Segundo Fernandes (1987), desde a origem dos tempos a atividade de material, já acontecia mesmo que de uma forma muito incipiente, pode-se citar a forma como realizavam trocas de caças e de utensílios e, continuando essa viagem no tempo passou-se também pelas trocas mercantis, até atingir os tempos modernos com a chegada da Revolução Industrial. Pode-se dizer que essa inevitável vontade do homem de produzir, estocar e trocar objetos e mercadorias existe tanto quanto a sua própria existência. No período da Idade Média, o consumo existente era em volume pequeno, por isso, não justificava o incentivo a produção e armazenagem de sobeja. Tudo que se produzia era somente para satisfazer às necessidades mais imediatas das pessoas. Ainda, Fernandes (1987), se observada à história mais recente, os períodos da fase inicial da produção e a troca de material passaram a ter grande valor para o desenvolvimento dos povos, como fator de fornecimento. Nesses períodos tiveram o início e o desenvolvimento das primeiras ações de comércio, envolvendo compras, vendas, atendendo as necessidades da economia mercantilista. Segundo Chiavenato (2003), com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII e se estendendo até o século XIX, provocou uma maior concorrência de mercado e melhorou as operações de comercialização dos produtos, dando mais importância aos setores de compras e estoques. O referido período foi marcado por modificações profundas nos processos do sistema de fabricação e estocagem em grande escala. O trabalho, que antes era completamente artesanal foi em parte substituído pelas máquinas, conseguindo elevar a produção para um estágio tecnologicamente mais avançado e a administração passou a ver os estoques sob outro prisma. Alguns fatores contribuíram para impulsionar à Administração de Materiais, dentre eles a evolução fabril, o consumo, as exigências dos consumidores, o mercado concorrente e novas tecnologias, com isso, passou a ser vista como uma arte e uma ciência das mais importantes, para que as organizações pudessem alcançar seus objetivos. Segundo Francischini; Gurgel (2002), com o surgimento da mecanização, da busca pela produção mais eficiente e a automação, o excedente da linha de produção se torna cada vez mais uma preocupação, e com isso, a Administração de Materiais, se torna uma ferramenta fundamental para que exista o equilíbrio dos estoques, para que não falte a matéria-prima, porém não haja excedentes. Pode-se dizer ainda que a administração de materiais tem o objetivo de harmonizar os interesses entre as necessidades de suprimentos e a otimização dos recursos financeiros e operacionais das empresas. Podem ser citados como fatos que marcaram, e que corroboraram para que os materiais passassem a ser administrados cientificamente, foram as duas grandes guerras mundiais. Ficou comprovado que o fator abastecimento ou suprimento foi elemento fundamental para o sucesso ou fracasso das tropas. Segundo Viana (2002), alguns fatos foram determinantes para a confirmação e o surgimento da obrigação de que os materiais precisassem ser administrados utilizando conhecimentos específicos da área, podem ser citadas, as experiências que as forças armadas passaram durante as duas grandes guerras mundiais, buscaram meios eficazes para o abastecimento, em que, a importância do apoio logístico de material às unidades de combate mostrou-se vital para o sucesso dos confrontos armados. Observou-se que apenas com soldados e estratégias, por mais eficazes que fossem nenhum exército poderia alcançar resultados sem munições, equipamentos, sobressalentes, gêneros alimentícios, combustíveis, etc., abastecidos sempre, no momento adequado e no lugar certo. Referências: FERNANDES, José Carlos de F. Função Material e Administração Pública. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 1987. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7 ed. rev. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. FRANCISCHINI, Paulino G.; GURGEL, Floriano A. Administração de Materiais edo Patrimônio, São Paulo: Pioneira Thomson, 2002. VIANA, João José. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2002.