Resenha: Dinheiro, trabalho e espiritualidade Nome: Ana Cláudia Pereira Baumart A OBRA: OSHO. Dinheiro, trabalho e espiritualidade, São Paulo, Editora Gente, 2005. Parte 1: A Visão O autor descreve nesta primeira parte do livro as atitudes de um Buda com relação aos processos da vida, de abdicar do dinheiro, do poder, do sexo, e explica que o Buda só abdicou de tudo isso porque ele teve tudo isso. É só através desta vivencia é que ele pode escolher o melhor caminho para sua vida. Mas será que Buda realmente vivenciou tudo isso? Osho conta que o primeiro Buda era filho de ricos e poderosos, mas que seus pais não queriam que ele sofresse ou sentisse a perda de alguma coisa ou algo. Eles construíram um Castelo de onde ele jamais saiu, e nele montaram uma fortaleza para que ele não visse pessoas tristes, pessoas mortas, folhas mortas, ou ainda pessoas feias ou deficientes para evitar que Buda questionasse porque isso ou aquilo teria acontecido e tornar Buda a sequencia de dinheiro e poder de seus pais, mas depois de adulto se deparou com uma pessoa morta e tudo passou a ser questionado por ele até que desistiu do mundo capitalista em que seus pais viviam. O que entendo é que, Osho, está defendendo que não devemos nos apegar a coisas materiais porque não há um propósito concreto. Como ele mesmo menciona, porque correr tanto atrás de poder, se no final de nossa vida todos temos o mesmo destino? Concordo em partes com ele, porque realmente todos temos o destino da morte, mas como viver e se manter num mundo que gira em torno de uma moeda, um desejo, uma conquista? Osho acredita que nossa mente é substituta do coração, ou seja, temos de ter cuidado para sermos guiados pelo coração e não pela mente. Ele classifica que devemos viver primeiro como um ser, depois com o coração e em terceiro com a mente, porque esse é a lógica para um ser humano autentico. No mercado, a mente tem alto poder porque pensa no lógico, mas muitas decisões que tomamos vem do coração e por isso temos de acreditar no poder do coração e ter cuidado com o poder da mente para não nos tornarmos pessoas de pensamentos frios e lógicos. O coração deve ser o chefe de nossas decisões. A mente não pode ser o chefe de nosso ser. Quando chegamos em casa depois de um dia inteiro de trabalho, nossa mente deve descansar, e precisamos ter o poder sobre ela. Osho diz que nossa mente deve ser como o paletó ou os calçados que utilizamos, porque assim como tiramos eles para descansar precisamos também saber a hora de dar um tempo, e dividir os espaços. Chegar em casa é diferente de chegar no trabalho, o que eu também concordo com Osho. Por muitas vezes e muitas pessoas chegam em casa num estado de “pilha”, não conseguem se desligar dos pensamentos relacionado ao trabalho ou aos problemas que enfrentaram durante o dia. Isso torna o corpo e o coração cansados mais rapidamente e deixamos de viver outras coisas mais, tão prazerosas, de completa tranqüilidade e distinção do stress dos nossos dias. Parte 2: Meditação A meditação é definida pelo autor como um estado de concentração, que só é alcançada pelo ser, sem a intervenção da mente e coração. É conseguir chegar ao seu ponto mais interior possível, mas que poucos, e sábios, conseguem chegar a este ponto, de nada absoluto e muito silêncio. Ele usa três palavras: concentração, contemplação, meditação, mas acredita que não são as palavras mais corretas para definir o estado de espírito de quem alcança a meditação em seu puro estado de desligamento do mundo exterior. Um dos exemplos que ele menciona é o sono, mas ainda que seja o mais profundo dos sonos, não se compara a meditação. Osho diz que o sono é o momento em que desligamos e depois acordamos novamente. É uma necessidade física e pode ser controlado de diversas maneiras, e pelas atividades que temos durante o sono, de pensamentos e do nosso subconsciente, o que a meditação não se equivale, mas defende a pausa durante o dia. Uma pausa de 2 horas seria a perfeição para o funcionamento perfeito de nossa mente e corpo. A mente que tem o privilégio de descansar durante o dia se torna muito mais produtiva do que as mentes que não param para relaxar. Nos dias de hoje, isso é quase impossível. Segundo Osho, essa pausa tem de acontecer sem sacrifícios, e o indivíduo tem de tentar desligar da sua rotina, das pessoas que cercam ele, para tentar alcançar seu interior. Parte 3: Elimine completamente a porcaria social Desde que nascemos, somos doutrinados a sermos conquistadores, inteligentes e acima de tudo poderosos. O autor acredita que temos de nos desapegar de coisas materiais. Não abandoná-las por completo, mas fazer com que trabalhem a nosso favor. Temos sempre de andar de acordo com o que nossos pais, nossos avós ou professores acreditam ser corretos. Não se pode, por exemplo, viver sem dinheiro, mas não precisamos dele a ponto de não respirar mais sem ele. O mundo todo vive nesta redoma de capitalismo mas não nascemos com dinheiro e muito menos carregaremos ele conosco em nossa morte. Deste aprendizado que recebemos desde nosso primeiro dia de vida, Osho aponta também o complexo de inferioridade e superioridade e com eles vivemos constantemente, porque fomos “programados” com a expectativa de sermos os melhores, de conquistar reconhecimento e esperanças de termos mais dinheiro que nossos pais para vivermos uma vida melhor, e acabamos por viver constantemente neste circulo vicioso de dinheiro, poder e reconhecimento, mas o questionamento neste sentido é saber onde queremos chegar, para onde levaremos tudo isso? A inferioridade nasce disso. Porque a grama do vizinho é sempre mais verde, as coisas do vizinho são sempre melhores, o carro, a casa, a esposa? Não sabemos como ele vive com a esposa, mas sabemos que as aparências são melhores que a minha, a casa, a esposa, como se ninguém mais tivesse problemas, contas a pagar e esposas reclamando da vida o tempo todo. A superioridade também gera problemas, porque a comparação é constante. Todos vivemos o tempo inteiro comparando as coisas e as pessoas, e a superioridade está diretamente relacionada a isso, porém a luta do ser que se considera superior é estar sempre a frente de tudo, como por exemplo ter o carro mais caro, a maior casa, a esposa mais bonita (mesmo que a relação do casamento seja péssimo). E Osho diz, em outras palavras, que o superior acaba tendo os mesmos problemas que o inferior, sempre comparando e vendo a grama do vizinho crescer, mas a grama cresce sozinha, não precisa de ninguém. Por isso a importância da meditação, para alcançar o seu interior. Lá você é único, não haverá comparação, não haverá inferioridade, ou superioridade. Lá você é único e vive mais feliz. A inveja é um dos sentimentos relacionados entre a inferioridade e superioridade e acaba com muitas pessoas, até mesmo cometendo o suicídio. Osho identifica a inveja como um “subproduto” da comparação. As pessoas que sentem inveja são vazias, não conseguem enxergar seu interior e estão sempre preocupadas com o exterior, seu próprio exterior e dos outros. Vive em sofrimento por não conseguir ter o que os outros tem. É evidente que esta pessoa sofra porque de alguma maneira está sempre infeliz, se sentindo incompleta. Isso gera ódio em algumas pessoas. A frustração é um motivo desencadeante do ódio. Osho descreve um exemplo de uma competição entre escolas, num torneiro de luta. Um escola se vê obrigada a participar sem ter um lutador preparado e adequado, convida uma pessoa sem preparo, simplesmente porque precisava competir. Mesmo sem preparo venceu muitas lutas, porque lutava tranqüilo e esperando pelo pior resultado, e quando chegou na final, encontrou um adversário que era atleta e preparado para ganhar. Sabia que era inevitável perder, então deitou-se no meio do ring e pediu que o lutador sentasse sobre seu peito e declarasse Vitória. O lutador sentiu-se comovido e como ficou descrente do que estava vendo, pediu que o juiz considerasse empate entre os dois, já que ele não se considerava um vitorioso. Este exemplo serviu para demonstrar claramente, que devemos ter humildade e aceitar as coisas que fogem do nosso controle. De certa forma acredito nisso também, não como comodismo, mas por aceitar que nem tudo funciona de acordo com o que acreditamos ser o correto. Por outra ótima, Osho fala sobre o enfrentamento do medo. Devemos encarar certas coisas de frente. Não podemos viver na sombra do medo. Não podemos eliminar o medo, mas podemos enfrentá-lo para que ele não tome conta de nossas forças, de nossas atitudes. O medo enfraquece as pessoas e a ousadia vez em quando faz falta. Imagina se tivéssemos medo para todas as decisões que temos de tomar? O mundo não se movimentaria mais, seriamos todos retraídos pelo medo e não sairíamos nem mais de nossas próprias casas. Quando o homem deixa de tentar, deixa de viver. Devemos ter um norte, e segui-lo, mas com cautela, amor e serenidade, sem ambição. A ambição também faz parte do ser humano, é natural querer mais. Isso é feio, mas é real. A ambição pode chegar a um esgotamento, trazendo a um individuo a espera de algo que não sabe do que se trata. Esta espera será classificada como iluminação. É nesta transição que reaparecem as conquistas, um novo mundo cheio de amor e paz. Não se pode ter este estágio como uma meta, ele tem de acontecer naturalmente. Parte 4: Trabalho e criatividade O autor menciona que o mundo necessita de viciados em trabalho. Neste ponto eu desenvolvo a necessidade de trabalho para a sobrevivência. A vida de resume a isso, trabalhar para ter mais dinheiro, para ter casas maiores, ter carros mais modernos, ser mais rico. “A ganância é absolutamente louca”. Osho fala em “deixar fluir”, ouça o canto dos pássaros, curta o verde das árvores, contemplando a tranqüilidade. Quando estamos tranqüilos tudo flui. Os viciados em trabalho vivem em constante inquietude, como exemplo os japoneses, eles não tem feriado, porque não sabem o que fazer ficando em casa simplesmente descansando. Os viciados em trabalho são contra a meditação. Certamente Osho fala isso porque sabe que as pessoas excessivamente produtivas devem achar isso perda de tempo. As mentes inquietas destas pessoas não conseguem relaxar, nem mesmo quando chegam em casa. O autor fala que na cama de um casal não há apenas duas pessoas, mas sim uma multidão, porque as mentes não descansam, existe uma série de problemas e ou reflexões sobre o que aconteceu durante o dia. Osho levanta um questionamento sobre o reconhecimento no trabalho. É preciso encarar o trabalho como uma coisa boa. O reconhecimento não pode ser o foco no seu trabalho. Trabalhe porque gosta, trabalhe bem, não pelo reconhecimento, para ganhar o prêmio Nobel. Se não gosta do que faz, então mude de trabalho. “Vida boêmia é a única vida que vale a pena”, expressa Osho, nesta parte de seu livro fala sobre estilo de vida e disciplina. Porque os hippies de antigamente estão usando gravatas hoje? Talvez porque eles puderam optar pelo “deixar fluir” e hoje precisaram incorporar a realidade da sociedade e estão em seus escritórios produzindo, para ter mais dinheiro. Parte 5: Dinheiro Dinheiro é a razão de viver de muitas pessoas. O mundo vive em torno do dinheiro, mas dinheiro não compra amor, não compra amizade. Dinheiro traz sentimento de culpa. Quando uma pessoa tem dinheiro demais acaba dividindo com outras pessoas ou com entidades carentes. Assim o individuo demonstra para a sociedade o quanto ele é bom, quando na verdade está amenizando seu sentimento de culpa. Não deixe que sua vontade de ter dinheiro te destrua. Não adianta guardar e não poder usar. Dinheiro é tudo e é nada ao mesmo tempo. Não deixe ele de lado, apenas aprenda a administrar a vida e o dinheiro. A finalidade do dinheiro é passar de mão em mão, por isso se chama moeda corrente. Não se prenda demais a ele. Dinheiro é uma palavra muito pesada, muita gente mata e morre por ele. Se você ama a uma mulher que ama a outro homem está tudo bem. Se você realmente a ama ficará feliz com a felicidade dela. E desta relação de nada adiantará ter dinheiro. Pode-se construir um império com dinheiro, mas ele não é tudo. O dinheiro arquiteta a hierarquia na sociedade, mas ele não resolve os problemas do seu interior. Parte 6: Novas maneiras de viver A inteligência é do ser, e não da mente. A memória vem de fora, e a inteligência de suas características mais profundas. Hoje em dia, as pessoas mais inteligentes utilizam de 5 a 7% de sua capacidade de inteligência. Use suas energias para o trabalho e o coração para a vida. Aos que possuem grande conhecimento de seu interior, não deixe de praticar a meditação, o silêncio renova, traz conhecimento e sabedoria. É preciso saber o momento de descansar. Mesmo que você seja conhecido, tenha levado seu negócio a diante durante tanto tempo, pare! Faz bem para o corpo, faz bem para o coração. Não fique pensando no amanhã, talvez nem chegaremos até o amanhã. Deixe de pensar em segurança. Quanto mais seguro estiver, mais seco se transformará. O crescimento material acompanha o crescimento espiritual. Mas se você priorizar o espiritual, e depois pensar no material, não haverá problema. O ocidente é espiritualmente pobre e materialmente rico, mas o oriente é materialmente pobre, mas espiritualmente rico. É preciso cuidar dos dois para manter equilíbrio. Conclusão: O que Osho defende é que temos de ter um tempo para nós mesmos. Vez em quando faz um bem tremendo. Não importa o quanto você trabalhe, não importa o quanto você desfrute da vida, o que importa é se realmente isso é prazeroso ou não. A conquista pelas coisas mais insignificantes tem de ser aos poucos, com o coração. Não podemos deixar que a mente nos domine. A sociedade nos impõe que devemos ser bons no que fazemos, devemos ter dinheiro e poder, mas isso não é tudo. Temos de fazer o que gostamos e só assim teremos paz interior, teremos amor pelas pessoas, pelas coisas que conquistamos. Não podemos deixar de lado o dinheiro e os bens materiais porque fazem parte de nossa sobrevivência, mas precisamos ponderar o que realmente é importante para nós e para as pessoas em que amamos. Devemos trabalhar com o que gostamos ou fazer o possível para que isso seja bom, e tudo virá de uma maneira positiva. Apesar de achar que em alguns momento o autor nos remete a idéia de uma realidade um pouco distante eu concordo com o prazer pelas coisas, com a beleza de pequenas coisas que estão ao nosso redor e que muitas vezes só daremos valor quando não tivermos mais, como uma bela rosa no jardim, um animal silvestre livre e tão próximo de um eco sistema do qual estamos inseridos. Não tão distante, precisamos dar valor às pessoas de bem, hoje cada vez mais difíceis de encontrar. As pessoas de coração puro. Estamos num ritmo eletrizante de trabalho, de preocupações que muitas vezes esquecemos do coração, do amor, da amizade, da compaixão de uma maneira natural.