No balanço patrimonial de uma empresa, encontra-se o capital de giro tanto no ativo circulante (caixa, duplicatas a receber, montante recebido pelas vendas efetuadas e estoque) quanto no passivo circulante (fornecedores). Esses itens interagem entre si e formam um ciclo: a empresa possui o caixa, e desse caixa é realizado o pagamento dos fornecedores referente à compra das matérias-primas para gerar o estoque. Após a venda do estoque, há dois caminhos: caso seja uma venda a prazo, o montante torna-se duplicatas a receber; caso a venda seja a vista, o montante é direcionado ao caixa da empresa. Assim, esse fluxo é constante. Conforme GITMAN (2002, p.49): […] Quanto mais alto o giro do ativo total de uma empresa, mais eficientemente seus ativos estão sendo usado. Essa medida interessa principalmente à administração da própria empresa porque indica se suas operações têm sido eficientes ou não […]. GITMAN (1987) ressalta que a gestão do financiamento em curto prazo objetiva administrar todos os ativos e passivos circulantes para estabilizar os riscos e retornos da empresa e tornando-a rentável. Capital de Giro Líquido A soma de todos os ativos circulantes menos a soma de todos os passivos circulantes resulta no capital de giro líquido da empresa. Quando o resultado desse calculo é positivo, significa que a empresa possui capital de giro líquido positivo. Caso a empresa apresente capital de giro negativo, apresenta carência, denotando uma possível crise financeira na empresa. A maior concentração de esforços na gestão do capital de giro líquido, de acordo com GITMAN (1987) deve ser administração do ativo circulante, pois com exceção do dinheiro que já está em caixa, as demais contas do ativo circulante não apresentam antevisão exata do que irá acontecer (se passará a ser dinheiro ou não), enquanto no passivo circulante é totalmente previsível, não havendo surpresas. Para afastar o risco, a gestão deve ser feita objetivando que a empresa apresente capital de giro liquido positivo, ou seja, o ativo circulante maior que o passivo circulante, o que significa que a empresa. Quanto maior o índice de capital de giro líquido, maior a capacidade da empresa para honrar com suas obrigações, manter sua idoneidade perante os fornecedores e atingi lucratividade. Trade off: Risco ou lucratividade? BREALEY e col. (2011, p. 431) mencionam: […] A teoria do trade-off compara as vantagens fiscais da divida com os custos das dificuldades financeiras. Supõe-se que as empresas procurem atingir uma dada estrutura de capital que maximize o seu valor. As empresas com ativos tangíveis e seguros e com elevados rendimentos tributáveis passíveis de usufruir benefícios fiscais deviam procurar índices elevados de endividamento. [As empresas não lucrativas e com ativos intangíveis, com risco, deviam depender, sobretudo do financiamento por ações (capital próprio) […]. GITMAN e MADURA (2003) consideram que o risco é a probabilidade de o retorno real ser desigual do esperado e que o retorno é o lucro ou prejuízo obtida em um investimento feito em determinano. As decisões sobre financias devem ser baseadas na comparação entre o risco e retorno. GITMAN (2002) diz que a lucratividade da empresa é afetada diante da relação entre ativos circulantes e ativos permanentes. O nível de ativos permanentes de uma empresa é acurado pelo nível de produção e a utilização do capital. O ativo circulante esta relacionado com a escala de produção ligada diretamente aos aumentos ou redução da mesma. Encontra-se a lucratividade calculando as receitas menos os custos originados pela utilização dos ativos da empresa nas operações produtivas. Para majorar o lucro, podem-se aumentar as receitas investindo em ativos mais proveitosos ou reduzir os custos de financiamento. Falando em risco, temos o financeiro, que é a dificuldade para pagar as obrigações previamente programadas, e o operacional que diz respeito ao ímpeto de a empresa não poder arcar com os custos operacionais. Nesse dilema, sabe-se que para reduzir o risco da insolvência a empresa deve aumentar seu capital circulante liquido, mas há controvérsias, GITMAN (2002) defende que se o montante líquido tiver origem em financiamentos em longo prazo que representam um custo muito alto a empresa, sendo assim, pode-se determinar amainar o investimento em capital circulante como tática para diminuir custos oriundos de pagamentos de dividas de longo prazo e seus juros altivos. Mudanças no Ativo e Passivo Circulante O ativo circulante é o menos rentável. Os investimentos em capital de giro, não suscitam diretamente lucros, esse capital sustenta o ciclo operacional da empresa. O capital de giro é fundado, praticamente, por ativos monetários ou ativos que perdem seu valor. GITMAN (2002) defende que o rentável à empresa é manter em seus ativos circulantes valores ínfimos ou iguais à suas obrigações operacionais. Essa decisão, todavia, eleva os riscos da empresa, pois valores mínimos de capital de giro ou iguais a demanda operacional, em caso eventuais contratempos, a reduzir sua rentabilidade, prejudicando sua produção ou deixando de cumprir obrigações financeiras. As sequelas das modificações no nível dos ativos circulantes a respeito do o trade off risco-lucratividade das empresas podem ser aclaradas com o uso da analogia ativos circulantes/ativos totais, que indica a alíquota de ativos totais composta por ativos circulantes. Quando o número dos ativos circulantes – ativos totais majoram, a lucratividade cai, contudo, o risco igualmente diminui à medida que esse índice aumenta. Quando ocorre o contrário, o resultado também é válido. Resolver se o financiamento dos ativos com empréstimos de curto ou de longo prazo é uma decisão entre tornar mínimo os risco e elevar ao máximo os lucros. Em condições normais, financiamentos em longo prazo são mais onerosos porque os credores que retesam o crédito por mais tempo estão sujeitos a incertezas do mercado no decorrer do período do empréstimo, enquanto que os credores de curto prazo conseguem prever com mais facilidade os riscos que correm. Em relação ao passivo circulante, GITMAN (2002) diz: […] os efeitos da mudança no nível dos passivos circulantes da empresa no tradeoff lucratividade-risco podem ser demonstrados ao se usas a taxa de passivos circulantes em relação ao total de ativos. Essa taxa indica a percentagem do total de ativos que foram financiados com passivos circulantes […]. Quando a alteração ocorre no passivo circulante, o efeito no trade-off lucratividade-risco pode ser evidenciado relacionando passivos circulantes e ativos totais. Nota-se as decorrências sobre lucratividade-risco nas variações ocorrentes no passivo enquanto o total de ativos totais não sobre qualquer alteração. Quando o índice aumenta, majora-se também a lucratividade. Todavia, o risco aumenta, já que o aumento do passivo circulante reduz o capital circulante líquido da empresa. Estratégias de Capital de Giro Saber como financiar os ativos circulantes utilizando os passivos circulantes é uma decisão importante. GITMAN (2002) discorre que 'financiadores fazem empréstimos a curto prazo para permitir que a empresa financie aumentos periódicos nas duplicatas a receber', portanto, 'não emprestam dinheiro a curto prazo para usos a longo prazo'. Sobre gestão do capital de giro, ASSAF (2010, p.19) defende que: […] Uma boa gestão do capital de giro envolve imprimir alta rotação (giro) ao circulante, tornando mais dinâmico seu fluxo de operações. Este incremento de atividade no capital de giro proporciona, de forma favorável à empresa, menor necessidade de imobilização de capital no ativo circulante e consequente ao aumento da rentabilidade […] ROSS (2002) diz que se houvesse uniformidade entre a produção e as vendas, administrar o capital de giro nas empresas seria mais fácil, pois existiria regularidade entre as entradas e saídas de caixa. Nesse cenário (onde o capital de giro líquido poderia ser zero), os ativos de curto prazo podem ser financiados com dívidas de curto prazo, e os ativos de longo prazo podem ser financiados com dívidas de longo prazo e capital próprio. Na realidade, não é possível que os ativos circulantes zerem, já que um nível crescente de vendas em longo prazo resulta em investimento constante em ativo circulante. GITMAN (2002, p. 462) define: […] As necessidades de financiamento da empresa podem ser separadas em uma necessidade permanente e outra sazonal. A necessidade permanente, que consiste de ativos permanentes mais a proporção permanente dos ativos circulantes da empresa, permanece sem mudanças durante o ano. A necessidade sazonal, que consiste da porção temporária dos ativos circulantes, vaia durante o ano. […] É necessário que se saiba o tipo de necessidade da empresa e definir qual a estratégia de financiamento será realizada para que a tática de gerenciamento do capital de giro não falhe. Estratégia de Financiamento Agressiva Nesse contexto, a empresa financia a curto prazo suas necessidades sazonais e determinadas necessidades permanentes. O restante de suas necessidades permanentes com recursos a longo prazo. Essa estratégia trabalha capital circulante liquido mínimo, pois apenas o parcelamento permanente dos ativos circulantes é financiada com fundos a longo prazo, o que pode ser considerado um risco. Outro risco a ser considerado é o fato de a empresa depender das fontes de recursos a curto prazo, para atender às sazonalidades nas suas obrigações de fundos Este aspecto do risco associado à estratégia agressiva ocorre devido o fato de que a capacidade de uma empresa poder conseguir financiamento a curto prazo é restringida a um dado total. Utilizando-se muito desse capital, a empresa poderá encarar problemas para atender necessidades inesperadas. Estratégia de Financiamento Conservadora GITMAN (2002, p.465) diz que: […] estratégia de financiamento conservadora é usada para financiar todas as necessidades projetadas de fundos a lingo prazo, utilizando financiamento a curto prazo somente para emergências ou saídas de fundos inesperados […]. Assim, essa estratégia constitui em utilizar fontes permanentes para financiar toda a necessidade de fundos, o que traria liquidez, porém, devido à ociosidade dos recursos em determinados momentos, prejudicaria a rentabilidade. Qual a melhor escolha? Escolher entre uma e outra é uma opção complexa já que a estratégia conservadora faz com que a empresa pague juros sobre recursos supérfluos enquanto a técnica agressiva apresenta-se mais lucrativa, pois financia apenas o que precisa, mas é arriscada perante a sazonalidade do ciclo operacional. Diante dessa situação, GITMAN (2002, p. 466) afirma 'a troca entre extremos representados por essas suas estratégias deveria resultar em uma estratégia de financiamento aceitável'. Perante a isso, a empresa deve trabalhar intermediariamente com os dois tipos de estratégias. Fontes de Financiamento Há diversas fontes de financiamento que podem ser utilizados pela empresa. O financiamento espontâneo é aquele que, conforme GITMAN (2002, p. 466), 'surge a partir das operações normais da empresa'. Nesse argumento, consideram-se como fontes mais importantes as duplicatas a pagar, que nascem de acordos em que as mercadorias são compradas sem nenhum tipo de duplicata formal, e as contas a pagar, que procedem de serviços que ainda não foram pagos. Há os financiamentos em curto prazo sem garantia, que são aqueles em que 'são negociados e resultam de ações tomadas por parte do diretor financeiro' (GITMAN, 2002, p. 471). Esses podem ser adquiridos em financiamentos bancários, que estão disponíveis a empresas de todos os portes, sendo oferecido por notas promissórias, acordos de créditos rotativos ou linha de crédito e também pelo comercial papers, que são liberadas a empresas de grande porte diante de promissórias emitidas por empresas de alto crédito. Caso queira utilizar esse tipo de financiamento, a empresa deve buscar conhecimento sobre as taxas de juros cobradas em cada segmento para verificar se o financiamento realmente alavancará a rentabilidade da empresa. Outra opção é o financiamento em curto prazo com garantia, que são utilizados quando a empresa esgotou as fontes de empréstimos sem garantia. Nesse caso, ativos específicos são dados em garantia em um contrato que afirma qual o bem oferecido em troca da dívida se essa não for sanada. Muitos acreditam que oferecer ativos com garantia reduz o risco do empréstimo, entretanto, GITMAN (2002, p. 479) ressalva que: […] credores preferem fazer empréstimos menos arriscados com taxas de juros mais baixas, do que estar em uma posição na qual tenham de fazer uso da garantia real dada […]. O risco visto pelos credores nesse tipo de operação é que a garantia dada não impelida o risco do não pagamento da dívida, sendo assim, conforme citado por GITMAN (2002), reduzir as alíquotas para tornar os financiamentos sem garantia mais rentáveis e interessantes para a empresa. Considerações Finais Uma analogia cabível feita pela ADEMPE (1997, p. 130) diz: […] Como a rotação do motor de um carro. Quanto mais giros tiver o motor, mais potência tem. Quanto menos giros tiver o motor, menos potência tem. Ou seja: quanto mais capital (dinheiro) girar a empresa, mais potência tem. Quanto menos capital (dinheiro) girar a empresa, menos potência tem […]. Conclui-se que capital de giro é de suma importância, pois é a engrenagem que movimenta o ciclo operacional da empresa e seu giro de negócios e há diversas formas de girar esse capital. Diante desse fato, entende-se que a gestão do capital de giro deve ser realizada de forma estudada e cautelosa já que uma administração imprópria desse montante causa problemas financeiros à empresa, tornando-a insolvente, enquanto uma gestão eficiente desse capital torna a empresa competitiva e altamente rentável.