Qualidade e o custo da não qualidade
ILANE MARIA CAVALCANTI VIANA
artigo de
05/02/2013 6 min leituraResumo
- Custo da Qualidade
A Qualidade é
utilizada cada vez mais nas empresas. Podemos definir qualidade como a
capacidade para atingir os objetivos operacionais visados.
Produzir com qualidade implica
dizer que teremos que investir, ou seja, ter custos para inspeção e prevenção
para que se produza bem e haja satisfação do cliente ao produto/serviço final.
Na avaliação, temos: a verificação de
registros, fiscalização, inspeção de chegada, verificação de faturamentos,
revisão de projetos, entrevistas de demissões, auditoria dos estoques.
Na prevenção temos: procedimentos para
treinamentos, planejamento em longo prazo, avaliação de fornecedores,
planejamento de visitas, pesquisa de mercado, definição de clientes, programa
de integração, descrição de funções, manutenção preventiva e treinamentos. São
esses os custos cruciais que qualquer empresa obrigatoriamente terá de ser
devidamente qualificados. Porém algumas falhas podem ocorrer na implantação do
custo da qualidade, como:
•
Custos da qualidade não incorporados ao sistema
de custo da empresa;
•
Coleta de dados e informações inadequadas e sem
tratamento contábil;
•
Sistemas de custos sem contas específicas para
os vários custos da qualidade;
•
Apropriação dos custos da qualidade feita
através de “ilhas” e não pela empresa toda.
Inúmeras são as formas de se apresentarem os custos
da qualidade. Seus diversos componentes aparecem nos
relatórios onde são expressos monetariamente ou através da relação percentual
dos custos da qualidade com outros indicadores de desempenho da empresa.
Podem ser utilizadas várias bases para a
quantificação percentual dos custos da qualidade, entre elas encontram-se:
– Custo da mão de obra direta: indicada para indústrias
não muito mecanizadas e com baixo índice de automação;
– Custo da mão de obra padrão: fornece a medida do
desempenho em relação ao planejado, não sofrendo influência das variações
reais;
– Custo direto de produção: possibilidade de utilização
por empresas cujos custos indiretos não sejam de grande monta;
– Custo total de produção: recomendável para produção com
alta tecnologia, em que os custos indiretos representam parcela importante dos
custos de produção;
– Custos de fabricação: calcula-se exclusive dos custos da
engenharia de projeto dos custos totais de produção;
– Volume de produção: mede o comportamento dos custos da
qualidade em relação à
Produtividade;
– Volume agregado: recomendável quando os custos da
matéria prima sofrem variações, sendo que o custo agregado é calculado excluindo-se
dos custos totais o custo da matéria prima;
– Valor das vendas: é a base que mais chama a atenção dos
administradores, mas tem o
inconveniente de ser afetadas pelas mudanças de preços,
políticas de marketing e alterações na demanda;
– Percentual do custo da qualidade em relação ao custo da
unidade fabricada;
– Percentual da quantidade de produtos refugados em
relação ao total das unidades boas
Produzidas;
– Percentual do custo da qualidade em relação ao
faturamento total.
Além disso, os relatórios de custos da qualidade
podem apresentar a margem de contribuição que se perde nas vendas não
efetivadas e que foram ocasionadas pela deficiência da qualidade do produto,
especificando-as quanto a produtos refugados, ou ainda por produtos vendidos
por preço inferior ao que seria cobrado se não tivessem problemas de qualidade.
Algumas das vantagens e desvantagens da implantação
do custeio da qualidade:
– Conhecer a natureza e o porte dos custos da qualidade,
tornando os administradores conscientes dos problemas e dando-lhes razões para
se interessarem no aperfeiçoamento contínuo.
– Relatórios da qualidade combinados com as avaliações do
desempenho departamental e da empresa em geral fornecem ao gestor oportunidades
para programar ações corretivas no sentido de melhorar o desempenho.
– O custeio da qualidade pode melhorar lucratividade da
empresa mediante um controle mais efetivo.
– Deve-se evitar que o funcionário seja induzido a reduzir
custos eliminando atividades de prevenção, que no futuro se revertem em custo
de não-qualidade.
Outro ponto merecedor de destaque é que o gerenciamento
dos custos da qualidade não requer investimentos relevantes para sua
concretização, bastando aproveitar os dados internos já existentes.
A qualidade divide-se
em dois grandes grupos:
– Custo de
controle;
-Custo de falhas
no controle;
E que as empresas devem medir o impacto da “Qualidade” através dos
sistemas de custos.
Vimos que, nos
custos relacionados à qualidade, há também o custo da não-qualidade, pelos
gastos desses problemas, que são identificados pelas falhas internas que são os custos que a empresa paga pela má
qualidade observada antes que o cliente se dê conta, como no caso de refugos e
reprocessamento, também o Retrabalho, a Análise e execução de ações corretivas
para soluções de problemas devidos a erros/falhas de projeto, correção de
falhas de materiais e produtos rejeitados supridos por fornecedores, Eliminação
das causas de não-conformidades detectadas na linha de produção; Análise e
dispensa de itens não conformes. E as falhas
externas que são os custos que a empresa paga pela má qualidade que chega
até o cliente, acarretando substituição de produtos, serviços ou informações e
compensações por perdas sofridas pelo usuário, ou seja, o Recall*,Reposição de produtos devolvidos
por clientes, Atendimento a reclamações de clientes, Cumprimento de condições
de garantia, Retrabalho originado por reclamações de clientes, Responsabilidade
civil pelo fato do produto, Multas e penalidades exigidas contratualmente,
entre outros.
Essas falhas
ocasionam grandes perdas em custos intangíveis, como destruição da imagem e
credibilidade da empresa. Quanto mais tarde erros forem detectados, maiores
serão os custos envolvidos para corrigi-los, além de ocasionar perdas que
muitas vezes são irreversíveis.
* Recall
é um chamamento feito pelo fabricante aos consumidores que adquiriram
determinado produto ou serviço que coloca em risco a segurança ou apresente
algum defeito constante, necessitando de reparo ou substituição.
A
classificação dos Custos da Qualidade nas quatro categorias apresentadas
permite fazer um estudo das relações entre as mesmas, na procura do ponto ótimo
de investimento em
Qualidade. O outro propósito seria aumentando-se os gastos de
prevenção qual seria a economia de custos obtida pela diminuição das falhas. Empiricamente
também se comprova que gastos iniciais em Prevenção podem significar diminuição
no Custo Total da Qualidade.
Certificado ISO 9001
É importante
salientar que, atualmente a forma de reconhecimento mais utilizada pelas
empresas para demonstrar a capacidade de fornecer produtos e serviço com
qualidade é a certificação de sistemas de gestão da qualidade, baseada nas
normas NBR ISSO 9001.
Para fins de
certificação do Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), a única norma aplicável é
a NBR ISO 9001:2000.
Uma vez obtida
a certificação, a empresa se compromete com sua manutenção, e periodicamente a
certificadora realiza uma auditoria para verificar se o SGQ está funcionando
com eficiência. Com o certificado a empresa demonstra que tem condições de
fornecer produtos e serviços com qualidade e que atendem aos requisitos do
cliente.
Embora haja
uma concentração maior na apuração de falhas, existe uma tendência nas empresas
em estender o sistema para as categorias de avaliação e prevenção. Esta
concentração é função do cenário atual que dá ênfase à diminuição dos
desperdícios e de ineficiência.
Quando uma
empresa programa um Sistema de Qualidade, os custos de implementação podem parecer
muito elevados para a mesma. No entanto, ve


