A ZMET é uma ferramenta de pesquisa multidisciplinar patenteada, tendo como principal objetivo a evocação das metáforas dos consumidores. Para trazer à tona essas metáforas, a arquitetura metodológica da ZMET segue um processo singular, tanto na sua entrevista quanto na sua análise. A entrevista é estruturada a partir das seguintes etapas: relato de histórias, outras imagens, tríades, photo probe, imagens sensoriais, vinheta e imagem digital. A etapa da análise engloba as metáforas em suas várias dimensões: construtos, imagens sensoriais, persona e as metáforas (superficiais, temáticas e profundas), a técnica é utilizada pelo marketing para investigar os modelos mentais que conduzem o pensamento e o comportamento do consumidor e caracteriza estes modelos afim de acessar aos consumidores por meio de metáforas. ZMET tem como objetivo ir além de 'ouvir' a voz do consumidor, mas 'ver' através de imagens sensórias de indivíduos. A técnica de Zaltman Metaphor Elicitation Technique foi desenvolvida para compreender as ligações mentais, entre pensamentos e sentimentos dos consumidores, usando metáfora como ferramenta de pesquisa. Os gestores e anunciantes tinham dificuldade de compreender os consumidores e a técnica foi feita para suprir esses problemas para que os mesmos conseguissem elaboras estratégias criativas de comunicações. (Zaltman,Coulter 1995 apud Clementi,Dandoline,Souza 2012). A técnica surgiu quando Zaltman viajou para Nepal a trabalho e ao invés de ele tirar suas próprias fotos das pessoas, ele pediu para que as pessoas a tirassem e em seguida pedia para que elas falassem o significado pessoal das fotos e as mesmas começavam contar histórias, e nessas narrativas ele descobriu o porquê de as pessoas cortarem o pé nas fotografias, pois naquele local está descalço era sinal de pobreza e eles queria esconder seus pés descalços. Diante disso o professor criou um método de pesquisa na qual permite os indivíduos selecionar as imagens de revistas e jornais ou suas próprias fotos para se expressar com o objetivo de aprofundar sobre um tema, produto ou marca. Zaltman partiu de 7 premissas: 1ªpremissa: A maior parte da comunicação é não verbal. 2ª premissa: Pensamentos ocorrem como imagens. 3ª premissa: As metáforas são unidades essenciais do pensamento. 4ª premissa: Imagens sensoriais são como metáforas. 5ª premissa: Histórias são representações de modelos mentais. 6ª premissa: Estruturas profundas do pensamento pode ser acessada. 7ª premissa: A razão e a emoção são misturadas. Um dos principais objetivos da aplicação da ZMET é criar e aprimorar produtos e serviços para que satisfaça a necessidade dos consumidores, e elaborar mensagens estimulantes para que comprem. Várias empresas utilizam o método como a Coca-Cola, General Motors Corp, Ambev, Nestle, Itaú e outras. A metodologia assimila metáforas que são comparações intrínsecas, símbolos e outras comunicações não verbais involuntárias para entender melhor os desejos das pessoas. O método se fundamenta do processo conhecido como bottom-up: quando os fluxos de informações percorrer de pequenas para grandes percepções e topdown: quando os conceitos e pensamentos abstratos armazenados na memória influência as imagens e metáforas que influenciam estímulos sensoriais do que se percebe, as percepções sensoriais são transformadas em imagens onde são traduzidas em metáforas que descrevem essas imagens e essas metáforas são mapeadas em pensamentos abstratos e/ou conceitos específicos. Na primeira fase é apresentado a pesquisa ao participante, na qual recebe um conjunto de instruções e orientações sobre o tópico da pesquisa e em seguida é estruída tirar fotografias ou recolher imagens de revista, jornais ou outras fontes que indiquem que o tema represente para eles. Durante esta etapa é marcado uma entrevista pessoal com após 7 ou 10 dias, com uma duração média de 2horas que é gravada via áudio. Essa conversa guiada compreende um conjunto de etapas que deve ser utilizada. Segundo os próprios criadores (Zaltamn, colter 1995) é uma ferramenta revolucionária da pesquisa que tem milhares de possibilidades, mas há muito espaço para melhoria por isso eles apontam algumas limitações por exemplo os entrevistadores tem que se aprofundar em umas das técnicas que é o alicerce da metodologia Kelly Grid Repertory entre outras coisas Exemplo de aplicação prática O artigo de kraft e Nique traz um exemplo prático da técnica de ZMET sobre a experiência do uso do celular. foram escolhidos 12 usuários de telefone celular, os quais receberam uma carta de instruções. Nesta carta foi solicitado que cada participante coletasse no mínimo 8 figuras que refletissem 'os pensamentos e sentimentos sobre a experiência de uso do celular'. Logo depois foi chamado os participantes para uma entrevista de aproximadamente 2horas, em uma entrevista semi-estruturada seguindo as seguintes etapas: (1) relato de histórias, (2) outras imagens, (3) tríades, (4) photo probe, (5) imagens sensoriais, (6) vinheta e (7) imagem digital. Os resultados gerados a partir da análise das entrevistas incluem: os construtos, as imagens sensoriais, a persona e as metáforas (superficiais, temáticas e profundas). Construtos: No caso do celular, foram encontrados 18 construtos: onipresença, liberdade, controle, invasão da privacidade, tranquilidade, conforto, praticidade, tecnologia, multifuncionalidade, ferramenta de trabalho, acessório, estética, diferenciação, tempo, abrangência, relações pessoais, segurança/proteção, custo. Imagens sensoriais: A análise das imagens sensoriais leva em conta os cinco sentidos humanos: som, toque, cheiro, cor, sabor. Metáforas: Dentro do processo de análise, as metáforas são divididas em três níveis: superficiais que estão relacionadas mais ao dia a dia como por exemplo 'tempo é dinheiro', temáticas são perspectivas gerais ou estrutura de referência e profundas é onde são organizados os processos de percepções e os pensamentos. Concluiu-se no artigo de que os esforços das empresas de telefonia celular sejam guiados pelos construtos e pelas metáforas. No que se refere aos construtos, priorizar principalmente os construtos como liberdade, tranquilidade, relações pessoais, tempo, onipresença e segurança, que são os construtos centrais e que remetem às metáforas profundas. Especial atenção também deve ser dada aos construtos que relataram o dark side do celular: controle, invasão da privacidade, custo. E reclamações gerais sobre áreas não cobertas, problemas de sinal, baterias que tem que ser recarregadas em pouco tempo. As metáforas profundas são relevantes para a estratégia de comunicação e posicionamento da empresa, uma campanha de comunicação que faça uso criativo dessas ideias irá ao encontro do que os consumidores estão propensos a pensar, naturalmente e inconscientemente, pois as metáforas profundas advêm do inconsciente. No caso do celular remete a ideia de um container de recursos conectando pessoas e transformando suas vidas.