Nesses últimos meses tenho refletido bastante sobre o papel de um líder em uma equipe e o peso que esse papel bem ou mal desempenhado tem para a tal. E, foi pensando nisso que fiz uma analogia com um esporte olímpico em que um primeiro atleta leva em sua mão um bastão, onde este corre por todo um percurso no menor tempo possível para entregar o bastão para um segundo atleta, companheiro de equipe; e, este é quem decidirá a vitória no jogo. Analisando esse esporte e fazendo uma comparação, encontrei alguns pontos que os considero importantes sobre liderança quanto ao repassar de responsabilidades (ou missões) importantes e vitais para a organização com base naquilo que tenho vivido, visto, lido e além daquilo que tenho ouvido de amigos e colegas. Desses pontos temos: Confiança, treino e trabalho em equipe. De cara, essas palavras nos são familiares. Elas são tão familiares e automáticas quanto às respostas dadas nas entrevistas de emprego. Todos os candidatos são proativos, todos são comunicativos, todos são maduros e sabem trabalhar em equipe. Todos! De igual modo, qual líder não dirá: “Eu trabalho a confiança na minha equipe!” ou “Eu trabalho a comunicação na minha equipe!” Tão certo quanto “1 + 1 = 2”, todos dirão, mas será que isso é fato? O que os liderados dirão a respeito? Enfim, esse não é o foco desse artigo, mas vejamos os pontos: 1. Confiança Entregar algo de importante para um subordinado realizar é uma tarefa árdua, visto que são resultados também importantes que estão em jogo. Mas, a palavra-chave na entrega dessa missão é a “confiança”. Em uma de minhas experiências vividas, vi certa vez um líder que perdeu a confiança de sua equipe por excesso de desconfiança. Por ele, todo o trabalho de entrega de responsabilidade estava sendo feito, mas nos bastidores a equipe não sentia firmeza nas suas atitudes até porque toda tarefa delegada tinha um “capataz” conferindo se tudo estava nos conformes. A missão era realizada com um ar de que tudo poderia dar errado. Na conclusão da tarefa, tudo estava por melhorar e quase nada saía conforme o pedido e esperado. Quando não, o responsável que foi delegado largava a atividade num nível de estresse e desconforto. A confiança, de fato, funciona como combustível necessário para quem quer se destacar na organização ou pelo menos naquilo que faz. Quem faz algo bom quer ao menos a confiança de seus líderes para fazê-lo melhor! Mas, a confiança não surge do nada. Para que ela brote é necessário treino! 2. Treino Treino é algo doloroso, mas que dá um resultado excelente, se nesse ambiente houver disciplina, entusiasmo e motivação. O que motiva o atleta não são obviamente as dores de um treino 'puxado', mas o resultado que isso trará. Reconhecimento para o país, lugar no pódio para equipe e destaque pessoal, claro. O treino refina a comunicação com todos os membros da equipe, inclusive com próprio líder, fazendo-os lutar por uma só causa. Não obstante, todos rapidamente saberão como todos trabalham e o desenvolvimento de um trabalho em equipe começa a fazer sentindo. Nesse ínterim a confiança no trabalho do outro começa a tomar forma e trabalhar nesse meio se torna prazeroso. 'Ainda bem que amanhã é segunda-feira', como diz um amigo meu se referindo ao trabalho, ao contrário de muitos que ironizam com essa frase. Treino requer paciência e a vontade, pelo que treina, de querer transformar aquele indivíduo que está sendo treinado no melhor que ele pode ser. Treino requer ensino de fato e não o velho repasse do que você precisa saber. E, isso muitas vezes vem carregado de atividades sem sentido. Isto é, 'por que estou fazendo isso afinal?'. Sinto falta de ver líderes ensinando 'os pulos do gato', ensinando as 'manhas' de como otimizar o tempo em tarefas que são importantes para o negócio; ensinar como pensar como estrategistas ou como gerenciadores de mudança e não como simples executores; Ensinar o por quê de vivenciar o negócio. Não só ensinar, mas conviver com o liderado, mostrando que o quê foi dito é fato! Não generalizo, não tenho poder para isso, mas sinto falta de ver líderes que mais ensinem do que repassem tarefas e padrões 'decorebas'. Sinto falta de ver líderes, formando outros líderes. Às vezes, tenho a sensação de que impera, muitas vezes, a vontade de que o liderado 'aprenda como eu aprendi: apanhando'. A meu ver, esse tipo de atitude atrasa processos de mudança. Reduz os verdadeiros aprendizados a métodos repetitivos. O treino faz com que o liderado, literalmente, sinta-se parte do processo e coopere voluntariamente com a execução da estratégia, como afirmam Chan Kim e Renée Mauborgne (pág. 181. 2005)*. Sim, confiança e treino são essenciais para o próximo ponto: trabalho em equipe. 3. Trabalho em equipe Melhor do que conceituar, permita-me dar um exemplo pessoal sobre trabalho em equipe. Claro que meu exemplo pessoal não vale como um conceito universal, obviamente, mas expressa bem sobre o que poderia dizer em conceitos. Já tive a oportunidade maravilhosa de trabalhar em uma equipe em que todos lutavam por uma mesma causa, por um mesmo propósito. Percebe-se, de cara, o entusiasmo nos olhos de cada um e de como as ideias para se ter resultados surgem com tanta facilidade quanto a água limpa de uma fonte. Era também bastante perceptível que cada um confiava plenamente no trabalho do outro e trabalhava com afinco para que o seu trabalho não ficasse por baixo para que a equipe toda não fosse prejudicada. Não por medo de represália, mas com o sentimento de contribuição. A vontade de que o outro também aprendesse era tão forte, quanto o desejo de querer trabalhar. Indicávamos livros e tirávamos tempo em horários livres para discutir novas estratégias e desejar a execução delas. Lembro-me de uma reunião que fiz com essa equipe, discutindo planos para desenvolver um novo tipo de serviço. A conversa fluía tão facilmente que a impressão era de que todos estavam lendo a mente uns dos outros. Não, não éramos videntes, mas já estávamos num ritmo de treino há um bom tempo e isso correu a nosso favor. No final das contas, uma reunião feita para um só tipo de serviço, fez surgir outras duas ótimas oportunidades de negócio. De fato, é de causar desejo reviver tudo isso novamente e novamente. Conclusão Qual a hora certa de passar o bastão? Isto é, qual a hora certa de passar responsabilidades importantes? Alguns acreditam no feeling, outros na simples competência. Sinceramente, acredito na união dos dois! Pois, em um ambiente de trabalho em que há confiança gerada pelo treino, produzindo trabalho em equipe fará surgir um norte para uma melhor decisão quanto ao delegar de uma atividade importante. Não, não posso dar soluções mágicas, apesar de que isso não existe em Administração. Mas, acredito que analisando bem esses pontos e começando a trabalha-los bem na sua equipe, eles podem ser desde já, um bom caminho a se percorrer. Até porque, amanhã pode ser o dia em que você vai ter que passar o bastão. Até uma próxima! * KIM, W. Chan. MAUBORGNE, Renéé. A estratégia do oceano azul: Como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. Elsevier, 28ª Ed, Rio de Janeiro: 2005.