UMA ABORDAGEM SOBRE CUSTOS E SUAS TERMINOLOGIAS Considerando as formas de custeio e seus reflexos NALDO DA SILVA COSTA ResuMO O presente artigo tem como finalidade mostrar os diversos tipos de custeio. Apresentar as vantagens e desvantagens e a melhor aplicabilidade para cada tipo de negócio. Conceituar os diversos tipos de gastos e definir os seus diferentes modo de rateios. Para a realização desse trabalho que é matéria obrigatória para conclusão de curso, foi realizado pesquisas bibliográfica que trata do assunto, portanto não tem caráter de apresentar ineditismo e sim ampliar o conhecimento do autor e apresentar as diferentes visões dos autores consultados e listado na bibliografia. Palavras-Chave: gestão de custos; tipos de custeio; modos de rateio. RESUMEN Este artículo pretende mostrar los diferentes tipos de costeo. Presentar las ventajas y desventajas, y las mejores aplicaciones para cada tipo de negocio. Conceptualizar los distintos tipos de gastos y definir los modos diferentes de rateo. Para realizacion de este trabajo que es asignatura obligatoria para la finalización del curso, fue realizada pesquisa bibliográfica que trata del asunto, por lo tanto no hay novedoso y si para ampliar el conocimiento actual de el autor y presentar las diferentes opiniones de los autores consultados y citados en la bibliografía. . Palabras clave: gestión de costes, los tipos de costeo, modalidades de rateo. Introdução Em qualquer atividade negocial, onde se tem por objetivo a obtenção do lucro, para remunerar o capital investido do proprietário ou dos sócios, a gestão dos custos é fundamental para a manutenção do empreendimento. De acordo com o SEBRAE um dos motivos mais determinantes para a insolvência/falência de uma empresa está relacionado com a falta de controle financeiro e ausência de um plano de negócios. (Boletim Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil-SEBRAE). Abaixo segue listados alguns dos principais motivos de falência, indicado pelo SEBRAE: Usar dinheiro da empresa para pagar contas pessoais;Ausência de plano de negócios;Ausência de controle de custos;Inadimplência. Vender a prazo sem análise de crédito;Investir sem planejamento;Errar no cálculo de preço;Utilizar cheque especial para bancar gastos da empresa. Conforme pode se observar, com os dados anteriores acima, aquele empreendedor que não administra com exatidão seus custos, está fadado ao fracasso. O gerenciamento correto dos custos vai poder informar com mais precisão o preço de venda. A falta da informação de como formar o preço de venda, como indicado pelo SEBRAE, muita vezes leva a falência. Não é nem tanto o mercado ou concorrência. “A obtenção do resultado passa a depender mais de uma boa gestão de custos”. (BERTÓ, BEULKE, 2006, p. 26) Outro aspecto importante na apuração dos custos para compor o lucro, são os preceitos legais e gerenciais. Legal é o método aceito pela legislação fiscal e gerenciais são métodos usados para acompanhamento, porém sem validade legal. CONCEITOS E DEFINIÇÕES Para uma melhor compreensão de custos, faz-se necessário diferenciar os diversos tipos de gastos. GASTOS – “valores monetários de todos os desembolsos e compromissos assumidos pela empresa no desempenho da suas operações de produção de bens e serviços, de apoio a essas operações, de venda ou de pós-venda”. ( BOMFIM e PASSARELI, 2010, p.51). Esse conceito se aplica a todos os serviços e bens recebidos como, por exemplo: aquisição de matéria prima, aquisição de imobilizado, gastos com mão de obra, com pesquisa, com salários etc. O seu destino final poderá ser classificado como custos ou despesas, dependendo do processo de produção ou serviço. “A separação dos gastos em custos e despesas é fundamental para a apuração do custo da produção e do resultado de um período” (PEREZ JR, OLIVEIRA e COSTA, 2010, p.25). Segundo Martins (2006, p.41) “A regra é simples, bastando definir-se o momento em que o produto está pronto para a venda. Até ai todos os gastos são custos. A partir desse momento, despesas.” Nos gastos também são inclusos os investimentos e as perdas. CUSTOS – são gastos efetuados no processo de fabricação de bens ou de prestação de serviços. “Custos constitui a expressão monetária dos insumos e consumos ocorridos para a produção e venda de um determinado produto ou serviço”. (BERTÓ, BEULKE, 2006, p. 19). O custo só é reconhecido no momento de sua utilização, pois inicialmente pode ser pode ser gasto de aquisição, passando por investimento quando estocado, ao ser associado na produção torna-se custo, mas quando passa a ser bem elaborado volta novamente à condição de investimento, pois é ativado no estoque até o momento da venda. Para ilustrar, vejamos a figura abaixo: INVESTIMENTO CUSTO INVESTIMENTO Produto Uso da matéria prima na fabricação do produto Aquisição de matéria-prima UUssbbb Transformação da matéria-prima Fonte: Ferreira (2010, p.18) DESPESAS – “gastos relativos aos bens e serviços consumidos no processo de geração de receitas e manutenção dos negócios da empresa”. (PEREZ JR, OLIVEIRA e COSTA, 2010, p.22). As empresas têm despesas para gerar receitas e não para produzir bens e serviços. As despesas podem ser administrativas, financeiras, comerciais. Pode ser classificadas como despesas fixas e variáveis. INVESTIMENTOS – “são gastos que irão beneficiar a empresa em períodos futuros”. (WERNKE R., 2001, p.11). Com o passar do tempo e utilização, são alocados para custos e despesas. Como “exemplo de investimentos tem-se os bens estocados até serem baixados por venda, consumo, depreciação, amortização. A compra de imobilizado, aplicação financeira são também investimentos”. (GUIMARÃES NETO, 2008, p.10) PERDA – “são gastos involuntários e anormais que não geram um novo bem ou serviço e tampouco receitas”. (PEREZ JR, OLIVEIRA e COSTA, 2010, p.22). Para Berti (2009, p.21) “são gastos não intencionais decorrentes de fatores externos, fortuitos ou da atividade produtiva a normal da empresa”. DESPERDICIOS – “custos e despesas utilizados de forma não eficiente. São consideradas todas as atividades que não agregam valor e que resultam em gastos de tempo, dinheiro, recursos sem lucro”. (WERNKE R., 2001, p.11). São gastos incorridos no processo produtivo ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantidade dos bens, serviços ou receitas geradas. A identificação e eliminação do desperdício é fator determinante do sucesso ou fracasso de um negócio. Manter desperdício é sinônimo de prejuízo, pois não poderão ser repassados para os preços. As empresas devem constantemente reduzir seus desperdício a fim de permanecerem competitivas no mercado moderno onde a concorrência é cada vez mais acirrada. Para se reduzir os desperdícios, primeiramente é necessário conhecê-los. A mensuração dos desperdícios indica quanto pode potencialmente ser reduzido e onde agir corretivamente. (BORNIA, www.congressodecustos.com.br) Como exemplo de desperdício, Perez Jr, Oliveira e Costa, (2010, p.24), classifica: – retrabalho decorrentes de defeitos de fabricação; – estocagem e movimentação desnecessária de materiais e produtos; – relatórios financeiros, administrativos e contábeis sem qualquer utilidade; – cargos intermediários de chefia e supervisão desnecessárias. E ainda conforme Wernke (2001, p.12) – produção de itens defeituosos – inspeção de qualidade – capacidade ociosa, etc. DESEMBOLSO – Consiste no pagamento do bem ou serviço, independente de quando o produto ou o serviço será utilizado (consumido). O desembolso não deve ser confundido com gastos, pois este é a entrega de dinheiro ou outro ativo. Conforme Perez Jr; Oliveira e Costa, (2010, p.21) têm-se os seguintes exemplos: – compra de matéria-prima à vista; – pagamento de salários aos funcionários; – pagamento de empréstimos bancários; – pagamento de despesas provisionadas no período anterior. O quadro abaixo mostra os conceitos básicos associados a sua característica principal. Gastos Investimentos Perdas Despesas Desperdícios Custo (benefício futuro) (gasto involuntário) (administração) (não agregam valor) (fábrica) Fonte: Wernke, (2001, p.12) Depois de pontuar as diversas conceituações sobre gastos, o próximo tema abordará a classificação dos custos. CLASSIFICAÇÃO DE CUSTOS Principais classificações de custos Classificação Categorias Quanto à tomada de decisões Relevantes Não relevantes Quanto à identificação Diretos Indiretos Quanto ao volume produzido Variáveis Fixos Fonte: Wernke, R. 2001, p.13 Custos relevantes são aqueles que se alteram dependendo da decisão tomada e custos não relevantes são os que independem de decisão tomada. Assim os custos realmente importantes como subsidio à tomada de decisão são os relevantes; os outros não necessitam ser considerados. (WERNKE, R. 2001, p.13) CUSTOS DIRETOS – Para Perez Jr, Oliveira e Costa, (2010, p.30) “são os que podem ser quantificados e identificados no produto ou serviço com relativa facilidade.” Como exemplos temos: – matéria-prima utilizado na elaboração do produto; – energia consumida por máquina (quando houver sistema de medição própria); – mão-de-obra diretamente ligado a produção, etc. CUSTOS INDIRETOS – Para Wernke (2001, p.14): são gastos que não podem ser alocados de forma direta ou objetiva aos produtos ou a outro segmento ou atividade operacional, e caso sejam atribuídos aos produtos, serviços ou departamentos, serão mediante critérios de rateio. (…) São os gastos que a empresa tem para exercer suas atividades, mas que não tem relação direta com um produto ou serviço especifico, pois se relacionam com vários produtos ao mesmo tempo. (WERNKE, 2001, p.14). Como exemplos têm-se: – mão de obra indireta, material indireto, outros custos indiretos. (PEREZ Jr, OLIVEIRA, e COSTA, 2010, p.30) É importante reduzir o máximo possível dos custos indiretos, para que a gestão de custo seja mais objetiva. Para tanto, é necessário a implantação de sistemas de medição na linha de produção e no processo produtivo (tempo gasto), levando sempre em consideração a relação custoxbeneficio, pois pode haver mais dispêndios financeiros e humanos para a medição do que o resultado obtido. (PEREZ Jr, OLIVEIRA e COSTA, 2010, pp.308-310) CUSTOS VARIAVEIS – são os custos que mantém relação direta com o volume de produção ou serviço. Dessa forma se o volume de produção aumenta, conseqüentemente. Para Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.28). Os custos variáveis têm as seguintes características: – o seu valor total varia na proporção direta do volume de produção; – o valor é constante por unidade, independente da unidade produzida; – a alocação aos produtos ou centros de custos, é normalmente, feita de forma direta, sem a necessidade de utilização de critérios de rateios. (PEREZ Jr, OLIVEIRA, e COSTA, 2010, p. 28) Wernke (2001, p.14) ressalta a importância de diferenciar o custo variável do custo direto, “um custo é variável se ele realmente acompanha a proporção da atividade com que ele é relacionado, um custo direto é aquele que se pode medir em relação a essa atividade, setor ou produto”. Por exemplo, se uma empresa consome um metro quadrado de couro para produzir um par de sapatos, observar-se-á o seguinte custo de material direto: Produção Consumo de couro por unidade Consumo total 1.000 1 metro 1.000 1.200 1 metro 1.200 1.500 1 metro 1.500 Fonte: Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.29) CUSTOS FIXOS – são gastos que se mantém constante nas atividades operacionais, independentemente do volume de produção, Como por exemplo, podemos citar o salário e encargos com funcionário, aluguel da fabrica, etc. Para Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.26) Os custos fixos têm as seguintes características: – o valor total permanece constante dentro de determinada faixa da produção; -o valor por unidade produzida varia à medida que ocorre variação no volume de produção, por tratar de um valor diluído por uma quantidade maior; – sua alocação para os departamentos ou centros de custos necessita, na maioria das vezes, de critérios de rateios determinados pela administração; – as variações dos valores totais podem ocorrer em função da desvalorização da moeda ou por aumento ou redução significativa no volume de produção. (PEREZ JR, OLIVEIRA e COSTA, 2010, p. 26) Diferença entre Custo Fixo e Custo Variável (R$) (R$) Custos Variáveis (R$) Custo Fixo (R$) Unidades Unidades Representação de custos fixos e variáveis Fonte: Wernke (2001, p.15) Quanto aos comportamentos dos custos tem-se o seguinte: Unidades Produzidas (A) Custos Fixos Totais (B) R$ Custos Fixos Unitários (C=B/A) R$ Custos Var. Unitários (D) R$ Custos Var. Totais (E=AXD) R$ Custos Unit Totais (F=C+D) R$ 1.000 4.800,00 4,80 2,00 2.000,00 6,80 1.200 4.800,00 4,00 2,00 2.400,00 6,00 1.500 4.800,00 3,20 2,00 3.000,00 5,20 Fonte adaptada: FERREIRA (2010, p.36) Percebe-se que na medida em que a produção aumenta (A), os custos variáveis totais também aumentam (E), os Custos Fixos Unitários (C) diminuem os Custos Fixos Totais (B) e os Custos Variáveis Unitários (D) permanecem constantes, e os Custo Unitários Totais também sofrem alterações inversamente proporcional ao volume produzido, conhecido como economia de escala. CUSTOS SEMIVARIAVEIS E SEMIFIXOS – semivariaveis são aqueles que possuem um valor fixo até determinado limite e depois passam a variar como exemplo energia elétrica e seu consumo mínimo, e o “semifixo são aqueles que permanecem constantes dentro de certos intervalos, alterando-se em degraus até atingir um novo patamar de atividade”. (Wernke, 2001, p.14) Para Bomfim e Passareli (2008, pp. 56; 251), “a separação dos elementos fixos e variáveis dos gastos semivariáveis é de grande importância, notadamente quando se trata da elaboração de orçamentos variáveis ou quando se procede a analise do ponto de equilíbrio”. “Quanto mais precisa for a identificação desses gastos entre fixos e variáveis, maior será o potencial desses recursos como ferramenta de controle de gastos e de decisões gerenciais” (idem, p.251). Semivariavel Semifixo Gráfico representativo dos custos semivariaveis A classificação apresentada pode ser resumida no seguinte esquema: Gastos Consumo de bens e serviços Gastos incorridos na produção de novos bens ou serviços Despesas Gastos incorridos no processo de geração de receitas Custos Fixos Total constante em relação ao volume produzido Indiretos Apropriados de forma subjetiva por critérios de rateios Material direto Fixas Total constante em relação em volume de receitas Indiretas Apropriados de forma subjetiva por critérios de rateios Comissão sobre vendas Diretas Apropriado de forma objetiva por meio de controles Variáveis Total varia em relação ao volume de receitas Despesas administrativas Diretos Apropriado de forma objetiva por meio de controles Variáveis Total varia em relação ao volume produzido Aluguel Fonte: Fonte: Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.24) No esquema exposto, observar-se-á o comportamento dos gastos e os seus desdobramentos, e a partir de então as diversas conceituações dependendo das suas finalidades. A seguir tratar-se-á das diversas formas de custeio. MÉTODOS DE CUSTEIO De acordo com PADOVEZE (2000, p.45), “o objetivo fundamental do Método de Custeio é apurar o custo unitário de uma unidade do produto fabricado”. Sobre a importância da precisão na apuração dos custos têm-se as considerações a seguir: (…), as organizações inseridas num ambiente econômico globalizado preocupam-se com seus fatores de produção. Buscam constantemente mecanismos, sistemas, procedimentos e formas que contribuam para otimizar a gestão, no sentido de que possa competir no mercado com nível de qualidade imprescindível a sua continuidade operacional. Esse ambiente exige informações relevantes relacionadas a custos, desempenho, processos, produtos, serviços e clientes. (…) A atribuição de valores “verdadeiros” aos produtos passou a constituir um dos principais objetivos da contabilidade de custos (…). (WERNKE,2001, p.19) Para Berti (2009, p.59) “quando se pensa em contabilidade de custos, surge o primeiro desafio que é a identificação dos custos das atividades da empresa, independentemente de ser indústria, comércio ou prestação de serviços”. Existem vários métodos de custeio, cada método tem sua finalidade e seus objetivos. Berti (2009, p.59) cita como exemplo “o custo-meta tem como um dos objetivos o de identificar o valor necessário de redução para atingir o custo desejado” destaca entre os diversos métodos, os seguintes: custeio por absorção, custeio direto, custeio pleno, custeio meta, custo baseado em atividades (ABC) etc. De acordo com Padoveze (2005, p.76), “o método é o grande fundamento teórico mais importante na gestão de custos uma vez que todos os demais fundamentos e processos decisórios deverão ser modelados à luz do método adotado”. Para os principais métodos de custeios em relações com os gastos, Padoveze (2004, p.343) esquematiza o seguinte quadro: Tipos de Gastos Métodos de Custeio Matéria-prima Teoria das Restrições Custeio Direto/ Variável Custeio por Absorção Custeio ABC Custeio Integrado RKW Despesas Variáveis Mão-de-obra Direta Mão-de-obra Indireta Despesas Gerais Industriais Depreciação Mão-de-obra Administrativa/Comercial Despesas Administrativas/Comerciais Despesas Financeiras Gastos Totais + Método de Custeio Produto/ Serviço n Produto/ Serviço 4 Produto/ Serviço 4 Produto/ Serviço 3 Produto/ Serviço 2 Produto/ Serviço 1 Fonte: Padoveze (2004, p.343) – Gastos totais – diretos e indiretos 4.1. Custeio por absorção Conforme Berti (2009,) mesmo havendo métodos de apuração de custos mais modernos e mais confiáveis do ponto de vista gerencial e administrativo, o custeio por absorção, por sua aceitação fiscal e, ainda, por identificação com os princípios fundamentais da contabilidade, é o método de apuração de custos mais utilizado no País. O custeio por absorção conforme Martins (2006) é o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade geralmente aceitos e consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados. Para Oliveira e Perez Jr (2000 p.117) “no custeio por absorção todos os custos de produção são alocados aos bens ou serviços produzidos, o que compreende todos os custos variáveis, fixos, diretos ou indiretos”. Como se observa nesse sistema, todos os custos de produção de bens ou serviço são integralizados. Os custos fixos e indiretos serão alocados por sistema de rateios. Quanto a utilização de rateios, Bomfim e Passareli (2008, pp. 60-61) ressaltam: E, nisso, reside a principal falha do custeio por absorção como instrumento de controle. Por mais objetivos que pretendam ser os critérios de rateio, sempre apresentarão um forte componente arbitrário, que distorce os resultados apurados por produto e dificulta (quando não desorienta) as decisões da gerencia com relação a assuntos de vital importância para a empresa, como, por exemplo, a determinação de preços de venda ou o cancelamento da fabricação de produtos deficitários. (BOMFIM e PASSARELI, 2008, pp. 60-61). Berti ((2009) afirma que em razão de os custos diretos serem atribuídos ao produto em função de uma medição objetiva e os de custos indiretos serem rateados, os custos diretos tem apropriação objetiva e os indiretos apresentam certa subjetividade. ATRIBUIÇÃO DE CUSTOS AO PRODUTO Custos Indiretos Custos Diretos Critério de Rateio Consumo Efetivo Objetivo Subjetivo PRODUTO Fonte: Berti (2009, p.60) Conforme Bertó e Beulke (2006) o sistema por absorção, o sistema mais tradicional, foi bastante utilizado e bem aceito em época que os custos fixos não tinham grandes proporções na composição do custo total dos produtos, mercadorias ou serviços. Nessa época, devido as suas pequenas participações e competitividade relativamente baixa, os erros eram bem menos expressivos e mais aceitáveis. Porém com a maior competitividade e desenvolvimento tecnológico, os custos fixos tomaram características de maior relevância na composição geral dos custos dos produtos, mercadorias ou serviços. Isso decorreu em virtude de aquisições de máquinas, informatização, automação. Quanto a esse aspecto, Bertó e Beulke (2006, p.32) afirmam: de um lado, isso se deve a crescente automação da atividade empresarial, no sentido genérico, aumentando a participação do custo fixo de depreciações, leasing, seguros, aluguéis, manutenção, etc. e de outro lado, houve também um sensível acréscimo das despesas ligadas à atividade mercadológica da empresa, caracterizadas pela pesquisa e pelo desenvolvimento de produto, comunicação, serviços pós-vendas etc. (BERTÓ e BEULKE, 2006, p.32) Com a participação mais efetiva dos custos fixos e em conseqüência os seus rateios de forma genérica, nesse contexto, os erros toma forma mais considerável, ocorrendo o sub ou supercusteamento de produtos, mercadorias ou serviços. Para Bertó e Buelke (2006, p.32) “é razoável dizer que o custeio integral, do ponto de vista genérico do preço de venda, está se tornando um sistema menos ajustado ao atual contexto”. Diante dessa afirmação, Bertó e Beulke (2006) levanta o seguinte questionamento: se o método de absorção apresenta essas distorções porque ainda é tão utilizada nas empresas. Esta reflexão leva os autores a apontar uma das causas é a maior segurança que inspira a mente dos empresários, pelo fato de apropriar todos os custos dos produtos e estabelecer o resultado para cada um deles. Eles apontam também que parte dos empresários tem receio de utilizar outro sistema por acharem que este não possa assegurar o repasse de todos os custos aos produtos. Para eles, porém, essas afirmativas não conduzem a resultados concretos, pois deve haver um volume mínimo para a cobertura dos custos fixos, “a pré-atribuição dos custos fixos nas unidades dos produtos, por critérios genéricos, convencionais, pode acabar sendo justamente o fator de impedimento para que se alcancem volumes mínimos, compatíveis, tendentes ou propulsores à geração de um resultado”. (BERTÓ e BUELKE, 2006, p.33) Dentre as vantagens do custeio por absorção a principal está no fato de que é o único sistema legalmente aceito no País. Bertó e Buelke (2006, p.32), ainda asseguram que “mesmo no enfoque do preço de venda, existem inúmeras circunstancias em que o custeio integral se justifica e pode ser utilizado, a saber,”: . situação de produto único: nessa circunstância, de qualquer forma, esse produto precisa absorver todos os custos; . comportamento competitivo monopolista: o consumidor não tem alternativa, e o preço pode ser imposto pelo fabricante; . novos produtos: é extremamente comum o lançamento de novos produtos, para os quais não existem parâmetros de mercado ou concorrência. O custo integral pode nesse caso ser um parâmetro único. . plena ocupação com mercados alternativos: em empresas que operam numa multiplicidade de mercados, com abrangência interna e/ou externa, tendo sua capacidade de produção plenamente ocupada, a utilização de um ou outro sistema de custeio pode não ser muito relevante, desde que haja um bom resultado final; . liderança de preços: empresas lideres de mercado, que estabelecem os preços e são seguidas pelas concorrentes, podem alternativamente utilizar o sistema do custeio integral para essa finalidade. Para ilustrar o sistema de absorção, Martins (2006 pp.37-38) apresenta os seguintes esquemas: Custeio por Absorção Empresa de Manufatura Demonstração de Resultados Receita CPV Lucro Bruto Despesas Lucro Operacional Despesa Custos Estoque de Produtos Venda Fonte: MARTINS (2006, P.37) Custeio por Absorção Empresas Prestadoras de Serviço Custos Despesa Demonstração de Resultados Receita CPV Lucro Bruto Despesas Lucro Operacional Prestação de Serviço Fonte: MARTINS (2006, P.38) O sistema de custeio por absorção ou integral por ser rígido e inflexível tende a ser menos usado no contexto atual. O tópico seguinte abordará o Custeio direto. 4.2. Custeio direto ou variável A premissa básica do custeio direto ou variável é a separação dos gastos fixos e variáveis, e não ratear ou distribuir os gastos fixos. Nesse sistema somente os custos variáveis são apropriados à produção ou serviço. Conforme Berti (2009, p.65) “a técnica do custeio direto parte do princípio de não ratear e não distribuir ao custo dos produtos ou dos serviços as parcelas de custos fixos”. Para Wernke (2001, p.29) “este método considera apenas os custos variáveis de produção e de comercialização do produto ou serviço como matéria-prima, mão-de-obra direta, etc.”. Os custos fixos serão considerados despesas do período. Diante desse panorama, é de crucial importância a separação correta dos gastos fixos e variáveis para uma tomada de decisão mais confiável, conforme assinalam Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.193): Partindo do principio de que os custos da produção são, em geral, apurados mensalmente e de que os gastos imputados aos custos devem ser aqueles efetivamente incorridos e registrados contabilmente, esse sistema de apuração de custos depende de um adequado suporte do sistema contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no estágio de registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de produção, com adequado rigor. Bertó e Beulke (2006, p.34) destacam que o custeio direto ou variável, denominados por eles de custeio marginal (ou variável): (…) parte do principio de que um produto, uma mercadoria ou um serviço são responsáveis apenas pelos custos e pelas despesas variáveis que geram. […] Assim, segundo a concepção desse sistema, somente tais custos e despesas constituem uma efetiva responsabilidade de um produto, uma mercadoria ou um serviço. Os demais custos e despesas (custos e despesas fixas) constituem custos estruturais (mais vinculados a um período de tempo do que a uma unidade de produto). Por conseqüência, os custos e as despesas fixas, segundo os princípios desse sistema, não são de responsabilidade de um ou de outro produto, mas do conjunto deles. O sistema de custeio direto é uma das principais técnicas para tomadas de decisões. Martins (2006, p.202) corrobora com essa assertiva ao afirmar que: Do ponto de vista decisorial, verificamos que o Custeio Variável tem condições de propiciar muito mais rapidamente informações vitais á empresa; também o resultado medido dentro de seu critério parece ser mais informativo à administração, por abandonar os custos fixos e tratá-los contabilmente como se fossem despesas, já que são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades. Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.194) ao se referir aos defensores do sistema de custeio direto, apresentam três argumentos: Os custos fixos, por sua própria natureza, existem independentemente da fabricação ou não de determinado produto ou do aumento ou redução (dentro de certa faixa) da quantidade produzida. Os custos fixos podem ser encarados como encargos necessários para que a empresa tenha condições de produzir, e não como encargos de um produto específico.Por não estarem vinculados a nenhum produto especifico ou a uma unidade de produção, eles sempre são distribuídos aos produtos por meio de critérios de rateio que contêm, em maior ou menor grau, a arbitrariedade. A maioria dos rateios é feita com a utilização de fatores, que, na realidade, não vinculam cada custo a cada produto. Em termos de avaliação estoque, o rateio é mais ou menos lógico. Todavia, para a tomada de decisão, o rateio, por melhores que sejam os critérios, mais atrapalha que ajuda. Basta verificar que a simples modificação de critérios de rateio pode fazer um produto não rentável passar a ser rentável e, é claro, isto não está correto. Finalmente, o valor dos custos fixos a ser distribuído a cada produto depende, além dos critérios de rateio, do volume de produção. Assim, qualquer decisão em base de custo deve levar em conta, também, o volume de produção. Pior que isso, o custo de um produto pode variar em função da variação de quantidade produzida de outro produto. O método de custeio direto como ferramenta gerencial traz informações importantes para calcular a margem de contribuição, o ponto de equilíbrio e as tomadas de decisões mais favoráveis. Como vantagem desse sistema, Wernke (2001, p.30) destaca “o aspecto gerencial ao enfatizar a rentabilidade de cada produto sem as distorções ocasionadas pelos rateios de custos fixos aos produtos”. Já Bomfim e Passareli (2008, p.260) apontam como argumentos dos defensores do custeio direto “é que o método reflete as flutuações de lucro diretamente relacionadas com as vendas e o nível de produção”. Isso facilita a analise e a situação atual do estagio de venda, se está tendo sucesso ou fracasso. E em conseqüência tomada de medidas corretivas, se necessário. Como desvantagem, Bomfim e Passareli (2008, p.260) destacam dois argumentos desfavoráveis: “o custeio direto é muito teórico, não atendendo os princípios da “boa” teoria contábil; e o custeio direto do produto, ao concentrar-se em apenas uma parte dos custos, omite custos incrementais relevantes”. Bomfim e Passareli (2008, p.261) afirmam o seguinte, quanto aos sistemas de custeio direto e absorção: Devemos deixar claro que os que defendem o custeio direto e aqueles que defendem o custeio por absorção destacam diferentes aspectos do problema. Os que defendem o custeio direto têm o enfoque voltado para as necessidades dos relatórios internos e daí a preocupação em informar a gerencia sobre o comportamento dos custos. Todavia, aqueles que defendem o custeio por absorção entendem que o custeio direto viola o conceito teórico dos custos totais. Para compreender melhor a diferença entre o método de custeio por absorção e custeio direto, Wernke (2001, p.31), apresenta dois quadros genéricos, envolvendo apenas um produto. Componentes Absorção Direto Matéria-prima ($) 1.500 1.500 Outros custos diretos/variáveis ($) 700 700 Custos fixos/indiretos ($) 330 – Total ($) 2.530 2.200 Produção do mês 10 un. 10 un. Custo unitário ($) 253/un. 220/un. Fonte: Wernke (2001, p.31) Supondo uma venda de cinco unidades a $ 500 cada uma, o resultado pelos dois métodos é o representado a seguir: Comparação entre custeio absorção e custeio direto. Demonstração do Resultado do Exercício Absorção Direto Receitas (5 un. X $ 500) 2.500 2.500 CPV (5 un. X custo unitário – 1.265 – 1.100 Lucro bruto 1.235 1.400 Custos fixos – 330 Resultado 1.235 1.070 Fonte: Wernke (2001, p.31) Comparando os dois métodos percebe-se a diferença no resultado, sendo que o custeio direto apresenta um resultado menor, por isso não é aceito para fins fiscais. Berti (2009, p.67) ao tratar o método de custeio direto, destaca: embora trabalhando-se apenas com os custos variáveis e o preço de venda por produto, e conhecidos os custos totais da empresa, pode-se obter dados para determinação do preço de venda; excluir um produto de uma linha de produção da fabricação normal da empresa; avaliar o volume de vendas necessário para a realização do lucro líquido desejado; decidir em fabricar ou comprar partes ou componentes do produto; manter o lucro com redução do preço de venda e um conseqüente aumento da quantidade vendida; saber até que ponto poderá ser reduzido o volume de vendas, sem que a empresa passe a ter prejuízos com esse produto; saber qual o volume de vendas que compensa à empresa realizar com gastos adicionais com propaganda e promoção, de um ou mais produtos; tomar decisões quer estratégicas, quer táticas, com a mudança de objetivos e/ou políticas da empresa. Concluindo, o sistema de custeio variável é muito importante para tomada de decisões gerenciais, quanto à fixação de preços, determinação do mix de produto e comportamento do lucro em face das variações de vendas. 4.3. Custeio por Atividade (ABC) O Custeio por Atividade (Activity Based Costing) surgiu na década de 80, como resultado dos estudos dos Professores Kaplan e Cooper, da Havard Bussines School, com o objetivo principal de alocar os custos e despesas indiretas fixas aos produtos. Bonfim e Passareli (2008, p. 340) conceituam o custeio por atividade como “um sistema de custeio baseado na análise das atividades significativas desenvolvidas na empresa”. Eles afirmam que os sistema ABC é um complemento aos sistemas de custeios tradicionais e que sua adoção vem complementar e não substituir a algum desses sistemas. Os sistemas tradicionais em sua premissa básica têm como geradores de custos, os recursos consumidos para a produção dos bens e serviços realizados. Quanto a essa idéia, Bonfim e Passareli (2008, p. 341) afirmam que o sistema de custeio por atividades: “(…) orienta-se a partir do pressuposto de que os recursos das empresas são consumidos pelas atividades nelas desenvolvidas; os produtos ou serviços por sua vez, consomem atividades”. Wernke (2001, p.22) sintetiza o custeio ABC, na figura a seguir: Atividades Custos Produtos consomem geram Lógica do funcionamento do ABC Fonte: Wernke (2001, p.22) Para Wernke (2001, p.23) o método do custeio por atividade, tem o seguinte comportamento: esse método analisa o comportamento dos custos por atividade, e estabelece relações entre as atividades e o consumo de recursos, independentemente de fronteiras departamentais, permitindo a identificação dos fatores que levam a instituição ou empresa a incorrer em custos em seus processos de oferta de produtos e serviços e de atendimento a mercados e clientes. Perez, Oliveira e Costa (2010, p.236) conceituam o ABC, como uma técnica de controle e alocação de custos que permite: – identificar os processos e as atividades existentes nos setores produtivos, auxiliares ou administrativos de uma organização, seja qual for sua finalidade (industrial, prestadora de serviços, instituição financeira, entidade sem finalidade lucrativa etc.); – identificar, analisar e controlar os custos envolvidos nesses processos e atividades; – atribuir os custos aos produtos, tendo como parâmetros a utilização dos direcionadores (ou geradores) de custos. Conforme Berti (2009, p. 73) “O ABC é uma ferramenta da gestão de custos e que permite melhor visualização dos custos através da análise das atividades executadas dentro da empresa e suas relações com os produtos ou com os serviços, já que o ABC não se aplica apenas nas empresas industriais e sim, em qualquer tipo de empresa que utilize a contabilidade de custos”. Perez, Oliveira e Costa (2010, pp.320-321) afirmam que “os custos das atividades devem ser identificados, medidos, localizados e analisados em função da sua essencialidade para os objetivos de médio e longo prazo para a empresa em questão”. Com tais informações, os gestores podem tomar decisões, tais como: – possível redução pretendida de custos; – eliminação ou redução de produção de bens ou serviços deficitários; – importantes ajustamentos organizacionais envolvendo processos e linhas de negócios; – injeção de recursos para diversificação estratégica na linha de produção. Kraemer (2000:61) apud Perez, Oliveira e Costa (2010, p.321) afirma que: A contabilidade por atividades vem ao encontro dos novos conceitos de administração que enfocam qualidade, competitividade e custos. Ela procura identificar a contribuição de cada unidade ao resultado da empresa. Assim, ficam evidenciados quais as atividades que contribuem positivamente para o resultado total da em presa, garantindo a sua eficácia. Nakagawa (1995) apud Wernke (2001, p. 22) ao tratar do custeio ABC considera que “é um método de análise de custos que busca ‘rastrear’ os gastos de uma empresa para analisar e monitorar as diversas rotas de consumo dos recursos diretamente identificáveis com suas atividades mais relevantes e destas para os produtos ou serviços”. O autor indica que a organização consome atividades e estas que devem receber as parcelas dos custos. Diante dessa assertiva, Bomfim e Passareli (2010) indica que neste método o rateio perde importância e torna-se a última alternativa quanto à atribuição dos gastos indiretos, e que será utilizado somente quando não puder ser distribuído a uma atividade ou a um produto em função de uma relação natural e evidente. Bomfim e Passareli (2008, p. 345) destacam que rastrear gastos significa “(…) pesquisar relações e identificar proporções entre gastos indiretos e atividades e entre essas últimas proporções entre gastos indiretos e atividades e entre essas ultimas e os diverso ‘objetos’ de custeio”. Nesse sistema enquanto os custos variáveis são alocados diretamente ao produto, os custos indiretos são rastreados. Aí reside a diferença com os sistemas de custeios tradicionais, porque no sistema ABC o rateio é substituído pelos direcionadores de custo. Partindo dessa premissa, Berti (2009) afirma que no sistema de custeio ABC é levado em conta dois pressupostos: as atividades que causa custos e que os produtos ou serviços, clientes que demanda atividades. Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.240) apresentam o seguinte quadro sinótico, para ilustrar os conceitos do custeio por atividades: Custos do Período Indiretos em relação aos produtos Diretos em relação aos produtos Direcionadores às funções produtivas e auxiliares Apropriados aos produtos por meio de critérios e controles objetivos Funções produtivas Centros de custos produtivos Funções auxiliares Centros de custos auxiliares Direcionadores de custos Direcionadores de custos Atividades auxiliares Atividades de Atividades Direcionadores Atividades Atividades produtivas Produto Fonte: Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.240) A seguir tratar-se-á de algumas vantagens e desvantagens do custeio ABC. Como vantagens do método de custeio ABC, que tem como principal função a distribuição mais racional dos gastos indiretos, Berti (2009, p.76) apresenta os seguintes: – permite um custeio de produtos mais preciso; – é bastante flexível em suas aplicações; – fornece uma indicação confiável sobre a variação dos custos diretos a longo prazo, a qual é bastante relevante para o planejamento estratégico da empresa; – fornece medidas bastante relevantes das atividades da empresa, tanto financeiras, como não-financeiras; – ajuda a identificação e a compreensão dos comportamentos dos custos de uma empresa. Perez Jr, Oliveira e Costa (2010, p.248) destacam a seguintes vantagens: – identifica os direcionadores de custos, o que facilita a identificação de custos desnecessários, que não agregam valor; – atribuem os custos indiretos aos produtos de maneira coerente com a utilização de recursos consumida para a execução das necessárias atividades. Como críticos ao sistema de custeio por atividade Wernke (2001, p.24) aponta dois autores, Kingcott(1998) e Catelli (1995). Ambos são contrários a qualquer sistema que utilize como premissa o rateio dos custos fixo aos produtos. Kingcott (1998) apud Wernke (2010, p.24): considera que o problema central do custeamento baseado em atividades é que este sistema foi desenvolvido para proporcionar nova sobrevida ao custeio por absorção, que também apresenta grandes limitações quanto à orientação dos processos decisoriais, pois a atribuição dos custos indiretos é sempre arbitrária, consome tempo, e a informação de custos resultante é inadequada para utilização na tomada de decisões Como citado por vários autores, uma das vantagens da competitividade, é a liderança em custos. Saber gerenciar bem os seus custos é fator preponderante para a perpetualidade do negócio. Para isso, o gestor deve estar atento ao melhor sistema de custeio. Bomfim e Passareli (2008, p. 367) destaca que para alcançar o sucesso na implantação do ABC “requer uma mudança na cultura da empresa, ele deve buscar o envolvimento e o comprometimento das pessoas na tarefa árdua de transformar os conceitos de departamentos e centro de custos para os de atividades(…)”. A seguir, para ter um resumo das características dos diversos sistemas de custeio apresentados, Bertó e Beulke (2006, pp.38-40) apresentam o seguinte quadro sintético: CUSTEIO INTEGRAL (Absorção) Características: Preço é função do custo Calcula o custo total do produto Estabelece um resultado do produto É um sistema rígido inflexivel CUSTEIO MARGINAL (Variável) Características: Preço é função de mercado Calcula o custo variável do produto Obtém margem de contribuição do produto Altamente flexível CUSTEIO POR ATIVIDADE (ABC) Características Preço é função da percepção do valor e da gestão de custos Calcula o custo direto do produto Obtém contribuição operacional do produto Medianamente flexível Fonte: Bertó e Beulke (2006, p.40) Após a apresentação dos métodos de custeio por absorção, variável e ABC nas visões dos autores pesquisados, será feito a seguir as considerações sobre a metodologia aplicada e uma breve conclusão. METODOLOGIA Este trabalho trata-se de pesquisa bibliográfica, tendo como finalidade abordar os diferentes sistemas de custeio, neste caso, o custeio por absorção, custeio variável e custeio por atividade (ABC), especificamente, e apresentar os pareceres de diferentes autores sobre o assunto, bem como ampliar o conhecimento do autor. Lakatos e Marconi (2005, p.83) definem método como “conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões na pesquisa” Para Cervo e Bervian (1983, p.55) pesquisa bibliográfica, é aquela que: “explica um problema a partir de referenciais teóricos publicados em documentos”. Conforme Lakatos e Marconi (2005, p.185) a pesquisa bibliográfica “abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao estudo e com finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que já foi dito sobre determinado assunto”. E, ainda, segundo Oliveira (1999, p.119), “a pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição cientifica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno”. Diante das considerações dos autores citados, a pesquisa bibliográfica apresenta determinado assunto com o referencial teórico de diversos autores, sem apresentar nada de novo, buscando apenas as contribuições significativas para o tema. Considerações Finais Este artigo teve como objetivo mostrar resumidamente os diversos métodos de custeio. A empresa, seja qual for seu campo de atuação (produto, bens, serviços, social), que não souber gerenciar bem o seu custo, está correndo grande risco de fracasso. Por isso deve ter pleno conhecimento de seus custos. O gestor tem que conhecer e adotar o melhor método de custeio para a sua empresa. Com a grande competitividade do mercado, a gestão dos custos se torna fator preponderante para o sucesso. Como apontado pelos diversos autores pesquisados, cada método tem suas vantagens e desvantagens, porém há certa preferência pelo método mais moderno, que é a gestão por atividades. Há de se ressaltar que o método aceito pela legislação brasileira é somente o método por absorção, mas para um melhor gerenciamento dos custos, os autores pesquisados indicam também outras opções. Cada empresa tem a sua realidade e deve adotar o sistema que melhor a atende. Referências BERTÓ, D. ; J BEULKE, R. Gestão de Custos: São Paulo: Saraiva, 2006 BERTI, A. Contabilidade e Análise de Custos. 1ª ed. (ano 2006), 4ª tir./Curitiba: Juruá, 2009. 292p. BOLETIM FATORES CONDICIONANTES E TAXA DE MORTALIDADE DE EMPRESAS NO BRASIL-SEBRAE BOMFIM, E. A.; PASSARELI, J. Custos e formação de preços. 5 ed., São Paulo: IOB, 2008 BORNIA, A. C. Analise gerencial de custos.www.inf.ufsc.br, disponivel em http://w3.ufsm.br/contabeis/sem%20academica/AGC.pdf. www.congressodecustos.com.br CERVO, A.L.; BERVIAN, P. A. 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