RESENHA CRÍTICA 1. Referência FERGUSON, Niall. A ascensão do dinheiro: a história financeira do mundo. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2009. 2. Dados sobre o autor Niall Ferguson nasceu em Glasgow na Escócia em 1964. Historiador contra factual, estudou na Magdalen College e em Oxford. É especialista em história financeira e econômica, imperialismo e colonialismo. Leciona na Harvard University, Oxford University e na Stanford University. Escreve regularmente para revistas e jornais de todo o mundo. A Ascensão do Dinheiro e outros livros de Ferguson tornaram-se documentários na televisão britânica. 3. Dados sobre a obra “Atrás de cada grande fenômeno histórico encontra-se um segredo financeiro” (Ferguson, 2009). Essa passagem do livro 'A ascensão do dinheiro' demonstra como Ferguson descreve os fatos históricos explicados por ações financeiras. O livro tem início com o surgimento do dinheiro na Mesopotâmia, mostrando a criação das primeiras instituições bancárias com os Medici na Itália e o financiamento dado por eles para o nascimento do Movimento Renascentista. Explica também como surgiram os seguros e as teorias matemáticas nas quais eles estão embasados. Após demonstrar os tipos de capitais, Ferguson explica o surgimento do comércio de capitais com a criação da primeira bolsa de valores na Holanda. De acordo com o autor a criação da bolsa pôde financiar as navegações e as guerras das quais os flamengos participaram. Explicado o surgimento das bolsas de valores e como essas financiavam os projetos econômicos dos Estados, o autor viaja até os anos pré-Revolução Francesa e explica a criação da primeira bolha especulativa, engendrada por John Law na França, e sua influência indireta nos fatos que geraram a Revolução. Ferguson fala de como a criação de crédito é importante para o desenvolvimento econômico, defendendo as políticas econômicas de Pinochet influenciado pelos 'meninos de Chicago' e como as propriedades são utilizadas como garantia para os credores. Finalizando, o autor explicita as relações comerciais entre Estados Unidos e China e cria o neologismo 'Chiméria'. Após esta explicação, prevê que estamos caminhando para a terceira grande crise econômica, tendo sido a de 1929 a primeira e a de 1973 a segunda. 4. Posicionamento Crítico Como Tristram Hunt disse na sua resenha crítica para o The Observer: 'Sozinho entre os modernos historiadores da economia, ele é capaz de apresentar dados complexos de forma consistente e reveladora.' 'A ascensão do dinheiro' é um livro de leitura corrente e fascinante, mas esconde armadilhas quanto ao seu conteúdo, pois exige de seus leitores atenção e bom conhecimento histórico, econômico e financeiro. É um livro que traz ótimas reflexões e desperta a necessidade de estudar alguns temas mais a fundo. O livro explica de maneira simples, o surgimento do dinheiro e de suas representações: títulos, ouro e prata, fenômenos econômicos como a inflação, financiamentos e as especulações. Mas após essa introdução o livro fica concentrado no eixo Inglaterra, França e Estados Unidos, sendo os fatos 'hitóricos-econômicos' de outros países apenas acessórios para explicar fatos ocorridos nos eixo principal. As Grandes Navegações são utilizadas apenas para mostrar como a Espanha inundou a Europa de ouro e prata gerando assim inflação dos preços. Entretanto, o autor passa por cima de como a Inglaterra fez grande parte desses recursos irem para seus cofres. Explica ainda o crescimento bélico da Holanda apenas pelo sucesso gerado pelos títulos da Companhia das Índias Oriental, deixando de lado as ações piratas dos navios flamengos, que em uma bem sucedida investida roubaram um Galeão Espanhol repleto de prata retirada nas colônias sul-americanas. Ferguson faz uma vasta e detalhada explicação da criação e destruição de grandes fortunas, pessoais e familiares como a de George Soros. O mesmo ganhou grandes cifras monetárias em apenas uma jogada nas negociações precedentes à criação da União Européia. Mas deixou de lado como várias dessas ações financeiras e especulativas criam um rastro de pobreza e fome ao redor do mundo. A África não é citada por um motivo obvio: não está no tempo histórico das grandes especulações financeiras. Mas é quem mais sofre para a manutenção desse sistema, onde grandes corporações instalam suas fábricas para produzir ao menor custo possível, de onde saem ouro, diamante e petróleo. Tudo isso feito desrespeitando o meio ambiente e os direitos humanos. Toda a evolução financeira é simplificada apenas para explicar como as fortunas circulam entre os mesmos países e sempre para um grupo minoritário de pessoas. Uma denuncia interessante, mas pouco aprofundada, abordada por Ferguson foi o papel desempenhado pelo FMI e pelo BIRD como instrumentos de dominação econômica dos países periféricos. O empréstimo de grandes quantias de dinheiro a juros sabidamente impagáveis, teve como conseqüência a posterior imposição de políticas econômicas para garantir o pagamento, mesmo que fosse apenas o pagamento dos juros sendo a dívida principal 'eterna'. Esses bancos internacionais controlaram economicamente vários países trazendo assim conseqüências sociais graves, pois grande parte do PIB era revertido para manter o superávit primário. Conseqüentemente esse dinheiro não era investido em setores fundamentais, como energia, logística, pesquisa e desenvolvimento científico, gerando gargalos econômicos e impedindo o desenvolvimento dessas nações. Ferguson é realmente um ótimo escritor, mas seu livro está mais para um documentário no estilo midiático anglo-saxão do que para um livro histórico- econômico. As conclusões são tão especulativas como os fundos hedge. Todas caminham para colapsos da economia, crises e até um terceiro conflito armado de proporções mundiais, como pode ser bem observado no posfácio do livro. Uma duvida me restou. Por que, alguém com tanto talento, não utiliza toda sua genialidade literária, conhecimento histórico, econômico, financeiro e o título de ser um dos 100 homens mais influentes do mundo para escrever e divulgar soluções para problemas básicos como a fome? Talvez porque falar da ascensão e recessão das grandes fortunas traga mais dinheiro e sucesso do que falar de problemas da humanidade como a fome e a má distribuição erenda. 5. Referencias Bibliográficas LOPES, Jorge. O Fazer do trabalho cientifico em ciências sociais aplicadas. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2006. http://www.guardian.co.uk/books/2008/nov/02/money-niall-ferguson, acesso 11 de outubro 2009. http://www.nytimes.com/2008/12/28/books/review/Hirsh-t.html?_r=1, acesso 11 de outubro 2009. http://macrometria.pt/attachments/123_niallferguson.pdf, acesso 11 de outubro de 2009. 6. Identificação do autor da resenha Tiê Oliva Gomes, graduando em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, para a disciplina de Administração Financeira I