Gestão e suas dificuldades em setores e instituições turbulentas

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Em um mundo cada vez mais instável, talvez a maior habilidade do gestor moderno não seja evitar crises, mas saber liderar quando elas inevitavelmente surgem
Falar de gestão em ambientes estáveis já é um desafio. Falar de gestão em setores turbulentos, altamente regulados, com pressão constante por resultados e vidas envolvidas, é outro nível de complexidade. A saúde, especialmente quando falamos de gestão hospitalar e terceirização de serviços médicos, é um dos exemplos mais claros desse cenário.
Atuo como empresário da saúde, liderando operações de terceirização de serviços médicos e gestão hospitalar, e posso afirmar: quem aprende a gerir em ambientes críticos desenvolve competências que transcendem o próprio setor.
Hospitais são organismos vivos. Funcionam 24 horas por dia, com equipes multidisciplinares, escassez de recursos, conflitos de interesse, pressão assistencial, exigências legais e, muitas vezes, decisões que precisam ser tomadas em minutos — ou segundos. Nesse contexto, não existe espaço para improviso constante, vaidade ou gestão baseada apenas em teoria.
O ambiente turbulento como escola de gestão
Setores turbulentos exigem do gestor algo além de planejamento e indicadores. Exigem:
- Capacidade de decisão sob pressão
- Gestão de conflitos constantes
- Comunicação clara em ambientes de alta tensão
- Adaptação rápida a cenários imprevisíveis
- Leitura humana de equipes exaustas e sobrecarregadas
Na terceirização de serviços médicos, por exemplo, lidamos diariamente com escalas críticas, ausências inesperadas, mudanças contratuais, conflitos entre equipes assistenciais e administrativas, além da responsabilidade direta sobre a continuidade do cuidado ao paciente. Um erro de gestão não gera apenas prejuízo financeiro — pode gerar colapso operacional.
Essa realidade obriga o gestor a desenvolver resiliência operacional e inteligência emocional aplicada à tomada de decisão.

Gestão em cenários críticos forma gestores mais adaptáveis
Um ponto que costumo destacar é que gestores formados em ambientes críticos tendem a se adaptar melhor quando migram para setores com menor grau de tensão. Isso ocorre porque a régua de complexidade muda.
Quem está acostumado a resolver problemas onde o risco é alto, o tempo é curto e o impacto é imediato, passa a enxergar conflitos de outros setores sob uma ótica mais racional e estratégica. O que antes parecia urgente, muitas vezes passa a ser apenas importante — e isso muda completamente a forma de agir.
Essa habilidade permite:
- Resolver conflitos com menos desgaste emocional
- Priorizar problemas com mais clareza
- Evitar decisões reativas
- Criar soluções mais estruturadas e sustentáveis
Não se trata de minimizar desafios de outros setores, mas de trazer maturidade decisória para contextos onde o nível de pressão é menor.
Gestão não é só método, é postura
Em ambientes turbulentos, métodos são importantes, mas postura é decisiva. Liderar equipes médicas, profissionais da saúde e gestores administrativos exige coerência, previsibilidade e firmeza, especialmente em momentos de crise.
O gestor precisa ser o ponto de estabilidade em meio ao caos. Isso significa:
- Manter clareza mesmo quando o ambiente está confuso
- Tomar decisões impopulares quando necessário
- Sustentar acordos, contratos e combinados
- Assumir responsabilidade, inclusive pelos erros
Essa postura, construída na prática, é o que diferencia o gestor que apenas ocupa um cargo daquele que de fato lidera operações complexas.
Conclusão
Gestão em setores e instituições turbulentas não é apenas mais difícil — ela é formadora. Forma líderes mais preparados, mais adaptáveis e mais conscientes do impacto de suas decisões.
Minha experiência como gestor de saúde mostrou que, ao dominar a gestão em cenários críticos, desenvolvemos uma vantagem competitiva que pode ser aplicada em qualquer setor: a capacidade de resolver problemas complexos com menos ruído, menos tensão e mais estratégia.
Em um mundo cada vez mais instável, talvez a maior habilidade do gestor moderno não seja evitar crises, mas saber liderar quando elas inevitavelmente surgem.
Bernardo Elias
Instagram: @bernardoelias11








