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A IA não decide. Não assume riscos. Não substitui quem tem coragem

Bruno Perin
Bruno Perin
10 set 2026 às 15:29
Última atualização: 10 set 2026
8 min leitura
10 set 2026 às 15:29
8 min leitura
Última atualização: 10 set 2026
A IA não decide. Não assume riscos. Não substitui quem tem coragem

Foto: Divulgação/Henrique Aren Troitinho

Henrique Aren Troitinho, fundador da TOCA, revela por que o futuro dos negócios pertence a quem vende trabalho — não ferramentas

Henrique Aren Troitinho é fundador da TOCA (toca.com.vc), negócio onde atua de forma mais ativa com funcionários de IA para e-commerce, marketplace e ads. Há 14 anos, também comanda a Score Media, agência de performance que construiu de zero e mantém até hoje. Sua operação vive o dilema prático que define 2026: como entregar resultado imediato em mídia performance enquanto constrói uma nova camada de serviços com IA nativa. Para C-Levels que precisam decidir hoje onde a IA entra e onde o humano permanece indispensável, sua perspectiva é o mapa de navegação de quem está fazendo — não teorizando.

1. O Parâmetro do Futuro: Por Que o CEO Deve Olhar Para Onde o COO e o CFO Não Olham

Pergunta: Quando você senta para tomar uma decisão de grande impacto no negócio, o que guia o seu critério? É o problema na sua frente ou o movimento que vem depois dele?

Insight de Henrique Aren Troitinho: “Olhar para o futuro, entender para onde devemos ir. O COO tem que olhar para o hoje, o CFO precisa manter o negócio hoje, mas o CEO precisa olhar para o próximo passo e ajustar isso para onde deve caminhar. No nosso mercado, o artigo da Sequoia é claro: agora vamos conversar, mas toda a tecnologia vai entregar. Service as a Software é o futuro. Todo mundo vai perder um grande cliente para a IA.”

A divisão de papéis que Henrique descreve é mais do que governança — é uma arquitetura de sobrevivência. A Sequoia Capital, em seu ensaio “Services: The New Software” publicado em março de 2026, afirma que “a próxima empresa de um trilhão de dólares será uma empresa de software disfarçada de firma de serviços”. A tese é direta: para cada dólar gasto em software, seis são gastos em serviços. Quem vende a ferramenta corre contra o modelo de IA. Quem vende o trabalho vê cada melhoria da IA tornar seu serviço mais rápido, mais barato e mais difícil de competir. Para o C-Level, isso significa uma redefinição do portfólio de receita: o CEO que não está mapeando quais serviços sua empresa pode entregar com IA nativa está posicionando o negócio para perder espaço — e clientes — para quem já fez essa virada.

2. O Mito da Substituição Total: O Custo Real de Acreditar Que IA Substitui Quem Decide

Pergunta: Onde você vê os C-Levels cometendo os erros mais caros hoje em dia? É na pressa de cortar gente ou na lentidão em investir no futuro?

Insight de Henrique Aren Troitinho: “De uma forma mais geral, é acreditar que a IA vai fazer o trabalho total e completo de um humano. Assumir risco é uma qualidade humana, a IA não é boa nisso. Você vê que muita gente está tendo muito gasto em ideias de diminuir pessoas e a conta está grande. Venderam errado essa ideia. No meu mundo das agências, é onde investir o caixa futuro. O dinheiro do futuro muitas vezes nem é investido, não é pensado em novos serviços, novas receitas, novas demandas. Ainda é muito as comissões de ads. Ainda é muita revenda de mídia. Muita gente distribui como lucro, e existe pouco investimento no futuro nesse mundo das agências.”

A Sequoia faz uma distinção que valida exatamente o ponto de Henrique: existem dois tipos de trabalho — inteligência e julgamento. Escrever código é inteligência. Saber o que construir a seguir é julgamento. A IA cruzou o limiar onde consegue executar a maior parte do trabalho de inteligência de forma autônoma, mas o julgamento permanece humano. É exatamente o que Henrique chama de “assumir risco”: a capacidade de olhar dados, contexto e intuição e tomar uma decisão que pode estar errada — mas que nenhum modelo consegue tomar por você. O erro mais caro não é investir em IA. É investir em IA achando que ela substitui julgamento. O resultado são projetos de automação que prometem corte de headcount e entregam custo alto com ROI incerto. Enquanto isso, o dinheiro que deveria estar criando novas linhas de receita é distribuído como lucro de curto prazo ou mantido em comissionamento de mídia — um modelo que sobrevive hoje, mas não amanhã.

3. O Diferencial Que a IA Não Replica: Por Que Carisma É Moeda Forte Em Um Mercado de Dados

Pergunta: Com a IA dominando análise de dados e execução, que soft skill você considera essencial hoje que antes era dado como garantido?

Insight de Henrique Aren Troitinho: “Carisma é essencial. Porque uma coisa é nós dois conversarmos sobre seus filhos, por exemplo, e eu perguntar detalhes da sua vida e da vida dele para termos empatia um com o outro. Outra coisa é a IA perguntar: soa mais frio, com um teor de invasão de privacidade. Então com tanta IA, ter carisma, ser empático permite gerar a conexão, é caminho para a profundidade com o cliente, parceiros, colaboradores.”

Em um mercado onde a IA consegue personalizar comunicação em escala, o paradoxo é que a personalização automatizada gera repulsa quando ultrapassa a fronteira da intimidade. O exemplo de Henrique captura uma tensão real: quando uma IA sabe demais sobre você sem que haja uma relação humana que justifique esse conhecimento, o efeito não é encantamento — é quebra de confiança. O carisma que Henrique coloca como essencial não é ornamentação; é a camada que transforma dados em relacionamento. Empresas que cortam headcount acreditando que IA substitui conexão humana estão eliminando exatamente o que cria diferenciação em um mercado commoditizado pela tecnologia. O humano que pergunta sobre sua família demonstra cuidado. A IA que faz a mesma pergunta demonstra vigilância. Essa diferença não é nuance — é a linha entre fidelizar e afastar.

A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo

Há uma diferença fundamental entre quem usa IA e quem é IA. A Gartner projetou que até 2028, 30% das empresas Fortune 500 poderão usar canais de atendimento exclusivamente com IA. A Sequoia chama isso de “Revolução Cognitiva” — a transformação de um mercado de serviços global de 10 trilhões de dólares.

Microsoft não vende mais apenas software — vende trabalho. O Copilot é um serviço que escreve por você. A Salesforce migrou de CRM para agentes autônomos com o Agentforce. A Adobe passou de ferramentas criativas para geração criativa como serviço. Todas executam a tese da Sequoia: vender o trabalho, não a ferramenta.

Mas Henrique aponta dois alertas que a maioria ignora. O primeiro é estratégico. “Todo empresário tem que abraçar o risco e ser persistente”, diz. “Eu tenho uma mentalidade de lança. Eu tenho visão linear para o que quero. Para quais oportunidades você está pronto agora?” A mentalidade de lança que Henrique descreve é dupla. Por um lado, é foco total: existem milhares de oportunidades no mundo de IA, mas o critério de decisão não é o tamanho do mercado, é identificar o que você ama ou é muito bom em fazer e investir toda a energia nesse único eixo. Por outro, é disciplina de movimento: saber quando avançar e quando recuar. Sem essa linearidade, o C-Level reage a tudo e foca em nada. Com ela, cada oportunidade é filtrada por uma pergunta simples: isso é o que eu faço melhor?

O segundo é estrutural. “A segurança da informação”, alerta Henrique. “Está muito fácil de roubar dados, as pessoas estão usando ferramentas aleatórias e fica muito vulnerável. Esse assunto deveria ter muito mais cuidado agora.” O que ele descreve não é um problema de TI — é governança de C-Level. Quando equipes adotam ferramentas de IA sem política de dados, a empresa expõe seu ativo mais valioso: o conhecimento proprietário que diferencia seu serviço do concorrente.

O padrão é claro: quem trata IA como ferramenta de corte de custo está apostando contra o tempo. Quem trata IA como infraestrutura para vender trabalho — mantendo humanos no centro das decisões de risco, protegendo dados como ativo estratégico e preservando a empatia como diferencial — está construindo a próxima década.

A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono

Você está investindo o caixa do futuro ou apenas cortando o custo do presente?

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    Bruno Perin

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    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

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