilizado pelas organizações no mundo nas mais diversas áreas. Terceirizar significa transferir para outros algumas atividades, visando diminuir custos e aumentar a produtividade. Não há nada errado em contratar uma prestadora de serviço para fazer algo que não seja o seu foco. Observo aqui: “não seja seu foco”. Toda organização comercializa algum (uns) produto (os), seja ela com ou sem fins lucrativos. Sendo assim, acredito que a área de “vendas” então seja a área mais importante de toda organização, pois são as pessoas que levam a marca da organização ao Mercado. Sendo assim, vale a pena terceirizar a equipe de vendas? A resposta que tenho é: depende. Tudo tem haver com a estratégia da organização. Se tudo que ela deseja é reduzir custo fixo no curto prazo, independente da qualidade do serviço que será oferecido, então é uma excelente estratégia. Mas o grande problema vem logo depois. Toda terceirização é remunerada e normalmente na área comercial essa remuneração é variável, sendo um percentual fixo ou escalonado de acordo com a quantidade vendida. Sendo assim, existe um ponto de equilíbrio e o custo fixo que antes era um problema agora torna-se um custo mais elevado. Nesse caso, além da desvantagem do custo, a empresa terá que vender seus produtos mais caro em relação à concorrência. Ou seja, o custo mais barato já ficou mais caro. Outro ponto de desvantagem é em relação à Gestão. Equipe comercial possui metas, que são cobradas de perto quando existe a relação chefia-subordinado. Quando a operação é terceirizada, é praticamente impossível gerenciar as pessoas que fazem parte desta operação e mesmo sabendo que o problema está na(s) pessoa(as) que estão oferecendo os seus produtos, a organização não tem poder nenhum para trocar essa(s) pessoa(s), pois existe um contrato que “trava” qualquer ação. Afinal o fucionário é da empresa que está prestando o serviço e não da organização que esta representa. Chego então à mais um ponto desfavorável, que é a qualidade. Se a organização prioriza seus clientes, a terceirização deixa esse ponto “vulnerável”. O controle está nas mãos de terceiros e a única coisa que chega aos gestores são os “números”. A empresa tem que optar entre a redução de custos com a folha de pagamento ou a satisfação do cliente. Acerta quem ficar com o cliente. Resumindo, toda organização necessita detectar se o grau de comprometimento na terceirização será tão grande quando o de uma equipe própria. Determinar o poder de cobrança que você terá sobre a equipe terceirizada, a capacidade e responsabilidade de treinar e desenvolver deve estar bem definida e o principal: não caia na ilusão de que qualquer um pode vender o seu produto tão bem quanto você. Terceirizar o processo de vendas pode ser um tiro no próprio pé e o atendimento não ser dos melhores. Reconquistar o cliente e pedir uma segunda chance ao mercado é sempre mais caro e também um dilema que sua empresa não precisa em tempos turbulentos. Bons negócios! Ricardo BacinelliAdministrador de Empresas com Ênfase em Gestão Emprearial e Mestre em Administração de Negócios.