2024 está chegando e aqui estamos, com mais um dos meus artigos sobre tendências de marketing, o qual venho fazendo todos os anos. Acertei em cheio na última vez com as previsões sobre a economia dos creators, que fizeram incríveis cases de vendas e de colabs pelo mundo todo, principalmente no Brasil. Também considero bem sucedidas minhas previsões sobre práticas de marketing, automações e do community marketing que também coloquei nas tendências de 2023. Não sei o porte ou o mercado que sua empresa B2B atua, mas com certeza todas essas tendências terão impacto direto ou indiretamente em seu negócio. Alinhe com sua equipe de marketing, vendas e sócios as possibilidades que você vai encontrar nesse material. Ainda dá tempo de experimentar boa parte delas. Fique agora com as 10 tendências de Marketing B2B para 2024 que separei para sua leitura, e bom entretenimento! 1) O caminho da desMarketização: 'O bom marketing é o que não parece marketing' Foram cerca de 30 anos de muita fórmula, muitos 'macetinhos', gatilhos mentais, livros de sucesso e hacks aprendidos com os americanos. Mas chega uma hora que o feitiço perde seu efeito… O mundo B2B sofre com um problema sério estrutural, onde seus vendedores e profissionais de marketing digital fizeram as pessoas criarem bons anticorpos contra suas próprias maquinações. Chegamos a um momento onde a naturalidade vai prevalecer. Será necessário dar nossas caras (vou falar disso no tópico 8) e mostrar defeitos, mas ao mesmo tempo sermos mais autênticos. Por isso há toda uma esfera de investimentos e preparo por trás do marketing de conteúdo, da comunicação da empresa e na criação dos vídeos, que continuarão em alta nos próximos anos. Se você se comunicar com seu público usando uma linguagem mais informal, mesmo que esteja criando posts, escrevendo e-mails ou configurando seu chatbot, você ajudará a quebrar barreiras e vai se conectar melhor com seus potenciais clientes. É arriscado? Com certeza, mas manter todos seus planos de vendas e prospecção do jeito que estão está bem longe da eficiência que queremos. 2) Faça os (micro)Influenciadores venderem por você! Algumas modas realmente pegam, e a dos influenciadores nas estratégias de marketing é uma que veio para ficar… Os números estão em favor deles. 'Micro' e dos mais variados tipos, os influenciadores podem ter uma opinião que conta muito a favor das empresas, seja ela B2B ou não. Enquanto uma recomendação de um conhecido chega a influenciar 2 a cada 3 pessoas em média, um influenciador digital pode elevar essa estatísticas para 83%. Empresas B2B devem ficar de olho em possíveis especialistas nichados, que podem ajudar na adoção de softwares, serviços e consultorias. Uma opinião com uma demonstração em vídeo (vou falar deles depois) pode ter um enorme peso nos resultados e metas da empresa. 3) Os funis estão perdendo o sentido… O caminho percorrido pelo cliente deixou de ser óbvio ou linear, e devemos reconhecer isso antes que seja tarde demais. Um tempero que falta nessa receita, e que pode ajudar as empresas de 2024 em diante, é a possibilidade de múltiplos touchpoints e de maior interação com a marca. Ou seja, para haver uma venda, deveria haver mais contato humanizado entre as partes, ainda que isso aumentasse o ciclo de compra. Formadores de opinião como a Forbes reconhecem que o funil está deixando de existir, ao menos como o conhecíamos. Um indivíduo não vê um anúncio ou post seu, e já inicia uma jornada rumo a sua newsletter (deixando as informações no site), e nem baixa de boa vontade ebooks e outras coisas que você deixa em seu caminho apenas por ter um design que chama atenção. Algumas variáveis como 'produtos de entrada', produtos que permitem teste prévio e 'ad blockers' mudam toda essa dinâmica daqui para o futuro. Mais uma vez, terei que citar na atenção e preparo de uma boa estratégia de marketing de conteúdo, em múltiplos canais, que vão trazer pessoas de maneira mais natural para sua empresa. 4) Contratar especialistas em IA poderá ser um grande diferencial Com tantas ferramentas e 'programinhas' de Inteligências artificiais (IA) aparecendo todas semanas, sua empresa não poderia deixar de se envolver com esse turbilhão de fatos. Ao invés de lutar contra ou ter medo, você terá que ser forte, e aceitar que elas vieram não para nos atrapalhar, mas nos ajudar a sermos mais produtivos. Existem lá fora dezenas de IAs que podem ajudar seu negócio a crescer, e a um preço bem justo (não quero que você use a versão freemium delas, a não ser para testar). Como o dono de uma empresa pode se beneficiar dessa realidade? Contratando especialistas em IAs, que se comprometem a aprender mais sobre elas todos os dias, e que as utilizam com maestria. A tendência da vez é ter acesso a pessoas que se especializem e estudem essas máquinas, ou que você crie um ambiente propício em seu negócio para uma ou várias empresas ficarem craques nessas IA. 5) Brasil, o país das PMEs Hoje no Brasil temos cerca de 20 milhões de PMEs (pequenas e médias empresas), sendo que destas, sendo que destas 15 milhões são MEI. Mas um fato interessante é que nem sempre elas são levadas em consideração como deveriam. Ano a ano o número de pequenos negócios e pessoas que fogem de empregos tradicionais cresce e cria uma avalanche de novas empresas B2B que possuem sede de crescimento. Começam pequenas, mas possuem potencial de ao menos, contratar e necessitar de serviços de outras empresas B2B. Uma aposta para 2024 pode ser um foco maior nessas empresas, que possuem muita representatividade no Brasil, e que ainda que sejam pequenas contas, podem alavancar as vendas de qualquer empresa B2B que já está no mercado (como agências de marketing, consultorias, serviços digitais como construção de sites e ferramentas diversas de suporte de vendas, etc). E os donos e tomadores de decisões dessas empresas costumam estar em canais que ainda são pouco explorados no Brasil, como o Linkedin. É como o Ricardo Amorim falou recentemente, quando se trata de Linkedin, as empresas estão deixando dinheiro na mesa. 6) Integração de experiências online e offline O processo de integração entre o online e offline ainda não está concluído nas empresas. Só que essa integração pode ser a resposta para uma série de problemas que as empresas B2B seguem tendo todo ano. À medida que os consumidores transitam fluidamente entre os canais digital e físico, as marcas que conseguem proporcionar uma experiência unificada se destacam na mente do cliente, além de construírem um verdadeiro 'relacionamento duradouro'. A convergência desses dois mundos oferece às empresas uma oportunidade única de acompanhar e influenciar o comportamento do consumidor em diversos pontos de contato, criando uma narrativa coesa que ressoa em todas as interações. Em última análise, a estratégia de omnichannel emerge como o catalisador dessa integração, unindo todos os canais de marketing de forma coesa. 7) O começo do 'segundo estágio' no mundo do compliance Com regulamentações de privacidade em constante evolução, a conformidade com as leis de proteção de dados será crucial para manter a confiança dos clientes no universo B2B. Aos poucos estamos saindo da fase de adaptação para uma fase onde questões como LGPD e privacidade se tornam cada vez mais críticas, podendo resultar em grandes perdas e processos quando não são respeitadas. Mais pessoas agora querem aprender sobre isso e até mesmo tiram certificações para poderem operar ou trabalharem com compliance de dados e de informações nas empresas. Comecei também a notar a presença nas empresas de uma figura que cuida do assunto de 'proteção de dados', o que era inexistente antes da pandemia. Mesmo que você não atue na área ou não saiba nada sobre, tenha em mente que, em certos casos, esse novo stakeholder vai ser um tomador de decisão e poderá ser aquele que dará 'amém' quando você for vender serviços B2B na empresa. 8) Apostas em conteúdos gerados por executivos Aos poucos, mais sócios e executivos de empresas e sócios (os c-levels) estão se dando conta do poder que criar conteúdo possui. Mas esse conteúdo só tem valor quando tem um ar mais humano, fora das páginas corporativas. Por isso, os executivos estão utilizando seu poder de networking e social selling para turbinar as marcas das suas empresas, e para isso, contam com copywriters no desenvolvimento de ghostwriting. Ghostwriting é a prática em que um escritor, chamado de ghostwriter, cria conteúdo, como posts, artigos ou textos diversos, em nome e crédito de outra pessoa (no caso, o executivo da empresa). A estratégia alimenta o 'topo do funil' e cria um motor de conscientização da marca. O processo também envolve criação de uma autoridade, engajamento e participação nas redes sociais. A verdade é que no próximo ano, aqueles que não se atentarem para essa possibilidade poderão deixar dinheiro na mesa. 9) Chatbots e assistência virtual aprimorada O Chat GPT foi o primeiro passo da evolução. Agora teremos muitas outras esferas que vão se alterar com as possibilidades da inteligência artificial. Comentei logo no começo do artigo de hoje sobre os pesquisadores e especialistas nessas ferramentas de inteligência artificial. Só que agora quero dar destaque a um em específico, que vai ajudar muitas empresas: o robô de suporte e de assistência. Muitos trabalhos são humanamente estúpidos ou repetitivos, e a evolução natural das coisas é deixar um robô fazer o trabalho pela gente. Para 2024 em diante, as empresas vão poder cortar custos com o suporte de empresas que estão desenvolvendo robôs com a ajuda da IA. Portanto, algumas funções de marketing, suporte, e de outras áreas das empresas vão começar a ser feitas por esses robozinhos, mas com certeza o primeiro a ser dominado por eles vai ser a parte de suporte e atendimento! 10) Personalização em tempo real O marketing em tempo real, com base no comportamento do usuário, se tornará mais comum, permitindo mensagens altamente personalizadas. O avanço de tecnologias e da conectividade 5G vai permitir que as fronteiras do que a gente conhecia até então mudem drasticamente. Isso permite a criação de campanhas mais contextualizadas, que se ajustam instantaneamente às necessidades e desejos do público. Ao oferecer mensagens, ofertas e experiências específicas para cada indivíduo em tempo real, as marcas não apenas aumentam a relevância de suas comunicações, mas também fortalecem a fidelidade do cliente, criando laços emocionais mais profundos. A personalização em tempo real não é apenas uma estratégia, mas uma evolução fundamental no marketing moderno, promovendo uma conexão mais autêntica entre marcas e consumidores O marketing B2B pode entrar em uma onda de personalização e da melhor leitura e uso de dados de usuários. E isso é mais fácil em uma realidade onde mais pessoas estão conectadas e onde existem mais dispositivos de IoT (internet of things) espalhados pelas ruas e cidades em geral. Conclusão Muitas das tendências que retratei já podem ser observadas ao longo desse último ano, ou seja, não são de fato uma surpresa ou algo inesperado aos olhos do mercado. Estar preparado para uma tendência e querer se beneficiar dela também é uma questão de aposta, uma vez que certos movimentos do mercado podem dar errado ou entrar em dormência (dou de exemplo algumas coisas que comentei ano passado sobre o metaverso, que aparentemente ficaram fora do jogo por hora). Um feliz 2024 de muito sucesso.