Cinco lições de gestão que 20 anos de varejo ensinam para 2026

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Em um cenário de consumo mais exigente, digital e orientado a propósito, Ariane Oliveira compartilha aprendizados práticos sobre experiência, liderança, antecipação de crises e networking para manter o varejo competitivo em 2026
O varejo mudou e não foi pouco. Em duas décadas, os shoppings deixaram de ser apenas centros de compras para se tornarem espaços de convivência, serviços e experiências. O consumidor evoluiu, a tecnologia acelerou processos e, com o avanço das redes sociais, as crises se tornaram mais frequentes e imprevisíveis.
À frente do marketing do Mauá Plaza Shopping há 20 anos, Ariane Oliveira acompanhou essa transformação de dentro. A partir dessa trajetória, ela compartilha cinco aprendizados práticos para gestores que querem manter relevância no setor em 2026.
1. Entenda que o consumo virou experiência
Durante muito tempo, oferecer conforto, segurança e um bom mix de lojas era suficiente. Hoje, não é mais. O consumidor perdeu o “encantamento da novidade” e passou a exigir mais propósito, mais conexão e mais significado.
“O consumo deixou de ser apenas transação. Ele passou a ser experiência”, resume Ariane.
Isso significa olhar além do ponto de venda. É preciso mapear toda a jornada — antes, durante e depois da compra — e integrar ações físicas e digitais. Em 2026, quem competir apenas por preço ou conveniência ficará para trás.
2. Preserve a identidade, mas atualize a linguagem
Digitalizar não é abandonar a essência da marca. É traduzi-la para novas gerações.
A chegada dos públicos Z e Alpha exige comunicação ágil, presença digital consistente e diálogo transparente. Mas isso não significa romper com a história construída ao longo dos anos.
O desafio da gestão está em equilibrar tradição e inovação. A identidade é o que sustenta a marca; a linguagem é o que a mantém atual. O “divisor de águas” estratégico, segundo Ariane, é entender que digitalização não é um projeto, é um processo contínuo.
3. Faça gestão de crise antes da crise existir
Se há algo que duas décadas de varejo ensinaram é que crises são inevitáveis. Mudanças econômicas, transformações no comportamento do consumidor, eventos inesperados — tudo impacta diretamente o setor.
“A Ariane de 20 anos atrás lidava com as crises quando elas aconteciam. A de hoje se prepara antes”, afirma.
A gestão moderna é preventiva. Significa ter processos claros, comunicação alinhada, relacionamento sólido com parceiros e capacidade de adaptação rápida. Em um ambiente cada vez mais volátil, a antecipação virou vantagem competitiva.
4. Liderança é, antes de tudo, inteligência emocional
A gestão no varejo envolve equipes internas, lojistas, fornecedores e clientes. É um ecossistema complexo, onde decisões impactam múltiplos atores.
Para Ariane, habilidades comportamentais ganharam protagonismo. “Existem competências mais importantes que o conhecimento técnico. Eu busco pessoas com inteligência emocional e capacidade genuína de trabalhar com e para pessoas.”
Em 2026, liderar não é apenas cobrar resultado — é saber ouvir, negociar, mediar conflitos e construir confiança. Times fortes não são formados apenas por especialistas, mas por profissionais complementares e colaborativos.
5. Invista em networking como ativo estratégico
Entre técnica, experiência e networking, Ariane não hesita: conexão é o ativo mais valioso.
“Networking é sobre quem lembra de você quando uma oportunidade aparece.”
No varejo, parcerias estratégicas, boas relações com lojistas, fornecedores e imprensa fazem diferença real no desempenho do negócio. Construir reputação e manter relacionamentos consistentes abre portas, especialmente em momentos de expansão ou crise.
O varejo de 2026 será humano, integrado e estratégico
Apesar da aceleração tecnológica, há um movimento claro de valorização das experiências presenciais. O pós-pandemia mostrou que as pessoas continuam buscando conexão real, convivência e momentos fora da tela.
Para gestores, o desafio não é escolher entre físico ou digital, tradição ou inovação. É integrar tudo isso com propósito.
O varejo segue competitivo, pressionado e em constante transformação. Mas, como mostram 20 anos de experiência, quem aprende continuamente, constrói relações sólidas e antecipa movimentos do mercado mantém relevância — mesmo quando o cenário muda.









