Indicação, um comportamento incrustado nos processos de recrutamento e seleção da construção civil, que destrói a satisfação e aumenta o boicote a empresa. Os processos de recrutamento e seleção, contam com regras técnicas estudadas que se aliadas à experiência do profissional e bem utilizadas, podem trazer um grau de satisfação da corporação acima de índices esperados, mas não é assim que acontece. É sabido que a indicação é uma forma de recrutamento e pode ser uma grande aliada se devidamente analisada e dentro dos procedimentos de seleção da empresa. O uso indevido dessa ferramenta de contratação é um dos principais fatores de insatisfação e turn over, o que traz consigo outras consequências como absenteísmo e o boicote do profissional a empresa, influenciando diretamente no clima organizacional. Isso acontece em qualquer ramo de atividade, mas principalmente na construção civil. Na maioria das obras de construção civil no Brasil a indicação é o principal processo de recrutamento e seleção utilizado, várias pessoas fazem disso uma segunda atividade laboral, ganhando muito dinheiro. Usada em proporções enormes nas contratações dos setores produtivos, ou seja, na mão de obra direta. Nos setores administrativos também é fortemente usada para indicação de profissionais para diversos setores. Os clientes das construtoras, principalmente as empresas públicas, chegam a forçar contratações de seus 'peixes' fazendo disso uma prática normal e atuando também diretamente nas demissões e isso é muito mais comum do que imagina quem está lendo esse artigo. Parentes, amigos, amigos de amigos, filho de colegas, pessoas de alguma forma ligadas a alguém que já está trabalhando na empresa e a força da indicação parte de baixo para cima ou o inverso. Já vi casos em que se demitiu uma pessoa sem justo motivo para contratação de um 'peixe' para a vaga. A palavra 'peixe' é utilizada para fazer menção aos funcionários que são indicados para admissão na empresa ou são protegidos com uma 'estabilidade holográfica'. A expressão foi criada baseada em costumes mostrados principalmente em filmes americanos onde os empresários e grandes chefões, tem em sua mesa um peixinho de aquário, geralmente de forma redonda, que é tratado com extremo cuidado por ele e pelos subordinados. As contratações de indicados causam um efeito de insatisfação enorme nos funcionários, desvalorizam os processos seletivos e desorganizam a estrutura hierárquica sem falar da meritocracia que não existe. A lei de oportunidades iguais de emprego não é respeitada e com isso a empresa perde em qualidade de sua mão de obra, o custo com absenteísmo e turn over é elevado e raramente se consegue a reversão desse quadro, pois é necessária uma mudança radical da estratégia empresarial no tocante a gestão de recursos humanos e de pessoas o que raramente acontece. Para se evitar as falsificações de contratos de trabalho (CTPS esquentadas), falsificação de documentos, de rescisões, de certificados escolares, cursos, o comercio de vagas de empregos, índices altíssimos de passivo trabalhista, etc. é necessário uma mudança de paradigma e isso requer um esforço por parte da administração geral e de recursos humanos na gestão de pessoas, é preciso valorizar e priorizar as pessoas experientes em recrutamento e seleção na construção civil e não somente o setor recolher documentos e cópias para processos de contratações. A forma de recrutar e selecionar deve ser unificada com a técnica e com a experiência e junto com o gestor de pessoas proporcionarem um processo justo com oportunidades iguais de emprego partindo para uma gestão de carreiras em prática e favorecendo um clima organizacional de excelência que mesmo nos dias atuais não é impossível de se manter.