O Poder da Confiança Quando me foi solicitado ler o livro 'The Speed of Trust' ('O Poder da Confiança' em sua versão em português), de Stephen M. R. Covey, logo fui levado às minhas bases filosóficas da Moral, das atitudes socialmente aceitas como positivas e, como diria Kant, a idéia do dever, Integridade. É fato que, num primeiro instante, disse a mim mesmo que não teria tempo para rever a teoria kantiana naquele momento e que, embora ainda não dominasse (e nunca dominaria) tudo sobre a ética, já havia visto o bastante nos tempos mais moços em que me dediquei mais ao estudo formal da Filosofia. Mera bobagem momentânea minha, pois nunca se deixa a Filosofia, não um bibliófilo como eu, ciente de sua eterna ignorância. Covey foi um pouco além em sua definição de confiança, definindo a integridade como um dos quatros pilares da credibilidade, listados a seguir: Integridade, Intenção/Desejo, Capacidades e Resultados. Antes de prosseguirmos com a revisão destes pilares, revisitemos algumas das expressões de frustração e desencorajamento que Covey costumava ouvir em suas palestras pelo mundo: 'Não suporto as políticas em meu trabalho. Sinto-me sabotado por meus parceiros. Parece que só pensam em si próprios e que farão qualquer coisa para terem sucesso.' 'Acho que minhas contribuições no trabalho dificilmente são reconhecidas ou valorizadas'. 'Meu gerente faz micro gerência tanto do meu trabalho quanto dos demais colegas. Ele nos trata a todos como que não pudesse confiar em nós.' 'Com tantos escândalos, corrupção e violações éticas em nossa sociedade atualmente, sinto como que me tivessem puxado o tapete. Não sei mais em que ou em quem confiar.' 'Trabalho em uma organização que simplesmente não anda de tanta burocracia. Leva uma eternidade para que qualquer coisa seja feita. Preciso de autorização para comprar uma caneta.' 'Ando como que estivesse pisando em ovos no trabalho. Se eu falar o que eu realmente penso, serei demitido… ou, no mínimo, ignorado, tido como irrelevante.' Os Quatro Pilares da Credibilidade Bem… Retomando a idéia inicial de confiança, credibilidade, conforme mencionado acima, Covey vai além dos valores morais e éticos. Para ele, não basta ter integridade, fazem-se necessários Intenção/desejo, capacidades e resultados. Pilar 1: Integridade Sendo a integridade o primeiro pilar, segundo Covey, enquanto inclui honestidade, significa muito mais que isso. É a integrabilidade. É fazer o que se promete. É ser congruente (apropriado) em todos os aspectos. É ter coragem de agir segundo seus valores e crenças. Ora, observe-se que neste tocante, parece que pode haver algum conflito caso seus valores não sejam os mesmos que os de sua empresa. Pilar 2: Intenção – Vontade Covey afirma que este está relacionado aos nossos motivos, que a confiança aumenta quando estes são diretos e baseados em benefícios mútuos, ou seja, quando genuinamente nos importamos não somente com nossos objetivos, mas também com as pessoas com as quais interagimos, lideramos ou servimos. Covey continua afirmando que, quando suspeitamos que alguém tem intenções não declaradas, escondidas, não acreditamos que estas pessoas estejam agindo com vistas aos nossos interesses, daí suspeitamos de tudo que dizem ou fazem. Pilar 3: Capacidades Nossas capacidades, segundo Covey, são as habilidades que possuímos e que inspiram confiança: nossos talentos, atitudes, conhecimentos e estilo. São os meios que utilizamos para produzir resultados. Ora, aqui se observe que ter confiança não é tudo, pois embora ame muito minhas filhas, por exemplo, sendo elas ainda muito jovens, a elas não entregaria a administração contábil de uma empresa, pois para isso ainda não foram treinadas. Pilar 4: Resultados Resultados: é o que mais interessa à uma empresa. Para Covey está relacionado com nossa performance, ao fazermos as coisas acontecerem conforme o esperado. Estes estabelecem nossa reputação. Note-se que tanto capacidades e resultados estão relacionados à competência. Leis Econômicas da Confiança Covey descreve as leis econômicas da confiança: Alta Confiança = Alta Velocidade e baixo Custo Baixa Confiança = Baixa velocidade e Alto Custo Referência: The Speed of Trust – The one thing that changes everything – COVEY, Stephen M. R. , Free Press – New York 2006