Ambientes tóxicos custam caro: seis estratégias para eliminar o preconceito nas empresas

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Levantamento com mais de 90 mil profissionais aponta impactos diretos do preconceito na saúde mental, na produtividade e na reputação das organizações
Ambientes de trabalho marcados por preconceito, discriminação e microagressões seguem sendo uma realidade para uma parcela significativa dos trabalhadores brasileiros — e representam um custo alto para as empresas. Dados da Diversitrack, base da consultoria Diversitera, mostram que 28% das pessoas negras já sofreram preconceito, assédio ou microagressões no ambiente corporativo, sendo que 9% relataram episódios explícitos de racismo. Entre as mulheres, 24% afirmam ter sofrido agressões verbais, psicológicas ou situações de preconceito. O grupo mais afetado é o de pessoas com deficiência: 35% relataram experiências de discriminação, piadas ofensivas ou assédio.
O levantamento reuniu respostas de mais de 90 mil profissionais de 60 empresas, distribuídas em 17 segmentos da economia. Os dados reforçam como preconceitos estruturais — muitas vezes manifestados de forma sutil — afetam diretamente o bem-estar dos colaboradores e a eficiência das organizações.
Segundo Marcus Kerekes, CEO da Diversitera, os impactos vão além da esfera individual. “O preconceito corrói a produtividade, reduz a capacidade de inovação e compromete a confiança interna e externa. Ambientes hostis também afetam a reputação das empresas diante de talentos e consumidores. Tratar diversidade e inclusão como pilar estratégico deixou de ser opcional”, afirma.
Para enfrentar o problema, a Diversitera aponta seis estratégias consideradas essenciais para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e resilientes:
1. Diversidade e inclusão como valor organizacional
A incorporação de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) como valor praticado no dia a dia é o ponto de partida para mudanças estruturais. A cultura inclusiva deve estar integrada às ferramentas de gestão e às decisões estratégicas.
2. Fortalecimento da cultura inclusiva
Políticas claras contra discriminação, códigos de conduta efetivos e comunicação interna contínua são fundamentais. Canais de denúncia seguros, confidenciais e com garantia de investigação também são considerados indispensáveis.
3. Ações de sustentação e manutenção
Recrutamento inclusivo, metas de representatividade, treinamentos recorrentes, criação de grupos de afinidade e a atuação de comitês de diversidade ajudam a garantir a continuidade das iniciativas e o monitoramento de avanços.
4. Engajamento da liderança
A liderança tem papel central na consolidação de ambientes inclusivos. Líderes precisam atuar como exemplos e porta-vozes das práticas de equidade, influenciando comportamentos e decisões.
5. Sensibilização e conscientização contínuas
Campanhas permanentes, ações educativas, espaços de diálogo e dinâmicas de reflexão são apontados como instrumentos essenciais para combater vieses inconscientes e intolerâncias arraigadas.
6. Revisão de políticas internas
A análise crítica de políticas de remuneração, benefícios, promoções e processos seletivos é necessária para identificar práticas que reproduzem desigualdades e exclusões.
Para a Diversitera, empresas que negligenciam essas ações não apenas expõem seus colaboradores a riscos psicossociais, como também comprometem sua sustentabilidade no longo prazo. Em um mercado cada vez mais atento a práticas ESG e à experiência do colaborador, ambientes inclusivos deixam de ser diferencial e passam a ser requisito básico de competitividade.











