Currículo cheio, entrega vazia: o novo drama dos gestores

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Empresas não procuram apenas ocupar vagas. Procuram pessoas que queiram fazer parte, crescer junto e construir algo relevante
Se você é gestor ou empresário, provavelmente já passou por isso:
currículos não faltam, entrevistas acontecem, contratações são feitas…
e, ainda assim, a sensação é a mesma — ninguém fica, ninguém entrega e ninguém se compromete.
Contratar bons profissionais nunca foi tão difícil.
E o problema não é falta de gente, currículo ou formação.
O que gestores e empresários enfrentam hoje é algo mais profundo: a dificuldade de encontrar pessoas que queiram, de fato, construir uma carreira dentro da empresa. Gente interessada, comprometida, com ambição, seriedade e foco em entrega.
Vivemos um mercado com acesso fácil à informação, cursos rápidos e promessas de crescimento acelerado. Mas, na prática, muitos profissionais querem resultados antes mesmo de passar pelo processo. Querem reconhecimento sem entrega, crescimento sem constância e estabilidade sem responsabilidade.
Carreira não nasce pronta. Ela se constrói.
Outro ponto que pesa é a forma como o trabalho passou a ser encarado. Para muitos, o emprego virou algo provisório, sem vínculo, sem compromisso de longo prazo. Isso cria um cenário de alta rotatividade, frustração dos gestores e perda de tempo e dinheiro para as empresas, que investem em pessoas que não demonstram interesse real em evoluir.
É claro que as empresas também erram. Processos seletivos confusos, expectativas mal definidas, lideranças despreparadas e culturas que não valorizam mérito afastam bons profissionais. Quando não existe clareza sobre o que se espera e como crescer, o desalinhamento é inevitável.
Mas existe uma verdade que precisa ser dita sem rodeios: quem quer crescer não basta ter currículo cheio, precisa entregar primeiro. Ambição não é pedir cargo, aumento ou status. Ambição é fazer bem feito, aprender, assumir responsabilidade e construir confiança ao longo do tempo.
Os profissionais que se destacam não são os com os melhores currículos, e sim os mais consistentes. Aqueles que entendem que reconhecimento vem depois da entrega, não antes.
No fim, empresas não procuram apenas ocupar vagas. Procuram pessoas que queiram fazer parte, crescer junto e construir algo relevante. E profissionais que entendem isso se tornam raros e valiosos.
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