Autores: DREWS, Wesley André¹ SILVA, Cleonice da² 1. INTRODUÇÃO Este artigo tem a finalidade de esclarecer sobre a grande área de comércio exterior, que hoje é uma área que cresce fortemente no Brasil, e no mundo, empresas estão cada vez, mais e mais, vendendo produtos para o exterior e também comprando produtos de fora para fazer com que seus consumidores tenham um produto de qualidade em suas casas, obtendo assim, maiores lucros, tendo uma ampliação de seu mercado e abrangência. As empresas não estão mais se privando em trabalhar, ou oferecer seus produtos somente em seus respectivos países, mas estão ampliando seu mercado e oferendo produtos em todo o mundo, grandes empresários, com grandes ambições estão investindo e tendo um retorno altamente lucrativo com as vendas no exterior. A intercionalização das empresas é uma grande jogada quando se pensa em ampliação de mercados, mas por outro lado a intercionalização se torna um grande desafio, pois a concorrência já passa a ser a nível global, então é nesse momento que entra o administrador para apontar as áreas de onde e como deve ser feita a venda no exterior. Hoje em dia, temos empresas que são praticamente donas de seu mercado a nível mundial por razão de uma simples investida no exterior que acabou dando certo. Quando o comércio exterior uma vez é iniciado, este já não pode parar, pois se houver um administrador que saiba como negociar intercionalmente, os negócios tendem a crescer expressivamente, é esta visão que as empresas precisam ter hoje em dia, muitas vezes empresas acabam chegando à falência por falta de ambição, uma vez que fora de nossas fronteiras seu produto poderia ter uma venda muito lucrativa. Um grande exemplo de sucesso é da empresa Gomes da Costa, fundada no Rio de Janeiro no ano de 1954, por um imigrante europeu, hoje já é uma das mais competitivas empresas de enlatados do mundo e é sobre esta empresa que este artigo estará focado. A Gomes da Costa tem uma capacidade de crescimento muito forte, uma das fabricas está localizada na cidade de Itajaí, litoral catarinense. Além de possuir empresas em diversos outros países como Espanha e Argentina, onde se tornou a marca líder em sardinhas e a segunda maior em atum, em apenas três anos. 2. EXPORTAÇÃO E INTERCIONALIZAÇÃO Exportação pode ser definida como a produção de itens de consumo e mão de obra especializada visando à venda para o exterior. A exportação hoje em dia é adotada para que a empresa tenha mais segurança no mercado e não dependa de um grupo especifico de consumidores para atingir suas metas. Consequentemente uma empresa que exporta possui uma diversidade maior de escolha que possibilita um melhor aproveitamento de seus recursos focando o aumento da produção e obter um maior lucro. De acordo com Garcia (2009): “O Comércio Exterior é uma atividade imprescindível para o crescimento e sentimos que com a ampliação da globalização, os acordos assumidos com outras nações alargaram sobremaneira as perspectivas do sucesso brasileiro”. O ato de exportar não pode ser considerado uma coisa simples, pois exige muitos estudos, entre eles está o estudo da cultura do país, quando é feita uma venda ao exterior é preciso conhecer a cultura daquele local e saber qual a demanda daquele produto naquele país, para saber o que ofertar, como ofertar e para quem ofertar. É relativamente segura a decisão de buscar dados estatísticos, que espelham as experiências de outras empresas exportadoras, de produto similar ou idêntico, para a definição dos rumos de uma atividade comercial. Não se pode permanecer alheio ao fato de que, ao se procurar vender um produto intercionalmente, sem a utilização de uma prévia pesquisa científica, restarão a empresa apenas duas alternativas: a) o pioneirismo; b) o aproveitamento das experiências acumuladas por outros que já operam naquele mercado, comercializando produtos similares ou concorrentes. (GARCIA, 2009) A taxa de cambio para o local em que será realizada a exportação, também deve ser avaliada, evitando prejuízos, visando um preço de produto em conta para o comprador e vendedor. Para exportação de um produto ou serviço é necessária uma boa divulgação do produto, uma boa propaganda com certeza gerará um impacto no consumidor, fazendo com que o seu produto naquela região se torne uma necessidade. Uma boa avaliação de mercado também é indispensável, procurando conhecer quais os lugares em que o seu produto possa vender mais. É preciso pelo menos o conhecimento do básico do idioma do país para o qual vai realizar a exportação, sabendo que o idioma mais utilizado para uma venda no exterior é o inglês. Normas de legislação do local de venda, análise da instabilidade econômica do país, entre tantos outros fatores que se devem ter um cuidado especial para uma venda lucrativa e duradoura no exterior. Atuar fora do país é um desafio enorme, mas as empresas precisam se intercionalizar, trabalhar só aqui no Brasil já não é mais suficiente, as empresas precisam ter uma visão mais global de comércio e ter coragem para encarar todos os desafios fora de nossas fronteiras. No princípio deste século, as empresas brasileiras enfrentam o desafio de competir mais acirradamente em nível global, e percebem que, para terem sucesso nessa empreitada, precisam se tornar empresas globais. Em um país que se intercionalizou graças principalmente a reserva de mercado, isso significa romper com uma série de paradigmas enraizados nas empresas e na cultura de seus colaboradores. Essa transformação significa que os dirigentes e os colaboradores dessas empresas precisam ao mesmo tempo aprender a desaprender aquilo que não tem mais validade, o que não é tão fácil como possa parecer, e aprender a agir nesse novo cenário.(VASCONSELOS et al., 2008) Existem alternativas que permitem ao fabricante/produtor atingir o mercado internacional com a exportação de seus produtos, existindo assim três modos de operar, por meio de exportação direta, indireta e exportação via trading company. Quando a exportação é direta a própria empresa faz todos os processos de exportação, sem nenhum tipo de intermediário, para isso a empresa precisa conhecer todo o grande processo burocrático que existe para se realizar uma exportação, mas também não só burocrático, mas sim toda a operação comercial que está por trás. A exportação indireta é mais utilizada para as empresas que estão começando no processo de intercionalização, é mais direcionada a empresa que não tem tanto conhecimento na área, é aí que surge a figura do interveniente que é representado por uma empresa estabelecida no mercado interno, que compra com o fim específico de exportação, um interveniente também pode ser uma empresa comercial de atividade mista, que atua tanto em atividades de mercado interno como externo, cooperativas ou consórcios de fabricantes ou exportadores, ou uma indústria cuja atividade comercial da exportação seja desenvolvida com produtos fabricados por terceiros. Quando o interveniente aparece para a realização da operação internacional o fabricante/produtor precisa mencionar esta particularidade na Nota Fiscal de venda. O fornecedor também precisa tomar algumas cautelas nos tratamentos fiscais, pois tanto na esfera do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), como também na do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) existem algumas particularizações. Nas exportações via trading company ela se torna de determinada maneira mais simples de operar, apesar de ter um tratamento fiscal similar aquele feito ao interveniente, ela traz uma característica de ser conduzida como uma empresa de porte médio para grande e a transação comercial fica mais transparente, dando mais segurança ao negócio. Apesar de ser uma prática mais simples, o fabricante deve ter o cuidado para não ser vítima de golpes, estando ciente de que a empresa em que está lidando é uma empresa correta e que cuidará de todos os aspectos fiscais corretamente. Se olharmos para a exportação direta, veremos que ela ira exigir do administrador melhor preparo para que possa cumprir todas aquelas particularidades conhecidas por sistemática ou processo administrativo/fiscal a ela inerentes, envolvendo desde a avaliação dos riscos até a necessidade do conhecimento dos momentos adequados para a tomada de providencias necessárias ao perfeito desenvolvimento da operação. Por outro lado, se a opção tiver recaído sobre a exportação indireta, ou mesmo sobre a venda a uma trading company, apesar de surgir como uma operação extremamente simples, quando comparada com a direta, irá exigir do fabricante/ produtor, outro tipo de providencia, agora voltada para a qualidade do interveniente ou da trading, e redobrada atenção quanto às exigências fiscais, além disso, a cautela administrativa para que possa ser evitada a concentração dos riscos, que poderá representar possibilidade de perda para o empreendimento. (GARCIA, 2009, grifo do autor) Para uma empresa conseguir o sucesso intercionalmente ela precisa estar ciente de todos os processos necessários para o seu bom andamento fora do país. É bom saber que aqui no Brasil temos empresas que tem grande destaque internacional, empresas que levam junto com seu produto, o nome do Brasil para o mundo. A Gomes da Costa é uma empresa que vende enlatados de variados tipos, que já há alguns anos tem uma grande visibilidade em muitos países do mundo, na sequencia deste artigo estaremos contando um pouco da história desta grande empresa de sucesso, de como ela se intercionalizou e de como está nos dias de hoje. 3. A HISTÓRIA Uma das mais competitivas empresas de enlatados do mundo a Gomes da Costa foi fundada em 1954 por Rubem Gomes da Costa, um português imigrante, que trouxe ao Brasil o habito de comer sardinhas, que era muito comum em Portugal. Ele fundou em 1954 no Rio de Janeiro, uma fábrica de processamento de pescados. Ela cresceu e a marca Gomes da Costa, hoje, já faz parte do dia-a-dia de milhões de brasileiros. Um dos grandes impulsos para este crescimento aconteceu em 1998, quando a unidade produtiva foi transferida para a cidade de Itajaí, em Santa Catarina, que é um estado propicio para pesca e processamento de peixe. É considerada a maior recepção de captura e processamento da América Latina com uma capacidade de produção de 1,2 milhões de latas por dia. Hoje a Gomes da Costa, é a maior produtora de comida enlatada do Brasil, com uma parcela de 45% do mercado. Sua marca foi comercializada a mais de 50 anos, e os produtos mais vendidos são sardinha e atum enlatados de alta qualidade. No ano de 2004 houve uma aquisição pelo Grupo Calvo que foi o que marcou o crescimento da Gomes da Costa, a partir daí a empresa ampliou toda a sua estrutura. A Calvo também está presente na Itália, segundo lugar com 14% do mercado sob a marca Nostromo, adquirida em 1993. Empregando 1800 funcionários em onze barcos, duas fabricas de processamentos em Galícia na Espanha. A Calvo recentemente inaugurou uma nova fabrica em El Salvador, no oceano pacifico. Em 2009, em uma operação conjunta entre Calvo e a Gomes da Costa, o total de vendas atingiu aproximadamente quinhentos milhões de dólares, com uma exportação de 58% para 55 países, se tornando uma das cinco maiores empresas de enlatados no mundo. O Brasil tem uma capacidade de expansão muito grande, atualmente o mercado movimenta um volume de 76 mil toneladas de atum e sardinha por ano, mas levando em conta o que diz a organização mundial de saúde que recomenda um consumo anual de 14 quilos de peixe por pessoa, o Brasil ainda fica longe dessa margem ao ter um consumo anual por pessoa de apenas sete quilos. A Gomes da Costa é uma empresa que cresce muito também no mundo todo, e ainda há muitas oportunidades de crescimento. Seus produtos podem ser encontrados em 32 países, os mercados internacionais abertos mais recentemente da Gomes da Costa foram na Ucrânia, China, Coréia, Iraque, Síria, Jordânia, Austrália, Macedônia, Suriname, Cyprus, Guinea Equatorial e Emirados Árabes. No final de 2010, a Gomes da Costa espera atingir 50 países. A Gomes da Costa está envolvida de diversas formas com a sociedade, a empresa está sempre idealizando projetos e dessa forma também consegue fazer uma maior divulgação de sua marca. Neste ano de 2010 a Gomes da Costa foi patrocinadora do Clube Náutico Marcílio Dias, que é da cidade de Itajaí, tendo a sua marca estampada na camisa, divulgando assim sua marca para o estado todo, pois este clube disputa diversos campeonatos pelo estado de Santa Catarina. A Gomes da Costa também já recebeu vários prêmios de responsabilidade social, por suas várias ações beneficentes, uma delas quando a empresa ajudou enviando trinta toneladas de sardinha e atum para o Haiti visando minorar os efeitos do terremoto que atingiu aquele país no mês de Janeiro. A empresa também desenvolve projetos em conjunto com o SESI para os seus trabalhadores terminarem seus estudos. Neste ano a Gomes da Costa recebeu a certificação da ONG internacional Friends of the Sea (FOS), pelo respeito em relação ao meio-ambiente adotado na obtenção de sua matéria-prima, conservando o habitat marinho, por adquirir espécies de atum de fornecedores que seguem rigorosamente critérios de sustentabilidade. Esta certificação é oferecida as empresas que tem seus produtos originados a partir da pesca e aquicultura sustentáveis. A Política de Gestão Ambiental da empresa também envolve a coleta seletiva de seus resíduos e seus produtos são 100% recicláveis. Alem disso, a empresa recebeu o “Selo Social”, um reconhecimento por parte do Poder Público da cidade de Itajaí ás empresas que realizam investimentos na área social e que estão vinculadas ao cumprimento dos oito objetivos do milênio definidos pela ONU. È uma empresa que se destaca no ramo de enlatados, pois possui uma ampla variedade de produtos como: patês de atum, filés de atum, congelados e empanados de merluza e saladas de atum de diversos sabores, para agradar os mais variados paladares. A empresa busca sempre inovar para atingir o maior número possível de consumidores, mantendo se competitiva no mercado e garantindo o princípio da continuidade da empresa. A Gomes da Costa pode servir de exemplo a inúmeras empresas que desejam se intercionalizar, uma empresa séria, que respeita muito as pessoas e o nosso meio ambiente, também é uma empresa que sabe como negociar fora do país, esses são os diferenciais que a torna uma das maiores empresas exportadoras do nosso país. 4. CONCLUSÃO Com o término deste artigo, podemos perceber o quanto importante é para o país e para uma empresa se intercionalizar, mas se intercionalizar de uma maneira consciente e com estratégias para conseguir encarar o mercado altamente competitivo fora do país. É bom quando podemos perceber o crescimento de empresas, levando assim o nome do Brasil para o mundo, fazendo com que o nosso país tenha uma visibilidade maior. Podemos também ter um maior conhecimento da história e de como funciona uma das maiores empresas exportadoras do Brasil, podemos perceber claramente que a Gomes da Costa procura atender todos os requisitos tanto na área ambiental participando de projetos sócios ambientais e buscando meios de reciclagem com investimentos focados no reaproveitamento de toda a matéria prima usada evitando desperdícios, como financeira buscando sempre inovar com novos produtos para atingir a todos os gostos e aumentar sua amplitude de clientes, gerando assim mais lucro para a empresa com o aumento do consumo. Para uma empresa se internacionalizar e dar início ao processo de exportação ela precisa entender como funciona o processo em si, mas muito mais importante do que isso é saber como conquistar seus clientes fora do país, é preciso um vasto estudo da cultura, dos idiomas e das necessidades destes clientes para que possam se manter competitivas no mercado. Tendo o conhecimento necessário e a coragem também muito necessária para o comércio no exterior podemos compreender que a intercionalização se torna muito valiosa para uma empresa e por todos que estão de alguma forma ligados a ela, tendo assim uma grande probabilidade de sucesso trabalhando fora de nossas fronteiras. REFERÊNCIAS GARCIA, Luiz Martins. Exportar: rotinas e procedimentos, incentivos e formação de preços. 9. ed. São Paulo. Aduaneiras, 2007 VASCONSELOS et al. Intercionalização competitiva: Braskem, CCR, CSN, Dixtal, Embraer, Natura. São Paulo. Atlas, 2008. GDC ALIMENTOS E GRUPO CALVO. Gomes Informa. Itajaí: Ed. 28, 2010. ESPECIAL BRASIL. História da Gomes da Costa. Itajaí, 2010. CHEMERINSKI, Dario. Gomes da Costa [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <cleozinhas2gui@gmail.com> em 24 de ago. 2010. NOTA EXPLICATIVA: ¹ Acadêmico da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC, curso de Administração linha de formação para o comércio exterior. ² Acadêmica da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC, curso de Administração linha de formação para o comércio exterior.