A atividade de planejar tem muitos significados atribuídos a ela, desde a necessidade urgente de se planejar como uma esfera de ação do ser humano até posicionamentos que argumentam que é inóculo, talvez desnecessário planejar na medida em que não se domina as variáveis que podem interferir em seus planos. Quero discutir aqui a importância de planejar mesmo sabendo que é difícil, muito difícil você dominar as variáveis que tem potencial de interferir em seus planos. A primeira questão a ser discutida é que o resultado prático de um planejamento, seja no domínio particular ou organizacional, é que ele produz efeitos em suas ações hoje, no presente. Logo, pensar o planejamento envolve uma futorologia que deságua nas práticas atuais. Vamos a um exemplo: Quero ir a um Cruzeiro com minha família no final do ano, que envolve, entre outras coisas, disponibilidade de tempo, dinheiro e saúde, ou seja sem dinheiro, doente e sem tempo não podemos ir. Assim, você começa a agir hoje em decorrência de tal planejamento, negociando férias com seu empregador, reservando dinheiro (negando consumo imediato) e mapeando sua saúde por meio da intensidade com que vai ao médico fazer exames e mudanças alimentares, por exemplo. Percebe que pensar um ano a frente tem efeitos no hoje, no imediato, constrangindo certas ações em decorrência de comprometimento futuro? É bem possível que você já tenha ouvido algo parecido com 'e se ficar doente 2 dias antes, serviu de que toda essa preparação?'. Por certo você não vai para este Cruzeiro e, assim, seu planejamento não se realizou como desejado. Isso ocorre com muita frequência pois, como já dissemos, não dominamos todas as variáveis que tem potencial de interferir em meus planos. Contudo, para tal pensamento posso dizer me sobrou dinheiro e tempo para tratar a doença ou iniciar seu tratamento. Porém, se caso eu estive saudável, com dinheiro e sem tempo, ou qualquer combinação dessas, eu não iria para o Cruzeiro por falta de planejamento. Esse, amigos(as), é o ponto: Quando planejo trago para mim a responsabilidade não de pensar o que quero no futuro, não apenas desenhar o futuro que desejo para mim, minha família, minha cidade, meu país, mas sobretudo de prover os meios pelos quais vou perseguir o que quero, de modo que é de minha responsabilidade o esforço empreendido para chegar em algum lugar desejado. Posso, e com frequência ocorre, não chegar em tal ponto. Mas parte dessa frustração decorre de variáveis que não domino e parte é de minha exclusiva responsabilidade. Diversos teóricos já apontam, como Mintzberg, que ao chegar em algum lugar, por exemplo, a ter X filhos, trabalhar na cidade Y, receber Z de rendimento e etc. veremos que muito do que aconteceu para nos se assemelha ao acaso ou a forma de ação em decorrência dos meios possíveis à época. Chamamos isso contemporaneamente de abordagem effectuation, que envolve a competência de agir segundo os meios disponíveis e ser eficiente nestas condições. Porém, do mesmo lugar em que vemos que o caminho trilhado teve percalços não previstos vemos também que fizemos muitas coisas planejadas, muitas coisas programadas e há um sentimento de alegria quando vemos que esforços empreendidos para conquistar algo gerou a conquista desejada. Aqui toco num outro ponto importante: A alegria em ver seus esforços resultar em algo desejado. É muito ruim viver lutando contra situações da vida que não sabemos porque estamos lutando. Por exemplo, porque não consumir hoje? Por que poupar? Para onde estas ações vão me levar? Por fim, você pode conquistar muitas coisas sem planejamento, de modo a saber aproveitar as oportunidades. No entanto, aproveita melhor quem se planeja. É mais realizador quando empreendemos tempo de nossas vidas pensando o futuro e nos preparando para ele. Como dica para ver a dificuldade no ato de planejar pense hoje, segunda-feira, no que irá fazer o resto de sua semana. Pense, melhor ainda, onde quer estar em seu Réveillon. Do modo como está conduzindo sua vida é possível realizar esse sonho? Vai abandoná-lo por que hoje não consegue realizar? Amigo(a), você tem todo o resto do ano (estou escrevendo este texto em Abril/17) para conseguir realizá-lo! Se o sonho é grande para sua condição de hoje, projete-o para o ano que vem! Não se prive de sonhar… e use o planejamento para concretizar, dia-a-dia, seu sonho. Acompanhe Fernando Pessoa quando diz que 'Somos do tamanho de nossos sonhos' e use o planejamento para crescer dia-a-dia em direção ao que se quer!