O plano que você não revisa é só um papel

Foto: Divulgação/Rivael Hermes dos Santos
Rivael Hermes dos Santos, diretor da ZAH Empreendimentos e vencedor de prêmio internacional de arquitetura, mostra por que a diferença entre crescer e estagnar está em olhar o plano toda semana
Rivael Hermes dos Santos é Diretor Administrativo e de Marketing da ZAH Empreendimentos, incorporadora catarinense baseada em Itapema que conquistou o “Excellence Award for Nature Sensitive Architecture 2024” — prêmio internacional que reconhece projetos de arquitetura sensível à natureza. A empresa, que trouxe para o Brasil o primeiro projeto assinado pelo escritório TROOST+Pessoa fora da Amazônia, construiu sua reputação combinando sustentabilidade, neutralidade de carbono e eficiência energética em empreendimentos de alto padrão. Rivael lidera as áreas administrativa e de marketing de uma operação que cresce em um dos mercados mais sensíveis a ciclos econômicos — o imobiliário — e sua trajetória oferece lições diretas sobre como C-Levels podem navegar instabilidade sem perder o rumo estratégico.
1. O Plano Vivo: Por Que Ter Estratégia Não É Suficiente
Pergunta: Como você decide para onde levar o negócio quando o mercado não para de mudar?
Insight de Rivael Hermes: “Pra onde eu tô indo com o negócio, por que eu tô indo, qual é o plano, eu tô seguindo esse plano? É analisar sobre o plano. Toda semana eu vejo se estamos no caminho do plano.”
O complemento aqui é direto: Rivael não fala de planejamento como um exercício anual de PowerPoint. Ele descreve um ciclo semanal de revisão — o plano como documento vivo, não como arquivo morto. Para C-Levels, isso significa que a estratégia só tem valor se for confrontada com a realidade constantemente. A maioria das lideranças trata o planejamento estratégico como um evento, não como um processo. Empresas como a Amazon operam exatamente assim: Andy Jassy mantém reuniões estruturadas de revisão onde a pergunta central não é “o que fizemos”, mas “estamos no caminho que decidimos”. O risco de não fazer isso é claro — decisões táticas começam a substituir decisões estratégicas, e a empresa reage em vez de conduzir.
2. A Leitura do Cenário: A Soft Skill Que Separa Líderes de Executores
Pergunta: Onde os C-Levels mais estão errando nas decisões hoje?
Insight de Rivael Hermes: “Não estar revisando o plano. Não estar olhando o plano constantemente. As decisões erradas vêm de não fazer uma leitura bem feita do cenário.”
Rivael aponta duas falhas conectadas: a falta de revisão e a incapacidade de ler o cenário. Uma sem a outra não funciona. Revisar o plano sem ler o cenário é burocracia. Ler o cenário sem revisar o plano é reatividade. Quando Satya Nadella assumiu a Microsoft, seu primeiro movimento não foi tecnológico — foi de leitura de cenário. Ele identificou que a cultura “know-it-all” impedia a empresa de enxergar que havia perdido a corrida mobile e estava perdendo a nuvem. A virada para uma cultura “learn-it-all” foi, na essência, uma decisão de melhorar a leitura do cenário. Para um C-Level, a habilidade de ler o cenário exige foco profundo no negócio — não em dashboards superficiais, mas na compreensão real de onde a empresa está, para onde o mercado vai e quais decisões precisam ser tomadas agora.
3. Convicção e Controle do Medo: O Que Ninguúem Te Conta Sobre Crescer em Mercado Instável
Pergunta: Qual a principal lição de estratégia dos últimos anos?
Insight de Rivael Hermes: “Se não revisar o plano, não tiver convicto do que vai botar energia, não anda. Hoje o mercado instável está deixando muita gente com medo. Primeiro aprendi a controlar o medo. Eu tava fazendo um prédio, cheio de prêmios, mas estava na velocidade errada.”
Esse é o insight mais denso da entrevista. Rivael revela que um empreendimento premiado internacionalmente estava sendo executado na velocidade errada — prova de que execução excelente sem alinhamento estratégico é desperdício de recursos. O controle do medo como pré-requisito para decisão estratégica é algo que poucos líderes admitem. Em mercados instáveis, a paralisia se disfarça de prudência. Rivael trata o medo como variável gerenciável, não como emoção a ser ignorada. Para C-Levels, a lição é: convicção não é teimosia — é energia direcionada para o plano certo, na velocidade certa, revisada constantemente.
A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo
O que Rivael descreve não é teoria — é prática de uma empresa que opera em um dos setores mais cíclicos do país. Mas esse padrão se repete em escala global. A Amazon publica cartas aos acionistas que são, na essência, revisões de plano — Jeff Bezos e agora Andy Jassy usam o documento para confrontar abertamente o que deu certo, o que errou e para onde a estratégia precisa ir. A Netflix fez uma das leituras de cenário mais precisas da história corporativa ao identificar o fim do DVD e pivotar para streaming antes de ser forçada a isso. A Microsoft de Nadella transformou a leitura de cenário em vantagem competitiva, abandonando a obsessão por Windows e abraçando nuvem e IA.
A diferença entre quem “usa” metodologias de gestão e quem “é” estratégico está exatamente aqui: as empresas de referência não tratam OKRs, planejamento estratégico e revisões como burocracia. Elas tratam como sistema nervoso central. Rivael, sem usar jargões, descreve exatamente isso: um plano revisitado toda semana, confrontado com o cenário real, ajustado pela convicção de onde colocar energia.
O alerta é claro: a maioria das lideranças está fazendo o oposto. Confunde movimento com progresso. Confunde prêmios com direção certa. Confunde prudência com paralisia. E, como Rivael aponta, está deixando o medo ditar o ritmo — construindo coisas excelentes na velocidade errada.
A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono
Seu plano está sendo revisado toda semana — ou está guardado em uma gaveta esperando o medo passar?









