'Os novos heróis da Marvel foram um sopro de novidade no mercado. Eles eram imperfeitos, brigavam e estavam em uma realidade mais próxima dos leitores. A diferença estava até no visual: para cada uniforme impecável da DC, havia alguém como o Coisa, um grandalhão formado por pedras.' Fazendo uma analogia do artigo 'Marvel X DC: a luta que gerou uma nova mitologia' (https://super.abril.com.br/cultura/marvel-x-dc-a-luta-que-gerou-uma-nova-mitologia/), de onde retirei o trecho acima, tracei um perfil do que chamo de líder DC e do líder Marvel. Os heróis da DC sempre seguiram uma linha mais conservadora, pouco humanizada, com uma divisão muito simples dos conceitos de 'bem' e 'mal', 'herói' e 'vilão'. Talvez, os heróis da DC mais representativos deste estilo são, sem dúvidas, o Superman e a Mulher Maravilha. Do outro lado a Marvel trouxe uma nova proposta de heróis que começou com o Quarteto Fantástico, 'uma família de super-heróis cheia de conflitos internos'. Homem-Aranha, X-Men, Os Vingadores… Um herói como Wolverine que bebe, fuma charutos e tem uma natureza violenta não é bem o modelo de herói que as pessoas estavam acostumadas. Lógico que fui muito simplista neste complexo mundo das histórias em quadrinhos e do universo Marvel e DC. Os fãs destas editoras devem estar neste momento injuriados com o que escrevi, mas precisava fazer um recorte neste universo para trazer à tona o título do artigo. Afinal você é um líder Marvel ou DC? Ao longo dos meus 25 anos de experiência no mundo corporativo, acompanhei a evolução das corporações e dos estilos de gestão. Os primeiros gestores, ainda conhecidos como chefes, muito se assemelhavam ao modelo de herói da DC. Em seus uniformes impecáveis, cabelos bem penteados a la Superman, esses chefes estavam acima do bem e do mal. Tinham 'todas as respostas certas', não esboçavam emoções (chorar nem pensar!) e na sua perfeição não podiam jamais se colocar no lugar do outro (bonita palavra 'empatia'). Esses heróis, digo chefes, criavam a sua Liga da Justiça onde só os iguais podiam frequentar: almoçavam apenas entre si, não podiam ser vistos com seus subordinados em momentos de descontração e nunca, nunca mesmo, podiam esboçar qualquer tipo de fraqueza. Eles, em muitos casos, tinham seus próprios banheiros, talvez acreditando que até sua produção de origem fisiológica era superior. Esse comportamento foi criando um distanciamento entre gestão e equipe, assim como dos quadrinhos da DC e seus leitores. Esse duelo de estilos entre a DC e Marvel começou nas décadas de 60/70 e neste mesmo período um movimento de contracultura também acontecia no mundo empresarial. Tradicionais empresas de tecnologia como a IBM e Xerox (nossos heróis DC), começavam a ser ameaçadas pelas novas Microsoft e Apple (nossos heróis Marvel). Recomendo aos leitores assistirem ao filme 'Piratas do Vale do Silício', de 1999, que conta este duelo épico. Surgiam os Líderes Marvel, com seus conflitos internos, emoções e 'uniformes' nada tradicionais. Jovens 'mutantes' que ficavam escondidos em garagens com seus superpoderes e eram percebidos com desconfianças pela sociedade. Ao longo dos anos houve uma simbiose destes estilos, fugindo um pouco dos extremos, mas continuamos a ter o que chamo de lideres 'DC' e líderes 'Marvel'. Alguns gestores nos dias atuais ainda mantêm um distanciamento de suas equipes, não admitem suas falhas e fraquezas, não se permitem interagir socialmente com suas equipes e demonstrar emoções. Sempre certos, sempre perfeitos em tudo que dizem e que fazem. Todavia, surge uma nova linha de gestores mais humanizados que crescem ao lado de suas equipes, criam pontes emocionais que permitem uma conexão mais forte e verdadeira e trazem respeito e admiração ao invés de medo e até repudia. Gestores que compartilham do dia a dia dos times que fazem parte, que conseguem se compadecer com o próximo, com suas histórias de vida e não por isso deixam de ser mais competentes ou eficientes em suas atribuições. Qual tipo de liderança você exerce? Eu sempre fui fã da Marvel.