O fator humano nas empresas O fator humano nas empresas é com certeza o diferencial nas empresas de sucesso, um denominador comum entre aquelas que atingiram não só a eficácia, mas também a eficiência. Não é suficiente a empresa procurar manter seus funcionários motivados, oferecer qualidade de vida no trabalho, os empregados precisam fazer a sua parte, se quiserem ser inseridos nessa nova realidade empresarial. Rhinow (2001, p. 4) reforça: As pessoas aparecem como um fator de alta relevância para a competitividade e, conseqüentemente, devem ser gerenciadas de forma bastante cuidadosa. Os elementos dos programas relacionados com o desenvolvimento dos indivíduos dizem respeito, sobretudo ao alcance do bem-estar pessoal, pelo equilíbrio entre as características do profissional, no que se refere ao nível de complexidade do trabalho, e os desafios encontrados. As pessoas de uma forma geral precisam praticar cinco principais atributos: 1. Auto-Estima ou Auto-Realização: significa dar um grande valor a si mesmo, ter um senso de dignidade, aprender com os fracassos, ter a coragem de arriscar de novo, isto quer dizer que – o sucesso só existe quando conseguimos viver nossa própria vida do nosso próprio jeito. 2. Visão de Futuro ou visão estratégica: perceba que tudo ao seu redor começou a partir de uma idéia de alguém – o desejo incontrolável de criar algo, ser diferente. Pensar no futuro é realizar algo no presente. 3. O Compromisso: muitos acham que as pessoas de sucesso são aquelas que possuem grandes talentos naturais, mas estão redondamente enganadas. Não é a capacidade excepcional que torna as pessoas especiais, mas uma extraordinária força e determinação que faz a grande diferença, o compromisso sincero em realizar algo. 4. O Comprometimento: em um mundo competitivo a confiança está diretamente ligada ao desejo de realizar algo de verdade. É procurar fazer as coisas certas e bem feitas. Nada lhe dará mais confiança do que você acreditar que é especial. 5. O Princípio da Contribuição: o princípio da cooperação – isto é, contribuir com algo enquanto se está vivo, fazer a diferença, ser útil. As pessoas que realmente nos transformam são aquelas que fazem diferença na nossa vida e nas dos outros. As pessoas desmotivadas e sem auto-estima acabam se deparando com uma conseqüente sensação de vazio interior. Ao contrário àquelas providas de auto-estima sentem-se confiantes, adequadas à vida, merecedoras do sucesso. As pessoas sem auto-estima sentem-se inadequadas à vida, não merecedoras até mesmo de conforto e tranqüilidade. O que vai determinar a ascensão profissional daqui para frente? Será um conjunto de habilidades e competências, por exemplo, o desempenho, as atitudes, o modo de se relacionar com os outros, o comportamento geral. O profissional deve abandonar a idéia que a habilidade técnica apurada ainda é um trampolim para o sucesso. É o conhecimento, as habilidades e competências adquiridas é o que garantirá um lugar ao sol. As empresas competitivas deixaram de lado modelos hierárquicos rígidos, baseado em cargos, substituíram por novos modelos de gestão que permitam movimentos estratégicos fundamentados em processos. Nesse momento a palavra chave é competitividade, empresas procuram novas oportunidades de negócios, a visão estratégica tem um peso decisivo nessa conquista, pois é nela que deve brotar a criatividade, a inovação, o dinamismo, à vontade de vencer, principal combustível em uma economia internacionalizada. A gestão por competências é parte integrante de um sistema – a gestão organizacional – tomando como referência a estratégia da organização, direciona as ações de recrutamento e seleção, treinamento, gestão de carreira e o fortalecimento de alianças estratégicas, capaz de desenvolver as habilidades e competências necessárias para alcançar os objetivos, sejam eles, pessoais e/ou organizacionais. A organização e sua cultura são formadas por valores, crenças, visões e significados compartilhados. Ela tem um caráter sistêmico e ao mesmo tempo fragmentado. E não deve ser encarada como instrumento racional. As mudanças na empresa não podem basear-se mais no paradigma mecanicista para coordenar e controlar um grupo de pessoas. Competência poderia também ser definida como o conjunto de habilidades, conhecimentos e experiências acumuladas pelo profissional e quando reconhecidos pela liderança e empregados trazem resultados positivos para a empresa. Perfil de Competências necessárias para os novos profissionais, segundo reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 06/07/1997: capacidade de realização; capacidade de assumir riscos; ético e integro; ter visão de futuro; capacidade de planejamento orientado a processos, a pessoas e a resultados; conhecimento técnico; habilidade de negociação; flexibilidade para mudanças; espírito inovador e criativo. Quadro 1 – Volkswagen do Brasil – conjunto de competências profissionais. Resumidamente, será apresentado um conjunto de competências que os executivos da Volkswagen devem possuir, para estarem plenamente preparados para enfrentarem os desafios do mercado: 1. Visão Estratégica – capacidade de prever, controlar de forma consistente os riscos e oportunidades, conseguindo antever problemas, tomando decisões objetivas, práticas e eficientes. 2. Liderança/Empowerment – ser agente na condução de ações de seu pessoal, oferecendo recursos para aumentar a motivação e assegurar que os objetivos do negócio sejam alcançados. 3. Habilidade Empresarial / Empreendedorismo – habilidade de gerenciar sua área e responsabilidades como um negócio, apresentando comportamentos consistentes de arrojo e coragem na busca dos objetivos da organização. 4. Negociação – habilidade para argumentar e conseguir o entendimento, demonstrando firmeza e transparência nos posicionamentos, sem ser intransigente, e obter os melhores resultados para as partes envolvidas (internas e externas). 5. Comunicação – habilidade de expressar idéias, pensamentos e transmitir informações, com linguagem clara e objetiva. 6. Relacionamento Interpessoal – reconhecer, valorizar e adaptar-se às diferenças individuais para criar e manter relacionamentos de maneira transparente, íntegra e saudável. 7. Trabalho em equipe – trabalhar como parte de uma equipe, ao contrário de trabalhar separadamente ou em competência interna. 8. Foco no cliente – direcionar suas ações para atender e entender com empatia a todos como clientes, indo de encontro à satisfação de suas necessidades, reconhecendo e agregando valor às suas expectativas. 9. Mobilidade – disponibilidade para atuar onde as oportunidades estão. 10. Conhecimento técnico/Profissional – conhecimento e experiência requerida para a realização de suas atividades e a capacidade em atingir os objetivos organizacionais. 11. Idioma – conhecimento de idioma estrangeiro, sendo capaz de estabelecer comunicação internacional. Fonte: TENDÊNCIAS, ANO 4, nº 32, MARÇO/2001, Recursos Humanos – Volkswagen do Brasil. Os líderes precisam estar sintonizados com as dimensões contingenciais, que estão ligados aos fatores situacionais. Isto requer um entrosamento muito grande com seus liderados. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso depende tanto do líder quanto dos liderados. Princípios e valores que os profissionais esperam dos líderes: 1. Liderança: as pessoas querem ser conduzidas e não chefiadas. 2. Visão: as pessoas desejam saber que rumos estão seguindo. 3. Orgulho: as pessoas desejam ser reconhecidas e valorizadas. 4. Coerência: as pessoas confiam em gestores quando o vêem agindo corretamente. 5. Comunicação: as pessoas desempenham melhor quando o gestor é franco e respeita seus anseios e idéias. 6. Confiança: as pessoas querem estar certas de que o gestor sempre se comportará de forma justa. 7. Caráter: as pessoas serão influenciadas pelos atos e comportamentos do gestor. 8. Responsabilidade: as pessoas sentem-se seguras em relação ao gestor quando este cumpre seus compromissos e exige que elas façam o mesmo. 9. Integridade: as pessoas respeitam o gestor quando vêem que ele pratica o que prega. 10. Sabedoria: as pessoas respeitam o gestor quando percebem que ele age com imparcialidade e respeito pelos outros. Na cotação das empresas de primeira linha, a moeda da vez chama-se habilidade e competência, que passou a ser a medida de valor. A soma de conhecimentos, habilidades e comportamentos na obtenção de resultados superiores nas mais diversas situações é o que interessa as corporações. Referência Bibliográfica: RHINOW, Guilherme. Inovando e competindo por meio da gestão de pessoas. São Paulo: RAE – Revista de Administração de Empresas/FGV. RAE Light, v. 8, n. 1, p. 2-7 Jan./Mar. 2001. Valdec Romero Castelo Branco Professor universitário há 20 anos, formado em administração de empresas; mestre em administração de empresas; mestre em educação, administração e comunicação (multidisciplinar); pós-graduação Lato Sensu em Docência do Ensino Superior. Trabalha, desde 1995, como consultor associado, prestando consultoria e assessoria nas áreas de gestão de pessoas: treinamentos, palestras, seminários, workshops, cursos in company etc. profvaldec@uol.com.br