11 histórias reais para te inspirar a empreender no franchising

Jéssica Ramalho
O franchising não é uma garantia de sucesso, mas encurta a distância entre a decisão de empreender e a construção de um negócio que funciona
Patrícia Ester – Agência Speciaali
De acordo com o Mapa de Empresas do Governo Federal, apenas no primeiro quadrimestre de 2025 foram abertas 1.815.912 empresas no Brasil, alta de 24,4% em relação ao mesmo período de 2024. Dos negócios registrados, 75,85% foram formalizados como MEI, modalidade que concentra trabalhadores em busca de autonomia e renda própria.
O país reúne cada vez mais pessoas dispostas a abrir o próprio negócio, mas ainda convive com altas taxas de mortalidade empresarial: no mesmo período, quase 1 milhão de empresas encerraram as atividades, reforçando que empreender com estrutura faz diferença entre prosperar ou fechar as portas em poucos meses.
Henrique Mol, da Encontre Sua Franquia entrevistou 9 empreendedores para essa matéria especial para o Dia do Trabalhador. As histórias de superação, pertencem a fundadores de redes de franquias e a franqueados que, em determinado momento, decidiram que o emprego com carteira assinada não era mais suficiente.
Cada um deles encontrou, à sua maneira, uma forma de transformar experiência, propósito e coragem em negócio.
Aos sete anos, Jéssica não sabia que estava aprendendo uma das lições mais profundas sobre empreender. Ela apenas queria cuidar do pai, que acumulava comorbidades e dependia dela para medir a pressão e acompanhar a glicose.
Naqueles rituais cotidianos, sem planejamento, ela cultivava o propósito que décadas mais tarde se tornaria a Acuidar, hoje a maior franquia de cuidadores da América Latina, com mais de 220 unidades em operação.
A história de Jéssica não é isolada. Pelo Brasil, ex-executivos, psicólogos, engenheiros e economistas têm trocado o emprego com carteira assinada por um negócio próprio, encontrando no franchising um caminho estruturado para empreender com suporte e reduzir as chances de fracasso nos primeiros anos.
Da engenharia às obras: a virada de Leandro
Leandro passou boa parte da vida executando planos de outros. Formado em engenharia mecânica, trabalhou na GM e na Embraer, onde o ritmo era ditado pelos cronogramas das montadoras e fabricantes de aeronaves.
Em 2008, durante a crise do subprime, saiu da Embraer para fazer um estágio em uma concreteira. Ali aconteceu algo que ele não esperava: apaixonou-se pela construção civil. Não pelo concreto em si, mas pela dinâmica humana daquele ambiente.
A conversa no café com os funcionários, o barulho dos caminhões betoneira, a obra em plena atividade. “Foi lá que percebi que meu talento estava na área comercial e no cuidado com as pessoas”, conta Leandro, fundador da SuperNível, rede de franquias especializada em argamassa autonivelante e argamassa estabilizada.
Com o tempo no setor, ele identificou um problema recorrente: o mercado estava tomado por aplicadores amadores que não seguiam os critérios técnicos necessários e causavam patologias nas obras.
Havia demanda real por profissionais sérios. Em 2020, durante a pandemia, Leandro decidiu empreender por conta própria e fundou a SuperNível. O capital era limitado e a família estava preocupada.
Mas sua visão era clara. “No Brasil, não somos criados para empreender, somos criados para ser empregados, buscando uma falsa segurança. A verdadeira segurança está em ter vários clientes, ou seja, várias fontes de renda”, afirma.
Com o apoio da esposa, que ele considera indispensável nessa trajetória, estruturou a operação e formatou a empresa como franquia, com olhos na expansão para o Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. O déficit habitacional brasileiro, ainda elevado, garante demanda para o setor da construção civil por muitos anos à frente.
O modelo da SuperNível, que leva tecnologia para as obras, ocupa um nicho onde a maioria dos concorrentes ainda opera de forma artesanal, o que torna a proposta especialmente atrativa para construtoras que buscam eficiência, previsibilidade e redução de retrabalho nas etapas de acabamento.
O economista que largou o executivo
Daniel Marques construiu uma carreira longa e sólida dentro do mundo corporativo. Formado em Economia, com especialização em Controladoria e mestrado em Administração de Pessoas, acumulou passagens como controller em empresas de grande porte e lecionou por mais de dez anos em cursos de MBA. Era uma trajetória que poucos arriscariam abandonar.
Tudo mudou quando o proprietário da empresa onde trabalhava faleceu. A crise pessoal que se seguiu, intensificada pela pandemia, o colocou em casa repensando prioridades.
A ideia de empreender na área da saúde sempre existiu como desejo silencioso, mas havia uma dúvida objetiva: o que um economista tem a oferecer nesse setor? A resposta veio do mercado da economia prateada, expressão que designa a crescente demanda por serviços voltados à população idosa.
Pesquisando o segmento, encontrou a Acuidar, rede de franquias de cuidadores domiciliares. Em uma viagem a João Pessoa, conheceu os fundadores. “Senti uma conexão com pessoas humanas e confiáveis”, lembra Daniel.
Voltou para Belo Horizonte com duas unidades contratadas. Cinco anos depois, tem três territórios na capital mineira, equipe estruturada com profissionais de RH, financeiro e gestão de escalas, e acaba de iniciar operações com a Dona Help, segunda marca do mesmo grupo, focada em serviços de limpeza e jardinagem.
Para quem viveu anos como executivo, a transição para empreender exigiu uma mudança profunda de mentalidade. “Quando estamos no CLT, questionamos consultores que nunca empreenderam. A experiência prática faz toda a diferença”, admite.
A parceria com a esposa Bárbara foi o eixo central dessa virada. Ela participou do treinamento, pediu demissão do emprego e assumiu a área administrativa. Daniel ficou com o comercial. A divisão clara de funções, combinada com o suporte da franqueadora, permitiu que o negócio crescesse de forma sustentável desde o início.
O psicólogo que voou mais alto
Gilberto conhece bem a sensação de ter ideias grandes demais para o espaço que o emprego oferece. Psicólogo de formação, passou anos como consultor de recursos humanos em grandes companhias, desenvolvendo líderes e conduzindo processos seletivos.
Era um profissional respeitado, com carreira estável. Mas havia uma inquietação constante. “O mundo corporativo oferece um certo espaço, mas é limitado, cheio de questões estratégicas e políticas internas”, conta Gilberto, franqueado da Bevita em Belo Horizonte.
Em 2011, decidiu empreender de forma independente e fundou a GPD Treinamento e Desenvolvimento, empresa B2B focada no desenvolvimento de líderes corporativos.
Poucos meses após abrir as portas, já atendia clientes no Maranhão, no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Foi como abrir a gaiola e voar mais alto”, descreve. Quem quer empreender mas fica travado pela segurança do emprego formal, segundo Gilberto, muitas vezes subestima o quanto pode render quando opera com autonomia plena.
Mais de uma década depois, com a GPD consolidada, ele sentiu vontade de expandir outra vez. Em 2022, conheceu a Bevita, rede originária de Porto Alegre fundada por um casal com experiência na área da saúde.
O modelo encaixou com perfeição no perfil de alguém que construiu a carreira inteira entendendo e desenvolvendo pessoas. A decisão de empreender com a Bevita enquanto mantém a GPD ativa pode parecer arrojada para quem olha de fora. Para Gilberto, é estratégica: os dois negócios se complementam em valores e na forma de encarar o cliente.
“Empreender é muito difícil, exige muita dedicação, investimento e atenção”, reconhece. “A ilusão de que abrir um negócio significa trabalhar menos é exatamente isso: uma ilusão. Quem quer ter sucesso precisa trabalhar muito, sem hora certa.” O franqueado que se ilude com o contrário costuma, segundo ele, atribuir ao mercado os problemas que nasceram da falta de envolvimento com o próprio negócio.
A fisioterapeuta que virou franqueadora
Nenhuma história neste texto começa mais cedo do que a de Jéssica. Filha de um pai idoso com muitas comorbidades, ela aprendeu a cuidar bem antes de entender o que significava empreender.
Na faculdade de fisioterapia, acompanhou visitas domiciliares que revelavam uma realidade preocupante: cuidadores sem qualificação, sem protocolo e sem afeto. “Eram só banho, fralda e medicação, e os idosos não tinham vida”, conta a CEO e fundadora da Acuidar.
A empresa nasceu em 2016, em João Pessoa, com o propósito de mudar esse cenário.
A proposta ia além do cuidado básico: incluía lazer, acompanhamento em consultas, um álbum de fotografias, música, a possibilidade de sair de casa. “Nós queremos ter vida enquanto estivermos vivos, e é isso que a Acuidar proporciona”, afirma Jéssica.
A empresa cresceu amparada pela reputação de ser, nas palavras dos próprios clientes, a única que realmente se preocupava com o assistido.
Junto ao marido Vítor, médico geriatra, Jéssica estruturou o modelo de franquia. Em janeiro de 2020, realizaram o primeiro treinamento de franqueados. Em março, a pandemia estourou.
A dúvida sobre o futuro durou pouco: com protocolos de segurança desenvolvidos por Vítor, a Acuidar continuou operando enquanto concorrentes fechavam. O resultado foi paradoxal: o período mais desafiador para o Brasil tornou-se o de maior crescimento da rede.
Quem decide empreender com a Acuidar começa a operação de forma remota, sem necessidade de ponto comercial fixo nos primeiros meses. O investimento parte de R$ 25 mil, com royalties de 3%, e inclui uma ferramenta de gestão com módulos para o franqueado, para o cliente e para o cuidador, permitindo que a família acompanhe a rotina do assistido em tempo real, de qualquer lugar.
A marca acumula mais de 220 unidades, recebeu o Prêmio Destaque da ABF na categoria Pleno com a maior nota na avaliação de franqueados, e tem planos de chegar a 300 unidades no Brasil até o final de 2025, com expansão iniciada em Lisboa, Portugal.
O IBGE projeta que em 2050 a população idosa no Brasil ultrapassará os 70 milhões de pessoas, o que coloca a Acuidar diante de um dos mercados com maior potencial de crescimento do país.
O que leva alguém a largar o CLT
Entre todos os relatos, há um fio condutor: a frustração com os limites do emprego formal e o desejo de empreender com mais autonomia, impacto e retorno proporcional ao esforço dedicado. Nenhum dos protagonistas desta reportagem tomou essa decisão de forma impulsiva.
Todos passaram por um processo de análise, de pesquisa de mercado e, na maioria dos casos, enfrentaram o medo antes de dar o primeiro passo.
O modelo de franquia surgiu, para cada um deles, como uma resposta concreta a essa hesitação. Em vez de partir do zero, sem referência de operação ou clientela estabelecida, puderam contar com um sistema testado por outras unidades, treinamento inicial estruturado e suporte contínuo da franqueadora.
Esse encurtamento da curva de aprendizado é especialmente valioso para quem vem do CLT e carrega a bagagem do emprego formal, com seus rituais de reunião, metas claras e hierarquia definida. O franchising traduz parte dessa estrutura para o contexto do negócio próprio, sem eliminar a autonomia que motivou a saída.
Para Daniel Marques, a diferença entre o sucesso e o fracasso está na interpretação dos dados. “É fundamental validar as informações que a franquia passa, como retorno do investimento e taxa de lucratividade.
Mas o mais importante é saber interpretar e analisar indicadores, não só calculá-los”, diz o economista. Para quem considera empreender no segmento de franquias, a análise de viabilidade é tão determinante quanto a identificação com o modelo de negócio.
Gilberto avalia que qualquer decisão de empreender precisa estar alinhada com os valores e com o perfil de quem vai tocar o negócio no dia a dia. “Empreender exige muita dedicação. A ilusão de que abrir um negócio significa trabalhar menos é exatamente isso: uma ilusão. Quem quer ter sucesso precisa trabalhar muito, sem hora certa”, afirma. Sem essa convicção, a menor turbulência é suficiente para desgastar a motivação e comprometer a operação.
A questão das finanças pessoais também aparece como tema recorrente entre quem decide empreender pela primeira vez.
Para Daniel Marques, um dos maiores aprendizados foi entender a sazonalidade do negócio. “Um mês bom pode ser seguido de um mês ruim. É preciso ter reserva técnica e educação financeira para superar esses períodos”, diz.
Esse cuidado com o caixa é o que separa o empreendedor que cresce de forma sustentável daquele que, empolgado com os primeiros resultados, compromete a operação antes de consolidá-la.
Do servidor público ao RH humanizado
Luan entrou no serviço público aos 18 anos. A sensação era de conquista: estabilidade, salário garantido no quinto dia útil, progressão de carreira.
Dez anos depois, formado em gestão de pessoas com especialização em direito do trabalho, havia chegado a líder de setor e acumulava conhecimentos que o emprego público simplesmente não deixava usar. “O órgão público tem uma diretriz própria, mais centralizadora. Eu não conseguia colocar em prática aquilo que aprendi”, conta Luan, hoje franqueado da RHF Talentos há cinco anos.
A insatisfação foi se convertendo em ansiedade ao ponto de buscar apoio médico. Depois de um processo de autoconhecimento, a decisão ficou clara: sair e empreender na própria área de formação. “Você gasta tanto para se formar, para investir na carreira, e não consegue aplicar”, observa.
O que o levou à RHF Talentos foi a proposta de um RH humanizado, alinhada ao que ele já acreditava. “Eu já tinha espírito empreendedor dentro de mim e já fazia tudo que a RHF executa, mas vi na franquia uma oportunidade de ter suporte”, explica. “Qualquer área que você é formado, você pode empreender dentro dela. Então, por que não?”, questiona, dirigindo a pergunta a quem ainda hesita em dar o primeiro passo.
O médico que fundou duas redes
Vitor encontrou no empreendedorismo o espaço natural para combinar formação médica com visão de negócio. Geriatra com formação complementar em fisioterapia e acupuntura, cofundou em 2016, junto à fisioterapeuta Jéssica, a Acuidar, rede de cuidadores domiciliares que hoje soma mais de 220 unidades.
Mas a sede de crescimento, como ele descreve um dos valores centrais do grupo, não se esgotou ali. Com mais de oito anos de experiência acumulada, Vitor identificou uma nova oportunidade: o mercado de limpeza e higienização, que ganhou ainda mais relevância após a pandemia da COVID-19.
Surgiu assim a Dona Help, segunda marca do grupo, voltada para serviços de limpeza residencial e empresarial, além de jardinagem, motorista e cozinheiro. “A Dona Help já nasce com toda a expertise de mais de oito anos da Acuidar.
O que a gente já errou, não erra mais, e o franqueado ganha com isso”, explica. A marca chegou ao mercado com 23 unidades comercializadas e meta de 100 unidades até o final de 2024. Para Vitor, empreender vai além da rentabilidade: “Além de ser um negócio financeiramente sustentável, a Dona Help se preocupa com o lado social. Geramos empregos e mudamos a sociedade”, afirma.
Da fazenda à publicidade digital
Lúcio cresceu em Ipatinga (MG) numa família de lavradores do interior. Desde os 10, 11 anos, observava as dificuldades econômicas ao redor e já sabia que queria ter algo seu. Aos 23 anos, sem ter concluído o ensino fundamental, viveu uma conversão religiosa que descreve como divisor de águas: nova visão, novos hábitos, nova rede de contatos.
Em 2009, abriu o primeiro negócio, um cursinho de informática, junto a um sócio. Nos anos seguintes, acumulou passagens como assessor e diretor de franqueadora, testou diferentes empreendimentos e foi aprendendo na prática o que funciona e o que não funciona.
Hoje mora em Garanhuns (PE) e representa a On Power, rede que instala totens de publicidade digital em estabelecimentos comerciais como salões, academias e clínicas. Os totens exibem anúncios locais e oferecem carregador gratuito de celular, aumentando o tempo de permanência dos clientes.
O investimento inicial é de R$ 14.285, parcelável em até 12 vezes, com projeção de R$ 4.000 líquidos por totem por mês. Para Lúcio, a trajetória demonstra que empreender tem mais a ver com persistência do que com condições de origem. “Ninguém nasce pronto. Busque conhecimento, faça um plano, aprenda com os erros e dê o primeiro passo. O maior erro é não tentar”, resume.
35 anos fazendo o bem: a história de Ana
Ana fundou a Dehon Farmácia de Manipulação em 1990, no mesmo ano em que se casou. Farmacêutica bioquímica industrial formada na Universidade Federal do Paraná, ela optou por empreender num segmento que praticamente não existia no Vale do Itajaí (SC) naquela época. “Ninguém quase sabia o que era farmácia de manipulação”, lembra. Os próprios médicos que ela visitava para apresentar o serviço perguntavam: “Vocês vão fazer medicamento numa farmácia?”
Era necessário educar o mercado enquanto construía o negócio do zero, sem legislação setorial específica, sem referências próximas.
Com quatro unidades próprias em operação, Ana começou a receber recém-formados que queriam empreender na área mas tinham medo de ir sozinhos. Fez um curso de 18 meses na FIESC sobre formatação de franquias e estruturou o modelo.
Os primeiros franqueados foram seus próprios funcionários, que conheciam a cultura da Dehon por dentro. Segundo a Anfarmag (associação do setor), existem hoje cerca de 7.000 negócios de farmácia de manipulação no Brasil. Mais de 50% faturam entre R$ 120.000 e R$ 130.000 por mês, com unidades chegando a R$ 1 milhão mensais.
Para uma Dehon nova, o investimento gira em torno de R$ 400.000; para conversão de outras marcas, de R$ 80.000 a R$ 100.000. “Ter medo é bom, porque significa que você vai ponderar tudo o que vai fazer. A gente deve ter medo com coragem para ser empreendedor. Mas a colheita é muito boa”, conclui Ana, com 35 anos de mercado como respaldo.
Do rio Cuiabá ao mercado financeiro
Ademilson cresceu vendo o pai empreender. Nascido em Campo Grande, chegou a Cuiabá em 2011 e carregou na bagagem o que aprendeu desde os 16 anos trabalhando no depósito de embalagens da família.
A empresa do pai, fundada em 1985 em Campo Grande, era uma distribuidora com representações de grandes marcas. “Desde os 7 anos eu já subia nas mercadorias”, lembra Ademilson, CEO e cofundador da Azul Empréstimo.
Quando foi tirar o passaporte em 2014, se deu conta de que nunca tinha trabalhado com carteira assinada: toda a sua formação havia sido dentro de negócios.
Em 2017, junto ao sócio Cássio, que já operava uma loja de soluções financeiras, Ademilson fundou a Azul Empréstimo em Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná. A divisão de papéis foi natural: Cássio conhecia o operacional do crédito, Ademilson conhecia a formatação de franquias, tendo estruturado mais de 15 redes para outras marcas ao longo da carreira.
Hoje, a Azul ultrapassa 300 unidades e oferece mais de 30 soluções, de crédito consignado a saque do FGTS, passando por seguros, consórcios e financiamento de veículos. A franqueadora não cobra royalties mensais dos franqueados: o ganho vem do repasse de bancos parceiros, alinhando os interesses de quem cede a marca e de quem opera.
Setores em expansão, riscos reais
O cenário macroeconômico reforça a confiança de quem decidiu empreender nesses segmentos. O IBGE projeta que, em 2050, a população idosa no Brasil ultrapassará os 70 milhões de habitantes, dado que sustenta a demanda crescente por serviços de cuidadores especializados.
Na construção civil, o déficit habitacional permanece elevado, gerando oportunidades consistentes para quem empreende com serviços de maior valor agregado. No setor financeiro, a capilaridade do crédito ainda é limitada em boa parte do território nacional, o que explica o crescimento de redes focadas em atendimento personalizado, diferente do que o cliente encontra nos grandes bancos tradicionais.
Mesmo assim, empreender sem suporte continua sendo de alto risco. De acordo com análise da plataforma EmpresAqui sobre o primeiro trimestre de 2026, foram abertas mais de 1,6 milhão de empresas no Brasil entre janeiro e março, das quais 99.458 já tinham sido encerradas na data do levantamento.
Setores com baixa barreira de entrada, como logística e transporte, apresentaram taxas iniciais de encerramento de até 16%. A estrutura que o franchising oferece não elimina os riscos, mas reduz parte deles ao fornecer marca consolidada, suporte operacional, treinamento e sistemas de gestão já testados por outras unidades da rede.
Gestão de gente: o maior desafio
Tecnologia, modelos financeiros e posicionamento de mercado contam muito na jornada de empreender. Mas o ponto que aparece de forma unânime nas falas de fundadores e franqueados é a gestão de pessoas. Para quem empreende em serviços intensivos em mão de obra, como o cuidado domiciliar, a qualidade da equipe na ponta é determinante para a reputação de toda a operação.
Daniel Marques é direto ao tratar do assunto. “Saber lidar, influenciar e gerir pessoas é o grande desafio do mundo atual, e continuará sendo, mesmo com o avanço da inteligência artificial.
A inteligência artificial não substitui a gestão de gente”, afirma. O diferencial, segundo ele, está na equipe comercial que vende com entusiasmo e proximidade, na psicóloga que avalia o perfil das cuidadoras, no gestor que sabe ouvir antes de decidir.
Jéssica desenvolveu um processo seletivo rigoroso para os cuidadores da Acuidar que inclui análise comportamental, verificação de antecedentes, prova teórica e prova prática. “Se o resultado for igual ou superior a sete, o candidato está apto.
Abaixo disso, é desqualificado e só pode tentar novamente após seis meses”, explica. O sistema dá ao franqueado autonomia para montar sua equipe com os critérios da rede, sem depender de aprovação central a cada contratação.
Para Gilberto, que passou décadas desenvolvendo líderes antes de empreender com a Bevita, a comunicação é o principal ativo de qualquer gestor. “Não se lidera no atacado, mas no varejo, individualmente.
O líder que entende que está liderando indivíduos e que consegue transmitir objetivos claros é o que constrói times de alta performance”, afirma. A construção dessa cultura começa no próprio processo de seleção dos franqueados.
Jéssica avalia pessoalmente quem entra para a rede da Acuidar. Ademilson, da Azul Empréstimo, vai na mesma direção: o franqueado precisa estar presente na operação para colher resultados consistentes. “O olho do dono faz a diferença”, resume.
A sacoleira, o estagiário e R$ 1 milhão

Luana vendia roupas que trazia de São Paulo em sacolas, de casa em casa. Vittor era estagiário em Campinas, primeiro emprego de verdade depois de anos carregando sacão de produtos plásticos pelo metrô para vender em lojinhas de R$ 1,99.
Os dois se encontraram, construíram uma vida no interior paulista, e hoje tocam juntos uma unidade da franquia da Encontre Sua Viagem em Pedreira (SP). Em novembro de 2025, bateram R$ 1 milhão em vendas no mês.
O caminho até a agência não foi planejado. Vittor saiu de uma grande indústria de segurança eletrônica uma semana antes do casamento, demitido em uma reestruturação. Na lua de mel em Recife, já havia conseguido um novo emprego por telefone, ganhando três vezes menos. A resiliência virou hábito.
Quando um perrengue em uma viagem a Cancún, com a burocracia do visto do filho, resultou em pesquisa no Google por “agência de viagem barata”, o casal encontrou o modelo que mudaria a rota de ambos.
Luana, que já empreendeu antes com uma loja de moda feminina que chegou a pagar a festa de casamento, foi quem teve o insight: “Por que não abrimos nossa própria agência?”
O diferencial que construíram em Pedreira é a transparência e a proximidade. “Eles sabem da nossa história, dos nossos filhos. Esse atendimento de família para família é o nosso grande diferencial”, conta Luana. Atendimento presencial na loja e online pelo WhatsApp para todo o Brasil. Para empreender em casal, Vittor resume em uma frase: “Um é o alicerce do outro.”
Vendeu o apartamento, cruzou o país
Em 27 de janeiro de 2020, Lívio chegou a Fortaleza com a chave de uma empresa nova e nenhuma rede de segurança. Havia vendido o apartamento no bairro Novo Suíça, em Belo Horizonte, liquidado 25 anos de carreira no regime CLT e apostado tudo num modelo que ainda não tinha uma única unidade franqueada no Brasil.
A LocExpress, rede de locação de equipamentos para construção civil, ganhava seu primeiro franqueado. Semanas depois, a pandemia decretou lockdown.
“Quando vieram as determinações para fechar tudo, eu chorei sozinho na sala da empresa pensando no que tinha feito com a minha família. Mas entendi que dependia só de mim”, conta Lívio.
A resposta que encontrou foi sair batendo de porta em porta, mapeando obras que continuavam funcionando porque a construção civil havia sido classificada como serviço essencial. Enquanto concorrentes fecharam, ele construiu uma carteira de clientes que o conheciam pelo nome.
A crise que poderia ter destruído o negócio antes de começar pavimentou o caminho para uma consolidação acelerada.
Cinco anos depois, Lívio comanda a maior unidade da LocExpress no país: duas lojas em Fortaleza, totalizando 1.200 m², 18 funcionários e faturamento médio de R$ 350 mil por mês. A terceira unidade está em preparação.
O modelo de locação tem uma lógica matemática que ele descobriu cedo na prática: “Tive um cliente que alugou andaimes em 2020 e só devolveu em 2025. O equipamento se pagou várias vezes nesse período e ainda está em ótimas condições.”
A rentabilidade sobre o estoque de equipamentos, segundo Lívio, fica entre 35% e 40%. “CLT não é segurança”, afirma quem passou 25 anos como empregado antes de vender o apartamento e cruzar o país para empreender. “Você pode ser demitido amanhã.”
O preço do medo, o pote de ouro
“Se o medo está te travando, chegou o momento de dar tchau para ele. Por trás do medo está o pote de ouro.” A frase é de Jéssica, mas poderia ser dita por qualquer um dos nomes desta reportagem.
Todos viveram o frio na barriga antes de dar o primeiro passo. Todos enfrentaram resistência, incerteza e, em alguns casos, a desconfiança de quem mais amavam.
O que os diferencia dos que ficaram no emprego não é a ausência de medo, mas a decisão de empreender mesmo assim, com planejamento, suporte e disposição para aprender com os erros.
Leandro saiu da Embraer sem certeza do que encontraria. Daniel Marques voltou de João Pessoa com duas franquias sem ter contado tudo para a esposa. Jéssica lançou a Acuidar como franquia na mesma semana em que a pandemia fechou o país. Todos erraram. Todos ajustaram. E todos seguiram.
O ponto em comum entre esses percursos não é o setor escolhido nem o perfil profissional de origem. É a combinação entre identificação com o negócio, disposição para trabalhar mais do que no emprego formal e uso inteligente do suporte que a rede oferece.
Nenhum deles confundiu a facilidade de entrada no franchising com a garantia de resultado. Cada um soube que a franquia encurtava o caminho, mas não dispensava o esforço de quem precisaria percorrê-lo.
O franchising não é uma garantia de sucesso, mas encurta a distância entre a decisão de empreender e a construção de um negócio que funciona.
Para quem está avaliando deixar o emprego formal para viver algo que considera seu verdadeiro propósito, as histórias acima oferecem mais do que inspiração: oferecem um mapa real, desenhado por quem já fez o percurso.
Link para o site – https://encontresuafranquia.com.br/historias-do-franchising/
Link dos vídeos das entrevistas:
ACUIDAR https://youtu.be/cQ7QeSeCrg8
ACUIDAR https://youtu.be/tlw8OKyi4u0
Azul Empréstimo https://youtu.be/aRmcjn8nmhA
Azul Empréstimo https://youtu.be/Cjgt29TRss0
Bevita https://youtu.be/Tj_VDGbW75Q
CORPO BUENO https://youtu.be/gsc16Nf1Obs
CORPO BUENO https://youtu.be/esl3PSLElP8
Dehon – https://youtu.be/_5YGZgNIsE8
Dehon- https://youtu.be/uLXbb61fkMI
Dehon- https://youtu.be/xQb_f6uxTUc
DI BLASI- https://youtu.be/CqxO8PCPnDE
DONA HELP- https://youtu.be/Xky7Je_nrtM
Instituto Visão Solidária- https://youtu.be/c144SVVg6jg
Instituto Visão Solidária- https://youtu.be/uJMjqiKC7Bs
Instituto Visão Solidária https://youtu.be/1UPWRTXjN18
JAH https://youtu.be/oiGvzOmF9-w
On Power https://youtu.be/ymuKJnbUDpk
RHF TALENTOS https://youtu.be/4deF2x6bWyM
RHF TALENTOS https://youtu.be/a0o23lOGNho
RHF TALENTOS https://youtu.be/8Z-Z6t55dWY
SORPACK https://youtu.be/6eVNOdf4EOk
SUPERNÍVEL https://youtu.be/f3gXStZPLWA
SUPERNÍVEL https://youtu.be/AvQmtrh-vbw
TOP3 https://youtu.be/OINdt-2BWPQ
Tudodvet https://youtu.be/c7I4ANqe_sA











