Antoniel Costa Alves* RESUMO A administração do capital de giro está cada vez mais sendo reconhecida como uma importante área para o equilíbrio financeiro das empresas, sendo componente imprescindível para o sucesso dos negócios. A maioria dos problemas na gestão das empresas está relacionada com a administração do capital de giro, pois, nem sempre o administrador está capacitado para compreender os problemas em toda sua extensão e por consequência disto não encontrará a melhor solução. É neste aspecto que este trabalho se apresenta: dando ênfase a análise, ao controle e a administração do capital de giro. PALAVRAS-CHAVE: Administração; Problemas de Gestão; Capital de Giro; Importância. 1 – INTRODUÇÃO A administração do capital de giro é fator decisivo nas finanças das empresas, pois, a saúde financeira de qualquer empresa depende do mesmo e uma administração inadequada desse capital resultará em sérios problemas financeiros, causando posteriormente uma situação irreversível. 'O estudo do capital de giro é fundamental para a administração financeira, porque a empresa precisa recuperar todos os custos e despesas (inclusive financeiras) incorridos durante o ciclo operacional e obter o lucro desejado…' (HOJI, 2004, p. 117). 1.1 – O TERMO GIRO: definições e conceitos De acordo com Assaf Neto e Silva em seu livro Administração do Capital de Giro que é à base deste artigo, 'o termo giro refere-se aos recursos correntes (curto prazo) da empresa, geralmente identificados como aqueles capazes de serem convertidos em caixa no prazo máximo de um ano.' Os elementos de giro estão no ativo circulante e no passivo circulante, ou seja, no curto prazo. O capital de giro ou capital circulante é representado pelo ativo circulante, isto é, pelas aplicações correntes, identificadas comumente pelas disponibilidades, valores a receber e estoques. O capital de giro pode ser segmentado em fixo (ou permanente) e variável (ou sazonal). 'Num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matérias-primas (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado.' (NETO; SILVA, 2009, p. 15) O capital de giro permanente refere-se ao volume mínimo de ativo circulante necessário para sustentar a empresa em condições normais de funcionamento. Já o capital de giro variável, é definido pelas necessidades adicionais e temporais de recursos verificadas em determinados períodos e motivadas, principalmente, por compras antecipadas de estoque, por maiores vendas em certos meses do ano etc. Estas operações causam modificações temporais no circulante, e são, por isto, nomeadas de sazonais e variáveis. A administração do capital de giro diz respeito à administração das: 'contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e passivos correntes (circulantes), e às inter-relações existentes entre eles. Neste conceito, são estudados fundamentalmente o nível adequado de estoques que a empresa deve manter, seus investimentos em créditos a clientes, critérios do gerenciamento de caixa e a estrutura dos passivos correntes, de forma consistente com os objetivos enunciados pela empresa e tendo como base a manutenção de determinado nível de rentabilidade e liquidez.' (NETO; SILVA, p. 15) 1.2 – CCL O capital de giro (circulante) líquido – CCL – é obtido pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante e significa a folga financeira da empresa. Dentro de um conceito mais rigoroso, o CCL representa o volume de recursos de longo prazo (exigibilidades e patrimônio líquido) que se encontra financiando os ativos correntes de curto prazo. 1.3 – IMPORTANTES CARACTERÍSTICAS: • Sincronização Temporal: os elementos que compõem o ativo circulante não costumam apresentar sincronização temporal equilibrada em seus graus de atividades, ou seja, produção, venda e cobrança. Por exemplo, se todas as vendas fossem realizadas a vista, não haveria necessidade de investimentos em valores a receber. É necessário obter uma eficiente gestão de recursos para efetivar o controle do capital de giro, maximizando os retornos e minimizando os custos. • Curta duração e rápido convertimento de seus elementos em outros do mesmo grupo, e a consequente reconversão. Por exemplo, o caixa é diminuído por compras de estoques e os estoques são transformados em vendas; se as vendas forem à vista, aumenta o disponível, mas se forem realizadas a prazo, a conta de valores a receber é alterada, transformando-se em disponível quando acontecer o recebimento; e assim por diante. 1.4– CICLO OPERACIONAL Uma boa administração do capital de giro envolve colocar em alta rotação (giro) o circulante, que se inicia desde a aquisição de matéria-prima (ou mercadoria) e se finaliza no recebimento pela venda do produto. O ciclo operacional incorpora sequencialmente todas às fases operacionais presentes no processo empresarial de produção (ou aquisição), venda e recebimento e representa o intervalo de tempo em que não há entradas de recursos financeiros na empresa. De acordo com Masakazu Hoji em seu livro Administração Financeira: uma abordagem prática, 'o ciclo operacional é a soma do prazo de rotação dos estoques e prazo de recebimento da venda'. Cada uma das fases operacionais apresenta uma determinada duração: a compra de matéria-prima (ou mercadoria) denota um prazo de estocagem; a fabricação (em caso de uma empresa industrial), o tempo que se gasta para transformar os materiais em produtos acabados; os produtos, o prazo necessário à venda; e o recebimento, o período de cobrança das vendas realizadas vendas realizadas a prazo. É importante ressaltar que as fases existem de acordo com as características operacionais de cada empresa, ou seja, se as vendas forem realizadas a vista, o prazo médio de cobrança é considerado nulo. Então, quanto mais longos forem os períodos dos prazos operacionais, maior será, a necessidade de recursos para financiar o giro da empresa. O ciclo operacional varia de empresa para empresa, umas com prazo inferior a um ano e outras com prazos mais longos, exigindo a presença de volume maior de financiamento de capital de giro e varia também de acordo com a fase operacional. Por exemplo, a estocagem de matérias-primas (ou mercadorias) e as vendas a prazo são fases que poderão receber uma determinada parcela de financiamento proveniente de créditos de compras a prazo de fornecedores e de descontos de duplicatas. Para as outras fases operacionais devem ser reservados recursos financeiros de outras origens. Outro ponto importante a ser ressaltado é que as necessidades financeiras de cada fase operacional não são constantes ao longo do tempo, isto é, o investimento exigido no período de estocagem é menor que o do período de vendas e cobranças, em virtude de custos e despesas. 1.5 – CICLO FINANCEIRO Segundo Assaf Neto e Silva, 'o ciclo financeiro mede exclusivamente as movimentações de caixa, abrangendo o período compreendido entre o desembolso inicial de caixa (pagamento de materiais a fornecedores) e o recebimento da venda do produto.' Resumindo em poucas palavras, o ciclo financeiro representa o espaço de tempo que a empresa necessitará efetivamente de financeiro para suas atividades. Hoji diz que, 'o ciclo financeiro tem início com o primeiro desembolso e termina, geralmente, com o recebimento da venda. Caso haja pagamento de custos ou despesas após o recebimento da venda, é nesse momento que se encerra o ciclo financeiro'. 1.6 – CICLO ECONÔMICO Envolve unicamente os acontecimentos de caráter econômico, vai da compra dos materiais até a respectiva venda e deixa de lado os reflexos de caixa apresentados em cada fase operacional, ou seja, prazos de recebimentos de vendas e os pagamentos dos gastos cometidos. 2 – DECISÕES FINANCEIRAS: risco e retorno Qualquer decisão financeira é baseada na comparação entre risco e retorno. Tratar da tática financeira para o crescimento e desenvolvimento de uma empresa implica em destinar atenção aos aspectos de risco e retorno. Nas decisões de investimento dizem respeito à destinação dos recursos financeiros para a aplicação em ativos correntes (circulantes) e não correntes (realizáveis a longo prazo e ativos permanentes), deve ser considerado a relação adequada de risco e retorno dos capitais investidos. 'Os riscos existem em todas as atividades empresariais. Tudo que é decidido hoje, visando a um resultado futuro, está sujeito a algum grau de risco. Somente o que já aconteceu está livre de risco, pois é um fato consumado' (HOJI, p. 231). A gestão de riscos é muito importante para todas as empresas, pois num mercado globalizado no qual nos encontramos hoje, um fato econômico como a crise dos EUA, provocará reflexo imediato na economia brasileira. De acordo com Gitman e Madura em sua obra Administração Financeira: uma abordagem gerencial, no sentido mais básico, 'risco é a probabilidade de o retorno real ser diferente do retorno esperado' e 'o retorno é o ganho ou perda total obtida sobre um investimento em um dado período'. Há duas formas possíveis de retorno: A mais comum é o fluxo de caixa recebido de um investimento durante um dado período. Esse fluxo de caixa é o lucro corrente recebido na forma de lucros, dividendos ou juros. Para ser considerado como lucro, deve ser recebido na forma de dinheiro ou ser facilmente convertido em dinheiro. A segunda forma de retorno é a mudança no valor do investimento. Uma mudança positiva no valor durante um dado período de costuma ser chamada de ganho de capital. Uma mudança negativa no valor é uma perda de capital. (GITMAN; MADURA, 2003, pp. 128-129) 2.1 EQUILÍBRIO FINANCEIRO Uma da alternativa da empresa para sustentar seu equilíbrio é financiar suas necessidades variáveis com dívidas de curto prazo (capital de giro, valores a receber, estoques etc), utilizando os recursos de longo prazo para financiar todas suas necessidades financeiras permanentes (exigível de longo prazo, patrimônio líquido etc). O conceito de equilíbrio financeiro de uma empresa é verificado quando as suas obrigações financeiras se encontram lastreadas em ativos com prazos de conversão em caixas similares aos dos passivos. Em outras palavras, o equilíbrio financeiro exige vinculação entre a liquidez dos ativos e os desembolsos demandados pelos passivos. (NETO; SILVA, p. 24) Os recursos de longo prazo devem cobrir o capital de giro permanente, deixando para o passivo circulante o financiamento das necessidades sazonais dos ativos correntes. CONCLUSÃO O estudo do capital de giro é essencial para a empresa, para o administrador financeiro e para profissionais que atuam na área financeira. O seu entendimento insere-se no contexto das decisões financeiras de curto prazo, envolvendo a administração de ativos e passivos circulantes. Toda empresa necessita buscar um nível aceitável de capital de giro de maneira a garantir a sustentação de sua atividade operacional. Ficou claro que quanto maior a participação de recursos a longo prazo e de CCl, menos arriscada se apresenta a política de capital de giro da empresa, ou seja, maior será sua folga financeira e menor será o seu risco de insolvência. O administrador financeiro tem que ser capaz de atender as expectativas de crescimento do capital da empresa, operando com uma taxa de risco determinada e gerando retorno para seus investidores. E para finalizar, administração eficiente de caixa, falando de uma maneira mais simples, baseia-se em: delongar ao máximo possível, o pagamento de suas contas; administrar eficazmente o ciclo de estoque-produção, com o propósito de maximizar o giro do estoque; e cobrar rapidamente as duplicatas a receber. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LIVROS GITMAN, Lawrence Jeffrey; MADURA, Jeff. Tradução Maria Lucia G. L. Rosa. Administração Financeira: uma abordagem gerencial. São Paulo: Pearson Addison Wesley, 2003. HOJI, Masakazu. Administração Financeira: uma abordagem prática. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. NETO, Alexandre Assaf; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Graduando – Bacharelado em Administração pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Ages.