INTRODUÇÃO A estrutura organizacional do sistema social brasileiro vem sendo profundamente redesenhada, diversas áreas da política social — educação fundamental, assistência social, saúde, saneamento e habitação popular — vêm sendo transferidos, para outros setores da economia e, neste processo surgem novas questões relativas à população que carece de assistência do setor público. Diversos estudos abordam e apresentam discussões sobre a crescente participação do setor privado em atividades consideradas estatais, esta mercantilização dos serviços sociais vêm de encontro aos conceitos de Estado, Privado e Social. Portanto, neste estudo busca-se abordar os conceitos de público, privado, e as ações de gestão das questões sociais, visto que têm-se por base que as ações e escolhas da administração pública são fundamentadas na autoridade soberana e legítima do poder público e que esse sobrepuja o interesse particular. 1. O PÚBLICO E O PRIVADO As categorias de público e privado, segundo Habermas, têm origem grega e foram transmitidas ao Ocidente em sua versão romana. Na cidade-grega desenvolvida, a esfera da polis, comum aos cidadãos livres, era rigorosamente separada da esfera do oikos, particular a cada indivíduo. Esse modelo ideológico de esfera pública manteve-se contínuo e na Idade Média foi difundido tranformando-se na pedra fundamental do Direito Romano, que é, por sua vez, a pedra fundamental de todo o Direito da civilização ocidental. Porém, a conceituação do que seja público remonta à civilização grega. Na pólis grega o espaço público é a esfera de ação do cidadão, é o espaço onde se compete por reconhecimento, precedência e aclamação de idéias. É nesse ambiente, com condições de homogeneidade moral e política e de ausência de anonimato, que existe a perseguição da excelência entre os iguais. Por oposição, o espaço privado é onde se dão as relações entre os que não são cidadãos, os comerciantes, as mulheres, os escravos. Pode-se perceber que na sua origem o termo público remete à esfera da coletividade e ao exercício do poder, à sociedade dos iguais. Em contrapartida, o privado se relaciona com as esferas particulares, à sociedade dos desiguais. Com o surgimento do Estado Moderno, há a nítida separação da esfera pública burguesa da privada. E a medida em que a esfera pública se amplia, adquirindo aparentemente cada vez mais importância, sua função passa a ser cada vez menor. Concorrentemente à consolidação do Estado, ocorre o surgimento do Mercado. Se o que regula as relações entre o Estado e a sociedade são as leis, o que regula as relações entre os participantes do mercado é o contrato. Nesse sentido, a esfera onde se dão as relações entre iguais, pois um contrato só existe com a anuência de todos os participantes, é agora a sociedade dos iguais, a sociedade de mercado, em última instância, a esfera Privada. Nesse contexto é que se inicia a associação entre o Estado e o conceito de público, pois o espaço público agora passa a ser pensado como o espaço de representação política, onde se dá a interação entre o governante e a sociedade. Surge, também, nesse momento, a dicotomia entre bens públicos e bens privados, sendo estes bens rivais com alocação ótima no mercado e os primeiros bens não rivais que visam suprir as falhas do mercado e que são fruto da escolha pública. Para Habermas (1984), as mudanças nos conceitos e nas funções do público e do privado na era Moderna estão investidos de valores da própria mentalidade da época. Se nas origens, o conceito de privatizar embutia a idéia de privação; entendida como privar o indivíduo de alguma coisa, inclusive de sua capacidade humana; na Modernidade, a partir da intensa valorização do individualismo, há o enriquecimento dessa esfera, que passa a se opor não mais ao conceito de público, mas ao de social (Habermas, 1984; 15). Portanto, a passagem da economia doméstica à esfera pública – quando o trabalho deixa de ser executado no âmbito restrito da casa e passa a ocupar lugar próprio –, que se consolida na época moderna, evidencia, na prática, que este lugar público nada mais era do que um lugar social. Apesar de estar no cerne da modernidade a mudança do próprio lugar e conceito de esfera pública e privada faz-se de maneira lenta. Durante longo período a esfera pública se confundia, na prática, com a privada, isto é, quando o domínio ainda estava nas mãos dos senhores feudais, embora existisse uma representação pública, havia nitidamente uma contradição entre o que seria público e o que poderia ser classificado como privado. Essa contradição, típica dos estágios iniciais da época moderna, foi um fenômeno temporário e trouxe a completa extinção da diferença entre as esferas pública e privada e a submersão de ambas ao social. Além dessas mudanças econômicas, sociais e políticas, a modificação do espaço ocupado por essas duas esferas se dá também a nível da própria mentalidade. Porém, o atual estado das coisas nos permite perceber uma série de questões não resolvidas, sejam elas pertinentes à esfera econômica ou à esfera social. Como estão postas atualmente, as grandes dicotomias Estado e sociedade, governo e sociedade de mercado, lei e contrato, justiça comunitativa (a do mercado) e justiça distributiva (a ligada ao Estado) e, em resumo, público e privado, não atendem mais às demandas de uma sociedade complexa como a nossa. Faz-se necessário, portanto, que sejam propostas novas formas de interação entre esses diversos níveis de atuação da sociedade, de forma que sejam atendidas as demandas e respondidas as grandes questões sociais, políticas e econômicas deste final de século. 2. POLÍTICAS SOCIAIS NO CAPITALISMO A questão social tem sido vista, dentro da perspectiva sociológica, como sendo uma ameaça ou disfunção à ordem e coesão social, isto se dá em grande parte, devido ao fato de que o Estado; até então responsável pela prática das políticas sociais; produz uma assistência minimalista e falha. De acordo com Montaño (ANO), existe uma contradição entre Estado e Capitalismo, visto que a lógica do Estado não é a mesma do capitalismo. O Estado busca uma ampliação da cidadania e da democracia enquanto que o capitalismo busca a maximização do capital. Neste contexto, o capital assume a responsabilidade estatal e as questões sociais passam a ser canalizadas para as organizações privadas, as quais partilham com o Estado a implementação de programas focalizados e descentralizados no combate às diferenças sociais. No início das lutas de classe, a questão social era considerada uma ameaça, entretanto passou a ser tratada sob o ângulo do poder desde Marx, ao elaborar as teorias sobre a sociedade capitalista. Deste então, os conceitos foram evoluindo e foi desenvolvido um processo de relações sociais que são ao mesmo tempo contraditórias, pois, se desenvolve dentro do processo de produção capitalista. De acordo com Iamamoto (2001), pensar na questão social na atual sociedade supõe-se dar conta de sua historicidade, pois, nessa sociedade a mercadoria é caráter predominante e determinante dos produtos e a mais valia é a finalidade direta e determinante da produção. Na sociedades capitalista, a questão social expressa-se sob o fato de que, ao mesmo tempo em que o capital necessita de uma maior produção cresce a população trabalhadora e juntamente as necessidades básicas de sobrevivência, senão passa-se a uma miséria que afetará a produção do capital. Assim, para Iamamoto (2001, p. 16), a pobreza não é apenas compreendida como resultado da distribuição de renda, mas referida à própria produção. Neste contexto, as questões sociais são oriundas da sociedade capitalista, necessitando do Estado como regulador das diferenças oriundas de disparidades econômicas, políticas e culturas, colocando em causa as relações entre a sociedade civil e o Estado. Portanto, o avanço do sistema capitalista é acompanhado por uma série de questões e conflitos sociais complexos, pois o fato de o Estado desempenhar um papel fundamental na formulação e efetivação das políticas sociais não significa que estas envolvam, exclusivamente o âmbito público, abrindo assim, espaço para o setor privado. Portanto, a forma do estado liberal organizar a proteção social ocasiona vários efeitos, provocando importantes desigualdades sociais e de consumo, pois a proteção social está condicionada à contribuição salarial e, no caso do acesso a serviços do âmbito público prestados pelo setor privado – saúde, educação, dentre outros – está condicionado ao poder de compra do trabalhador. Isto é, quem pode pagar mais possui acesso a um serviço de melhor qualidade, enquanto que os que não possuem condições ficam sujeitos ao atendimento prestado pelo setor público e condicionado à qualidade e quantidade disponível. Portanto, cada cidadão possui acesso aos serviços de acordo com a forma histórica específica de como se articulam a legitimação do regime político, de reprodução da força de trabalho e de ampliação do campo da acumulação mediante o bem-estar social, sendo que estes fatores são determinados pela nação em que se encontra. 3. MERCANTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS PUBLICOS A questão social é apresentada sob o ângulo do alto índice de criminalidade existente, transformado em um objeto de atenção do Estado na formulação de políticas que atendam as necessidades básicas das classes menos favorecidas. E, neste contexto, a transformação pela qual o Estado passa define a sociedade como um agregado de indivíduos que possuem interesses individuais, sendo que estas ações não podem ser legitimadas. Assim, de acordo com Tavares (2000, p. 73) 'a saúde, a educação, a alimentação, o trabalho, o salário perdem sua condição de direitos e passam a ser recursos regulados unicamente pelo mercado'. Portanto, o não acesso a eles passa a ser um problema de âmbito privado, deixando; dentro desta perspectiva; de ser um problema a ser resolvido pelo aparelho estatal impulsionando assim a formação de um processo de transferência de responsabilidades, onde o setor privado torna-se responsável por serviços característicos do setor público, sendo que nem sempre esta transferência é efetuada da forma correta. Nas sociedades menos desenvolvidas, principalmente na América Latina, Tavares (2000) aborda o fato de que a descentralização nestas sociedades tem se caracterizado pela simples transferência para o setor privado de serviço complemente deteriorados e sem financiamento pelo setor público, havendo somente uma transferência do problema porque a partir do momento que o setor privado assume os serviços produzem-se mudanças na sua forma de prestação e acesso, visto as empresas do setor serem reguladas pelo mercado. Este processo de transferência de responsabilidade tem contribuído para ampliar as brechas interterritoriais dos indicadores de desigualdade, visto que os serviços melhores encontram-se disponíveis somente para quem pode pagar e os de pior qualidade e nulos para quem demanda de serviços gratuitos. Para Tavares (2000), o resultado deste processo tem sido, ao evitar a inclusão dos 'não pobres', a exclusão dos próprios pobres. Nos Estados Unidos há um tipo de cobertura para determinado serviço social que difere do Brasil sendo que até mesmo o processo de atendimento e coberturas são diferentes, enquanto que na Europa o público encontra-se nas mãos do setor privado, favorecendo a constituição de um mercado de trabalho com grande desigualdade na qualidade do trabalho e dos salários, onde os indivíduos que são da área de serviços possuem uma grande carência dos serviços públicos. Para Tavares (2000), houve um retrocesso no que diz respeito à evolução das políticas sociais no efetivo Estado de Bem-Estar Social visto que os novos nomes atribuídos à políticas sociais implementadas por outros setores e supostamente modernos levam à própria população buscar as soluções para os problemas sociais, levando a um aumento da exclusão daqueles que dependem tão somente do setor público, pois podem não possuir acesso à devida assistência, para o autor: '[…] com a introdução de cobranças 'seletivas' para determinados serviços básicos essenciais, como a assistência médica – tem levado à dualidade no acesso a esses serviços, criando um setor público para pobres, sem recursos e cada vez mais desfinanciando; e, de forma 'complementar', um setor privado (representado hoje por empresas e conglomerados financeiros de seguro) para quem pode pagar e, o que é mais grave, cada vez mais subsidiado com recursos públicos' (Tavares, 2000, p. 91) Portanto, quando o setor privado passa a financiar as políticas públicas, antes de incumbência do Estado, entra em conflito com o entendimento primordial de políticas sociais, trazendo à prática um sistema minimalista e reducionista, não obedecendo às normas de estabilização, crescimento econômico e redistribuição, característico do conceito de Política Social, visto que as políticas sociais são constituídas de um conjunto de medidas e instituições que tem por objeto o bem-estar e os serviços sociais. Daí, o que se tem na sociedade capitalista atual é uma delegação de serviços de âmbito nacional ao setor privado, sem no entanto existir nenhum outro programa para atender à população carente, agravando as diferenças de distribuição e oferta de serviços. 4. DESAFIOS DO ESTADO NA GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS Como visto, os movimentos sociais emergem com um papel protagonista não só na revolução cultural, mas cada vez mais, também, na definição da agenda política dos Estados. As organizações não-governamentais e a transferência de serviços de caráter estatal para o setor privado têm dado uma nova abrangência sobre a esfera pública ao mesmo tempo em que questiona-se a fragmentação de demandas e interesses, tanto público quanto privado, sendo que é sabido que ao Poder Público cabe prover a igualdade jurídica e política aos desprovidos da inclusão social. Nesse cenário, a necessidade de formulação e implantação de políticas públicas voltadas para sanar problemas da questão social ganha destaque na agenda política. As políticas públicas deverão ser implantadas pela sociedade e pelo Estado com o objetivo de erradicar o problema social ou de minimizá-lo. O que diferencia a política pública da política empresarial é justamente a necessidade de implementação de direitos e garantias sociais amparadas pelo Estado Democrático de Direito. Importante observar e atentar para o fato de que a sociedade civil, que encontra-se engajada nas questões sociais, possui uma participação de fundamental importância para a construção do bem-estar social. Sem esta participação, a situação social poderia estar mais agravada. É neste contexto que as empresas, cada vez mais, incorporaram questões relativas ao setor social com a prerrogativa de beneficiar não apenas a si, mas à toda uma sociedade, uma vez que há uma carência de atendimento pelo setor público. Esta posição tem se tornado financeiramente rentável no mercado, além de ser uma importante posição estratégica. Há uma nova relação entre o setor público e privado que fragiliza o conhecido modelo institucional que é o Estado-Nação, tanto no campo da política econômica quanto social. Estas transformações trazem uma nova forma de interação não somente interna mas externa também. No âmbito externo a formação e integração de blocos econômicos é o fator que impulsiona a nação em nível mundial e, no âmbito interno, surgem movimentos de descentralização, flexibilização e fortalecimento da sociedade civil, para compor um novo pacto e gerar condições para a governabilidade. Assim, questiona-se cada vez mais sobre a reforma do Estado, e nela a gestão do social. As novas e antigas demandas sociais, o agravamento da pobreza e da desigualdade e, ao mesmo tempo, os déficits públicos exigem um novo compromisso entre Estado, sociedade civil e iniciativa privada, pois, no atual contexto, existe a presença de um Estado forte na regulação, sem contudo eliminar ou esvaziar a riqueza democrática de parcerias com outros atores sociais, assumindo para si questões propriamente do Estado. Portanto, é preciso distinguir o fato de se reconhecer a necessidade de que o acesso ao espaço público é papel do Estado, visto que o controle social está diretamente associado à promoção da transparência sendo obrigatório a existência de uma estratégia governamental que permita e apóie o acompanhamento da formulação de políticas e as iniciativas de governo pelos cidadãos e suas organizações, criando condições para o estabelecimento de relações de confiança entre governados e governantes ao mesmo tempo em que legitima as ações destes últimos. 5. INICIATIVAS NA REDUÇÃO DA INCLUSÃO/ EXCLUSÃO SOCIAL Atualmente, crescem-se as desigualdades e as lutas por uma redução da mesma. Neste contexto, Estado e Privado trabalham juntos no sentido de proporcionar uma melhoria de qualidade de vida, que vai desde as garantias expressas na Constituição até ações geradas por grupos isolados que buscam uma redução da pobreza. As empresas, através de incentivos fiscais, incumbem-se da responsabilidade do social, antes uma questão a cargo do Estado, o que pode não ser uma prática social, visto que o conceito de direitos sociais garante o acesso aos bens sociais pelo simples fato de ser membro da sociedade, e a obrigação desta última de garanti-los através do Estado. Entretanto, não pode-se deixar de observar que a interferência do setor privado vem adquirindo espaço o que acaba por produzir impacto nas sociedades menos desenvolvidas. As conseqüências da recente modernização excludente são constatadas pelas marcas da desigualdade social sendo necessária a construção de um plano no presente que possa minimizar os efeitos no futuro. A política social passa a agir como um complemento da política econômica, numa relação de subordinação que limita suas escolhas, portanto, pensar uma política social como parte integrante do desenvolvimento, assumindo projetos, programas e ações que constituam um investimento necessário, indispensável e prioritário ao invés de manter uma posição de subordinação ao desenvolvimento e crescimento econômico, invertendo a ordem dos fatores estabilização-crescimento- distribuição. Um importante passo é a formação de uma consciência-cidadã em relação ao gasto do dinheiro público poderá imprimir maior mobilização e adesão dos atores sociais nas políticas públicas. Em síntese, um governo que demonstra para a sociedade a transparência e eficiência no gasto público acaba por gerar maior credibilidade perante os atores sociais, logo, maior penetração e coesão no momento da implantação de outras políticas públicas, inclusive as sociais. O correto gasto dos tributos, qual seja, do recurso oriundo da sociedade, de forma mais que lícita, eficiente, importa em maior accountability e seriedade, refletindo, certamente, no modo com que o cidadão recebe as políticas públicas, gerando, por conseguinte, maior substrato para a mobilização social para as ações governamentais. Existe também o fato de que, por razões de gestão ou econômicos o Estado necessite efetuar a transferência da prestação de seus serviços para o setor privado. Entretanto, o que busca-se é uma maior acessibilidade aos serviços para a população, pois, a partir do momento que se transfere as responsabilidades de fornecer determinado serviço o Estado deveria garantir a continuidade do acesso aos mesmos por todas as camadas da população. No caso brasileiro, a responsabilidade pública pela gestão de políticas sociais passou a ser um dos elementos da barganha federativa dadas as dimensões da pobreza brasileira e, portanto, da população-alvo dos programas sociais, a gestão de políticas sociais em nosso país tende a ser cara e inefetiva, na medida em que tende a consumir um elevado volume de recursos e apresentar baixos níveis de proteção efetiva. Neste caso, nas situações em que os custos políticos e/ou financeiros da gestão de uma dada política forem avaliados como muito elevados, a barganha federativa consiste em buscar atribuí-los ou imputá-los a um outro nível de governo, o que não resulta em solução do problema, mas apenas de transferência de responsabilidade acrescido do ônus da transferência de responsabilidade. Portanto, uma reforma eficiente para as políticas públicas se resumiria em uma modernização conservadora e autoritária, pois o que se pretende é uma modernização da administração pública que transforme as relações entre Estado e sociedade e vincule a eficácia e a eficiência das ações de governo à afirmação de direitos coletivos de cidadania, visto que o processo de controle social somente possui força e sentido quando a sociedade civil está integrada e não apenas é fruto do somatório de diversos indivíduos e diferentes interesses. CONCLUSÃO Até o momento, vimos como, existe um processo de transferência entre o setor público e privado nas questões sociais, sendo entretanto, necessário a existência de uma estratégia de indução eficientemente desenhada e implementada para a produção de resultados. Uma estratégia de inclusão eficiente, por sua vez, supõe que o nível de governo interessado tenha disposição e meios para formular e implementar um programa cujo desenho torne a decisão pela assunção de atribuições de gestão suficientemente atrativa para a população que necessita de amparo do setor público. É importante observar que existe uma diferença entre influência dos públicos sobre as políticas e a influência das políticas sobre os mercados. Mas precisamente, a análise dos esforços dos públicos para influenciar as políticas permite mensurar a qualidade da representação política nos quais os públicos participam, sendo evidente a importância da compreensão do conceito de público em contraposição dos conceitos de indivíduos, interesses individuais homogêneos e, ainda, as expectativas coletivas. No Brasil, por exemplo, o que se vê é uma transferência exclusiva, pois a partir do momento que o serviço fica à cargo do setor privado, tem-se uma restrição para o acesso ao serviço de caráter econômico, sendo necessário possuir um certo nível social para se ter acesso a um determinado serviço do âmbito social. Portanto, o desafio é a construção de um sistema que possua um serviço de qualidade e eficiente que possa atender a todos os níveis da população. BIBLIOGRAFIA BARBOSA, Marialva. Público: uma noção como processo histórico. Ciberlegenda. Número 4, 2001. DANIEL, Celso. Avaliação e implementação de projetos em serviços públicos. 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