O funcionário público. Um dos cargos mais almejados (independente de nível, salário ou local), onde todo brasileiro já se viu “olhando” para um. O cargo que possui mais sonhos, planejamentos, projeções e vontade de se conquistá-lo do que qualquer outro no setor privado. A tão sonhada ESTABILIDADE é o único motivo que faz esse cargo ser tão desejado apenas pelo seu título. Num país onde as empresas não conseguem se desenvolver da forma como desejam – financeiramente, tecnicamente, cientificamente ou em qualquer outro aspecto em sua Visão empresarial; a mão de obra costuma ser o bode expiatório de todas elas. Não há como negar, o setor privado descarrega todas as suas frustrações de crescimento sobre o setor de RH. O que comprova a minha afirmação é exatamente a cultura que estamos definindo – o tão sonhado concurso público. Digo isto, com autoridade na experiência; enquanto estava cursando Administração, me via buscando as melhores carreiras, os melhores estágios, complementando o conhecimento com cursos (até onde o salário de estagiária dava ou até onde as horas de sono-trabalho-estudo me proporcionavam), experiências e tentativas de evolução pessoal para que eu conseguisse alcançar o tão esperado diploma de graduação e, concomitantemente, o sucesso profissional (e financeiro). Qual não foi a minha surpresa, no último ano da faculdade, descobrir que eu havia passado num concurso público municipal – mesmo que de nível médio; e que em um mês já poderia tomar posse do cargo. Ali estava a oportunidade da ESTABILIDADE! Porém, logo me vi no tão temido ponto de intersecção para dois caminhos: continuar no setor privado (neste momento eu estava trabalhando numa ótima instituição financeira, ganhando o dobro do salário do edital do concurso, com ótimas chances de evolução na empresa, visto que eu já havia alcançado um ótimo local de trabalho e um cargo de visibilidade, porém, como estagiária) ou ir para o setor público (em um cargo de nível médio, ganhando menos, porém com a tão desejada estabilidade ao terminar a faculdade). E, como boa brasileira e jovem audaciosa, segui a única coisa que enxergava em minha frente: a estabilidade. Vocês podem achar que foi um erro eu ter deixado uma possível carreira de sucesso para me “acomodar” no setor público como todos os outros já o são. Veja, do mesmo modo que ser funcionário público é tão admirado, ao mesmo tempo, é totalmente odiado por aqueles que se tornam seus “clientes”. Porém, é uma visão totalmente deturpada que a sociedade impugnou sobre este ofício. O que, claramente, acaba se tornando evidente na minoria e sendo usada de exemplo em todas as esferas (municipal, estadual e federal). Aliado também, ao comparativo de candidatos eleitorais (já taxados de corruptos) – que após as votações acabam tornando-se também funcionários públicos. Contudo, quando comecei a trabalhar no setor público, nunca imaginaria que eu teria tanta autonomia para criação, desenvolvimento, autoridade e performance. Além disso, foi através deste setor que eu pude começar novos projetos pessoais como: uma pós-graduação, um novo curso de idiomas e desenvolver minhas habilidades e conhecimentos no cargo em que estava. Analisemos: o setor público é a “empresa” que tem um dos maiores capitais intelectuais (devidamente confirmadas através dos concursos – uma das melhores formas de avaliação de conhecimentos utilizadas no país), trabalhando do mesmo modo que trabalhariam no setor privado (ficando dependente a motivação pessoal de cada um). Então por quê ainda, em critério de qualidade, o setor público fica tão abaixo do esperado e do setor privado? A resposta é simples: somos regidos por Lei. A autonomia que citei, esbarrava sempre na parede do limite da lei. Podíamos desenvolver novos projetos, novas práticas, novas melhorias, porquanto não passasse dos limites estabelecidos pelos planos governamentais ou de padrões já pré-especificados, regidos por hierarquia. Outro ponto de grande divergência é: o atendimento. A qualidade de atendimento varia da pré-disposição ou empatia de cada funcionário, ao que, comparado ao setor privado, há uma variável totalmente desproporcional, visto que, o funcionário privado não pode ter o mesmo tipo de pré-disposição – já que este é um dos requisitos para a sua “estabilidade” no cargo privado. O que exponho hoje é algo simples e de cunho motivacional, não importa se você deseja ser concursado, se deseja ser um grande líder, apenas ser rico ou se já trabalha no cargo público, no cargo privado, voluntariamente, em estágio, como jovem aprendiz ou qualquer outra forma de trabalho; a estabilidade do seu sucesso, da sua motivação pessoal, do seu desenvolvimento e evolução só se dará de uma única forma: através do seu próprio esforço. É você que faz a sua ESTABILIDADE. “O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria. ” Eclesiastes 9:10